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07 junho 2022

[JAM STATION] [RESENHA] Ele Está de Volta

 [Publicado originalmente em 2018]

Ele Está de Volta

Conheci "Ele Está de Volta" pela sua adaptação. São produtos diferentes, apesar do começo idêntico e de algumas passagens e elementos semelhantes. A inusitada premissa é a mesma: Hitler acorda na Alemanha nos dias de hoje e aos poucos vai ganhando espaço na mídia.

No começo ele está perdido e, ao ser abrigado por um jornalista, passa a se informar melhor sobre a situação do país e do mundo. Começando por baixo, Hitler vai conquistando corações até ganhar um espaço num programa de TV. E isso é só parte da história.

Enquanto o filme busca algo mais humorado e viajado, numa aventura com o ditador e um jornalista cobrindo a duvidosa figura, o livro tenta ser mais realista e detalhista, mostrando o cotidiano de Hitler, com o próprio narrando suas descobertas e comparando com sua época de guerra. Isso é ora hilário ora assustador. O nível transita do bom humor ao puro preconceito. Devo citar como destaque o sensacional momento em que ele descobre a internet, chamado por ele de "inter-rede".

Méritos para o autor Timur Vermes, que deve ter estudado bastante a vida de Hitler, porque tem muita sacada boa envolvendo política, ideais, conflitos de gerações, etc. Parece mesmo que estamos lendo os pensamentos do ditador! Aliás, devo citar que ele é alemão, o que só reforça a experiência por viver no país dos acontecimentos originais.

Mas então, a pergunta que fica: Hitler daria certo nos dias de hoje? A princípio parece que não, mas acredite: Daria. Basta ver qualquer uma das versões do filme A Onda para perceber como é fácil. Independente da evolução da tecnologia, ainda somos humanos.

No livro, Hitler possui um caráter carismático e inteligente, mesmo com seu forte temperamento. O pseudo-humor carregado de seriedade disfarça o óbvio, fruto de interpretações diferentes. Devo reforçar que ele não esconde seus ideais, mas as pessoas o interpretam como um ótimo humorista ou apenas algum doido fazendo algo de mal gosto. E mesmo ele sempre falando sério, ele também sabe fazer algumas piadas quando convém. Eu mesmo acabei rindo de algumas coisas. Genial, apesar de tudo.

Também devo reforçar o talento de Hitler em se esquivar de acusações sem mentir e inverter o alvo para os acusadores. E as pessoas aceitando tudo o que ele fala! Como dito no livro, se as pessoas gostam e aplaudem quando ele diz algo ofensivo, é porque no fundo elas concordam, mas não tem coragem de dizer. Provavelmente. Mas bora lembrar que o nazismo foi um erro e Hitler um idiota, ok? A história deixa isso claro. O que não ignora, por exemplo, a genialidade dele, mesmo que usada de forma repugnante.

Ao fim, Ele Está de Volta é uma ótima experiência, tanto o filme quanto o livro, então recomendo consumir ambos, independente da ordem. Além das diferenças, os finais são completamente diferentes. [Para os curiosos, o filme está no catálogo da Netflix].

09 janeiro 2019

[GEEKABLE] [CRÍTICA] K-POP: Manual de Sobrevivência

[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]

K-POP: Manual de Sobrevivência

Subtítulo: Livro brasileiro relata a cultura pop sul-coreana com competência

Nota: 4,5/5 - Brasileiras reúnem suas pesquisas e experiências em livro sobre o k-pop e a Coreia do Sul. Apesar de alguns erros de digitação e com uma grande quantidade de gírias que os mais velhos talvez não entendam, o conteúdo se sobressai positivamente e o resultado agrada.

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Desde meados dos anos 2000, com a chegada da internet, o k-pop (pop coreano) começou a se popularizar lentamente mundo afora, através de fóruns, redes sociais e sites específicos sobre o tema.

A segunda geração de artistas surgia enquanto a tecnologia começava a avançar. Mas foi apenas na década atual, mais precisamente em 2012, que ocorreu seu maior estouro, com o hit Gangnam Style batendo recordes e chegando ao topo das paradas mundiais. Desde então o gênero vem conquistando cada vez mais pessoas.

Como era de se esperar, não demorou para que obras diversas explorassem esse universo. Além de programas de entretenimento, reality shows e afins que as empresas criam para promover seus artistas, o gênero musical chegou a ganhar documentários e até livros sobre o assunto.

Não sei o quanto os livros lançados são populares lá fora, mas nenhum deles chegou no Brasil. Mas esperem. Com cada vez mais o k-pop se popularizando, o Brasil começou a chamar a atenção, visto os diversos shows que o país recebe atualmente, apesar da crise e da falta de estrutura para eventos de grande porte.

Assim como obras saíam lá fora, nós também fomos responsáveis por algumas. Esse ano, dois livros sobre o assunto foram lançados, sendo um deles o "K-POP: Manual de Sobrevivência", que vos trago para analisar.

K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA



Buscando se adequar a leitura atual e ao público juvenil, o livro é "escrito de maneira simples e divertida", como diz a própria sinopse, que complementa dizendo que o manual leva o leitor "a passear pela história, cultura, indústria de entretenimento, música e paixão da Coreia do Sul".

De fato, a linguagem utilizada pelo manual é semelhante a de internet, sendo leve, informal, atrativa. Através de diversos capítulos, é explorado esse universo sul-coreano, indo muito além do k-pop.

AS ESCRITORAS


Da esquerda para a direita: Natália Pak, Érica Imenes e Babi Dewet.
Crédito: SarangInGayo
O livro foi escrito por três pessoas conhecidas pelos kpoppers brasileiros antenados. Seguindo a ordem no livro, a primeira é Babi Dewet, apresentadora, youtuber e escritora, responsável pela trilogia Sábado à Noite e a nova Cidade da Música, além de contos para os livros da Turma da Mônica Jovem (sim, existem). Ela também apresenta o programa Ponto K-Pop na PlayTV.

A segunda é Érica Imenes, apresentadora, produtora, youtuber e editora do portal SarangInGayo, o maior e mais antigo portal de cultura coreana do Brasil. Ela é responsável pela realização de alguns dos shows de k-pop que ocorrem no Brasil.

E a terceira é Natália Pak, criadora do SarangInGayo. Filha de imigrantes, seu site chegou a ser reconhecido pelo governo sul-coreano, ganhando diversos prêmios e títulos, chegando até mesmo a ser intitulada representante da Coreia do Sul. Ela também faz parte da diretoria da Geração de Jovens Coreanos no Brasil.

Alguns podem duvidar da qualidade, visto que todas nasceram no Brasil, mas, como podem reparar, todas estão envolvidas na área de entretenimento e cultura sul-coreana. Além, a Babi é escritora, a Érica tem formação em jornalismo e a Natália é descendente e teve contato direto com a cultura de lá desde sempre.

Foram meses de pesquisa para que tudo estivesse pronto. Lembro que acompanhava as novidades do livro e sempre diziam que lançariam em breve, até que finalmente lançou (aliás, foi na Bienal do Livro). Então valeu a pena esperar? Sim, valeu.

CONTEÚDO



Como dito anteriormente, o livro vai muito além do k-pop.

Em relação ao país em si, há a história da Coreia; as guerras; como funciona o país; a divisão; etc. Por parte do mercado, há a visão geral, além do aprofundamento nos mercados de k-pop e de doramas (novelas/séries).

Já por parte do k-pop, temos a história do k-pop; o processo de transformação do artista em k-idol (ídolo); relatos e crônicas das experiências nos bastidores de shows ocorridos no Brasil; entrevista com artista; recomendações de grupos; os grupos que passaram no Brasil; os maiores grupos do gênero; etc.

Existe ainda um dicionário com os termos mais usados pelos kpoppers (não necessariamente apenas no meio k-pop, mas sim no país). Há até receita culinária.

A divisão dos temas é variada. Depois de falar sobre o país, começa a se dividir entre o k-pop e afins. Embora lendo assim pareça desorganizado, não é. O resultado é agradável, variando os temas sem tornar cansativo e interligando uns aos outros.

Minha intenção aqui não é detalhar tudo o que está no livro, afinal, o bom mesmo é ler e ir descobrindo, independente de conhecer ou não sobre o assunto. Acredite: Dá para se surpreender. Eu, mesmo nesses anos todos me aventurando pela onda Hallyu (termo dado a expansão da cultura sul-coreana), descobri coisas que não sabia.

PRODUTO FINAL

Salvo alguns poucos erros de digitação, o livro é bem acabado, com uma formatação dinâmica, possuindo observações e diversas imagens para ilustrar o que está sendo escrito. As imagens ocupam tamanhos variados e atraem o leitor para o conteúdo.

A quantidade de gírias utilizadas pode incomodar o público mais velho e desligado dos termos usados pelos jovens. Por ser um livro de fácil entendimento, não chega a ser algo que realmente atrapalhe a leitura, embora possa cansar.

Também há uma ótima bagagem de conteúdo apresentado ao longo das páginas, servindo como um resumo da grandiosidade que a cultura sul-coreana possui e como uma introdução para os leitores procurarem mais.

Com muitos acertos e poucos erros, K-POP: Manual de Sobrevivência é uma fonte de pesquisa válida e que introduz a esse universo que é o k-pop. E é muito bom ver o Brasil participando disso.


Crédito: Babi Dewet (Instagram)
Leia mais: Um breve resumo sobre k-pop para geeks (ou não).

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.