03 julho 2026

Hollywood anunciando adaptações vindas da internet


Anunciaram esses dias um filme do Siren Head, uma lenda de internet, que nem o Slenderman, sobre uma criatura gigante de corpo esguio e cabeça de sirene.

E anunciaram também que o Steven Spielberg vai fazer um filme de terror sobre o Catálogo Mandela, outro viral de internet, sobre entidades que atacam uma vila e tentam se passar por moradores locais ou algo assim. Parece meio Invasores de Corpos. 

Tão dizendo que os sucessos de Obsessão e Backrooms impulsionaram Hollywood a ir pra internet investir no terror. Teve notícia sobre estarem aqui no Reddit buscando ideias, seja pelo diretor ser um youtuber, seja pelo conteúdo da história vir da internet mesmo. Backrooms em especial vem de outra lenda online, envolvendo espaços liminares. E o gênero de terror já tá muito em alta, vide os sucessos também dos premiados A Substância e Pecadores.

Mas não é só terror que estão buscando. Já tem a um tempo um projeto do Michael Bay pra adaptar Skibidi Toilet, que era febre na internet uns anos atrás, sobre vasos sanitários com cabeças humanas que enfrentam humanóides com cabeça de câmera, televisão e afins.

E já teve anúncio também de um filme adaptando um jogo do Roblox sobre colecionadores de cartas de italian brainrots (Tralalero Tralala, Tung Tung Tung Sahur, etc). E parece que tem dois outros jogos dentro do Roblox que foram confirmados adaptação também. 

O que estão achando dessa próxima moda de Hollywood? Por mim, se não repetirem o erro de Slenderman e O Meme do Mal, já tá bom. Tô curioso pelos resultados, mesmo os mais aleatórios e inusitados. 

14 junho 2026

[VER ONLINE] The Oldest View

Websérie do mesmo criador da websérie mais famosa sobre Backrooms. São 6 episódios. O grande foco está no episódio 3. Um youtuber descobre uma passagem até um shopping e lá encontra um boneco gigante.



[CHATGPT] Estéticas de internet - Hauntologia e anemoia

Voltei a perguntar para o ChatGPT sobre estéticas de internet e um pouco além. Seguem trechos editados. Ele destacou duas palavras, fez uma conclusão, e ao fim acrescentei outra parte de outro momento da conversa.

[ChatGPT]

(...) Hauntology: ser assombrado por futuros perdidos

A palavra vem do filósofo Jacques Derrida, em seu livro Specters of Marx. Mais tarde, o crítico cultural Mark Fisher a popularizou para falar sobre música, arte e cultura contemporânea.

A ideia original é complexa, mas pode ser resumida assim: o presente é assombrado por possibilidades que nunca se realizaram. Não sentimos saudade apenas do passado. Sentimos saudade de futuros imaginados.

Por exemplo: Nos anos 1990 e 2000, havia uma expectativa de que a internet tornaria o mundo mais aberto, criativo e humano. O design do Frutiger Aero transmitia essa promessa: natureza + tecnologia + harmonia. O futuro chegou, mas não exatamente daquela forma.

Então, quando você vê aquelas interfaces brilhantes do Windows Vista, aqueles comerciais otimistas ou aqueles conceitos de "cidade do amanhã", você pode sentir tristeza. Não porque aquilo existiu plenamente. Mas porque: aquilo poderia ter existido. É o luto por um futuro cancelado.

Por isso a hauntologia aparece em: Vaporwave; Frutiger Aero; Retrofuturismo; Mallsoft; algumas leituras das Backrooms; nostalgia da "internet antiga". A sensação típica da hauntologia é: "Era para termos chegado a algum lugar diferente."

(...) Anemoia: saudade do que nunca vivemos

Anemoia é um termo bem mais recente e menos acadêmico. Ficou conhecido a partir do projeto The Dictionary of Obscure Sorrows, criado por John Koenig. Ele define anemoia como: nostalgia por um tempo que você nunca experimentou.

É diferente da hauntologia. Na anemoia, você não lamenta um futuro perdido. Você sente afinidade emocional com um passado que não foi seu.

Por exemplo: alguém nascido em 2007 sente saudade do Windows XP; uma pessoa que nunca frequentou um shopping dos anos 90 sente conforto vendo fotos deles; alguém que jamais usou VHS acha aquelas distorções aconchegantes; Dreamcore parece uma lembrança de infância, embora retrate lugares inexistentes.

A sensação típica da anemoia é: "Sinto falta disso... mas não sei por quê."

(...) Se eu tivesse que resumir tudo o que você trouxe, diria algo assim: A internet transformou o passado em arquivo permanente e o futuro em promessa frustrada. Por isso, grande parte das suas estéticas mais marcantes oscila entre dois sentimentos.

(...) E talvez seja por isso que corredores vazios, vídeos em VHS, interfaces do Windows Vista, shoppings desertos, piscinas impossíveis e cidades silenciosas conseguem provocar emoções tão fortes. Eles parecem dizer, ao mesmo tempo: "Você já esteve aqui antes." e "Você deveria ter chegado a algum outro lugar."

É nesse intervalo entre o que nunca foi vivido e o que nunca aconteceu que boa parte do imaginário das "estéticas da internet" parece existir.

[...]

(...) A metáfora que mais gosto: Penso nessas estéticas como se fossem um mapa multidimensional. Não são caixas. São coordenadas.

Imagine que cada estética recebe valores em vários eixos: tempo; lugar; emoção; tecnologia; filosofia; narrativa; moda; natureza; medo; nostalgia. Cada uma ocupa uma posição própria nesse espaço.

Por isso elas parecem infinitas. Porque, matematicamente, quase qualquer combinação desses eixos pode gerar uma nova estética reconhecível. E talvez exista um nível ainda mais profundo.

O que mais me impressionou pesquisando é que essas comunidades não estão apenas catalogando imagens bonitas. Elas estão tentando fazer algo muito humano: dar nome a atmosferas.

Nem sempre temos palavras para certos sentimentos: o vazio de um corredor de escola nas férias; a saudade de um futuro otimista; o conforto estranho de uma biblioteca antiga; o medo do oceano à noite; a melancolia de um shopping abandonado; a sensação de estar acordado tarde demais navegando na internet em 2009.

As "internet aesthetics" transformam essas atmosferas em objetos compartilháveis. Por isso o universo parece inesgotável.

Não é porque existem "muitos -cores". É porque o objeto real dessa catalogação é praticamente infinito: todas as maneiras pelas quais seres humanos podem experimentar o mundo, a memória, o medo, o desejo, a identidade e a imaginação — traduzidas em imagens, sons e narrativas que circulam pela internet.

Nesse sentido, as estéticas da internet talvez sejam uma espécie de enciclopédia emocional coletiva da era digital. Elas não catalogam apenas estilos; elas catalogam formas de sentir.

(...) .

[As demais coisas já postei anteriormente ou são apenas repetições do que já foi desenvolvido aqui.]

29 maio 2026

[RASCUNHO] Backrooms: Um Não-Lugar

 Publicado em redes sociais.

Backrooms (2026)

Conheci o conceito de backrooms logo quando começou a ganhar força na internet, mas apenas esse ano fui me interessar mesmo. Lembro de estar lendo sobre estéticas de internet, sobre espaços liminares, sobre o horror digital e afins e as Backrooms entraram nesse meio. Talvez eu tenha ignorado pela imagem que isso era vendido, como se fosse uma creepypasta qualquer. Mas não é. Backrooms é realmente interessante.

Salas infinitas, coisas fora do lugar, ambientes vazios, paredes aleatórias, cenários confusos, ambientes fechados, criaturas perigosas, clima de claustrofobia e de tensão, ao mesmo tempo de uma curiosa calmaria até certo nível. Vale reforçar, porém, que o filme em questão foi feito pelo Kane com base em sua lore criada na série de vídeos no YouTube. As pessoas na internet criaram várias versões, mas o filme, dirigido pelo próprio Kane, com o selo A24 e contando com elenco principal de renome, segue todo pelo universo do diretor. 

Tenho muitos elogios e críticas para a tal "série", desde elogios a ambientação até críticas ao pouco avanço narrativo, mas ver como as coisas foram ganhando forma pra um longa, e ver o longa se sustentando como longa mesmo, foi prazeroso. Particularmente, gostei muito mais dos vídeos "found footage" do que dos vídeos dos funcionários trabalhando. E para o filme também seguiram isso, felizmente (para mim rs). Tanto que temos o começo mostrando algo e depois meio que jogam isso de lado.

Depois de uma boa abertura padrão estilo found footage (algo que o filme alterna em algumas cenas), mostrando o perigo daquele misterioso lugar, ou melhor, não-lugar, logo vamos sendo apresentados aos personagens e a todo um contexto dramático envolvendo terapia, reflexões sobre a vida, ciclos, vícios, traumas. Não conseguir ir adiante e se apegar ao que já sabe o resultado, mantendo o loop, se torna uma metáfora junto ao que é apresentado das esperadas Backrooms, assim como paralelos com cenários reais. O que funciona demais.

Explorando as Backrooms, o longa entrega e alterna entre momentos de tranquilidade, de mistério, de curiosidade, de desespero, de humor, de pavor. E sem ficar tão repetitivo. Mas falando de ciclos, o mesmo não pode ser totalmente dito do próprio filme. Não sei o quão intencional foi, mas ele guarda surpresas que arriscam o que foi apresentado até então, justamente como uma quebra. Pra mim, apesar do estranhamento inicial, funcionou muito bem conforme fui absorvendo a ideia.

E falando em absorver ideias, notei que o filme anda dividindo bastante opiniões, apesar das médias gerais estarem boas. Creio que quem acompanhou a série de vídeos do Kane ou que conheça a ideia proposta vá apreciar mais. Ou não (rs). Não vale se encher de teorias de fãs quando a premissa é outra. Ainda assim, é um longa que funciona completamente isolado, e muito bem. É uma ideia que precisa ser maturada. A diferença está em detalhes. Por mais que o que tenha na série também tenha nos filmes, em parte, ainda é em profundidade muito menor. O filme tem que cuidar de ambos os públicos, os que nunca ouviram falar disso aqui e os que acompanhavam o trabalho do diretor, e, ao meu ver, conseguiu muito bem.

Com cenários de chamar a atenção e uma trama que funciona mesmo parecendo batida, junto a momentos tanto melancólicos quanto assustadores, seja na vida real, seja nos espaços além, o filme de Backrooms, que no Brasil ganhou o subtítulo de "Um Não-Lugar" entrega o que se espera de uma obra do gênero. Pouco se explora, sim, e ainda inserem alguns elementos que mal tocam a superfície, mas tá tudo lá. O básico tá lá. E funcionando. O mistério faz parte da experiência. A jornada é o que vale. Espero que façam mais filmes no estilo. Além da própria narrativa deixar ganchos pra mais aqui e ali, alguns cenários explorados mostram a lasca da vastidão desse espaço.

22 maio 2026

Gosto é gosto.

 (publicado originalmente em redes sociais / pode conter linguagem de internet)


Um cara viu um filme muito mal recebido por crítica e público e achou perfeito, obra-prima. Ok. Eu disse que gosto é gosto (eu mesmo curto alguns filmes considerados ruins). Só que ele disse que não é questão de gosto, e sim de entender a mensagem. Isso que complica. Respondi que existem formas melhores de contar uma mensagem, listei os problemas do filme, etc, mas ele continuou insistindo que o importante é a essência. Papo vai, papo vem, nada adiantou e ficou tudo na mesma (rs).

Se for olhar por esse ângulo de que "passou a mensagem, teve uma boa ideia, logo é bom", então tudo é bom. Qualquer obra se torna boa. Creio que a mensagem não é o principal elemento numa produção de entretenimento, a não ser que a pessoa não ligue pro filme em si (ou música ou livro ou o que for), e sim apenas (e exclusivamente) para sua mensagem, porque daí tanto faz qualquer coisa, tanto faz a parte técnica, tanto faz a forma como a mensagem é contada, tanto faz a qualidade, etc, porque no fim dará tudo na mesma.

Lembrei do pessoal que curte música apenas pela letra, que também foi assunto de discussão numa outra ocasião com outra pessoa e também de nada adiantou. Nada disso faz sentido pra mim. Se eu não gostar do ritmo, de que adianta uma boa letra? Defendo que o ritmo é mais importante que a letra sim. Se não fosse, músicas de letras vazias ou rasas não fariam sucesso, e tem sim muitas muito boas nesse padrão (rs). 

O papo recorrente de "agregar valor" também é pura falácia. As pessoas se prendem muito a repetir a ideia de consumir o que "alimenta/edifica a alma", sendo que nada disso importa no final. Pior que isso apenas o tal do "gosto refinado", "arte de verdade", o que é apenas inflar o ego. Mas cada um tem sua visão de mundo, sua forma de ver as coisas. Eu busco entender os motivos de gostar do que eu gosto e de não gostar do que eu não gosto, assim como de entender os elogios e as críticas que fazem a tudo isso, concordando ou discordando. Ainda assim, no final, tanto faz, gosto é gosto (rs).

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.