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29 maio 2026

[RASCUNHO] Backrooms: Um Não-Lugar

 Publicado em redes sociais.

Backrooms (2026)

Conheci o conceito de backrooms logo quando começou a ganhar força na internet, mas apenas esse ano fui me interessar mesmo. Lembro de estar lendo sobre estéticas de internet, sobre espaços liminares, sobre o horror digital e afins e as Backrooms entraram nesse meio. Talvez eu tenha ignorado pela imagem que isso era vendido, como se fosse uma creepypasta qualquer. Mas não é. Backrooms é realmente interessante.

Salas infinitas, coisas fora do lugar, ambientes vazios, paredes aleatórias, cenários confusos, ambientes fechados, criaturas perigosas, clima de claustrofobia e de tensão, ao mesmo tempo de uma curiosa calmaria até certo nível. Vale reforçar, porém, que o filme em questão foi feito pelo Kane com base em sua lore criada na série de vídeos no YouTube. As pessoas na internet criaram várias versões, mas o filme, dirigido pelo próprio Kane, com o selo A24 e contando com elenco principal de renome, segue todo pelo universo do diretor. 

Tenho muitos elogios e críticas para a tal "série", desde elogios a ambientação até críticas ao pouco avanço narrativo, mas ver como as coisas foram ganhando forma pra um longa, e ver o longa se sustentando como longa mesmo, foi prazeroso. Particularmente, gostei muito mais dos vídeos "found footage" do que dos vídeos dos funcionários trabalhando. E para o filme também seguiram isso, felizmente (para mim rs). Tanto que temos o começo mostrando algo e depois meio que jogam isso de lado.

Depois de uma boa abertura padrão estilo found footage (algo que o filme alterna em algumas cenas), mostrando o perigo daquele misterioso lugar, ou melhor, não-lugar, logo vamos sendo apresentados aos personagens e a todo um contexto dramático envolvendo terapia, reflexões sobre a vida, ciclos, vícios, traumas. Não conseguir ir adiante e se apegar ao que já sabe o resultado, mantendo o loop, se torna uma metáfora junto ao que é apresentado das esperadas Backrooms, assim como paralelos com cenários reais. O que funciona demais.

Explorando as Backrooms, o longa entrega e alterna entre momentos de tranquilidade, de mistério, de curiosidade, de desespero, de humor, de pavor. E sem ficar tão repetitivo. Mas falando de ciclos, o mesmo não pode ser totalmente dito do próprio filme. Não sei o quão intencional foi, mas ele guarda surpresas que arriscam o que foi apresentado até então, justamente como uma quebra. Pra mim, apesar do estranhamento inicial, funcionou muito bem conforme fui absorvendo a ideia.

E falando em absorver ideias, notei que o filme anda dividindo bastante opiniões, apesar das médias gerais estarem boas. Creio que quem acompanhou a série de vídeos do Kane ou que conheça a ideia proposta vá apreciar mais. Ou não (rs). Não vale se encher de teorias de fãs quando a premissa é outra. Ainda assim, é um longa que funciona completamente isolado, e muito bem. É uma ideia que precisa ser maturada. A diferença está em detalhes. Por mais que o que tenha na série também tenha nos filmes, em parte, ainda é em profundidade muito menor. O filme tem que cuidar de ambos os públicos, os que nunca ouviram falar disso aqui e os que acompanhavam o trabalho do diretor, e, ao meu ver, conseguiu muito bem.

Com cenários de chamar a atenção e uma trama que funciona mesmo parecendo batida, junto a momentos tanto melancólicos quanto assustadores, seja na vida real, seja nos espaços além, o filme de Backrooms, que no Brasil ganhou o subtítulo de "Um Não-Lugar" entrega o que se espera de uma obra do gênero. Pouco se explora, sim, e ainda inserem alguns elementos que mal tocam a superfície, mas tá tudo lá. O básico tá lá. E funcionando. O mistério faz parte da experiência. A jornada é o que vale. Espero que façam mais filmes no estilo. Além da própria narrativa deixar ganchos pra mais aqui e ali, alguns cenários explorados mostram a lasca da vastidão desse espaço.

21 março 2026

Comentários sobre O Rei da TV (2022) x Silvio (2024) x Silvio Santos Vem Aí (2025)

 


O Rei da TV (primeira temporada) - Comentário publicado em 2022 nas redes sociais.

"Quem quer dinheiro?" "Eeeeeu". Enfim uma série sobre Silvio Santos, o maior apresentador da televisão brasileira. Nessa primeira temporada a linha principal acompanha o período em que o comunicador perdeu a voz, intercalando assim com outra linha temporal, e a mais importante, sobre todo o começo dele, desde o camelô até o SBT. Quanto a questão de caracterização, senti que muitas vezes alguns personagens, incluído o Silvio, soavam caricatos demais. Levei um tempinho pra desassociar as imagens dos representados e adentrar a proposta da série. Quanto aos personagens, há várias "participações especiais" de famosos (interpretados por atores) que fizeram parte da história, e isso foi bem legal. Faltaram alguns, claro. O Gugu em especial é um dos recorrentes, já que a série apresenta uma "rivalidade" entre os dois. 

Alguns momentos famosos da história do SBT também são citadas, algumas ganhando cenas próprias e outras ganhando momentos rápidos. O que achei questionável foram determinados momentos da série onde temos umas cenas do nada referenciando algo do SBT com o Silvio se imaginando em outro local, numa pegada meio sonho/alucinação. Destoa muito da maior parte. Agora as cenas dos programas merecem atenção. De começo eu tava meio receoso sentindo que faltava empolgação, mas aos poucos fui sendo envolvido também. A série não esconde que o apresentador tinha suas falhas e trata tanto sobre sua trajetória profissional quanto pessoal. Com certeza devem ter aliviado partes e alterado umas ou outras como todo produto de ficção baseado em fatos faz, mas a essência tá ali. No aguardo da segunda temporada.


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O Rei da TV (primeira temporada) - Comentário publicado em 2022 nas redes sociais.

Uma temporada boa, divertida, interessante e menos caricata. Passada a trajetória de crescimento de Silvio Santos ao poder, acompanhamos a época do surgimento do "novo SBT". O arco "futuro" (escândalo do Pan Americano) não tem tanto peso nem constrói tantos paralelos igual ocorreu na temporada anterior. O arco "passado" (novo SBT) porém está repleto de destaques, já começando a tratar sobre a candidatura do apresentador a presidência. Nisso vemos também as mudanças dentro da emissora e principalmente a luta de audiência contra a Globo. O Faustão ganha destaque nas batalhas contra o Gugu, enquanto o Silvio passa por problemas pessoais e se vê em conflito com os novos tempos. Temporada muito bacana de assistir. Se tiver uma terceira ficarei no aguardo. [SPOILER: E já podem cancelar aquele filme do sequestro que parece uma bomba porque a série já contou aqui rs]


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Silvio - Comentário publicado em 2024 nas redes sociais.

"É Senor. O Silvio você deixa lá fora". Funciona mais como um filme policial do que um filme sobre Silvio Santos. Demoraram tanto pra lançar o longa que, nesse meio tempo, tivemos a série de TV "O Rei do Show" (que é bem melhor) [inclusive o ator do sequestrador reprisa o mesmo papel em ambas as produções], e, recente e infelizmente, ainda tivemos a partida do apresentador. Mas então "Silvio" enfim saiu, com... Rodrigo Faro. Uma caracterização que não convence em momento nenhum. Tem cenas que parece que esqueceram a maquiagem. Mas não diria que o cara entrega mal. O problema parece ser além. Nos flashbacks há outros atores. Ah, os flashbacks... 

Abrindo com a libertação de Patrícia, o filme que ninguém pediu, mas com potencial de render algo interessante, conta o dia em que Senor Abravanel foi sequestrado pelo mesmo sequestrador de sua filha. Ele se divide então em pequenos núcleos de personagens com importância meramente ilustrativa e, na linha principal, entre Silvio e Fernando, se divide em suas conversas no presente e em flashbacks do passado de Silvio. São flashbacks puxados por diálogos, por momentos de silêncio, do nada, por ganchos com alucinações, pela brecha que for. Quando não está contando um episódio ocorrido, seja inteiro, seja todo picotado em partes e interrompido por momentos no presente que nem sempre tem propósito, a edição insiste em ser infeliz com alguns vislumbres soltos altamente repetitivos numa tentativa de forçar um drama referente tanto a relação conturbada de Silvio com o pai quanto a morte de sua primeira esposa, sem sequer explorar a fundo tais elementos. É esperado que, ao tentar jogar tantas coisas em menos de duas horas de tela, não dê pra desenvolver tanto, mas poderiam ter tido um melhor cuidado, a começar por eliminar as cenas mais apelativas/repetitivas. Já as alucinações até tem umas sacadas interessantes a base de referências, mas o resultado passa longe. Ainda nos flashbacks, temos citações aqui e ali sobre o passado do Silvio, como ele começou a carreira e tal, mas nunca temos o vislumbre do império em si, nem do que o fez o Silvio Santos do entretenimento, apenas uma lasca de seu lado bom de lábia pra vender. Curioso que sequer citam o SBT, mas citam a Globo kk

Quanto ao presente (2001), o lado policial traz um diferencial ao longa, mas, sem ter muito para onde ir, já que a maior parte do caso foi sob negociações e refém, com o tempo o roteiro desacelera, justamente a desculpa perfeita para dar espaço para os flashbacks. Vemos Silvio a todo tempo tentando conversar com Fernando e convencer ele de terminar aquilo de forma positiva, sempre se aproveitando de seu jeito de falar e de persuadir as pessoas, onde nunca sabemos o quanto daquilo é armado por puro desespero e o quanto daquilo é pessoal por qualquer tipo de vínculo que possa ter surgido no momento entre os dois, já que o filme mescla bem isso. Beira o motivacional. E Fernando aqui ganha um grande destaque, sendo mais humanizado em vez de um bandido qualquer, por mais que o roteiro não explore tanto sobre ele em si. "Silvio" chegou tardio, mas, apesar de todos os problemas e de toda a crítica negativa, não chega a ser de todo ruim. Mas é melhor ver O Rei da TV mesmo (rs), e esse caso foi contado lá também. RIP Silvio.


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Silvio Santos Vem Aí - Comentário publicado em 2026 nas redes sociais.

Mais um filme morno sobre Silvio Santos. Mas tem seus momentos. Hassum tá bem melhor como Silvio do que o Faro kk O filme parece uma grande homenagem ao apresentador. É bem chapa branca, só elogios e boa imagem. Riscam algumas polêmicas bem de cima só em citações só pra usar como desculpa pra dizer que falaram algo (rs), mas nunca confrontam além de uma linha. Tive sensações mistas com as cenas dos programas, que usaram de forma tanto brega quanto criativa pra misturar com lembranças do passado do Senor (ele adulto falando com ele criança, por exemplo, ou a cena de memória com anúncios). A linha narrativa é a campanha presidencial e a protagonista está tentando entrevistar ele pra montar seu perfil político. 

Se eu disser que me entretive mais com o filme questionável com o Faro do que com esse, capaz de me tacarem um baú da infelicidade. Esse com o Hassum soa mais bem feito mesmo, mais equilibrado, melhor tecnicamente, muito mais bem editado, mas em questão da parte biográfica sobre a vida do Silvio, o outro explorou mais que esse, mesmo com todos os demais problemas. E a trama no outro era um sequestro, enquanto aqui temos uma água com açúcar. Em batalha de filmes fracos, cada um tem seus prós e contras. Quando vem um próximo e qual ator? Deixo minha recomendação pra série O Rei da TV, que até agora foi a única produção boa sobre o ícone da televisão brasileira.


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28 fevereiro 2026

[RASCUNHO] Pânico 7

Pânico chega a 30 anos de franquia refém de si mesmo. O que outrora brincava com clichês de filmes de terror, zoava da repetição, fazia referências e esbanjava metalinguagem, agora cai na armadilha do que combateu. E não foi por falta de potencial. Até acredito que fosse inevitável uma hora ou outra, mas não agora.

Depois de um bom retorno da franquia com o quinto filme, o sexto tentou inovar, trazer novidades e ainda inserir elementos para expandir a saga. Apesar de ressalvas, o resultado ainda foi bom.  Já o 7, por mais que não seja essa ruindade toda que andam apontando, parece um slasher genérico que foi adaptado pra se encaixar na linha narrativa de Pânico.

Inicialmente, elaborei enquanto escrevia esse comentário que o filme parece viver a base de uma nostalgia já desgastada nos últimos longas (digo, neles foram bem feitos, já aqui se torna apenas repetição), porém, refletindo melhor, parece mais que o roteiro está satirizando a si mesmo da forma mais rasa possível, não com ironia, mas como se tivesse noção do "erro" e utilizasse tal elemento como "desculpa" para as coisas ocorrerem como ocorrem. 

Aqui Sidney está vivendo sua vida longe dos holofotes. Ela está em conflito com sua filha quando se vê novamente na mira do assassino mascarado, com suspeitas de um possível retorno. O que essa última parte acrescenta? Nada demais não. O que era pra ser o trunfo, fazem de forma tão relaxada e com um suspense tão artificial que quase revelam tudo de primeira. Ainda bem que o roteiro se mantém sem isso. 

Com um impacto morno, o sétimo longa recicla o que já foi reciclado, possui personagens em sua maioria descartáveis, algumas atitudes questionáveis, uma revelação de assassino muito do sem graça e, o pior, ainda deixa de lado as tantas homenagens ao cinema de terror que se tornou marca registrada. Um absurdo. 

Por outro lado, em meio ao vazio, ainda diverte, ainda traz algumas boas cenas, ainda tem vítimas reagindo e confrontando o Ghostface, ainda tem bons momentos de tensão, ainda consegue prender a atenção em alguns pontos. A verdade é que dá pra ver o filme "de boa". Ou parte dele. A crítica vem quando se coloca em perspectiva com o todo. Não é um filme qualquer. É Pânico. E isso pesa. 

Um grande acerto o retorno da Sidney pra franquia e a contínua presença da Gale, mas que erro terem demitido a atriz protagonista dos anteriores, ignorando todo um arco em andamento que poderia ter levado a um rumo curioso. Espero que as coisas possam se consertar até um próximo, mas parece difícil. Pânico 7 está mais para a série da MTV que para os filmes cinematográficos. Que facada (rs).

30 agosto 2025

Interestelar e a sensação de rever um filme no cinema

 A jornada pelo espaço em busca de uma salvação para a humanidade. Quando Interestelar lançou, lá em 2014, o cinema perto de casa colocou um poster gigante dele, mas ao fim não exibiu o filme. Era costume. Acontecia vez ou outra. O poster enorme, em destaque, mas chegava no lançamento e nada. O tempo passou e acabei conferindo o filme em casa. Foi "absolute cinema" à primeira vista. Que filmaço. Fui revendo com os anos e continuava incrível. Daí que um tempo atrás comecei a dar atenção a certas críticas em relação ao filme e acabei até concordando em pelo menos uma em relação ao tempo de tela de certa personagem em certa cena. Porém, ao rever, a sensação de estar presenciando algo magnífico voltava. Eis que agora, em 2025, uma década e um pouquinho mais depois, enfim pude conferir o longa no cinema em seu novo relançamento. Que filmaço. É uma sensação muito diferente ver um filme em tela grande numa sala de cinema. Mesmo já tendo visto e revisto, mal notei as quase três horas passarem. Pelo contrário, reparei mais nos momentos, nas cenas, nos temas. E continuou tudo muito bom. Mesmo os supostos defeitos, tudo se esvaiu e se tornou poeira cósmica perante o universo apresentado ali. Toda a viagem espacial, toda a temática, toda a abordagem científica e humana, toda a questão do amor, tudo me atraiu novamente. Tudo muito bom. Não devemos ter medo da morte. Devemos ter medo do tempo.

25 janeiro 2025

[RASCUNHO] Arca de Noé (2024)

 ~ publicado originalmente em redes sociais ~

Arca de Noé (2024)

Sing versão Arca de Noé na suposta maior animação brasileira. Quem achou o Noé do Aronofsky herético, vai infartar com esse e encontrar Jesus ou o diabo no mesmo dia. O que os dois tem em comum na real é que ambos tem apenas uma inspiração no conto bíblico, e não são adaptações deles. A enorme diferença é que o outro é bom e tenta se usar de licença poética, enquanto esse... Só pega a base mesmo e que se dane o resto. Na real, essa animação é inspirada em poemas do Vinícius de Moraes, que, junto a Tom Jobim, são homenageados no longa. É um filme bem infantil, com músicas bem infantis e roteiro bem infantil.

Eu nem veria, não só por não ser o público-alvo, mas também porque achei o trailer ruim demais, porém... Teve polêmica, vi boicote, vários textões copia e cola provando que muitos sequer viram o longa, então decidi conferir. É... Meio que é tudo ou boa parte verdade por parte das acusações, mas a noção de realidade e contexto passou mais longe demais. Algumas das reclamações que fizeram foi a indagação do porque Deus não escolheu famílias lgbtqia+ na arca, o uso de pronome neutro, Noé sendo um pateta, Deus dizendo a Noé "se vira, caboclo", coisas assim. Tem tudo isso mesmo rs Em momentos únicos de frases únicas, mas tem sim.

Os protagonistas da trama são dois ratos, mas a neta de Noé ganha destaque também. A trama remendada estica no que pode pra render um longa. A premissa de um concurso musical demora a ocorrer, porque até lá tem outros poucos acontecimentos. O vilão é o leão, que se acha superior e cria uma divisão no local, ameaçando a todos. Tem um arco de um buraco que surge na arca também. O uso de gírias atuais é constante e faz sentido, então do nada tem referências e piadinhas e coisas como "dá um like" e "isso é fake news". Quando abre um buraco na arca, os animais de fora ficam falando "Titanic!" (rs). Achei criativo no começo, os animais impacientes zoando a enorme demora que os filmes brasileiros são pra começar de verdade por conta das dezenas de marcas que aparecem na abertura. Tire todas as polêmicas e terá apenas uma animação bobinha e caricata pra garotada. Chato, mas, novamente, não sou o alvo disso.

[RASCUNHO] Lobisomem (2025)

 ~ publicado originalmente em redes sociais ~

Lobisomem (2025)

A nova versão do Lobisomem é um drama familiar sobre a convivência com um ente querido com doença degenerativa. É isso. Pelo que pesquisei, o próprio diretor falou sobre tais inspirações. Ainda tem seus momentos de terror, muitos momentos de suspense também, mas é principalmente um drama, reimaginando o clássico personagem numa pegada do terror moderno que busca fazer analogias/metáforas a alguma questão social e/ou humana.

O filme até acerta em sua proposta e entrega um resultado ao meu ver aceitável, mas também escorrega em si mesmo. É o famoso "não fede nem cheira". Não souberam onde parar com os momentos dramáticos, esticando sempre que possível. É aquela sensação de algo estar indo muito bem, envolvente, criando um vínculo entre o público e os personagens, mas daí passa do ponto e começa a cansar. E o ciclo vai se repetindo. E justamente por ir melhorando, a sensação de quando piora é esquecida e lembrada apenas quando enfim volta a ficar morno. Por outro lado, os momentos mais terror e gêneros afins chamam a atenção e dão uma renovada, seja pela ambientação do campo e da floresta, seja pelo clima do mal estar bem ali com eles, seja pela ação no calor do momento pela sobrevivência. O arco dentro da casa resume bem demais tudo isso, entregando os pontos mais altos e mais fracos do longa.

Há uma inspiração também em A Mosca, confirmado pelo diretor, mas a transformação de homem para lobo parece carecer de um impacto visual maior, tendo peso mais pelo seu contexto. Há algumas cenas que buscam mostrar as coisas pelo ponto de vista do monstro, o que de começo achei interessante, mas depois ficou genérico. O clímax não é grande coisa. Toda cena de ataque o roteiro ajuda os personagens. Ainda assim é um filme com mais pontos positivos que negativos, mais cenas boas que fracas, e vários momentos envolventes, seja na questão familiar, seja no perigo. Faltou mais Lobisomem no filme do Lobisomem? Faltou. Mas é detalhe (rs). Tentaram uma outra proposta com uma ideia muito boa, mas com um resultado que, mesmo com seus altos, poderia ser melhor.

[RASCUNHO] Parasite Eve

 ~ publicado originalmente em redes sociais ~

Parasite Eve

Um drama sobre luto e experiência científica. Creio que a mídia mais famosa de Parasite Eve seja sua franquia de jogos, porém tudo nasceu com um livro, que depois foi adaptado em filme. Enquanto os jogos seguem como uma "continuação espiritual", o filme busca ser mais fiel ao livro. Pelo menos é o que pesquisei, pois não li nem joguei (rs).

Falar sobre a trama é quase que um spoiler, visto que, apesar das duas horas de duração, o conteúdo narrativo do longa se resume em sua própria sinopse. Um cientista que está estudando o poder das mitocôndrias perde sua mulher num acidente. Em paralelo, um médico busca um doador de rins pra salvar uma paciente. Os dois se cruzam e o cientista descobre que as mitocôndrias são inteligentes e tem consciência própria.

Até aí já foi mais da metade do longa. É um filme lento, que começa como um romance e se torna um drama e culmina numa ficção científica com pegada de horror. Mas o drama romântico e meloso permanece. Diz o diretor que foi obrigado a seguir por esse caminho. Ele queria fazer um filme com uma pegada mais voltada ao terror e não deixaram. Provavelmente teríamos visto uma mistura boa de ambos na tela. Mas falando do resultado, temos algo competente na maior parte do tempo. Sem preocupação em acelerar as coisas, a trama bate na ideia de luto e do biólogo tentando superar as coisas e estudando seus casos. Acaba se estendendo mais do que devia, mas tem um clima envolvente.

No ato final acaba deixando a desejar, como se prometesse muito e entregasse pouco. Não sei qual foi o orçamento, mas parece ter sido baixo. Apenas arranham possíveis potenciais de um horror e talvez uma ação, destoando um tanto do que foi visto até ali, mas o drama volta a prevalecer. Soube que aliviaram o filme em relação ao final original do livro. É um filme curioso.

[RASCUNHO] Oficina do Diabo (2025)

 ~ publicado originalmente em redes sociais ~

~ apenas uma análise de base, sem aprofundamentos ~

Oficina do Diabo (2025)

O primeiro filme da Brasil Paralelo. Uma ficção inspirada em obras clássicas da literatura, principalmente em um livro de C S Lewis, que inicialmente venderam assim e depois de uma polêmica voltaram atrás. Como citam, "propaganda é a alma do negócio". Isso serve também pros próprios com o marketing descaradamente apelativo elogiando sua própria produção e criticando o cinema brasileiro, como se estivéssemos diante de algo inovador. [E o Paulo Kogos chamando de melhor filme nacional de todos os tempos? haha] Mas tem que vender, né. Nisso até a Sony já chamou Venom de filmaço. Mas deixemos de lado. Sigamos.

Sabem aqueles filmes gospel de baixo orçamento com lição de moral e tudo mais? Acho entediante. Um saco de ver. O que temos aqui é algo parcialmente parecido, só que, e isso acaba sendo um mérito, melhorado. A Brasil Paralelo sabe fazer um audiovisual chamativo. Trazendo uma pegada mais interessante pra batida história de desafios da vida, a trama acompanha dois diabos, um novato e outro experiente, tentando conquistar a alma de um homem que se sente fracassado na vida após não conseguir alcançar seu sonho e voltar a morar com a mãe religiosa.

Em suas desnecessárias mais de duas horas de duração, o longa explora métodos de como o diabo tenta, seduz, manipula as pessoas a se tornarem perdedoras. Seus poderes não são atacar as pessoas diretamente, e sim plantar sementes aqui e ali que terão impactos duradouros futuramente. Criticando o mundo atual, as filosofias de pensadores clássicos e tudo o que supostamente afasta as pessoas de Deus, o filme é uma jornada sobre recomeço, perseverança e fé. Um papo muito batido para alguns, porém muito envolvente para outros. Sinto que fiquei em algum meio de caminho. Esperava uma bomba completa, mas vi até o fim e fiquei "é, ok, brega, poderia ser melhor, mas... ok". Apesar da péssima fórmula "Deus Não Está Morto" de colocar ateus como os chatos que zombam de alguém que acredita em Deus ser usado aqui, pelo menos não colocam os cristãos como perfeitos.

Realmente, tem potenciais aqui e ali, momentos interessantes, uma tentativa de falar da essência humana e de criticar atos que fazemos que nos prejudicam, por baixo das questões religiosas, além de levantar alguns pontos reflexivos (sobre como ter fé, sobre livre arbítrio, etc), embora nem sempre respondam (deveriam? talvez), mas muitas vezes esticam as cenas que, junto a uma trilha repetitiva e a momentos por vezes melosos, acaba cansando. [Nem consigo criticar tanto o uso excessivo da música lá de Israel porque eu também gosto dessa música (rs)]. Mas uma coisa que senti que ficou devendo foi o impacto das mudanças do protagonista terrestre. Faltou mais peso nos ocorridos. Soam vagos, aleatórios. Até mesmo alguns dos acontecimentos. Quanto a atuações, não sou técnico nessas coisas, achei ok. É um dos filmes já feito.

30 abril 2022

[RASCUNHO] No Portal da Eternidade

 Publicado originalmente em redes sociais.


"No Portal da Eternidade" acompanha a mente conturbada de Van Gogh durante seus últimos anos enquanto apreciamos belas paisagens. O pintor anda, corre, procura na natureza, em campos abertos, sua inspiração. Busca retratar sua visão ali, dizendo que cada vez que olha um ambiente nota mais e mais detalhes. Como dito em certo diálogo, poderiam colocar dois pintores para pintar a mesma paisagem que ainda assim sairiam quadros diferentes. 

Em contrapartida, temos, de forma tão confusa (e nisso até poética) quanto a mente do artista, seu lado problemático. Esquecendo de momentos, tendo visões, se descontrolando e atacando pessoas, sendo menosprezado pela maioria ao seu redor, fazendo loucuras sem ao menos entender a si próprio do motivo daquilo tudo acontecer. Como duas personalidades, Van Gogh quer apenas pintar. O famoso "gênio e louco". 

O filme não se preocupa tanto em detalhar a vida do pintor, oferecendo mais apreço visual e pinceladas pelos ocorridos, como um quadro que conta determinado momento da história registrada ali. O clima lento e a trilha relaxante regem as cenas, que possuem alguns elementos curiosos. A câmera as vezes segue um padrão mais comum, mas por outras é mais ágil ou até mais agressiva, indo para cima do protagonista, correndo atrás dele, focando seu rosto seja de forma estável ou até mesmo tremida, variando conforme o clima e o temperamento daquele do qual o filme é o foco. Notei também algumas interrupções bruscas em cenas, numa transição para outra cena em forma de que passe alguma ideia de novidade. Alguns diálogos são inspiradores, e destaco especialmente os de Van Gogh com seu irmão no hospital, com o padre no hospício, com o outro pintor em meio a natureza e com o médico amigo. Belo filme.

19 março 2022

Curiosidades sobre o filme "Projeto X"

Filme de uma hora e meia com um bando de adolescentes se achando o máximo por curtir uma festa com muita bebida e drogas até tudo sair do controle.

Merecia um documentário.

~ Bastidores.

- Pra dar mais realismo, contrataram atores não-famosos e filmaram ao estilo "câmera na mão".

- A produção manteve o clima de festa até fora das gravações, isso durante semanas.

- Apesar do roteiro e das câmeras profissionais, várias cenas adicionais foram gravadas livremente pelo elenco mesmo, através de smartphones, pra dar um clima maior de naturalidade.

- A polícia chegou a ser chamada devido a tanto barulho, tanto que a Warner se desculpa no começo do filme.

- Ao final das gravações, quase todo o set havia sido destruído.

~ Impacto.

- Por mais que festas do tipo acontecem na vida real e que filmes do tipo não sejam novidade, "Projeto X" foi acusado de inspirar várias festas posteriores. Adolescentes, né.

- Tem várias notícias pela internet sobre os ocorridos, com festas que renderam milhares de dólares de prejuízo, muitas prisões e até morte. Na Wikipedia em inglês resumem bem vários casos. E no IMDB tem várias curiosidades do filme.

- A ironia: O filme foi inspirado livremente num acontecimento real ocorrido na Austrália em 2008.

- A ficção imita a realidade. A realidade imita a ficção.

- A sequência do filme foi confirmada e depois cancelada.

25 setembro 2021

Comentando sobre Neon Genesis Evangelion

 Reuni aqui postagens que fiz em redes sociais sobre o anime Neon Genesis Evangelion. Segue.

- Anime e longas originais:

Animaço. Gostei bastante. Ouvia falar muito, só que sempre enrolava pra ver, tinha outro pensamento do que seria e acabou que me surpreendeu. Pensei que seria um mecha qualquer, mas não, esse troço moldou o mercado, carregado de um teor filosófico marcante pra época.

Tem lá suas várias batalhas de "evas" contra "anjos", mas muito é ocupado pelos conflitos pessoais de seus personagens traumatizados, e isso meio que reflete na própria forma como as coisas acontecem, visto que, mesmo com toda a tecnologia humana, ainda há muita dificuldade em se manter de pé. Cada ataque tem um problema na luta e no combatente.

Até tentam trazer alguns pontos mais pé no chão pra trama pós apocalíptica ter uma base na realidade, tipo gastos de energia, porém os mesmos se contradizem em outros momentos, mas dá pra relevar. Há uma inserção de humor em diversos momentos, o que funciona bem na maior parte, entretanto, conforme o tempo passa, o peso de viver se sobressai e sufoca a todos.

NGE não é perfeito e tem seus problemas, e reflete seu tempo e sua cultura. Os momentos extremamente duvidosos de fetiche adolescente típicos de animes estão presentes aqui. O final também é bem questionável e reciclável. Apesar desses detalhes, a obra não se resume a isso. Todo o contexto, a trama, os personagens, os acontecimentos, o clima, a maior parte do que compõe o anime, chega a ser marcante demais, e por isso pode ser considerado uma obra-prima.

Quanto ao primeiro longa, "Death (true)²", que resume o anime até o epi 24, vou ser o do contra. Como resumo achei falho. Serve mais pra recapitular mesmo, apresentando arcos em ordem cronológica, mas ainda assim indo e voltando no tempo pra apresentar demais arcos. É tipo trocar seis por meia dúzia. As cenas adicionais não são importantes. Não vi nada de confuso no anime que aqui pudesse explicar, até porque é a mesma coisa.

Quanto ao segundo longa, "The End of Evangelion", também serei levemente do contra. É um final mais "digno" pro anime. Melhor que os dois últimos episódios (até por contar o que se passou antes e durante eles, algo que o anime "cortou"). Não por isso menos enrolado ou menos confuso rs Por vezes senti que se estendeu tanto quanto antes. Curioso que o filme foi sendo mais aceito com o tempo, mas não ignora o fato de que é mais um festival visual que tudo, já que de resto é mais do mesmo do que já foi visto no anime, só que muito mais exagerado. Vai de um show insanamente violento até um drama meloso depressivo.

- Rebuild:

O que começou como um remake da luta entre "evas" e "anjos" e da história de um protagonista ferrado da cabeça, se tornou algo próprio. Embora inferior ao material original, é uma boa versão alternativa.

"1.11 Você (não) está só" ~ Basicamente uma união dos primeiros episódios do anime só que refeitos com visuais atualizados e mudanças em detalhes, além de um ritmo levemente acelerado. Trocam alguns ambientes (mantendo o contexto do ocorrido), ocultam alguns acontecimentos e desfazem qualquer mistério. Fora isso é a mesma coisa. Se tivessem relançado o anime nesse formato como remake eu veria de boa.

"2.22 Você (não) pode avançar" ~ Pegaram quase todo o anime e refizeram uma releitura, mudando a forma como ocorre alguns acontecimentos, acrescentando personagens e melhorando visuais (e descartando boa parte dos eventos nas entrelinhas), até chegar a um ponto em que se muda completamente do que já foi visto. Não busca ser um resumo do original, e sim um filme próprio, tanto que não há clima nem preparo para um fim, mas sim uma aventura que segue avançando de forma normal até que inesperadamente o caos apocalíptico se torna inevitável.

"3.33 Você (não) pode refazer" ~ Aqui começa o totalmente inédito, como uma continuação alternativa após o fim do anime. É bem diferente dos anteriores, e, grosseiramente falando, a trama é bem inferior ao original, mas é uma boa animação. Há um novo ambiente onde o protagonista fica mais deslocado do que nunca e, nessa nova realidade não tão interessante assim (o que dá um mérito pelo que conseguiram com o resultado), vemos sua adaptação, que tudo tem a ver com a mensagem passada de que a vida continua.

"3.0+1.01 A Esperança" ~ Com a nova realidade já apresentada, temos uma inserção de nostalgia e retorno de antigos personagens. Não sendo apenas fanservice, a narrativa faz bons e importantes usos dos elementos. É como um recomeço e uma conclusão pra franquia. A parte da ação entretanto é a mais fraca dos longas, e isso pesa querendo ou não. Um agradável filme e seu encerramento creio eu talvez tenha sido até mais ousado que no original dentro de seu contexto.

[RASCUNHO] Polícia Federal - A Lei é Para Todos

~ Publicado originalmente em redes sociais. ~

~ Apenas um comentário, nada aprofundado. ~


Polícia Federal - A Lei é Para Todos 


Um filme feito no calor do momento que, mesmo atual e com sua trama ainda acontecendo na vida real, hoje soa parcialmente datado devido a acontecimentos e revelações posteriores, mas que resume bastante, porém infelizmente de forma bem rasa, o começo da polêmica operação Lava-Jato. Bom pra adentrar no tema.

O que era pra ser o primeiro de uma trilogia (vai sair mesmo o segundo?) se vende como um filme investigativo, tanto que seu núcleo de personagens principais envolve a Polícia Federal (que dá nome ao filme). O problema é que a narrativa se agarra demais ao modelo de resumo (prejudicada pela curta duração) e não passa aquela sensação de investigação como deveria, justamente o que era proposto. Tem, mas não o suficiente, faltando impacto maior. O ritmo entretanto é bem dinâmico e empolgante com o passar do tempo, a ponto de deixar claro que funcionaria melhor como série que longa.

Fingindo ser imparcial, há boas sacadas sobre não escolher lados, mas é visivelmente claro que escolhem sim. Não só uma ironia com a vida real como também um reforço de que uma história contada sempre escolhe um lado, e não necessariamente há algo errado nisso, dependendo dos fatores.

Colocam uma pequena subtrama totalmente desnecessária do protagonista policial com sua família que nada acrescenta na trama geral, servindo como uma tentativa frustrante de envolver o público ao personagem, sendo que ele em si, ignorando tais detalhes adicionais, possui tanto desenvolvimento quanto qualquer um dos demais da equipe, ou seja, quase nada. Ora, os lados são por vezes caricatos, tanto do policial herói quanto do político criminoso.

A Lei é Para Todos como filme pode ser um passatempo ok e uma porta de entrada pra pesquisar sobre o tema, ainda mais numa época em que o povo se divide em lados e adota políticos de estimação a ponto de desanimar qualquer um que não se encaixe nessa realidade. Ao mesmo tempo, não deixa de ser um potencial desperdiçado.

[RASCUNHO] A Menina que Matou os Pais / O Menino que Matou meus Pais

~ Publicado originalmente em redes sociais. ~

~ Apenas um comentário, nada muito aprofundado. ~


A Menina que Matou os Pais / O Menino que Matou meus Pais

O Caso Richthofen enfim ganha sua adaptação cinematográfica. O resultado porém acaba ficando na média. Os dois filmes, cada um contado por um ponto de vista (da Suzane Von Richthofen e do Daniel Cravinhos), se foca em contar a relação dos envolvidos e suas motivações para o crime. Nada além disso. É como ver uma dramatização dos depoimentos. Não há investigações, não há julgamentos adicionais, nada. No máximo uns jornais durante os créditos de abertura e uma frase de sentença antes dos créditos finais. Se preocuparam tanto em ser fiéis aos depoimentos, inclusive, pelo que pesquisei, mantendo diálogos sem uma alteração sequer e até repetindo jeitos, que as produções se tornam como parte de algo incompleto. Pra um conjunto de longas que contou com a participação da criminóloga Ilana Casoy e do escritor Raphael Montes, era de se esperar um roteiro mais completo. Mas enfim, a proposta era apenas contar as duas versões mesmo e o público se questionar e decidir a verdade. A sensação é de que deveria haver um terceiro longa mostrando os demais lados. Quando se lê sobre o caso, é visível o quanto de detalhes deixaram de fora. Há livros sobre isso, mas a página na Wikipedia sobre o ocorrido possui muitas informações também, com direito a fontes.

A atriz que fez a Suzane mandou bem pra caramba, de longe a melhor atuação dos longas. Só as cenas dela no tribunal é que soaram artificiais, como um cosplay bem caricato da acusada. Os demais também mandam bem. Quanto ao peso do filme, espero que pelo menos abra portas pro gênero "true crime" (crime real) no Brasil, assim como está ocorrendo nos documentários. E é de rir pra não chorar que desde o marketing até no próprio filme tenham que esclarecer que obras do tipo não são feitas pra vangloriar criminosos.

Apesar dos resultados dividirem opiniões, a justificativa de duas versões é válida e um filme complementa o outro muito bem. São poucas as cenas iguais, visto que na maioria as cenas semelhantes mudam o ângulo do ocorrido, alguns detalhes de objetos e os diálogos do momento, isso fora cenas que mudam até os envolvidos na ocasião. Há também cenas que se interligam por acontecer antes ou depois de outra cena da versão oposta. É uma boa experiência como entretenimento, mas se quiser saber melhor o caso tem que pesquisar.


[Devido aos adiamento da pandemia, os filmes foram lançados na Amazon].

01 agosto 2021

[RASCUNHO] Space Jam: Um Novo Legado

 Publicado originalmente em redes sociais. Apenas um pequeno comentário sem muito desenvolvimento sobre o filme.


Cansativo e pouco proveitoso de seu potencial, essa nova versão deixa a desejar. Fruto de seu tempo, tudo aqui é mais exagerado, mas não por isso melhor. A ideia de tudo ser tecnológico, virtual e o caramba representa demais a nova geração, mas sacrifica aquele clima mais conflituoso entre realidade e animação que o original possuía. Não falo por nostalgia. A antiga trama viajada e sem noção faz tanto sentido quanto a nova (ou seja, zero). Os dois são filmes infantis e possuem vários momentos bobos, mas... Em diversos quesitos, o original é mais empolgante.

Quando finalmente adentramos o Warnerverso, as aventuras de LeBron e Pernalonga e as viagens pelas franquias da Warner, as melhores coisas do longa, duram tão pouco que não compensa o tanto que o próprio filme "promete". Somos bombardeados mais com propagandas de que a Warner é dona da parada toda que com conteúdo.

E quando chegam na hora do basquete, tacam referências pra caramba e esquecem de fazer uma partida empolgante. Dava pra colocar qualquer um da plateia da Warner ali que seria mais interessante que os "vilões". Os Looney Tunes pelo menos estão demais, divertem muito, principalmente antes e durante os treinos e numa das partidas.

Não dá pra dizer que o filme é bom só por causa de referências. Detona Ralph tá aí pra provar. Outros conseguem fazer melhor, seja Jogador Número Um, seja Uma Aventura Lego ou Lego Batman. O foco de Space Jam é a bizarrice de unir basquete com Looney Tunes e conseguem em parte, ainda rendem momentos muito bacanas, mas o filme em geral é chato.

29 maio 2021

Comentário rápido sobre o curta "Noite Macabra"

Curta "Noite Macabra", de Felipe Lesbick.

Sinopse: "À noite, durante uma transferência, os prisioneiros de uma prisão de segurança máxima escapam e vão em direção a uma cidade pequena. As autoridades pedem aos cidadãos ajudarem a capturarem os fugitivos de qualquer forma necessária, oferecendo recompensas em dinheiro. Em meio ao caos, um jovem casal em crise tenta permanecer vivo."

Projeto apoiado via Catarse. 

Exibição para apoiadores: 29/05/21.

Comentário rápido: "Curta com uma ótima ideia, unindo terror e gore com um leve toque de musical e comédia. Tem uma vibe estilo Uma Noite de Crime só que meio retro. O curta é acompanhado de uma instrumental sensacional. Fiquei com vontade de ter visto mais cenas musicais e cômicas, mas entendo que pela curta duração talvez desequilibrasse o clima, cujo foco é a tensão da busca dos protagonistas pela sobrevivência em meio ao caos. As atuações variam. Dentro das limitações, fizeram algo bem feito e com potencial pra mais. Sucesso."

02 maio 2021

Comentários rápidos sobre Jogos Mortais

 Comentários que publiquei em redes sociais quando vi os filmes da franquia Jogos Mortais.

Nada muito aprofundado, apenas para registro.

A franquia inicialmente é sobre um cara que faz um jogo mortal e aos poucos vamos descobrindo suas motivações e escolhas de vítimas. Após, seu legado é continuado.

1: Curti. Nunca tinha visto nenhum filme da franquia, tinha um pensamento errado sobre do que se tratava. Vendo agora achei a história interessante. O resultado é bom também, apesar de algumas coisas datadas.

2: Quase tão bom quanto o primeiro.

3: Inferior aos anteriores, mas encerra bem a trilogia dentro de seu contexto. Por um bom tempo tava achando morno e forçado, mas o plot twist justifica tudo. Não que isso o torne melhor, mas o torna menos pior. Não que seja ruim, porque não é. Acho que deu pra entender. Pena que o filme também faz o público de burro de tanto que quer reforçar as ligações com os anteriores.

4: Nesse ponto pra continuar gostando da franquia tem que curtir exageros e reviravoltas em excesso, porque a fórmula é repetida mais uma vez por baixo da trama que finge ser grandiosa. Há quem goste, há quem não. Tirando algumas cenas forçadas, incluindo aí mortes gratuitas, eu até que curti. É o legado da trilogia abrindo portas pra mais. Achei ok.

5: Achei fraco. Ele consegue se conectar aos anteriores, continuando o ciclo de reviravoltas exageradas, mas o filme em si achei muito morno. É como se não saísse do lugar. Gostei em parte dos desafios.

6: Bem melhor que os últimos, mas ainda assim "apenas mais um bom" Jogos Mortais. he O formato dos desafios é criativo pra franquia não ficar na mesma, apesar de no fundo a fórmula ser a mesma. Gostei desse. E encerra bem essa mediana segunda trilogia.

O Final: A falsa "conclusão" que na verdade é só mais um filme comum da franquia. Novamente temos mais reviravoltas e etc. A trama até que tem uma premissa boa, envolvendo os sobreviventes, e começa como se fosse mudar tudo e se tornar mais grandioso do que nunca, mas no fim o resultado é mais do mesmo e nada de tão surpreendente pra um suposto final. Filme ok. Não é o melhor nem o pior da franquia.

Jigsaw: Reviveram a franquia pra fazer mais do mesmo rs Parece os filmes antigos. Tirando as ligações forçadas, o filme em si segue o padrão de sempre, inclusive com alguns flashbacks e um plot twist impactante (apesar de ser reciclado também). Considerando o peso da trama pra saga, é o filme mais fraco, sendo apenas uma homenagem, um complemento opcional. Quero mais. he


[RASCUNHO] Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil

 ~ Apenas um rascunho ~

~ Publicado originalmente em redes sociais ~

Cena do Crime: Mistério e Morte no Hotel Cecil

Lembro da repercussão do caso da Elisa Lam pela internet na época. Se tornou um forte viral. Várias teorias da conspiração. O vídeo no elevador, a forma que ela morreu, etc. Era assustador. Enfim a Netflix fez um documentário sobre, carregado por muitos momentos de tensão. O doc trata sobre os crimes cometidos no hotel Cecil, com foco maior no caso da Elisa.

Ao todo é um doc bem produzido e segue a linha de narrativa de acompanharmos passo a passo as revelações, então é importante ver tudo antes de opinar. Entretanto, senti que quatro episódios tornaram alguns pontos bem repetitivos. Dava pra contar tudo em dois ou três. Ou que tratassem de mais conteúdo para justificar a duração. Mas ainda assim é tudo muito intrigante. O doc conta com compilado de crimes macabros cometidos no hotel, análise completa do vídeo do elevador, cenas de vídeos de youtubers que foram ao local na época, etc. Isso além de entrevistas com a equipe do hotel, a polícia, os "detetives de internet", os hóspedes, entre outros. Tem até de gente que sofreu direta e injustamente com o caso.

A internet criou um hype tão grandioso sobre o ocorrido no hotel, que no fim teve até gente se "decepcionando" com a verdade. É bizarro. A vida real é mais estranha que a ficção. Ao ignorar o peso do que aconteceu de verdade com a Elisa, ignora-se também toda a questão importantíssima que deveria ser tratada ao ela servir de um trágico exemplo para tal. No fundo, por baixo de toda a conspiração, é uma história que merece ser lembrada. RIP Elisa Lam.

[RASCUNHO] La Llamada

~ Apenas um rascunho ~

 ~ Publicado originalmente em redes sociais~ 


O Santo Acampamento

Polêmico. Achei por acaso e me interessei em ver "Deus cantando Whitney Houston". O filme não se vende como gospel porque ele sabe que não é. Na verdade é uma afronta ao conservadorismo e um abraço a novas mudanças de pensamentos e paradigmas que mantém Deus, mas exclui os pensamentos e ideais antigos.

Na maior parte do tempo tem um desenvolvimento interessante, tava bem curioso pra saber como resolveriam o choque cultural, mas a conclusão de toda essa saga soa como algo apenas apelativo mesmo, como se pegassem tudo o que fizeram e jogassem no lixo só pra provocar gratuitamente e com uma resolução de enredo fraca.

Na verdade eu entendi a mensagem, toda a ideia de "chamada" no sentido de mudança e tal, de abraçar seu eu verdadeiro, e inclusive concordo com algumas coisas mais liberais, mas pra isso o filme faz escolhas duvidosas.

Em relação as canções, as músicas em espanhol não curti tanto, mas as em inglês da Whitney estão sensacionais (óbvio). No mais, não duvido que se esse filme fosse mais famoso ou hollywoodiano daria uma treta global rs Ao fim é como ignorar a Bíblia e considerar a existência de Deus por outros meios, então cabe a quem tiver assistindo considerar isso ofensivo ou não.

23 abril 2020

[RASCUNHO] Trolls World Tour


O primeiro Trolls tinha sido uma boa surpresa. Não é grandioso, mas cumpre seu papel. Eu que não tinha vontade de ver fui atraído pelas cores e pela textura. Visualmente fantástico. Acabou sendo melhor do que eu pensava que seria. Me parecia apenas uma daquelas animações infantis musicais bonitinhas e tal, mas... É isso, mas não exatamente rs Não é tão musical assim e tem umas sacadas boas. O legal é que as músicas são na maioria covers de canções famosas. Na dublagem deram um jeito de traduzir a maioria. Enfim.

Sua continuação, Trolls World Tour, entretanto, embora também cumpra seu papel, possuiu para mim um resultado muito inferior. No lugar de uma guerra entre espécies/raças/criaturas, temos agora uma guerra musical. São trolls contra trolls.

O filme expande o universo do original dizendo que existem seis reinos de trolls, cada um com seu ritmo. Entre eles, há outros ritmos por aí. Utilizando de estereótipos, há uma mensagem a ser passada sobre intolerância e respeito. Entretanto, é inegável não considerar o pop como os pseudo-heróis que acham que são o único ritmo existente e o rock como os pseudo-vilões que querem dominar tudo. E enquanto os demais ficam cada um na sua, sendo o rock o implicante e o pop o "falso inocente", os ritmos sem território se tornam mercenários (seja jazz, seja k-pop). Ao todo, teria uma crítica por trás de cada escolha ou tudo não passa apenas de uma forma de contar a história sem intenção de provocar?

Trolls 2 é uma aventura bem diferente de seu antecessor e possui uma trilha muito mais diversificada. Sua ideia, apesar de boa, soa duvidosa ao considerar uma inexistência de misturas musicais e sentimentos rítmicos que já existiam antes. No fim seu resultado ainda é inferior e mediano, apesar da boa lição de moral, mas deve agradar aos fãs.

27 março 2020

[RASCUNHO] My Little Pony - O Filme


My Little Pony - O Filme

Classifico o desenho "A Amizade é Mágica" como mediano. Na época que eu acompanhava (faz um bom tempo que não vi mais nada), dividi os episódios entre o bom e o ruim. Isso de acordo com meu gosto. Há diversos episódios que considero desde divertidos a sensacionais, com boas tramas, boas referências a cultura pop geral, bom uso dos personagens. Entretanto, por se tratar de um desenho bem pra criança pequena, o que limita demais o potencial que possuem, há muitos episódios também cansativos, bobos, sem muito a acrescentar para quem busca algo mais aventuresco.

O filme de My Little Pony meio que une os dois tipos, ficando mais num meio termo. É uma divertida animação, com um visual bem atraente e colorido, algumas músicas de aceitáveis a boas, personagens não tão marcantes assim e uma trama batida que torna o longa algo simples. É muito importante citar que o clichê e a simplicidade não define em nada se uma obra é boa ou ruim. O que acontece aqui é que a animação é apenas ok mesmo.

Por ser um longa com arcos de aventuras inserindo novos personagens, há um equilíbrio de desenvolvimento devido ao tempo de tela. Nossas protagonistas mesmo possuem muito mais peso se já a conhecermos antes, nos desenhos. Claro que o filme funciona por si só, mas até mesmo sua base vem de consequências do desenho, que o aprofunda até onde é possível. Não sei afirmar o quanto porque não vi todas as temporadas lançadas anteriormente.

A ausência do talvez melhor personagem do desenho, o 'vilão' rei das referências, é notada. Não sei o que aconteceu com ele. No lugar, temos dois vilões que não possuem o mesmo peso, por mais que ainda apresentem ameaças. Os novos personagens do lado do bem também não são grande coisa. A ausência também de profecias e reviravoltas tira um pouco do brilho da história, sem toda aquela magia vista vez ou outra nas tramas do seriado. Pelo menos as pôneis principais continuam fiéis, embora num tempo reduzido. Quanto a duração do longa, poderia ser mais curto. Eu já não suportava os filmes das Equestria Girls, mas felizmente esse é muito mais digerível e aceitável.

No fim, My Little Pony O Filme é apenas um filme divertidinho que agradará seu público-alvo. Não ofende, educa e diverte, mas também não é marcante. Vale pra ver com a família.

Não sou brony rs

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.