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26 junho 2022

[RASCUNHO] A Divina Comédia (livro)

 ~ Publicado originalmente em redes sociais. ~


"A Divina Comédia", de Dante Alighieri. Ou, como chamei ao longo da leitura, "Os Delírios (Religiosos) de Dante". Dividido em três livros, acompanhamos Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso conversando com as pessoas. É isso. Sim, só isso. E é muito bom, salvo detalhes. E embora a trama vá "enfraquecendo" a cada parte, ainda mantém seu nível de qualidade que o torna único.

O autor descreve os ambientes e cita dezenas e mais dezenas de pessoas reais em sua obra, definindo quem tá em que lugar e por qual motivo. Isso soa bem problemático na verdade, mas levando em conta a história como ficção dá pra aliviar. Isso e o fato da obra ser datada devido a alguns elementos totalmente esperados pela época, considerando aí questões religiosas, com interpretações diferentes (mais voltada ao catolicismo, no caso), e também científicas, porque Dante se baseia muito na astronomia que se acreditava na época, e só disso ter mudado com o tempo devido a pensamentos equivocados já quebra a experiência de fingir que toda a viagem foi real (se é que alguém ache isso, né). Ao mesmo tempo preserva uma parte da história do que foi o mundo no passado e como ele era visto naquela bolha, o que por si só é um prato cheio.

Há muita coisa interessante nos livros, além dos já citados, inclusive tentativas de respostas para questões bíblicas, vindo daí longas conversas com reflexões e filosofias e divagações sobre diversos assuntos. Todo o contexto histórico da Itália e de como Dante vivia é fortemente retratado aqui. É o que tá direto no conteúdo, não apenas nas entrelinhas. Por isso os comentários anexos que vem em algumas edições são tão importantes pra leitura, porque sem elas não daria pra entender quase nenhuma referência. Se citando a pessoa mal dá pra saber das coisas, imagina quando Dante cita indiretamente. É o típico livro pessoal de "piada interna" que caiu no gosto popular mundial.

Eu li dessa vez a versão em prosa, uma adaptação da versão original em poema. E sim, já tinha lido o poema muitos anos antes, e não minto, meu veredito foi um sincero "muito bom, mas não entendi nada" (kk). Pretendo reler futuramente, ou quem sabe acompanhar num audiobook, já que poemas são feitos pra serem ouvidos. Quanto a versão em prosa, ajuda pra caramba a entender as coisas de forma mais clara, lendo em linha num raciocínio contínuo em vez de ler em versos numa busca por rimas. Cada um com seu charme. Grande livro.

10 fevereiro 2019

[RASCUNHO] Fios de Prata - Reconstruindo Sandman (livro)

Fios de Prata - Reconstruindo Sandman

O livro é tão bom e tão convincente que parece até que me acordou no meio da noite propositalmente para termina-lo. Nem sei como demorei tanto pra ler, porque toda vez que lia não conseguia parar.

Fios de Prata é mais uma prova que o mercado nacional sabe fazer fantasia tão bem quanto lá fora. O livro trata sobre sonhos e de onde vem as inspirações. A trama se inicia relativamente "simples" (se é que dá pra chamar assim) e vai se expandindo em personagens, lugares e situações, tomando proporções grandiosas.

Temos um jogador de futebol que é perturbado por sonhos estranhos frequentemente. Ele é apaixonado por uma ginasta. Um dia a alma dela é roubada e levada ao Inferno e ele vai atrás, descobrindo algo muito maior ocorrendo no plano etéreo. Nesse plano, numa mistura de religiões/mitologias, temos deuses, anjos, demônios e outras criaturas se envolvendo em conflitos no Sonhar e além.

Daí o subtítulo do livro, Reconstruindo Sandman. Muito se é ligado ao personagem de Neil Gaiman, mas aqui o autor Raphael Draccon busca mais o lado das lendas gregas mesmo. E há muitas referências a cultura pop também, dos mais diversos. E algumas passagens histórias. A forma que o autor escreve as cenas são sensacionais, sempre transmitindo as emoções contidas nelas. Em alguns momentos de inspiração, o livro chega a soar como uma auto-ajuda, sendo bem mais eficaz que os próprios (rs). Realmente incrível.

[RASCUNHO] Um Cântico Para Leibowitz (livro)

Um Cântico Para Leibowitz

Quem imaginaria a Igreja salvando a ciência rs Clássico premiado da literatura pós-apocaliptica, a trama se divide em 3 eras diferentes. A Terra é devastada por uma guerra nuclear e pelos seus sobreviventes, que decidem acabar com tudo que remete ao passado. A trama começa séculos depois, onde monges da Ordem de Leibowitz tentam preservar os documentos que sobraram.

A história é bem lenta, mas não menos interessante por isso. A experiência do livro é intrigante. É um livro pra sentir. Acompanhamos monges buscando preservar o passado num mundo devastado que prefere viver na ignorância. Cada parte tem seu protagonista. Várias revelações vão acontecendo e enriquecendo a trama. É como olhar para uma expedição arqueológica encontrando nós mesmos.

O autor usa muito do catolicismo no livro, incluindo elementos que hoje nem existem mais. É bem aprofundado, seguindo tradições e afins. O latim também marca presença. Bastante até. Vale citar que o autor era católico e tinha traumas da Segunda Guerra, o que explica o realismo da trama. Vale citar também que não é um livro religioso, por mais que pareça. Toda a trama se passa pelo que seria a Igreja Católica futurista. Ou o que restou dela. Muito bom. Grata surpresa.

14 junho 2015

[RASCUNHO] Dom Casmurro e os discos voadores (livro)

~Publicada originalmente em redes sociais~


A releitura de Dom Casmurro com alienígenas superou todas as minhas expectativas. Posso arriscar que a história criada aqui é tão boa quanto a original. Já imaginou se Bentinho estivesse sendo observado por aliens? Se Capitu, Escobar e José Dias escondessem um segredo que não era da Terra? Nem eu. Digo, não até o momento que li esse livro.

A história se baseia toda em Dom Casmurro (tem o amor de Bentinho e Capitu, Bentinho indo para o seminário e conhecendo Escobar, o casamento, a reviravolta, etc) e adiciona elementos alienígenas baseados em lendas e teses "reais". Uma mistura inusitada e surpreendente. O livro, além de trazer uma resposta (de acordo com o universo criado nele) para a grande dúvida que todos tem ao final do original, vai além. Tão além que a reviravolta final é de deixar qualquer um intrigado. Ainda estou pensativo quanto a isso. Recomendo a leitura.

[RASCUNHO] Alice Através do Espelho (livro)

~Publicado originalmente em redes sociais~

Alice Através do Espelho



Dorgas, manolo, muitas dorgas. Quando você pensa que não pode enlouquecer mais, aparece uma continuação muito mais louca. E então, de quem foi o sonho? Alice realmente sonhou aquilo tudo ou ela esteve no sonho do outro?

Enquanto na primeira história Alice fica vagando por aí tentando achar uma saída do lugar, na segunda Alice arruma um outro objetivo depois de... ficar vagando por aí. Ela tem que chegar até um lugar pra virar rainha (devido a um jogo de xadrez). Dessa vez ela não quer fugir, mas adentrar mais nesse novo mundo. Aqui temos novos personagens.

É tudo tão bizarro que o que predomina na história são as contrariedades dos habitantes desse mundo estranho e as passagens de certos locais, onde o ambiente simplesmente muda do nada. Além dos personagens loucos, há também os seres citados ao longo da história, como uma espécie de dragão e, na cena do trem, os animais-comidas-sei-lá-o-que.

Agora falando de adaptação, não vi nenhuma, mas gostaria. Houve elementos dessa continuação utilizada principalmente naquela versão do Tim Burton (como os irmãos). A Disney também usou elementos na própria animação clássica (o desaniversário, especificamente).

[RASCUNHO] Alice no País das Maravilhas (livro)

~Publicado originalmente em redes sociais~

Alice no País das Maravilhas



Muito divertido de ler, mais legal ainda é ver a chata da Alice levando um fora a cada capítulo. :v Como todo mundo deve saber mais ou menos como é a história (Alice persegue um coelho branco com relógio, vai parar num mundo estranho, onde governa uma rainha que pede pra cortar a cabeça de todo mundo, etc...), vou me focar em algumas cenas "esquecidas" nas adaptações.

Tem elementos que seriam difíceis aparecerem hoje em dia, como a cena da Duquesa batendo no seu filho e da Alice abandonando o coitado na floresta porque ele era um porco (oinc), chamando-o de monstro e desprezando ele.

Uma cena que costuma ficar de fora das adaptações é a da Tartaruga Falsa, o que é uma pena. Na verdade o livro nem é grande e mesmo assim conseguem deixar muita coisa de fora. As histórias contadas pela Tartaruga são divertidas e boas de ler.

O personagem que gostaria que aparecesse mais é o gato, mas é assim mesmo, todos os personagens tem espaço e aparecem pouco, geralmente no seu próprio capítulo e ao final da história. A cena do Chapeleiro, a da Lagarta, a dos bichos que estavam na frente da casa do Coelho... tudo muito bom.

Alice no País das Maravilhas é como um conjunto de contos interligados. Embora tenha achado o início muito chato (Alice não ajuda a melhorar a história, só piora), a história se torna bastante divertida com o tempo. Alice vai conseguindo se "comportar" nesse mundo louco, mesmo que leve um fora todo o tempo por não saber de nada de lá. Pobres animais, Alice vivia dizendo que já comeu, que já viu alguém comer... eles não precisam saber disso.

21 abril 2015

[RASCUNHO] Sandman - Os Caçadores de Sonhos (livro)

~Publicado originalmente em redes sociais.
~Entende-se por crítica incompleta aquela crítica que não me aprofundo mas acho válida a postagem aqui no blog.


Livro de Sandman, do Neil Gaiman. Não confundir com a versão em quadrinhos, que também existe. Aqui Gaiman escreve mesmo um livro e conta com a participação de Yoshitaka Amano na arte (e que artes belas!).

A história faz uma releitura de um conto japonês onde uma raposa se apaixona por um monge e tenta protegê-lo de demônios que querem acabar com ele. Para isso, ela vai até Morfeu pedir ajuda...

É uma história simples e atraente, do mesmo nível dos quadrinhos. Para entender, basta ter noção de quem é Morfeus, no máximo quem é o corvo, embora a própria história revele essas informações (de forma bastante natural). A escrita é suave e as imagens são para apreciar.

28 dezembro 2014

[RASCUNHO] Em Algum Lugar do Passado (livro)



Em Algum Lugar do Passado

Ótimo livro. Tem seus altos e baixos, mas a escrita é sensacional e mesmo sendo muito detalhada em alguns momentos, acaba se tornando bom de ler, inclusive para quem não curte muitos detalhes, como eu.

O livro tem textos de introdução e encerramento nas palavras do irmão do personagem que narra os fatos. O autor cria uma espécie de ficção com sensação de realidade. O irmão então explica quem foi seu irmão (o protagonista) e diz que decidiu lançar seu diário, editando algumas partes. Daí começa a história, sobre um dramaturgo com pouco tempo de vida que decide aproveitar a vida antes de morrer. Numa de suas hospedagens em hotéis, ele acaba se apaixonando pela fotografia de uma atriz pendurada na parede. Ele então começa a procurar sobre ela até ficar paranoico, querendo voltar no tempo e encontrando supostas provas que confirmavam que ele havia voltado no tempo. E consegue. Seu objetivo, além de conquistar a mulher que ama, é mudar o futuro dela, terrível e macabro.

Os momentos são únicos. A história não vai logo pro passado, tem coisa pra acontecer antes. Primeiro Richard precisa arranjar um meio de voltar no tempo, depois fazer testes e assim tentar voltar. A cada momentos vamos acompanhado os passos do dramaturgo, cada vez mais fanático e doente por um amor 'impossível'. Depois de tudo resolvido, Richard volta pro passado completamente. Parte do livro já se foi, mas ainda há muito conteúdo pela frente. E é maravilhoso. Ele tenta de tudo pra conquistar sua amada, Elise, que nem o conhece. Ela começa a achá-lo estranho, sua mãe não gosta dele e um homem que cuida da carreira da atriz tb não. As coisas começam a sair do controle, mas Richard é perseverante e continua tentando. Acompanhamos os momentos de romance e os feitos de Richard pra continuar naquele local, escondendo ao máximo de onde veio e enfrentando problemas da época. Qualquer coisa pode acabar fazendo com que ele volte pro seu tempo de origem, o que ele não quer.

Apesar de algumas cenas de melodrama, a maioria é tranquila, dá pra deixar passar e até se envolver. Mas o livro não é feito apenas disso. Richard tem uma vida e tem que aprender a viver naquele local. Momentos de tensão tb estão inclusos. Pela história se passar em poucos dias, soa como justificável a ausência de desenvolvimento de alguns elementos que a história inclusive chega a citar.

Dentre toda a maravilha do livro, uma história mágica que prende a atenção em sua maior parte do tempo, há algumas falhas que, apesar de falhas, não atrapalham muito na história. Uma são a minoria das cenas com melodrama, que soam enroladas, e outra é o fato da história ser escrita como diário, sendo que em diversos momentos parece um livro redigido e pensado. Embora o livro mesmo tente resolver esses pontos usando desculpas aceitáveis, é algo que deve ser citado.

Em relação ao filme, o livro é melhor, mas o filme ainda assim é excelente. As mudanças funcionam e a história não perde toda sua essência, com momentos fiéis até. Muda mais esse contexto do irmão do protagonista (que não tem no filme) e as dúvidas sobre o cara ter voltado ou não no tempo. No livro isso é mais abrangente, já no filme não. O paradoxo do relógio não existe no livro, mas gostei disso no filme. Os finais são semelhantes, mas o livro conta coisas que aconteceram no fim que o filme não conta. Recomendo tanto o livro quanto o filme. É uma daquelas obras tão marcantes que a gente confere e nunca mais esquece.

01 dezembro 2014

[KOKYO] Battle Royale (livro)



 Battle Royale (livro)

Aviso: A crítica trata sobre um livro que, apesar de clássico, é considerado violento e polêmico (embora possamos desconsiderar [pelo menos em parte] essa 'polêmica' nos dias de hoje). Embora o livro evite pegar mais pesado em assuntos além de mortes de formas cruéis, a leitura do livro não é aconselhável a todos. A da crítica sim, para quem está curioso, não detalhei nada, então fiquem tranquilos que não tem nada de cabeça explodindo e miolos voando. Não aqui na crítica.

"Que isso? Jogos Vorazes japonês?", perguntam as pessoas que não fazem ideia do que é essa belezura. Não, Battle Royale foi escrito mais de uma década antes e deixou sua marca até antes de ser publicado. Nada de comparações, por favor (embora 99% das pessoas que leram as duas obras prefiram Battle Royale). Mas vamos prosseguir com a crítica.

Lançado em 1999 no Japão, Battle Royale é um livro de enorme sucesso (e polêmica) escrito por Koushin Takami. Com o sucesso, surgiram mangás e filmes. Os mais famosos foram lançados em 2000, que são adaptações do livro. São eles: Uma série em mangá, que totalizou 15 edições, encerrando em 2006 (mesmo ano que iniciaram as publicações no Brasil), e um live-action, que chegou a ser bastante elogiado por Quentin Tarantino em 2009 como 'o melhor filme que ele já tinha visto'.

Depois de lançados o mangá, em 2006, e o livro, em 2007, no Brasil, restava chegar o livro. E eis que em 2014 a Globo Livros realizou o sonho de muitos fãs e também de pessoas curiosas em relação a comparação com Jogos Vorazes, devido a pontos semelhantes, embora as obras sejam diferentes entre si (a Suzanne Collins jura que não se inspirou no livro, sequer leu). Que seja. Battle Royale é um tijolo, são 664 páginas de muita tensão, reflexão e violência. É uma mistura de gêneros incrível, temos ação, drama, romance, suspense, horror, entre outros, tudo em uma única história de tirar o fôlego.

Vale citar que em 1997, Koushin Takami já havia escrito Battle Royale e participou do Japan Grand Prix Horro Novel, mas foi desclassificado na final devido ao conteúdo polêmico da história. Mas afinal, o que tem de tão polêmico assim? Simples: Há adolescente se matando e o Japão é um país socialista totalitário. Se isso não bastasse, a violência é forte, embora Takami afirma que "pegou leve" se comparado a realidade.

O livro conta a história da turma B do nono ano da Escola Fundamental Shiroiwa da Província de Kagawa, que, com seus 42 estudantes, acaba sendo escolhida pela Grande República do Leste Asiático para o "Programa", o "Ato BR", onde um deve matar o outro até sobrar um único sobrevivente. Na história, a turma é posta numa ilha e cada um recebe um kit de sobrevivência, onde as armas podem variar absurdamente. Imagine comparar um papel com uma bazuca? É por aí. Mas prosseguindo. Pra piorar, os alunos possuem uma coleira presa ao pescoço, com um rastreador. Se tentar retirá-la, ela explode, matando o portador. E você acha que isso é tudo? Há ainda os quadrantes proibidos. Caso alguém esteja nele a partir da hora enunciada, o colar também explode. Mas espere, isso não é tudo. Os alunos tem 48 horas para se matarem até sobrar um, caso contrário, todos morrem. E se você acha que isso tudo já é demais, coitado, há mais, mas vou deixar para quem ler o livro descobrir.

O governo japonês do livro faz isso basicamente para "mostrar quem manda" e evitar que rebeldes surjam, mostrando uma matança entre adolescentes de 15 a 17 anos em geral, causando assim um enorme medo na população. E o Programa é o 'programa perfeito', tudo muito bem organizado para que não haja falhas. Ou seja, caso você esteja no nono ano, sua turma for escolhida e você parar no campo de batalha, é impossível escapar. Se quiser sobreviver, vai ter que matar seus amigos e colegas de classe.

Apesar da história mostrar o ponto de vista (em terceira pessoa) da maioria dos 42 estudantes, e apresentá-los um por um, uns mais outros menos, temos nossos personagens principais, que são três estudantes: Shuya, Shogo e Noriko. Shuya e Noriko são amigos, já Shogo é um misterioso aluno transferido. Eles acabam se unindo durante o jogo para sobreviverem juntos. Mas o livro não se prende apenas a eles. Como eu disse, os outros alunos tem seus momentos, o que nos ajuda a entender as motivações de cada um.

Devo avisar que o livro possui flashbacks sobre o passado dos personagens antes do 'jogo', que ajudam a entendê-los e são bons de ler em sua maioria. Entenda como algo positivo e bem utilizado. Em alguns casos, importante para a história.

A história já começa com os alunos indo para a ilha, porém, para eles, eles estão apenas num passeio escolar, até que o ônibus é 'atacado' e eles acordam numa sala onde um representante do governo nos jogos explica a situação e as regras. Esse primeiro momento pode ser cansativo para alguns, já que o livro começa a explicar os personagens, contar suas histórias, etc. Confesso que me entediei um pouco em alguns momentos, mas é passageiro (com perdão do trocadilho aos estudantes no ônibus). Depois que eles são capturados, as coisas melhoram. Quando o jogo começa, melhora mais ainda.

A cena da explicação do jogo já mostra o potencial da loucura que o ser humano pode ir e o nível da violência que tem a oferecer. É coisa de doido, só lendo mesmo. Passada as explicações e as confusões, o jogo tem início. 'É aí que o bicho pega', com os estudantes correndo para a floresta desesperados e sem acreditar no que está acontecendo. Muitos vão logo conferir suas armas, desde armas de fogo a simples objetos.

Além da introdução, do prólogo e do epílogo, a história é dividida em 4 partes. A primeira apresenta os nomes dos personagens, explica as regras do jogo e mostra as primeiras mortes, no meio ao caos. A segunda mostra as mortes que ocorrem logo depois, quando os alunos já estão começando a se adaptar a situação. A terceira mostra as últimas mortes, quando poucos restaram. A quarta encerra a história, e prefiro não comentar muito sobre o final, vou deixar para quem ler tirar suas conclusões. Sim, o final agrada e surpreende.

Além das surpreendentes e violentas cenas de luta, que são muitas, o livro também possui bastante diálogo. Bastante mesmo. Porém não pense como algo ruim. Assim como os flashbacks funcionam em sua maioria, os diálogos são ótimos tanto para 'passar o tempo' quanto para entender o ponto de vista dos personagens. Há momentos em que eles estão conversando sobre o jogo, sobre política, sobre o futuro, sobre música, sobre amizade, sobre o passado, sobre amor, sobre tudo que pessoas normais conversariam. Os personagens podem até soar maduros para suas idades, mas isso não se torna estranho no contexto. E tenho que admitir: Takami soube fazer diálogos bastante envolventes. Dá pra perceber claramente o que o personagem está sentindo no momento e sua visão sobre o temas. Bons diálogos, boas cenas de luta, boa história. O que mais poderia pedir?

O foco aqui é a sobrevivência. Até onde o ser humano pode ir para sobreviver numa situação como essa? Pra que formar amizades se no fim só pode restar um? Como confiar em alguém se todo mundo é suspeito, incluindo seu amigo? O que acontece com a cabeça de alguém que não resiste psicologicamente a situação? São perguntas que o livro tenta responder. A violência é totalmente aceita e se encaixa perfeitamente na história, não é algo apenas para divertir o leitor de qualquer forma, tem uma essência mais profunda, tem um sentido, uma lógica por trás dos atos, concordando ou não com ela.

Battle Royale é uma história inesquecível, com acontecimentos inesperados onde qualquer um pode morrer a qualquer momento, até mesmo aquele personagem que a história está acompanhando passo a passo. O virar da folha se torna emocionante e cada morte impactante. Abordando temas sobre cotidiano, humanidade e política, Battle Royale se tornou um clássico que deve ser lido com cuidado. Sua violência é justificável e tenta responder as dúvidas que muitos já se perguntaram sobre sobrevivência. Fica a dica de um dos melhores livros já escrito e que merece mais reconhecimento.

Resta citar que a edição brasileira do livro é toda trabalhada. Há detalhes em alto relevo por todo o lado de fora do livro e nas 'orelhas'. Há também, atrás da capa e contra-capa, o mapa da ilha com a listagem de quadrantes proibidos e suas respectivas horas. Antes da história, temos uma lsta de chamada dos estudantes, uma citação de um livro do George Orwell, algumas frases diversas e a melhor dedicação que um livro poderia ter: "Dedico este livro a todas as pessoas que amo. Embora duvide que elas me agradeçam por isso". Simplesmente incrível. E se você que não leu o livro não estiver convencido de que é bom, no lugar da sinopse da edição brasileira tem Stephen King aprovando o livro. Se você não sabe quem é, favor procurar o Google mais próximo e se atualizar já. No fim, Battle Royale é o que há, e ninguém vai substituir sua marca deixada no mundo.

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 10 de novembro de 2014~

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.