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22 maio 2026

Gosto é gosto.

 (publicado originalmente em redes sociais / pode conter linguagem de internet)


Um cara viu um filme muito mal recebido por crítica e público e achou perfeito, obra-prima. Ok. Eu disse que gosto é gosto (eu mesmo curto alguns filmes considerados ruins). Só que ele disse que não é questão de gosto, e sim de entender a mensagem. Isso que complica. Respondi que existem formas melhores de contar uma mensagem, listei os problemas do filme, etc, mas ele continuou insistindo que o importante é a essência. Papo vai, papo vem, nada adiantou e ficou tudo na mesma (rs).

Se for olhar por esse ângulo de que "passou a mensagem, teve uma boa ideia, logo é bom", então tudo é bom. Qualquer obra se torna boa. Creio que a mensagem não é o principal elemento numa produção de entretenimento, a não ser que a pessoa não ligue pro filme em si (ou música ou livro ou o que for), e sim apenas (e exclusivamente) para sua mensagem, porque daí tanto faz qualquer coisa, tanto faz a parte técnica, tanto faz a forma como a mensagem é contada, tanto faz a qualidade, etc, porque no fim dará tudo na mesma.

Lembrei do pessoal que curte música apenas pela letra, que também foi assunto de discussão numa outra ocasião com outra pessoa e também de nada adiantou. Nada disso faz sentido pra mim. Se eu não gostar do ritmo, de que adianta uma boa letra? Defendo que o ritmo é mais importante que a letra sim. Se não fosse, músicas de letras vazias ou rasas não fariam sucesso, e tem sim muitas muito boas nesse padrão (rs). 

O papo recorrente de "agregar valor" também é pura falácia. As pessoas se prendem muito a repetir a ideia de consumir o que "alimenta/edifica a alma", sendo que nada disso importa no final. Pior que isso apenas o tal do "gosto refinado", "arte de verdade", o que é apenas inflar o ego. Mas cada um tem sua visão de mundo, sua forma de ver as coisas. Eu busco entender os motivos de gostar do que eu gosto e de não gostar do que eu não gosto, assim como de entender os elogios e as críticas que fazem a tudo isso, concordando ou discordando. Ainda assim, no final, tanto faz, gosto é gosto (rs).

28 março 2026

Doutor (piada)

- Doutor, sou um paciente invisível.

- Agora não posso ve-lo. Aguarde na fila.

- É que...

- Ok, entre.

- Bom dia.

- Bom dia.

- Tudo bem?

- Tudo.

- Ok. Próximo!

- Não, doutor, pera.

- Brincadeira. Diga: Qual o motivo da sua consulta?

- Estou sentindo uma dor aqui nas costas.

- Sente sempre?

- Não, só quando encosto.

- Então é só não encostar!

- Ah, doutor... Como não pensei nisso antes?

- Acho que já sei qual é o seu problema.

- Já?

- Essa aqui é sua coluna.

- Que? Me devolve!

- Calma. É só no sentido figurado.

- Ah, bom. Desculpa. É que as vezes eu sou meio mal educado.

- Como assim?

- Meu filho disse que doutor é só quem tem doutorado.

- É? Que legal...

- Mas prossiga... hã... doutor.

- Hum... Você não disse que era invisível?

- Disse.

- Mas eu estou te vendo.

- Claro, doutor! Com esses óculos divergente...

- Ah...

- Realmente sou muito paciente.

- E eu doutor. Por isso estou te tratando. Próximo!

21 março 2026

Memoir of Murder e as confusões das traduções dos títulos dos filmes para o inglês

Em 2003 foi lançado o filme sul-coreano "Memories of Murder". Em 2017, os japoneses lançaram "Memoirs of a Murderer", mas o filme não tem a ver com o outro, e sim um remake do filme também sul-coreano "Confession of Murder", de 2012. Daí que, ainda em 2017, os coreanos lançaram "Memoir of a Murderer", mas também não tem nada a ver com o japonês nem com o outro coreano. Títulos semelhantes. Inclusive, tem um filme americano de 1990 chamado "Memories of Murder", mas também não tem nada a ver com os citados.

No Brasil, o filme de 2003 ficou conhecido como "Memórias de um Assassino". Só que os filmes de 2017 também podem ser encontrados na internet como "Memórias de um Assassino", embora o coreano também possa ser encontrado no singular, "Memória de um Assassino". O de 2012 ficou como "Confissão de Assassinato". Vale notar, porém, as pequenas diferenças dos títulos em inglês, que parece terem sido ignoradas nas traduções (oficiais ou não). Por via de curiosidade, os títulos originais também possuem semelhanças, embora alguns possuam títulos alternativos que os diferenciam mais.

26 outubro 2025

Ingressos nacionais mais baratos e sessões vazias

Texto variante de uma publicação que postei nas redes sociais.


Texto adaptado e reescrito:

Já faz um tempo que o cinema, pelo menos o daqui de perto (Cine Araújo), está exibindo alguns filmes brasileiros por um preço mais em conta. 10, 12, 13 reais, por aí. Não sei o motivo da variação do valor nem como escolhem quais filmes entram no quesito. É a meia da meia. Mas eu mesmo fui pouco, ainda assim. Inclusive, nem tava sabendo até mês passado quando quis ver um e me deparei com o preço. Não vejo divulgação nenhuma dessa promoção. Vai saber o quanto perdi.

Até agora vi seis filmes (três no começo do ano e três nessas semanas). Confesso que a maioria dos filmes dessas semanas que descobri isso e que estive disponível pra ver, pareciam bem desinteressantes, então deixei passar a maioria. E nem é exatamente questão de "não dar chance", e sim que ir ao cinema gera custos maiores (apesar de eu morar quase do lado de um), então só fui quando ou queria muito ir ou tinha outro filme em cartaz que eu queria ver e aproveitava pra ver junto.

Praticamente sempre as sessões estavam vazias, de qualquer forma. Mesmo na primeira "semana do cinema" desse ano, só filme popular encheu. Inclusive teve um que vi no mesmo dia de outro famosão também e só tinha eu na sessão, enquanto o famoso lotou. Meio que isso tá acontecendo em geral também, mas nacional noto que a situação é pior, ainda mais sem divulgação nem do filme nem da promoção.

Tudo bem que geralmente não são filmes considerados filmaços (precisam?), com alguns sendo bem razoáveis, e muito provavelmente a maioria eu não veria no cinema se não fosse a promoção nem a coincidência de ser lançado junto a outro de meu interesse, mas gosto de conferir novas produções e considero bom "ir ao cinema ver um filme legal", já dizia certa turminha (ah, o do criador dela não tá em promoção rs), então pra mim tá valendo a experiência. E valoriza o cinema nacional também.


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Texto original: 

Já faz um tempo que o cinema, pelo menos o daqui, está exibindo alguns filmes brasileiros por um preço mais em conta. 10, 12, 13 reais, por aí. Não sei o motivo da variação do valor nem como escolhem quais filmes entram no quesito. É a meia da meia. Mas eu mesmo fui pouco, ainda assim. Inclusive, nem tava sabendo até o dia em que quis ver um e me deparei com o preço. Não vejo divulgação nenhuma dessa promoção.

Na "semana do cinema" do começo do ano, vi três filmes. Agora, do mês passado pra cá, vi mais três. Confesso que a maioria dos filmes das vezes em que eu pude ir pareciam bem desinteressantes, então deixei passar. E nem é questão de "não dar chance", e sim que ir ao cinema gera custos maiores, então só fui quando ou queria muito ir ou tinha outro filme em cartaz que eu queria ver e aproveitava pra ver junto.

Quase sempre as sessões estão vazias, de qualquer forma. Mesmo na "semana do cinema" que citei, só filme popular encheu. Teve um que vi no mesmo dia de outro famosão brasileiro também e só tinha eu na sessão. Tirando os problemas do cinema que um dia posso acabar abrindo queixa, muito bom ver filme sem gente atrapalhando. Já o da foto aqui teve mais gente (cinco, talvez?), e depois ainda encontrei um antigo amigo.

Tudo bem que não são filmes considerados filmaços (precisam?), com alguns sendo bem razoáveis, e muito provavelmente a maioria eu não veria no cinema se não fosse a promoção nem a coincidência de ser lançado junto a outro de meu interesse, mas gosto de conferir novas produções e considero bom "ir ao cinema ver um filme legal", já dizia certa turminha (ah, o desse não tá em promoção rs), então pra mim tá valendo a experiência. E valoriza o cinema nacional também.

25 janeiro 2025

Quantos filmes vejo em um ano

[ATUALIZADO EM 2026 com as informações de 2025]

~ publicado originalmente em redes sociais ~

[Em 2024 não vi tantos filmes assim, mas ainda mantive minha média. Foram 116 vistos pela primeira vez.] Por via de curiosidade, consultei meu Filmow, que tem registros desde 2011, e vi o quanto de filmes vejo em um ano. Vou compartilhar o resultado. Não são números exatos, mas dá pra ter noção. Considerei apenas longa-metragens.

Vejo mais de 100 filmes por ano. 130, 150, 180, varia. / Recorde registrado: 232 em 2022.

Vejo uma média de 50 filmes lançados em seu ano. / Recorde registrado: 83 em 2025. A conta é maior ainda se considerar as datas de lançamento brasileiras. E viva os fansubs.

Vejo geralmente mais de 20 filmes no cinema. / Recorde registrado: 35 em 2023 e 2025.

Vou considerar uma média de 10 filmes brasileiros, mas varia. / Recorde registrado: 23 em 2022.

Não vejo muitos filmes brasileiros no cinema. / Recorde registrado: 9 em 2025.

[Até gostaria de fazer com livros e quadrinhos, mas nunca anotei tudo rs]

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Dados brutos: 2012 a 2025 (números aproximados):

Filmes vistos no ano: 154 205 177 193 137 135 151 137 122 187 232 157 116 183

Filmes do ano vistos no ano: 50 55 68 53 55 59 48 56 39 65 64 66 67 83

Filmes vistos no cinema: 26 28 24 18 27 29 20 21 7 13 12 35 26 35

Filmes nacionais vistos no ano: 6 9 13 9 4 8 1 11 13 13 23 16 19 21

Filmes nacionais vistos no cinema no ano: 4 3 0 0 0 0 0 3 1 1 3 4 2 9

05 outubro 2024

Títulos semelhantes - Memórias e Assassinos

Em 2003 foi lançado o filme sul-coreano "Memories of Murder". Em 2017, os japoneses lançaram "Memoirs of a Murderer", mas o filme não tem a ver com o outro, e sim um remake do filme também sul-coreano "Confession of Murder", de 2012. Daí que, ainda em 2017, os coreanos lançaram "Memoir of a Murderer", mas também não tem nada a ver com o japonês nem com o outro coreano. Títulos semelhantes. Inclusive, tem um filme americano de 1990 chamado "Memories of Murder", mas também não tem nada a ver com os citados kk No Brasil, o filme de 2003 ficou conhecido como "Memórias de um Assassino". Só que os filmes de 2017 também podem ser encontrados na internet como "Memórias de um Assassino", embora o coreano também possa ser encontrado no singular, "Memória de um Assassino". O de 2012 ficou como "Confissão de Assassinato". Vale notar, porém, as pequenas diferenças dos títulos em inglês, que parece terem sido ignoradas nas traduções (oficiais ou não). Por via de curiosidade, os títulos originais também possuem semelhanças, embora alguns possuam títulos alternativos que os diferenciam mais.

03 setembro 2022

Quanto tempo leva pra ler uma edição de quadrinho?

Obs.: Não levem como uma resposta definitiva. Carece de mais estudos. Chuto 10 minutos a média e explico adiante o motivo.

Uma dúvida que me surge é quanto tempo se lê uma edição de uma história em quadrinhos (HQ). A resposta varia demais. Diferente de um livro em que geralmente há um padrão onde as palavras ocupam as páginas do início ao fim, nas HQs as palavras costumam ocupar os espaços presentes em balões, que são inseridos em meio aos desenhos, dentro de seus pequenos quadros que compõem uma página.

Uma página podem conter muitos ou poucos quadros, e tais quadros podem ou não conter textos, e tais textos podem ser curtos ou longos. E o tempo para ler cada página varia. Em uma ocasião pode-se ler uma página em menos de 5 segundos até, mas em outra leva mais de 1 minuto. Adicione ao fato de que a velocidade de leitura do leitor pode variar o resultado e a busca pela resposta é dificultada mais ainda. Para calcular o tempo para ler uma página de uma edição ou até mesmo toda a edição é necessário ler a edição mesmo.

Fiz o teste lendo o primeiro volume de algumas séries para ter uma noção básica da variedade. Escolhi séries no lugar de volumes únicos por questão de popularidade. Uma pessoa pega um livro para ler e acaba lendo em seu tempo. Já quadrinhos podem possuir uma vastidão de edições muito maiores que coleções inteiras de livros.

Uma edição atual de super-herói Marvel/DC leva cerca de 10 a 15 minutos para ler uma edição, mais ou menos de 20 a 30 segundos por página. Como exemplo, Guerra Civil n1 com 31 páginas li em pouco mais de 12 minutos. Mas há exceções. Algumas edições especiais ou hqs mais antigas podem variar. Como exemplo, Batman: O Cavaleiro das Trevas n1 com 46 páginas li em pouco mais de 30 minutos.

Um mangá ou até alguns comics mesmo levam cerca de 5 a 10 minutos para ler uma edição, alguns até menos de 5 minutos, mais ou menos de 5 a 15 segundos por página. Como exemplo, Death Note c1 com 44 páginas li em quase 10 minutos e Gantz c1 com 35 páginas em pouco mais de 4 minutos; e The Walking Dead li em quase 6 minutos.

Gostaria de testar com mais quadrinhos, estava prevendo ler The Boys, Sakura Card Captors, Sandman, Turma da Mônica e mais, mas é possível notar a variação com os poucos utilizados. Como aqui não estou fazendo uma resposta definitiva, deixo em aberto caso alguém discorde e queira contribuir.

Em resumo dá pra dizer que uma edição de quadrinho pode ser lida em menos de 5 minutos, em 10 minutos ou até mesmo em mais de 30 minutos. Uma média de 10 minutos por edição parece o mais provável para quadrinhos mais populares e padrão. Creio que muitos amantes dos quadrinhos costumam ler mais tais mangás ou comics semelhantes aos citados.

28 agosto 2022

[RASCUNHO] A primeira geração do k-pop

 Fiz esse texto em 2020 para um roteiro de vídeo que nunca aconteceu. Estava em fase inicial ainda. Segue na íntegra.


O k-pop cresceu muito com o tempo. Desde os anos noventa, em seu surgimento na Coreia do Sul, o gênero vem ganhando forças cada vez mais. A popularidade, entretanto, assim como toda essa passagem ao longo dos anos, trouxe diversas mudanças ao que conhecemos hoje como pop coreano.

Apesar de não existir uma divisão padrão, os próprios fãs e até alguns influenciadores experientes na área buscam classificar o que podem ser chamados de “gerações do k-pop”, seja pelo contexto histórico em que os grupos foram lançados ou até mesmo pelos elementos marcantes nas canções de k-pop em um período específico.

Entre tantos debates, há um consenso: A primeira geração do k-pop foi nos anos noventa. O que marca esse começo é a novidade. Foram os primeiros grupos e as primeiras empresas.

Em 1992, o grupo chamado Seo-Taiji & Boys trouxe para a indústria musical coreana canções pop dançantes, alegres e com misturas de hip-hop e de rock. Mesmo com seus poucos quatro anos em que o grupo existiu, foi o suficiente para mudar tudo.

As três maiores empresas de k-pop surgiram nesse período: A SM Entertainment, em 1995, por Lee Soo Man; a YG Entertainment, em 1996, pelo ex-membro do recém extinto Seo-Taiji & Boys, Yang Hyun-Suk; e a JYP Entertainment, em 1997, por Park Jin Young. Outras empresas também marcaram época, como a Daesung Enterprise, hoje DSP Media, em 1991, e a DR Entertainment, hoje DR Music, em 1997. Mas voltemos aos grupos.

Foi em 1996, mesmo ano do fim do Seo-Taiji & Boys e da fundação da YG, que a SM Entertainment anunciou seu primeiro grupo de k-pop: H.O.T. Com um estilo mais consolidado, mais colorido, mais chamativo e com novas misturas e inflências, o grupo foi um sucesso e marcou esse começo de k-pop ao lado de outros grupos que vieram nos anos seguintes. 

Enquanto o H.O.T foi o primeiro boygroup (grupo de garotos), em 1997 surgia o S.E.S, o primeiro girlgroup (grupo de garotas), também da SM Entertainment.

Nesses últimos anos da década de 90, outros grupos que marcaram o k-pop e formaram bases para tudo o que viria a surgir depois foram Sechs Kies, Baby V.O.X, Shinhwa, g.o.d, Fin.K.L, entre outros. Alguns duraram poucos anos, outros existem até hoje, outros possuem integrantes ainda na ativa como solistas.

Após a virada do milênio, o k-pop, agora com todo esse material de peso, começou a se expandir. Nos anos 2000 estreava a solista BoA, que mais tarde, em 2002, se tornaria a primeira cantora coreana a alcançar o topo da importante parada de sucesso da Oricon no Japão. Era o começo da segunda geração do k-pop e da dita “onda hallyu”. O k-pop estava assim popularizando-se para fora da Coreia do Sul.

Não que isso já não tivesse acontecido antes, mas, em meio a um cenário de crise, vendo o sucesso que o k-pop estava alcançando, o país passou a investir mais no mercado estrangeiro. Grupos como TVXQ, KARA, Super Junior, Girls’ Generation, SS501, Wonder Girls, Big Bang, Brow Eyed Girls, SHINee, f(x), entre outros, fizeram parte desse período e caminharam o k-pop a uma era de ouro.

10 junho 2022

Reflexão com um saco de lixo

Momento de reflexão com um saco de lixo: Há um rolinho de saco de lixo com uma embalagem o protegendo. Tal embalagem vai para o lixo quando aberto, ou seja, a embalagem vai para dentro do que antes estava em seu interior. É como se o produto viesse com teste grátis, visto que essa embalagem do saco de lixo no fim vira o próprio lixo. No fim, tudo vira lixo.

07 junho 2022

[JAM STATION] Como arranjar tempo para ver filmes e ler livros

[Publicado originalmente em 2019]

Como arranjar tempo para ver filmes e ler livros

As pessoas cada vez mais gastam seu tempo livre nas redes sociais. Chegam cansadas do trabalho e, sem vontade nenhuma para mais nada, se jogam no sofá ou na cama e ficam acessando o Facebook, o Whatsapp e afins. Se algumas vezes elas pegassem esse tempo gasto nas redes, perceberiam o quanto poderiam estar fazendo algo diferente, até mesmo na questão de entretenimento.

Suponha que uma pessoa se dedique diariamente das 4h até as 20h para o trabalho (contando tudo, desde o tempo no trânsito até os afazeres de antes e depois, como se arrumar, tomar banho, comer, preparar marmita, etc). Se a pessoa não tiver mais afazeres (cuidar de alguém ou de algo, etc), sobram 8 horas. Considerando que a pessoa tente dormir 6 horas por dia, sobram apenas 2 horas livres. Bem pouco, não? Mas não é o fim.

Ora, em duas horas costuma ser possível ver um filme, assistir uma série, etc. Uma hora ou duas horas de leitura nesse tempo podem ser gratificantes também. Se a pessoa largar as redes sociais e aproveitar esse tempo, em uma semana de trabalho (considerando de segunda a sexta) já terá visto 5 filmes. Quanto a séries, poderá ter visto de 10 a 15 episódios numa semana (ou até mais se a duração for mais curta). E mesmo que não veja filme todo dia, acredite, em um ano será capaz de assistir mais de 100.

O primeiro passo para a mudança é vencer o cansaço. O que significa relaxar? Muitas vezes a indisposição cobre toda nossa vontade e nos rendemos a deixar o tempo passar e "não fazer nada". Dificilmente alguém estará feliz trabalhando o dia todo, então, ao invés de se entregar de bandeja a momentos depressivos e lamentações, como se a vida não mais importasse, deve partir da pessoa uma atitude de mudança. Nunca disse que é fácil, mas é possível.

Os intervalos das obrigações do cotidiano podem ser preenchidos com um bom livro ou um bom quadrinho. Caso seja possível, claro. Muitos vão trabalhar de ônibus, trem, metrô. Conseguindo uma forma (visto os horários de pico, que dificultam o espaço), o jeito é aproveitar e pegar um livro para ler. Duvido que a pessoa prefira ficar olhando para o nada. Ouvir música também é bom, aliás. Não conseguindo ler, também é possível ver filme ou série através do celular, só tendo cuidado com o ambiente (principalmente em locais com grande frequência de assaltos).

A ideia de "não ter tempo" costuma ser equivocada e as pessoas acabam comprando esse pensamento. E é isso. No mais, fins de semana podem ser mais aproveitados. Reserve um tempo livre para si mesmo. Faz bem.

[JAM STATION] Meu desinteresse sobre algumas notícias e prévias de filmes e séries

  [Publicado originalmente em 2018]

Meu desinteresse sobre algumas notícias e prévias de filmes e séries

Prometo que isso não é um texto sobre eu ser "diferentão". Só não prometo não ser um texto que poderá ser facilmente interpretado como haterismo haha O cinema, acima do entretenimento, é um mercado, portanto precisa vender. Em meio ao marketing, temos diversas notícias e prévias. Muito se discute sobre a experiência de assistir a um filme e a influência que a divulgação causa nela.

Apesar de eu consumir tais prévias, seja como forma de me informar melhor sobre uma produção ou apenas satisfazer alguma ansiedade/expectativa (outros pontos discutíveis), muito do que se é divulgado não me anima. Estaria eu me tornando um cinéfilo hater? Ou isso faz parte dos meus gostos pessoais? Acredito veemente na segunda opção, mas, conversando com amigos, suas opiniões variam entre as duas (até porque gosto pessoal é pessoal rs).

Primeiramente, uma pessoa é "livre" (no sentido amplo da palavra) a consumir o que quiser. "Cada um no seu quadrado", já dizia certa música brasileira. O que escrevo serve mais como um desabafo para aqueles que pensam da mesma forma se identificarem. White people problem? he Pois bem.

Trailer x Teaser e minutos iniciais

Começando por prévias: O que é consumir um trailer se não uma forma de comprar a obra? Trailers foram feitos para mostrar o que esperar do filme (ou seja o que for), com cenas selecionadas e fora de ordem com o melhor do que está por vir. Alguns cinéfilos odeiam qualquer tipo de exposição a cenas de filmes, mas eu vejo trailers normalmente. É curioso citar, porém, que antigamente eu costumava ver e rever um trailer caso gostasse. Atualmente, vejo apenas uma vez, raramente duas. E, dependendo do filme, ainda vejo trailer 2, trailer 3... Posso estar equivocado, mas geralmente o segundo trailer costuma ser melhor que o primeiro. O resto é o resto. Há cinéfilos que veem um mesmo trailer diversas vezes. Uma seguida da outra. E depois mais ainda. Necessário? Óbvio que não, mas cada um com sua vida.

Mas... Para que serve um teaser? Uma prévia do trailer? Prévia de uma prévia? Quando não temos algo que será repetido no trailer, algumas empresas apostam num vídeo onde não é mostrado "nada". Temos a exibição da logo do longa, de uma voz ou imagem parcial, de cenas de filmes anteriores no caso de franquias... Tudo apenas para criar um hype sobre a obra, preparar o público para o que está por vir. Eu deveria ficar empolgado? Talvez. Não é que eu não fique, mas a empolgação já vem com o anúncio e não é preciso um vídeo para isso. Não sinto necessidade de consumir teaser, principalmente quando se trata de mostrar uma imagem. Para isso existem imagens (he). Mas ok. Do ponto de vista comercial funciona demais.

Reclamar disso parece muito coisa de hater, né? rs Mas a intenção não é reclamar, mas sim criar uma indagação. Não estou criando intrigas aqui, apenas fazendo uma observação pessoal. Aliás, até mesmo em outras mídias vejo teasers como algo duvidoso, por mais que eu entenda e concorde quando se trata de marketing. Um exemplo é no mercado musical. Sim, existem teasers de videoclipes. Soa estranho? Questão de perspectiva. Um é uma prévia de algo de três minutos e meio, enquanto outro é uma prévia de algo de uma hora e meia. Eu particularmente não consigo ver teasers de músicas. Se eu não gostar da música na hora do clipe, fecho o clipe e acabou. Não preciso de uma prévia mais detalhada para saber se irei ou não investir duas horas da minha vida em algo, até porque são apenas três minutos.

Existem também as exibições dos minutos iniciais de um filme. Dá para dizer algo a partir deles? Sim, mas é vago. Suspeito que, quando são divulgados, é porque fizeram uma abertura empolgante. Mas um filme não pode ser definido por sua abertura. Para que ver os 10, 20, 30 minutos iniciais se a pessoa verá o filme completo posteriormente? Pelo menos é o que se espera. Diferente de um trailer, que costuma ser curto (viu e pronto), assistir a parte do filme em si sem edições é como pedir para não ser surpreendido. Pior: Pode tornar o começo maçante quando chegar a hora e mudar toda a experiência do longa. Qual a graça de ver algo pela primeira vez já sabendo o que vai acontecer? Há quem goste. Me lembra até o pessoal que lê um livro e quer ver exatamente a mesma coisa na adaptação, sem mudança nenhuma. Mas isso é outro assunto e tenho ressalvas também.

Notícias

Indo para meu ponto principal, as notícias podem ser das mais variadas possíveis, desde a contratação de um ator, roteirista, diretor, produtor, etc até... dizer que tal obra será empolgante. Sério. E eu tento realmente entender como as pessoas conseguem se empolgar com isso, como se influenciassem nas suas expectativas.

Por parte de notícias de atores e etc, entendo tranquilamente. O ator certo pode fazer o filme vender com mais facilidade, o que pode significar sucesso. Vivemos num mundo onde a popularidade dita os gostos. Controverso, não? Tenho meus contras contra essa fixação por atores, até porque um filme pode ser ótimo sem atores famosos e péssimo com atores famosos, mas novamente entendo e concordo do ponto de vista comercial. E não vejo problema em ter atores preferidos porque eu também tenho. Inclusive já vi filme só por causa de algum ator ou atriz. O que vejo como complicado é conferir obras apenas com tais atores ou diretores ou o que for, como se a arte se resumisse a eles. O mundo é vasto para viver sempre no mesmo círculo.

Agora o que dizer de notícias de que tal filme/série será impactante, mudará o sentido de tal palavra, será algo revolucionário, etc? Novamente outra construção de hype que, particularmente, vejo como problemática. Dessa vez forçada. Juro que já vi cinéfilos dizerem que se empolgaram mais ainda pra uma produção depois de lerem notícias do tipo. E isso não entra na minha mente. Em parte, talvez. Imagine que a pessoa viu a notícia de anúncio, dos atores, o teaser, o trailer e o que mais for permitido. A expectativa gerada já é uma coisa. O que uma frase como "esse filme mudará a forma como fazem os filmes" causa? Mais hype? Dá para entender, mas... Não soa desnecessária? Só quem se empolgará com algo assim será quem já criou sua expectativa com base nas prévias anteriores. Se a pessoa não desenvolveu nada, continuará na mesma e ainda duvidará. Novamente, do ponto de vista comercial tudo faz sentido, já que as pessoas realmente consomem.

Conclusão

Embora sejam opiniões pessoais, não levem tudo o que escrevi para o lado pessoal no sentido de acharem que são verdades que estou tentando impor. Como disse, cada um faz o que quiser da vida e eu apenas achei interessante repassar alguns pensamentos sobre o assunto para fazerem indagar sobre as coisas. Reflexões podem ser boas. E para os que se identificaram, saibam que tais desinteresses não os tornam menos cinéfilos. No fim, tudo se trata de gosto pessoal e de consumo.

[JAM STATION] A falta de lógica dos supostos críticos de Facebook

[Publicado originalmente em 2018]

A falta de lógica dos supostos críticos de Facebook

Um filme, ao ser visto, é automaticamente julgado pelo nosso gosto pessoal, o que não indica que ele seja realmente bom ou ruim. Numa geração cada vez mais conectada, as pessoas passaram a expressar mais publicamente suas opiniões, surgindo assim os famosos "críticos de Facebook" (ou críticos de internet). O problema é que a lógica usada por muitos não faz o menor sentido.

Ao se comentar um filme com qualquer pessoa, ninguém espera que a pessoa tenha um diploma de cinema nem entenda com profundidade do assunto, mas sim que tenha o mínimo de noção do que está falando. Não é isso que acontece. O pior é que alguns críticos profissionais acabam se utilizando de alguns desses argumentos também, mostrando que o problema é a humanidade. Gosto é pessoal, mas é necessário embasamento para reforçar as ideias.

A seguir, destaco alguns comentários que li pela internet ou ouvi pessoalmente;

Batman vs Superman e o problema da seriedade

Na época de Batman vs Superman, em vez de criticarem furos de roteiro (culpa da Warner, já que o Snyder lançou sua versão completa depois e que recomendo muito assistirem caso não tenham visto), algumas pessoas criticaram o filme por ele ser sério demais, sombrio demais. Isso não é motivo para ele ser ruim. Ok, a pessoa pode preferir coisas alegres, mas reclamar de um filme por ele não ser feliz é válido? Antes dissesse que não curtia esse tipo de filme, por isso não gostou. Como se não fosse o suficiente, alguns alegaram que o filme da DC não era igual a Marvel. Ora essa...

Por isso a Marvel dominou o mercado de super-heróis e o povo não aceita nada que não seja "divertido". Liga da Justiça é um claro exemplo desse impacto, com um humor parcialmente bom, parcialmente horroroso. Nessa de "DC não é igual a Marvel", lembram da crítica em certo jornal que considerou Mulher-Maravilha como um filme tão bom que parecia da Marvel? Pois é.

Pior que lembro de gente que reclamou que Os Vingadores 2 era mais sério que o anterior, o que não faz muito sentido visto que Capitão América 2 foi o filme mais sério do Marvel e foi bem recebido. Vai entender... Creio que tenham elementos de roteiro a serem analisados em vez de se resumir a "divertido é bom, sério é ruim", e tudo isso é prova de que esse argumento não faz sentido.

Star Wars e o problema do mais do mesmo e da inovação

Isso lembra o caso de Star Wars. Endeusado exageradamente pelos fãs, a trilogia clássica é considerada a perfeição, sendo que passa bem longe disso. Não querendo dizer que é ruim, pois eu mesmo me considero um grande apreciador desse universo e consumo produtos da franquia, mas é inegável que existem sim problemas. E não são poucos.

Posteriormente tivemos a trilogia prequel, que, de forma geral, tem muito mais problemas. Embora eu goste dos filmes e não consiga ver isso tudo de ruim que veem, sei que existem problemas graves (ah, a maldita areia... rs). É outro estilo. Mas enfim.

Depois de muitos anos a franquia retornou aos cinemas com O Despertar da Força. Deixarei de lado os machos frágeis, que odiaram ver uma mulher protagonista e e um homem negro (ué, mas não tinha personagem assim na clássica também?), já que não fazer sentido é pouco para isso. Enfim. Uma das críticas foi de que o filme não saía da zona de conforto, como se isso realmente fosse algo tão negativo a ponto de estragar tudo. Outra crítica foi de que o filme parecia um remake de Uma Nova Esperança. Novamente, como se isso realmente fosse algo completamente negativo.

Eis que lançam a continuação, Os Últimos Jedi. Curiosamente, a crítica se inverte, agora com reclamações de que o filme foi muito diferente do que costumava ser, de que foi humorado (ou com humor de forma diferente do estilo dos filmes antigos), etc. Repleto de reviravoltas que poderão mudar tudo, o longa sofreu por parte de alguns, ironicamente com reclamações opostas ao seu antecessor.

Até reclamações das reviravoltas surgiram, com a alegação de que o filme não foi como esperado, por isso foi ruim. O fato do longa jogar fora todas as teorias criadas pelos fãs os deixaram irritados, o que automaticamente tornou um filme tão ruim que levou a criação de um abaixo-assinado (que posteriormente foi revelado ter sido feito como zoeira [sei...]). Parem para pensar: O filme surpreender é ruim? Presenciar o inesperado torna as coisas desinteressantes? Creio que não.

Curiosamente também, devo citar, que não vi reclamações sobre o filme parecer um remake da trilogia clássica, com foco em O Império Contra-Ataca. Há diversas passagens que remetem aos filmes, passagens com um modelo realmente idêntico.

Isso de parecer remake me lembrou de Jurassic World que, diferente de Star Wars, que só acrescentou no universo e inovou algumas questões, apenas pegou o que tinha de antes e fez mais do mesmo. Mas Star Wars que é igual, né?

Passageiros e o problema do gênero

O polêmico e fracassado filme de romance. O "Titanic espacial". Alvo de ataques por parte de quem não entendeu a trama e considerou machista demais. Salvo alguns detalhes que podem ser criticados, não é bem assim que as coisas são. Um filme que trata sobre desejo carnal, amor, posse, violação de direitos sobre a vida de alguém. Discussões totalmente interessantes representadas num longa sobre um cara que acorda uma mulher só para não se sentir sozinho, sendo que os dois morrerão antes da humanidade acordar.

Deixando tudo de lado, a crítica que mais vi ao filme foi algo banal e que remete em parte ao que citei sobre o último Star Wars: Não foi como esperado. Mas aqui a lógica é pior ainda, afundando num estereótipo preocupante. A reclamação foi de que era um filme de romance espacial. Pois é. O fato de ser um filme de ficção, se passar no espaço e ter a humanidade que sobreviveu adormecida e reunida numa nave supostamente deu a entender de que seria um filme de ação, repleto de acontecimentos inesperados. Em vez disso entregaram um drama romântico. Hum... Tem algo errado no pensamento das pessoas. Sério.

Complemento - IT e o problema do gênero

Falando em estereótipo, parece que vivemos a base de rótulos. Um filme tem seu gênero, mas não significa que ele tenha que se prender a apenas um estilo. A nova adaptação de IT se alterna entre o terror e a aventura. Temos crianças que só querem se divertir e aproveitar as férias, mas são aterrorizadas por um palhaço maligno, além de sofrerem bullying e terem problemas familiares. É caos por todo lado. Acontece que isso não agradou alguns, já que supostamente esperavam um filme de terror sinistro e receberam uma aventura, uma comédia, um drama. Ok, então.

A Ghost Story e o problema da lentidão

Esse cito por outro motivo. Não é sobre gente que viu pensando ser de terror e acabou recebendo um drama filosófico reflexivo sobre a vida, embora eu tenha visto um comentário assim. Aqui me refiro ao ritmo que um filme possui. Não é só porque ele é lento que ele é ruim. Como disse antes, gosto é gosto, cada um tem o seu, e uma pessoa pode normalmente não curtir filmes parados, mas dizer que é horrível ou algo do tipo é exagero.

Uma narrativa lenta pode agregar muito mais do que se pensa. No caso de A Ghost Story, que peguei como exemplo, temos uma mensagem bastante profunda sobre o tempo e o lugar que pertencemos. As cenas são carregadas de significados. A cena da torta, por exemplo, a mais longa do filme, remete a um crescimento de sofrimento.

Concordando ou discordando sobre tais estilos ou até mesmo cenas específicas, já que uma pessoa pode gostar de um filme ao mesmo tempo que discorda da forma que uma cena foi feita, não dá para sair argumentando que é algo vazio e sem sentido. Ora, 2001 pode ser cansativo demais de ver, mas possui seu significado. Aliás, ao pesquisar a mensagem por trás de cada cena, o filme acaba se tornando rico em conteúdo, por mais que de primeira possa não parecer. Precisava ser tão longo e monótono do jeito que foi? Talvez sim, talvez não, vai do gosto de cada um.

A Bruxa e o problema da falta de susto

Filme de terror tem que dar susto? Uma recorrente reclamação aos filmes de terror psicológico (ou suspense) é de que eles não assustam. Sério que tudo se resume a apenas cenas forçadas onde algo pula na tela? Quando foi que isso se tornou tão gratificante que superasse qualquer outro elemento? Um terror psicológico deve mexer com o psicológico (dã) da pessoa, criar uma tensão no público, envolver a ponto de fazer aquele que está assistindo sentir o drama do personagem, se passar por ele naquela situação.

Embora não seja o melhor exemplo devido ao marketing exagerado (o que levou a razão de algumas críticas), citei como exemplo A Bruxa pela popularidade que recebeu, mas acrescente aí qualquer um outro, como Ao Cair da Noite, Babadook, A Corrente do Mal, Não Pisque, Assim na Terra como no Inferno, A Visita, etc. Independente de gostar ou não, de achar parado ou agitado, não se deve julgar um filme por ele não dar susto. Isso é absurdo.

Interestelar e o problema da explicação

Esse não tenho muito o que comentar. Tem gente que achou o filme explicado demais, sendo que, quando um filme não explica nada, reclamam de qualquer jeito. Não creio que um filme bem explicado atrapalhe na narrativa. Os assuntos abordados no longa são complexos. O que conseguem fazer é passar isso para poucas palavras e deixar o público ciente do que estão vendo. Isso é gratificante. Não é porque algo é entregue "mastigado" que necessariamente é ruim.

Qualquer filme de fantasia e o problema de ver um estilo que não gosta

Não lembro agora de um filme que possa resumir bem a situação, mas isso vale para qualquer coisa. Resgatarei parte do que já citei anteriormente. Prosseguindo: Há aqueles que não curtem ficção/fantasia. Esse tipo de pessoal costuma gostar mais de filmes mais realistas. As coisas começam a sair de controle quando insistem em ver algo que foge da realidade e passam a reclamar disso.

De Star Wars a O Senhor dos Aneis, há quem reclame que os filmes são muito falsos, que acontecem coisas que não existem. Será que é por isso que se chama ficção? (rs) Reclamam da presença de aliens, de seres mitológicos, de qualquer coisa que não se tem confirmação clara da existência. Alguns vão além, reclamando de filmes mais pé no chão, como Expresso do Amanhã e Exterminador do Futuro, alegando que alguns elementos soam fantasiosos demais para ocorrer na vida real, ignorando assim qualquer tipo de mensagem que o filme queira passar. Não conseguem enxergar sequer o que está acontecendo só pelo fato de não ser a realidade representada como ela é de fato (considerando a situação atual). Difícil de descrever o quanto de problema tem nesse pensamento. Nem sei o que dizer, na verdade.

Melhor encerrar por aqui. E nem entrei na questão de adaptações porque daria um texto tão grande quanto esse, mas precisaria abordar outros assuntos também.

Conclusão

Procurem entender melhor o que veem e tenham conclusões mais convincentes. Gosto é gosto, como cansei de repetir no texto, que, apesar de adaptável, cada um tem o seu, mas temos que procurar sentido em alguns detalhes para que as pessoas entendam. Não gostar de algo sem motivos concretos é como ter birra por pura e livre vontade sem ninguém ter feito nada.

[JAM STATION] Trilhei entre o gospel e o rock e acabei virando kpopper

 [Publicado originalmente em 2016]

Trilhei entre o gospel e o rock e acabei virando kpopper

Inicialmente escrevi o texto que se segue numa rede social, mas a pedidos decidi trazer aos leitores da Jam Station essa história sobre mim. Uma história pessoal, porém que alguns podem se identificar. Decidi fazer algumas leves alterações, mas o padrão informal continua. Ao longo desses quase oito anos que conheço o kpop (pop coreano), mas principalmente ao longo de todo o período anterior, muita coisa aconteceu. As mudanças na adolescência vem de várias formas, inclusive no meio da música. O relato que vos escrevo se refere a essas mudanças, de um garoto da igreja, passando pelo rock maligno (levem na zoeira) e acabando nos pop de olho puxado. Boa leitura.

[imagem] Ouço música coreana, galera!

"Pessoal acha que a pessoa vira kpopper por opção. Vira não. Ou vira? Bom, eu não cheguei num dia qualquer e pensei "Poxa, quero ouvir música coreana. Uau, virei kpopper!". Não! Eu ouvi uma música que nem sabia que era kpop nem que era coreano, só tinha achado o ritmo legal e as integrantes bonitas (hue). Fui atrás e deu no que deu. E nem sabia que aquilo era kpop ainda. Levou quase um ano pra que eu começasse a entrar de vez no kpop e descobrisse o que realmente era, porque no início achava tudo muito estranho. Algo tipo "legalzinho, mas só isso". Só depois que decidi ir além e não parei mais.

[imagem] O que é que eu to ouvindo?

Na época que conheci o kpop eu era otaku, vivia vendo anime. Daí veio o kpop e fingiu me salvar desse mundo de perdição, me jogando em outro poço sem fundo. Eu tinha de tudo pra seguir outro caminho. Ora, passei boa parte da minha infância e adolescência ouvindo musiquinhas infantis gospel (umas boas e outras nada a ver, mas... eu era criança, né). Eu era o garoto que não sabia de quase nada do mundo da música 'secular', e fora os gospel como Aline Barros, Crianças Diante do Trono, etc, ouvia Eliana, Jackeline... até cd do Xaropinho e da Garrafinha eu ouvia. E também ouvia músicas de desenhos. Lembro que também ouvia Fábio Júnior, Spice Girls, Rouge... Um cd que ouvia muito também era Explosão dos Anos 60, com rock e outras músicas em português. Mas o negócio era ver Os Padrinhos Mágicos e ficar cantando as musiquinhas do Chip Skylark! Ver Phineas e Ferb e ficar cantando todas as músicas! Cantar a trilha sonora de Happy Feet, High School Musical... Uhum.

[imagem] ~bau tica bau au FALOU DO MEU AMOR bau bau bau O MEU CORAÇÃO BATEU~

Em meio a adolescência as coisas foram mudando. Eu basicamente passei a ouvir Elvis Presley, Miley Cyrus e Michael Jackson, os dois primeiros que eu até já curtia de antes, mas comecei a ouvir mais. Era meu top 3 artistas da época. Então meus colegas foram me levando pro mal caminho e eu conheci os grupos de rock, mas não me encontrei neles. Na época eu era viciado em Guitar Flash. Poucos anos depois descobri o grupo que eu gostaria muito: Guns N' Roses. Ouvia direto. Não sei ao certo se foi antes ou depois, mas nessa época também comecei a ouvir hip hop gospel (Fydell, Pregador Luo) e... funk gospel (!). Pois é. Mas durou pouco o funk. Resumindo: Eu basicamente ouvia uns rock normal, uns pop bacana, uns gospel diferenciado, ainda ouvia High School Musical e tal, mas já tava bem diferente que quando na infância.

[imagem] ~Love me tender Love me true All my dreams fulfilled~

Então como fui parar no kpop? Durante todo esse período de descobertas musicais, eu conheci o kpop, com SNSD, mas não dei tanta importância. Fiquei quase um ano nelas, mas superficialmente. Gente, estamos falando de alguém ouvindo música coreana num lugar que ninguém parecia saber que existia isso (?). Foi então que conheci 2ne1 e que aquilo tudo era kpop. Daí em diante, aos poucos, fui conhecendo mais grupos. Eu sempre procurava ouvir músicas sem "sacanagem", sem letras com teor adulto, já que com o tempo fui me preocupando com o que ouvia. O pop americano que o pessoal mais ouvia era (e ainda é) repleto de letras que considero "impróprias". A maioria do rock que a galera ouvia eu não curtia. A música brasileira que fazia sucesso era até legal, mas eu queria algo diferente. Eu era otaku, ouvia as músicas de Sakura Card Captors (aliás, boas músicas por sinal), então Japão tava ali marcado. De repente encontro a Coreia do Sul, também país asiático... pronto, foi questão de tempo até me viciar no kpop, algo que eu sequer imaginava que aconteceria. Mas vale citar que são países completamente diferentes. Só não percebe quem é ignorante.

[imagem] ~gee gee gee gee baby baby baby~ Garotas lindas e música que não sai da cabeça

O que mais me atraiu no kpop, além das coreanas (haha), foi o ritmo agitado, o visual atrativo dos clipes, as danças sincronizadas, os estilos variados, toda essa combinação de imagem e música. Era algo diferente, algo legal. Acabou que depois de já estar dentro desse caminho sem volta, comecei a curtir as músicas lentas de lá também. E também comecei a ouvir mais músicas de outras línguas. No kpop temos artistas de vários países, não é só coreano ou asiático, tem ocidentais também, tem canadense, americano, etc. E também não cantam apenas em coreano, tendo mercado japonês, chinês, inglês... acontece até de cantarem em outras línguas, como espanhol e português. Ou seja, é uma mistura globalizada. O kpop mesmo é um gênero, não um ritmo, englobando assim diversos ritmos, como o pop, o rock, o rap, o jazz, o r&b, etc. Pra melhorar, os grupos ainda fazem conceitos diferentes, o que gera sempre um novo visual, uma repaginada, uma forma de buscar estilos diferentes mas dentro do contexto do kpop. Claro que o kpop atual mudou demais em relação ao de antigamente, mas o mercado é assim mesmo. Pra perceber a diferença, é só pegar um grupo como Super Junior ou Girls' Generation e comparar os clipes. A pegada é outra. Ainda assim to curtindo tudo. E muito.

[imagem] Shannon é britânica filha de gaulês com coreana. Quer mais globalização que isso?

Atualmente ouço um monte de ritmos de várias línguas. Ouço gospel, pop, rock, ballad, r&b, jazz, hip hop, clássico, instrumental, etc. Ouço português, inglês, espanhol, coreano, japonês, chinês, indiano, vietnamita... e ainda pretendo aumentar a lista."

[imagem] Kpop é o poder!

É isso. A vida nos guarda surpresas até onde menos esperamos. Música pra mim é um vício. Ouço em casa, enquanto navego na internet, no ônibus, na faculdade. O importante é ouvir. Não deixei o preconceito dos outros aos asiáticos mudar meus gostos. Já fui muito zoado por ouvir kpop, principalmente pelos próprios otakus, algo que deveria ser o contrário: Todo mundo curtindo algo asiático e lutando contra o preconceito daqueles que odeiam sem motivos. Mas sabemos que não é assim. E música não define sexualidade nem inteligência nem crença, mas esse papo de preconceito já rende assunto pra uma outra matéria. Pra encerrar, fica a pergunta: "O que mais o futuro está reservando para mim no mundo da música?".

[JAM STATION] ISSO É SPOILER!... será mesmo?

 [Publicado originalmente em 2016]

ISSO É SPOILER!... será mesmo?

Antes de discutir o assunto, gostaria de dizer que o texto a seguir não é indireta para ninguém. Discuti internamente sobre o caso após presenciarmos alguns casos diversos relacionados ao assunto em questão e, a pedido do bigodudo que todos amamos, escrevi um texto sobre isso. Seria spoiler o que as pessoas realmente consideram spoiler? O que é spoiler? Como saber diferenciar o óbvio do revelador? Descubra a seguir.

O ser humano produz histórias faz séculos, seja pura fantasia ou simplesmente relatado da vida real. Começou de forma simples, sendo falado de boca em boca, passando por anotações em pedras, até finalmente chegarmos no papel (não me refiro ao higiênico) e, posteriormente, no digital. Através de livros, filmes e outros objetos de comunicação, histórias foram sendo contadas e, com isso, novos conteúdos foram surgindo, frutos da mente do ser humano. Como toda (ou má) história, ela deve ter aquele momento de reviravolta, o clímax, a situação que pegará de surpresa o maior número possível de pessoas (sabem como é, não dá para dizer 'todos' porque sempre tem o diferentão, o sabe-tudo, o Akinator da vida real, a Mãe Dinah no meio). Esse momento de revelações é considerado a parte sagrada da história e deve ser apreciada da forma em que foi pensada para isso: Descobrindo a própria pessoa durante a degustação daquela obra. Por isso, quando alguém decide comentar sobre tal conteúdo, ou simplesmente quando um troll perturbado saído do pó do inferno transfigurado em ser humano decide espalhar para todos o que aconteceu nessa parte tão especial por pura e maléfica diversão, as pessoas dão o nome de "spoiler".

O que é "spoiler"? De acordo com a deusa Wikipedia, spoiler é "uma peça de automóveis destinada primordialmente a melhorar a estabilidade e a aderência do veículo. No entanto, eles também podem possuir função estética. O mesmo que aerofólio.". Não, pera... Spoiler errado. Agora sim; "Spoiler em português literalmente significa espoliador, ou aquele que pratica espoliação, (spoiler do inglês para aquele que estraga ou aquele que subtrai deteriorando, degradando, dilapidando ou depredando algo). O termo se refere a qualquer fragmento de uma fala, texto, imagem ou vídeo que se encarregue de fazer revelações de fatos importantes, ou mesmo, do próprio desfecho da trama de obras tais como filmes, séries, desenhos animados, animações e animes, conteúdo televisivo, livros e videogames em que, na maioria das vezes, prejudicam ou arruínam a apreciação de tais obras pela primeira vez.". Ou seja, spoiler é revelação do enredor. Tirando a infame separação entre "desenhos animados, animações e animes" citado na citação (ué), como se desenho e anime não fossem a mesma coisa, um spoilerento (não confundir com a lanchonete de macarrão) é um verdadeiro deteriorador, um grande degradador, um idiota dilapidador, um estúpido depredador.

Em meio aos dias atuais, onde a informação só tende a crescer e o acesso ao conteúdo é muito mais fácil, simples e prático que antigamente, o spoiler começou a se tornar um assunto bastante discutido, principalmente nas redes sociais (não farei piada com isso). Com a fama, polêmicas vieram sobre o que pode ou não pode ser considerado spoiler, já que "revelações do enredo" parecia não mais satisfazer com a verdade, mesmo sendo esse o significado. Como tudo pode piorar, alguns dos seres que habitam esse planeta chamado Terra começaram a considerar que tudo era spoiler. Por outro lado, os tais trolls ressurgiram das cinzas para espalhar spoilers como bem entendessem (até aqui nenhuma novidade, já que eles sempre fizeram isso). Então... o que pode ser considerado spoiler? Simples: Tudo o que não for de conhecimento da maioria que possui acesso a informação. Talvez você pergunte "Mas as pessoas tem acesso mas não acessam!", e está totalmente certo. Então corrijo: Spoiler é tudo o que não for de conhecimento popular das pessoas que acessam a informação.

Por que o spoiler é um assunto tão discutido? Ora, ninguém quer ter a surpresa estragada. O ser humano gosta de novidades, mesmo que isso seja um paradoxo, já que na verdade o ser humano tem medo do diferente, do novo, do desconhecido. Por isso as histórias estão aqui para preencher essa falta e equilibrar todo o sistema que rege o universo. O assunto é discutido também porque não importa o quanto uma obra seja antiga, se ela, durante o tempo, for guardada como algo precioso que mereça total segredo dos acontecimentos de sua trama, então devemos respeitar. Para melhor explicação, vamos aos exemplos:

Começando por algo mais simples envolvendo religião. A Bíblia é uma coletânea de livros sagrados do cristianismo. A maioria das religiões cristãs possuem em comum parte dos livros. No Novo Testamento, os quatro primeiros livros (Mateus, Marcos, Lucas e João) contam através de quatro pontos de vista a vida de Jesus, desde os que eles ficaram sabendo até o que eles presenciaram. Em todos Jesus é morto e ressuscitado, Isso pode ser considerado spoiler? Trata-se de uma reviravolta, não? Não e sim. Na verdade a morte e ressurreição de Jesus é tratado de forma aberta por todos. É uma marca das religiões. Não há o que esconder. A Bíblia não é um livro pra fazer mistério. Desde sempre é tratada como um livro de estudo e inspiração. Ou seja: Não é spoiler.

O caso acima é diferente, por exemplo, de alguém comentar sobre a reviravolta de obras discutidas como Capitu, por exemplo. Nem todo mundo sabe a história, mas quem sabe lota a internet com a pergunta "Capitu traiu Bentinho ou não?". Quem nunca leu a história ficará confuso, mas chegará a conclusão de que a história termina em aberto. Essa pergunta é um spoiler? Sim, mas ao mesmo tempo não revela os motivos para isso. É de sabedoria popular, mas não há detalhes importantes. Por favor não se aproveite dessa situação para dar spoilers de obras variadas. O que acontece aqui, como citei, é um conhecimento popular que revela que algo aconteceu mas ao mesmo tempo deixa tudo em dúvida, ou seja, há revelação do enredo, mas não há explicações. Entendem como discutir spoiler pode ser complicado?

Contos de fada não são considerados spoiler contar o final, já que são histórias populares. Agora, citar o final de As Crônicas de Nárnia, Harry Potter, Jogos Vorazes, Clube da Luta, Seven, Efeito Borboleta e outras obras, aí sim podemos considerar spoiler. Até citar final de Moby Dick e O Corcunda de Notre Dame pode ser considerado spoiler. São obras escritas para acompanharmos a história e descobrirmos seu conteúdo aos poucos. Basicamente o nível popular é o que decide se algo é spoiler ou não e também sua relevância de spoiler. O final de Frankenstein, Drácula, O Médico e o Monstro, etc, pode ser considerado spoiler, mas há quem ressalte que não é devido ao conhecimento popular.

Agora vamos falar de obras baseadas em fatos reais (dã, se é fato é real [espero]). Por mais que seja um relato de uma história real (e aqui não entro no mérito de fidelidade, que só não vem ao caso como também demoraria muito [poderia falar de todos os momentos falsos do filme O Jogo da Imitação, por exemplo, mas pesquise na Wikipedia em inglês para saber mais])... Onde estava? Ah, sim. Por mais que seja um relato de uma história real, quando isso vira uma história para ser contada de forma comercial (novamente, sem entrar em méritos), de forma que o público consuma aquela história descobrindo seu conteúdo aos poucos, então poderemos... considerar ou não spoiler. Como assim? Histórias reais são complicados, não há uma decisão exata sobre isso. Por ser real, seu conteúdo pode ou não ser do conhecimento popular. Se for, tudo bem. Se não for, poderá ser.

A grande embarcação do rei dos mares, o Titanic, sofreu uma tragédia que fez tudo ir por água abaixo. Como todos sabem, o imensurável Titã deu uma beijada num iceberg (bloco de gelo flutuando na água) e a raspada foi tão forte e tão profunda que fez o navio afundar. O filme mais famoso a relatar essa desgraça humana foi a versão de James Camarão, digo, Cameron. No final todo mundo sabe que o barco afunda. Isso é de conhecimento popular. Não há segredo. É spoiler? De qualquer forma é uma revelação, mas todo mundo sabe disso, então não consideram spoiler.

Marley & Eu é uma história bonitinha sobre um cachorro e seu dono. Droga, é uma obra de cachorro e não é infantil. Ele vai morrer no final! A não ser que você seja a Disney e faça uma versão feliz de Balto, se é história real saiba que o cachorro vai morrer. É que nem Hachiko Monogatari, que ganhou um esquisito porém aclamado remake americano intitulado Sempre ao Seu Lado (calma que vou ali chorar). O cachorro morre. É spoiler? Não preciso repetir o que escrevi no final do parágrafo anterior.

Histórias de pessoas que já morreram. Caramba! Aya Kito protagonizou 1 Litro de Lágrimas, seu diário depressivo sobre a luta pela sua própria vida em meio a uma doença fatal onde ela tinha poucos anos pra aproveitar antes de ter seu corpo paralisado até a morte. O tempo todo deixam claro que ela irá morrer, não dá pra evitar. As adaptações dizem que ela irá morrer, a internet diz, tudo diz. E é a coisa mais óbvia se pensarmos que é uma obra de alguém que já morreu. Posso te contar uma coisa: Você também vai. E isso não é spoiler.

Como citei anteriormente, o conteúdo é cada vez maior. Infelizmente, com o tempo, surgiram coisas humanas impulsionadas pela falta de conhecimento, aproveitando ao máximo suas tecnologias para fins nada proveitosas, que começaram a reclamar que tudo era spoiler. Respirar é spoiler, andar é spoiler, soltar pum é spoiler, a pessoa andar até a casa do vizinho é spoiler, um alien aparecer numa história sobre alien é spoiler, certo aracnídeo ser visto num filme da empresa concorrente mesmo com diversas informações sendo divulgadas até mesmo em jornais e todas as outras mídias ao redor do mundo é spoiler. Vivemos numa época onde o conflito é mais conflitante que tudo. De um lado temos aqueles que respeitam, de outro aqueles de não respeitam e no meio aqueles que reclamam.

Dizer que o Titanic afunda não é spoiler, assim como que no final de Marley&Eu o cachorro morre também não é. Mas dizer que no fim de Harry Potter ele [spoiler] é spoiler (se bem que já tá se tornando conhecimento popular o encerramento, mas não é completo), assim como dizer que no final de As Crônicas de Nárnia o Aslam [spoiler] e os personagens [spoiler] vão pra [spoiler] porque na verdade [spoiler] é spoiler. Vamos deixar os livros de lado e focar nos filmes para entender mais melhor ainda.

Todos conhecem o universo cinematográfico Marvel, não conhecem? Espero que sim. Todos os filmes seguem uma ordem cronológica e a tendência é que um se passe depois do outro (com exceção do primeiro Capitão América). Pois bem. Para entender melhor o filme seguinte, é preciso ver o anterior. Por se tratar de uma continuação, qualquer coisa que seja dita sobre ela poderá ser spoiler, mesmo que isso ultrapasse o óbvio. Por exemplo: Em Capitão América 3 (Guerra Civil), os heróis estão sendo obrigados pelo governo a se registrarem devido as inúmeras destruições causadas nos filmes anteriores, onde baixas ocorreram. Novos personagens também são inseridos na trama, como o Pantera Negra e o Homem-Aranha. Porém há outros que ficam de fora, como o Hulk e o Thor. E isso já deixaram claro em trailers, notícias e tudo mais. Mesmo que uma pessoa do povão não vá procurar sobre ou, por mistérios da vida, não veja notícias sobre isso em sua timeline, ela pode reparar esses pontos óbvios, que sequer podem ser considerados spoilers se foram usados para divulgação.

Aproveitando o assunto, sabem o quanto de spoilers há nos trailers? Vingadores 2 revelou até cena da batalha final, mas muito do filme também não foi visto, sem contar várias cenas que sequer entraram na edição final. Ainda assim teve revelação. Batman vs Superman e Capitão América 3 mostraram batalhas importantes, e mesmo assim teve gente reclamando que contaram tudo nos trailers. Nesses casos, contaram o que? Batman vs Superman dá a entender que Batman e Superman lutarão entre si, não? E a trama de Guerra Civil diz que os heróis ficarão divididos e, por consequência, terá guerra entre eles. Cadê o spoiler? Sinceramente, não consigo ver. Mas vamos mais fundo: Novamente trago Nárnia e Harry Potter em questão. Motivos? Ora, o terceiro filme de Nárnia, A Viagem do Peregrino da Alvorada, chega a mostrar parte da penúltima cena dos trailers! Para os leitores dos livros (hum...) é um baita spoiler. Para quem não leu, parece uma cena aleatória. Alguém reclama? Não. O sétimo filme de Harry Potter, As Relíquias da Morte Parte 1, mostra o encerramento! Sim, o encerramento! A cena final! Não to brincando, realmente mostram como o filme acaba! O final do trailer é o final do filme! Reclamaram? Não. Então por que essa pressão sobre filmes óbvios? Podemos discutir sobre as hqs que inspiraram Batman vs Superman, por exemplo, já que há título com nome bem revelador. Então isso era pra ser spoiler? Nas hqs não, todo mundo sabe disso, mas a partir do momento em que se transforma num filme que apenas se inspira nas hqs, e não segue fielmente tudo o que acontece, devemos manter segredo sobre as revelações. Dizer o que acontece nas hqs não é spoiler, já que se tornou conhecimento popular no meio dos leitores de hqs, mas deve-se reforçar que no cinema as coisas seguem caminhos diferentes, mesmo que a fidelidade se cruze em alguns momentos.

Voltando a questão dos filmes. vamos falar de Jogos Vorazes e Maze Runner. Ambas as obras, a partir de determinado momento, mudam completamente. Jogos Vorazes já é de conhecimento popular que a história vai muito além das arenas onde todo mundo vai morrendo e parte para uma revolução do povo contra a Capital. Isso deveria ser spoiler, mas, por se tratar de filmes (assim como os livros) de poucos volumes, onde é impossível esconder a trama, acaba não sendo considerado spoiler. Maze Runner, como o nome diz, trata sobre um labirinto onde vários garotos e uma garota estão presos. Não se sabe o que os aguarda nem os motivos daquilo, mas... logo na continuação os sobreviventes já estão fora do labirinto e dizem ter descoberto uma trama muito maior por trás daquilo. Isso é uma alusão a própria saga, que começa de um jeito e logo se abre para um universo muito além do iniciado. Não tem como esconder o que acontecerá, a trama de cada obra está presente para todos conhecerem.

Ao fim, sair reclamando de que tudo é spoiler está tão errado quanto debater um tema que não se sabe nada a respeito e sequer usar argumentos para provar seu lado. Antes de dizer que estragaram a surpresa, pesquise de forma bem rasa sobre o conteúdo. Digo rasa porque, se o conteúdo não for mesmo spoiler, estará em fácil acesso para você. E se pesquisar a fundo corre o risco de levar spoiler de verdade.

19 março 2022

Curiosidades sobre o filme "Projeto X"

Filme de uma hora e meia com um bando de adolescentes se achando o máximo por curtir uma festa com muita bebida e drogas até tudo sair do controle.

Merecia um documentário.

~ Bastidores.

- Pra dar mais realismo, contrataram atores não-famosos e filmaram ao estilo "câmera na mão".

- A produção manteve o clima de festa até fora das gravações, isso durante semanas.

- Apesar do roteiro e das câmeras profissionais, várias cenas adicionais foram gravadas livremente pelo elenco mesmo, através de smartphones, pra dar um clima maior de naturalidade.

- A polícia chegou a ser chamada devido a tanto barulho, tanto que a Warner se desculpa no começo do filme.

- Ao final das gravações, quase todo o set havia sido destruído.

~ Impacto.

- Por mais que festas do tipo acontecem na vida real e que filmes do tipo não sejam novidade, "Projeto X" foi acusado de inspirar várias festas posteriores. Adolescentes, né.

- Tem várias notícias pela internet sobre os ocorridos, com festas que renderam milhares de dólares de prejuízo, muitas prisões e até morte. Na Wikipedia em inglês resumem bem vários casos. E no IMDB tem várias curiosidades do filme.

- A ironia: O filme foi inspirado livremente num acontecimento real ocorrido na Austrália em 2008.

- A ficção imita a realidade. A realidade imita a ficção.

- A sequência do filme foi confirmada e depois cancelada.

13 janeiro 2020

Paradoxo do alimento

O que não mata, engorda.
O que engorda, mata.

O que engorda, engorda.
O que não mata, mata.

01 maio 2019

Análise básica sobre o Nintendo 3DS - Bom demais, mas nem tanto assim

Esse ano, uns meses atrás, adquiri meu New 3DS XL.

A princípio um console incrível, proporcionando muita diversão, mas no fundo há problemas preocupantes.

Confesso que estou me pagando de trouxa e sendo o corretinho ao tentar manter tudo na legalidade, deixando o console bloqueado e comprando jogos originais (não físicos por serem caros demais, mas virtuais por serem menos caros rs), mas a Nintendo não colabora.

~ Sobre o aparelho: Leve, prático, bateria com boa duração, controles de fácil manuseio, opção de modificar o menu e de equilibrar o 3D.

~ Sobre a loja virtual:

- As compras só podem ser feitas com cartão de crédito Visa ou Master Card ou aquele cartão Nintendo que vem créditos nele (é recomendável comprar tais cartões em lojas, já que pela internet se paga mais do que o gasto).

- Há uma vasta coleção de jogos, tanto exclusivos quanto adaptados de consoles anteriores. Muitos jogos em 3D, aproveitando o ideal da plataforma. Muitos jogos variados de pequenas e grandes empresas.

- Preços: Os indies e os clássicos costumam ser mais baratos. Os grandes títulos em sua maioria são bem caros. Uma pena. Causa certa revolta. Tem muito jogo bom, mas também tem muito jogo ruim. Dá pra achar jogos de 1 real a 250 reais. Há promoções. Também é possível achar programas, como de edição de áudio. Vale citar que existe um custo adicional para adicionar créditos na loja virtual, ou seja, se gasta mais do que o esperado.

- Relançamentos de clássicos: Dos clássicos, alguns são apenas relançados normalmente, já outros são convertidos pra 3D. Vergonha da Nintendo relançar muitos normalmente, sendo que a Sega relançou vários adaptando-os ao formato 3D da "concorrente".

- Ausências no catálogo: Nem todos os jogos estão disponíveis para comprar virtualmente. Outra revolta. E nem todos os jogos lançados para o console estão registrados no catálogo da loja. Gostaria também que tivesse uma loja de jogos de DS, até pela compatibilidade, mas isso é pedir demais.

~ Sobre a conta: Sem salvação. Isso foi o que mais me causou revolta. Caso o usuário formate o 3DS, sua conta é automaticamente deletada e, com isso, todos os jogos comprados na loja virtual também são apagados. Em caso de perda/dano/roubo do console e, consequentemente, a possível compra de um novo, é possível tentar recuperar os jogos comprados entrando em contato com a Nintendo. Não é garantia de que conseguirá, entretanto.

Ao fim, concluo que: O 3DS é um console maravilhoso, mas a vontade é de mandar a Nintendo se ferrar.

Doutor (humor)

~Postado originalmente em redes sociais~

- Doutor, sou um paciente invisível.
- Agora não posso ve-lo. Aguarde na fila.
- É que...
- Ok, entre.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Tudo bem?
- Tudo.
- Ok. Próximo!
- Não, doutor, pera.
- Brincadeira. Diga: Qual o motivo da sua consulta?
- Estou sentindo uma dor aqui nas costas.
- Sente sempre?
- Não, só quando encosto.
- Então é só não encostar!
- Ah, doutor... Como não pensei nisso antes?
- Acho que já sei qual é o seu problema.
- Já?
- Essa aqui é sua coluna.
- Que? Me devolve!
- Calma. É só no sentido figurado.
- Ah, bom. Desculpa. É que as vezes eu sou meio mal educado.
- Como assim?
- Meu filho disse que doutor é só quem tem doutorado.
- É? Que legal...
- Mas prossiga... hã... doutor.
- Hum... Você não disse que era invisível?
- Disse.
- Mas eu estou te vendo.
- Claro, doutor! Com esses óculos divergente...
- Ah...
- Realmente sou muito paciente.
- E eu doutor. Por isso estou te tratando. Próximo!

16 janeiro 2018

Caminhando com Dinossauros e a grande decepção com um filme aleatório

~Publicado originalmente em redes sociais~

Apesar do tema cinema (tenho um blog pra isso), decidi por postar aqui mesmo, no blog principal pessoal, até por ser um texto qualquer que escrevi assim do nada (rs) e bem ao estilo crônica ou algo do tipo. E também porque no outro blog posto apenas críticas e afins (se já postei algo diferente não lembro). Que seja. Por via de dúvidas, vi o filme que foco na postagem na época que passou no cinema. Segue o texto:

~

Pessoal pergunta de decepção com filme no cinema e eu fico pensando "Ou a pessoa se decepciona fácil ou vai pouco no cinema" rs

Pois bem. Antes de prosseguir, devo atentar a algo que muitos sequer conseguem diferenciar: Se decepcionar com um filme não necessariamente o torna ruim. Eu mesmo considero o último Godzilla americano como a maior decepção que tive no cinema, mas não o acho ruim, apenas problemático. Os trailers eram grandiosos. Acabou que mostraram um filme do Rei dos Monstros sem luta rs Questões de expectativas. Enfim.

Prosseguindo, preciso falar de um filme que nem é grande coisa e que eu esperei algo no mínimo bom, mas nem isso entregaram: Caminhando com Dinossauros. Caramba, tinha visto o trailer, achei demais, baseado numa série de documentário, ideia interessante de mostrar algo mais realista... Chegou no filme, tem uma trama humana de início e fim totalmente desnecessário, os personagens dinos são crianças irritantes que ficam falando coisas desinteressantes o tempo todo e o filme ainda faz questão de parar tudo, congelar a tela e exibir informações sobre cada dinossauro apresentado. Em meia hora de filme eu tava com vontade de ir embora rs Nem o 3D nem o incrível visual conseguiu empolgar (e quando o visual não "compensa" algo ruim, temos um problema).

É isso. Só queria compartilhar o que é decepção de verdade rs Um daqueles filmes aleatórios que você pensa e diz "deve ser interessante", mas aí quebra a cara. E foi forte, porque pra chegar num nível de filme como se eu tivesse me decepcionado com algo que tanto esperei, é porque a situação é bem tensa. Aliás, além da crítica detonar o filme, descobri agora a pouco que lançaram uma versão reduzindo pela metade (!!!) o longa, editado pra parecer um documentário mesmo, como a série.

29 dezembro 2017

A Re[in]volução dos Bichos

Fiz essa tirinha pra um trabalho de ciências sociais (acho rs) na facul. Se não me engano, foi em 2015.

Foram sorteados diversos pensadores e acabei ficando com Karl Marx. Lembrei de A Revolução dos Bichos e decidi parodiar.


Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.