21 março 2026

Comentários sobre O Rei da TV (2022) x Silvio (2024) x Silvio Santos Vem Aí (2025)

 


O Rei da TV (primeira temporada) - Comentário publicado em 2022 nas redes sociais.

"Quem quer dinheiro?" "Eeeeeu". Enfim uma série sobre Silvio Santos, o maior apresentador da televisão brasileira. Nessa primeira temporada a linha principal acompanha o período em que o comunicador perdeu a voz, intercalando assim com outra linha temporal, e a mais importante, sobre todo o começo dele, desde o camelô até o SBT. Quanto a questão de caracterização, senti que muitas vezes alguns personagens, incluído o Silvio, soavam caricatos demais. Levei um tempinho pra desassociar as imagens dos representados e adentrar a proposta da série. Quanto aos personagens, há várias "participações especiais" de famosos (interpretados por atores) que fizeram parte da história, e isso foi bem legal. Faltaram alguns, claro. O Gugu em especial é um dos recorrentes, já que a série apresenta uma "rivalidade" entre os dois. 

Alguns momentos famosos da história do SBT também são citadas, algumas ganhando cenas próprias e outras ganhando momentos rápidos. O que achei questionável foram determinados momentos da série onde temos umas cenas do nada referenciando algo do SBT com o Silvio se imaginando em outro local, numa pegada meio sonho/alucinação. Destoa muito da maior parte. Agora as cenas dos programas merecem atenção. De começo eu tava meio receoso sentindo que faltava empolgação, mas aos poucos fui sendo envolvido também. A série não esconde que o apresentador tinha suas falhas e trata tanto sobre sua trajetória profissional quanto pessoal. Com certeza devem ter aliviado partes e alterado umas ou outras como todo produto de ficção baseado em fatos faz, mas a essência tá ali. No aguardo da segunda temporada.


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O Rei da TV (primeira temporada) - Comentário publicado em 2022 nas redes sociais.

Uma temporada boa, divertida, interessante e menos caricata. Passada a trajetória de crescimento de Silvio Santos ao poder, acompanhamos a época do surgimento do "novo SBT". O arco "futuro" (escândalo do Pan Americano) não tem tanto peso nem constrói tantos paralelos igual ocorreu na temporada anterior. O arco "passado" (novo SBT) porém está repleto de destaques, já começando a tratar sobre a candidatura do apresentador a presidência. Nisso vemos também as mudanças dentro da emissora e principalmente a luta de audiência contra a Globo. O Faustão ganha destaque nas batalhas contra o Gugu, enquanto o Silvio passa por problemas pessoais e se vê em conflito com os novos tempos. Temporada muito bacana de assistir. Se tiver uma terceira ficarei no aguardo. [SPOILER: E já podem cancelar aquele filme do sequestro que parece uma bomba porque a série já contou aqui rs]


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Silvio - Comentário publicado em 2024 nas redes sociais.

"É Senor. O Silvio você deixa lá fora". Funciona mais como um filme policial do que um filme sobre Silvio Santos. Demoraram tanto pra lançar o longa que, nesse meio tempo, tivemos a série de TV "O Rei do Show" (que é bem melhor) [inclusive o ator do sequestrador reprisa o mesmo papel em ambas as produções], e, recente e infelizmente, ainda tivemos a partida do apresentador. Mas então "Silvio" enfim saiu, com... Rodrigo Faro. Uma caracterização que não convence em momento nenhum. Tem cenas que parece que esqueceram a maquiagem. Mas não diria que o cara entrega mal. O problema parece ser além. Nos flashbacks há outros atores. Ah, os flashbacks... 

Abrindo com a libertação de Patrícia, o filme que ninguém pediu, mas com potencial de render algo interessante, conta o dia em que Senor Abravanel foi sequestrado pelo mesmo sequestrador de sua filha. Ele se divide então em pequenos núcleos de personagens com importância meramente ilustrativa e, na linha principal, entre Silvio e Fernando, se divide em suas conversas no presente e em flashbacks do passado de Silvio. São flashbacks puxados por diálogos, por momentos de silêncio, do nada, por ganchos com alucinações, pela brecha que for. Quando não está contando um episódio ocorrido, seja inteiro, seja todo picotado em partes e interrompido por momentos no presente que nem sempre tem propósito, a edição insiste em ser infeliz com alguns vislumbres soltos altamente repetitivos numa tentativa de forçar um drama referente tanto a relação conturbada de Silvio com o pai quanto a morte de sua primeira esposa, sem sequer explorar a fundo tais elementos. É esperado que, ao tentar jogar tantas coisas em menos de duas horas de tela, não dê pra desenvolver tanto, mas poderiam ter tido um melhor cuidado, a começar por eliminar as cenas mais apelativas/repetitivas. Já as alucinações até tem umas sacadas interessantes a base de referências, mas o resultado passa longe. Ainda nos flashbacks, temos citações aqui e ali sobre o passado do Silvio, como ele começou a carreira e tal, mas nunca temos o vislumbre do império em si, nem do que o fez o Silvio Santos do entretenimento, apenas uma lasca de seu lado bom de lábia pra vender. Curioso que sequer citam o SBT, mas citam a Globo kk

Quanto ao presente (2001), o lado policial traz um diferencial ao longa, mas, sem ter muito para onde ir, já que a maior parte do caso foi sob negociações e refém, com o tempo o roteiro desacelera, justamente a desculpa perfeita para dar espaço para os flashbacks. Vemos Silvio a todo tempo tentando conversar com Fernando e convencer ele de terminar aquilo de forma positiva, sempre se aproveitando de seu jeito de falar e de persuadir as pessoas, onde nunca sabemos o quanto daquilo é armado por puro desespero e o quanto daquilo é pessoal por qualquer tipo de vínculo que possa ter surgido no momento entre os dois, já que o filme mescla bem isso. Beira o motivacional. E Fernando aqui ganha um grande destaque, sendo mais humanizado em vez de um bandido qualquer, por mais que o roteiro não explore tanto sobre ele em si. "Silvio" chegou tardio, mas, apesar de todos os problemas e de toda a crítica negativa, não chega a ser de todo ruim. Mas é melhor ver O Rei da TV mesmo (rs), e esse caso foi contado lá também. RIP Silvio.


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Silvio Santos Vem Aí - Comentário publicado em 2026 nas redes sociais.

Mais um filme morno sobre Silvio Santos. Mas tem seus momentos. Hassum tá bem melhor como Silvio do que o Faro kk O filme parece uma grande homenagem ao apresentador. É bem chapa branca, só elogios e boa imagem. Riscam algumas polêmicas bem de cima só em citações só pra usar como desculpa pra dizer que falaram algo (rs), mas nunca confrontam além de uma linha. Tive sensações mistas com as cenas dos programas, que usaram de forma tanto brega quanto criativa pra misturar com lembranças do passado do Senor (ele adulto falando com ele criança, por exemplo, ou a cena de memória com anúncios). A linha narrativa é a campanha presidencial e a protagonista está tentando entrevistar ele pra montar seu perfil político. 

Se eu disser que me entretive mais com o filme questionável com o Faro do que com esse, capaz de me tacarem um baú da infelicidade. Esse com o Hassum soa mais bem feito mesmo, mais equilibrado, melhor tecnicamente, muito mais bem editado, mas em questão da parte biográfica sobre a vida do Silvio, o outro explorou mais que esse, mesmo com todos os demais problemas. E a trama no outro era um sequestro, enquanto aqui temos uma água com açúcar. Em batalha de filmes fracos, cada um tem seus prós e contras. Quando vem um próximo e qual ator? Deixo minha recomendação pra série O Rei da TV, que até agora foi a única produção boa sobre o ícone da televisão brasileira.


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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.