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26 agosto 2020

[FEEL LIKE DANCE LYRICS] Quanto tempo leva para assistir a um dorama coreano

~Publicado originalmente no Feel Like Dance Lyrics em 2015~


Doramas coreanos costumam ter poucos episódios com longas durações, cada episódio é como se fosse um filme "pequeno" (no caso, um longa-metragem de duração mínima). Já se perguntou quanto tempo é necessário para assistir a esses doramas?

Primeiro devemos levar em conta a quantidade de episódios. Um dorama coreano costuma possuir 16 ou 20 episódios, com temporada única. A duração varia para cada dorama (58 minutos, 62 minutos, 67 minutos...), então, para a média, arredondarei e usarei 65 minutos.

Então, com essas informações, refaço a pergunta: Quanto tempo leva para ver um dorama coreano? A tabela a seguir responderá essa dúvida:

[IMAGEM DA TABELA NÃO RECUPERADA] 


O que dá para assistir nesse tempo? Vamos comparar com séries americanas e afins:

Um dorama coreano de 16 episódios, como Dream High, costuma ser maior que uma temporada de série, que possuem em média entre 10 a 17 horas de duração, como The Walking Dead, CSI e Breaking Bad. Com essas séries de 'menor duração', como Game of Thrones e The Big Bang Theory, um dorama de 20 episódios pode equivaler a duas temporadas. Realmente bastante tempo.


Mas e filmes?

Costuma-se usar um padrão de 90 minutos para a média de duração dos filmes, já que muitos estão próximos (seja mais, seja menos) dessa duração. Porém há aqueles filmes que se aproximam ou passam dos 120 minutos, assim como há filmes de 150 minutos ou mais.

Com um dorama de 16 episódios, dá pra ver 11 filmes e meio de 1h30m, quase 9 filmes de 2h ou quase 7 filmes de 2h30m. Já com um dorama de 20 episódios, dá pra ver 14 filmes e meio de 1h30m, quase 11 filmes de 2h ou pouco mais de 8 filmes e meio de 2h30m.


E franquias de filmes?

Deu pra perceber que os doramas ocupam muito de nosso tempo. Mas e quanto os doramas equivalem às franquias de filmes que conhecemos?

16 epis dá pra ver os quatro filmes de Jogos Vorazes quase duas vezes.

16 epis dá pra ver a trilogia Batman do Nolan duas vezes.

16 epis dá pra ver os três antigos Mad Max três vezes.

16 epis dá pra ver a trilogia antiga de Indiana Jones quase três vezes.

16 epis dá pra ver os seis filmes (até agora) de Star Wars.

20 epis dá pra ver os três filmes de O Senhor dos Anéis e os três de O Hobbit.

20 epis dá pra ver os oito filmes de Harry Potter.

20 epis dá pra ver os cinco filmes de Crepúsculo duas vezes.

20 epis dá pra ver a trilogia Matrix três vezes.

20 epis dá pra ver os oito Loucademia de Polícia duas vezes.

20 epis dá pra ver todos os quinze filmes da primeira série de Godzilla.

20 epis dá pra ver quase todos os sete e seis filmes das segunda e terceira séries de Godzilla.

20 epis dá pra ver as antigas trilogia Homem-Aranha, quadrilogia Superman mais a trilogia X-Men.

Ou seja, com um dorama, dependendo das durações, dá pra ver até três franquias inteiras.


Os coreanos surpreendem com os doramas, porque prender a atenção durante tanto tempo requer um bom roteiro, bons personagens e bom desenvolvimento. Uma boa trilha sonora também ajuda. Não é a toa que, ao terminarmos um dorama de qualidade, ficamos tristes por aquilo ter acabado e queremos mais. Passamos os dias seguintes ou pensando naquele dorama ou vendo outro pra tentar 'seguir a vida'.

[FEEL LIKE DANCE LYRICS] As origens da música popular coreana

 ~Publicado originalmente no site Feel Like Dance Lyrics em 2016~


Olá, kpoppers. Faz um tempo que eu havia pesquisado sobre as origens do kpop e descoberto algumas informações interessantes. Cheguei a rascunhar um texto, mas acabou no esquecimento. Decidi resgatar e melhorar. A princípio é um resumo da história da música popular coreana retirada de uma página da Wikipedia em inglês, mas tentei verificar algumas fontes e unir ao que eu já sabia para montar o texto. Qualquer erro, por favor me avisem. Espero que gostem.


Em 1885 um missionário americano chamado Henry Appenzeller começou a ensinar canções americanas e britânicas de folk numa escola coreana. Tais músicas começaram a serem chamadas de changga. Entre 1910 e 1945, durante a ocupação japonesa na Coreia, o changga virou uma arma dos coreanos contra os japoneses. Fazendo uma comparação, é como o nosso MPB foi na época da ditadura militar.


Em 1925 teve o primeiro álbum de kpop, intitulado 'Yi Pungjin Sewol' (This Tumultuous Time), por Park Chae-seon e Lee Ryu-saek, com músicas japonesas traduzidas para o coreano. Em 1929 foi lançada a primeira canção de kpop escrita por um coreano: 'Nakhwayusu' (Fallen Blossoms on Running Water), por Lee Jeong-suk. Em meados da década de 20, o compositor japonês Masao Koga misturou a música tradicional coreana com o gospel trazido pelos americanos evangélicos em meados de 1870. Essa música deu origem ao Enka no Japão e, posteriormente, ao Trot na Coreia, ambos considerados as músicas populares/tradicionais de cada país.


O período conturbado entre as décadas de 40 e 60, onde ocorreram a Segunda Guerra Mundial, a independência da Coreia sobre o Japão, a Guerra Fria, a Guerra da Coreia, a divisão da Coreia em duas, etc, foram cruciais para a entrada da cultura ocidental no país, especialmente em dois momentos: Primeiro na década de 40, após a divisão e independência da Coreia, onde bares com estilo ocidentais surgiram, e depois na década de 50 após a Guerra da Coreia com os Estados Unidos enviando artistas americanos como Marilyn Monroe e Louis Armstrong para o país com o objetivo de sua cultura ser mais aceitável, mas principalmente de manter os soldados americanos por lá.


Entre os anos 50 e 60, o trio musical feminino coreano The Kim Sisters, debutado em 1953, ganhou reconhecimento internacional. Elas foram o primeiro grupo coreano a lançar um álbum nos Estados Unidos, participando também diversas vezes do Ed Sullivan TV Show. Esse momento ajudou a espalhar a música coreana para o mundo, a ponto de, em 1961, o cantor francês Yvette Giraud regravar uma de suas músicas.


Nos anos 60, enquanto a tecnologia evoluía e os cantores coreanos cada vez mais ganhavam espaço para se apresentarem para os soldados americanos, o mundo se contagiava pelos The Beatles. Com a Coreia não foi diferente, debutando 'Add4', a primeira banda de rock coreano, em 1962. Com o sucesso cada vez maior do rock, em 1968 ocorreu em Seul o primeiro concurso de bandas.do país.


Na década de 70, o movimento hippie ganhou força entre os jovens, que eram contra a Guerra do Vietnã. Isso influenciou os coreanos e fez o governo proibir músicas liberais. Com a censura, o folk-pop se tornou popular e em 1977 a MBC fez um concurso de música para os universitários. Esse concurso foi responsável pelo surgimento de diversos outros. Nessa época, a canção 'Mul jom juso' (Give Me Water), de Han Dae-soo, se tornou popular entre os jovens. O cantor, coreano, porém criado nos EUA, chegou a ser proibido de se apresentar no país devido ao seu estilo ousado. Ele se mudou para Nova Iorque e voltou para a Coreia apenas nos anos 90.


Na década de 80 o ballad tomou conta da Coreia, principalmente em 1985 com o álbum 'You’re Too Far Away to Get Close to' (Gakkai Hagien Neomu Meon Dangsin), de Lee Gwang-jo. No início da década, Cho Yong-pil, que ganhou uma competição organizada pelo Fórum de Música da Ásia, se tornou o primeiro cantor coreano a se apresentar no famoso Carnegie Hall, nos EUA, onde incluiu no repertório o rock, o dance, o trot e o folk pop.


Apesar de todo esse período de influência, apenas na década de 90 é que os estilos da música popular americana foram realmente incorporadas no 'kpop', com ritmos como rap, rock e techno. Vale lembrar que o rock se tornou popular antes, como puderam perceber, mas ainda não fazia parte da música popular coreana. O grande responsável por isso foi Seo Taiji & Boys, em 1992. Apesar do grupo, que participou de um concurso da MBC, ter recebido a pior classificação com a música 'Nan Arayo' (I Know), posteriormente a música e o álbum de mesmo nome se tornaram sucesso, sendo elogiados não só ritmo, como também letra e inovação, influenciando diversos artistas de hip-hop e r&b e moldando o formato de kpop que conhecemos atualmente.


Em 1995, o produtor musical Lee Soo-man fundou a SM. Em 1997, o cantor Park Jin-Young fundou a JYP. Em 1998, Yang Hyun-suk, ex-integrante do Seo Taiji & Boys, fundou a YG. Com o sucesso de Seo Taiji & Boys, focado no público adolescente, vieram as boybands e girlbands, iniciado com a boyband HOT em 1996. Com a crise asiática de 1997, o kpop começou a se expandir, com HOT lançando um álbum em chinês e Diva lançando um álbum em inglês em Taiwan.


Em resumo, a música coreana recebeu influência das músicas japonesa, britânica e americana ao longo das décadas, sendo boa parte ocorridas durante conflitos. Chega a ser bizarro imaginar a aceitação da música mesmo sob imposição cultural de outro país, mas acredito que a música não deva ser julgada por conflitos políticos, já que o ritmo é a língua universal que unem a todos. Ora, se não fosse, os EUA não teriam forçado, digo, posto músicas americanas na Coreia para que sua cultura, que estava se expandindo, pudesse servir como motivação para os soldados americanos continuarem no país, digo, servir para que houvesse uma relação com os coreanos e eles não estranhassem os americanos. Vale lembrar que a influência americana foi importante em alguns casos. No Japão, por exemplo, o kaiju Godzilla (Gojira) foi inspirado no King Kong e nas bombas de Hiroshima e Nagasaki. Os olhos grandes dos personagens de anime que vemos hoje foram inspirados nos olhos do Pato Donald. Longe de querer defender, as guerras, por mais trágicas que foram, moldaram o mundo como conhecemos e trouxeram novidades. Graças as guerras não tivemos apenas o k-pop, mas também a evolução da tecnologia, que levou a criação de eletrônicos como o computador e o videogame, o avanço de transportes como a nave espacial com capacidade de levar o homem até o espaço, entre outros. Mas isso já não tem a ver com o assunto. Vale mais por curiosidade.

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.