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26 dezembro 2025

Ordem da saga de quadrinhos A Última Bailarina

"A Última Bailarina é um romance gráfico do gênero humor de autoria de Guilherme de Sousa e publicado em 2014 de forma independente pelo coletivo Korja dos Quadrinhos. O livro é ambientado em um apocalipse zumbi e conta a história de Laurita, uma menina que usa roupa de bailarina e não entende os perigos que corre. Ela é acompanhada por Fifo, um ursinho de pelúcia desbocado e violento, e Leo, um unicórnio gay. A história mostra, usando humor "politicamente incorreto", o trio de protagonistas lutando pela sobrevivência." [Wikipedia]

"Uma bailarina, um unicórnio e um urso de pelúcia desbocado tentam sobreviver a um apocalipse zumbi! A série de humor politicamente incorreto A Última Bailarina é uma criação de Guilherme de Sousa (Xaveco - Vitória, Trabalho de História) é vencedora do Troféu HQ Mix, sucesso de público e coleciona elogios da crítica especializada." [Korja dos Quadrinhos]


Ordem de publicação:

  1. A Última Bailarina (2014)
  2. Fifo (2015)
  3. A Última Bailarina Contra-Ataca (2016)
  4. Leo (2018)
  5. A Vingança da Última Bailarina (2023)

Dentre a "trilogia em cinco partes", Fifo e Leo são derivados centrados em contar as histórias dos respectivos personagens antes dos eventos da primeira HQ.

01 dezembro 2024

[LER ONLINE] O Apocalipse das Capivaras (As Crônicas de Wesley)

O Apocalipse das Capivaras

(As Crônicas de Wesley)

História em Quadrinhos


Leitura via Facebook. Deu trabalho para listar, mas consegui. Caso algum link dê ruim, acesse a página oficial ( https://web.facebook.com/Ascronicasdewesley ). Diferente das tirinhas habituais, em comemoração aos 10 anos de As Crônicas de Wesley, foi publicada uma história de narrativa única ao longo de 65 posts contando uma aventura apocalíptica de comédia e drama envolvendo o universo do personagem e referências a cultura pop. Além dos quadrinhos, algumas legendas dos posts enriquecem esse mundo nonsense. Recomendo a leitura.


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03 setembro 2022

Quanto tempo leva pra ler uma edição de quadrinho?

Obs.: Não levem como uma resposta definitiva. Carece de mais estudos. Chuto 10 minutos a média e explico adiante o motivo.

Uma dúvida que me surge é quanto tempo se lê uma edição de uma história em quadrinhos (HQ). A resposta varia demais. Diferente de um livro em que geralmente há um padrão onde as palavras ocupam as páginas do início ao fim, nas HQs as palavras costumam ocupar os espaços presentes em balões, que são inseridos em meio aos desenhos, dentro de seus pequenos quadros que compõem uma página.

Uma página podem conter muitos ou poucos quadros, e tais quadros podem ou não conter textos, e tais textos podem ser curtos ou longos. E o tempo para ler cada página varia. Em uma ocasião pode-se ler uma página em menos de 5 segundos até, mas em outra leva mais de 1 minuto. Adicione ao fato de que a velocidade de leitura do leitor pode variar o resultado e a busca pela resposta é dificultada mais ainda. Para calcular o tempo para ler uma página de uma edição ou até mesmo toda a edição é necessário ler a edição mesmo.

Fiz o teste lendo o primeiro volume de algumas séries para ter uma noção básica da variedade. Escolhi séries no lugar de volumes únicos por questão de popularidade. Uma pessoa pega um livro para ler e acaba lendo em seu tempo. Já quadrinhos podem possuir uma vastidão de edições muito maiores que coleções inteiras de livros.

Uma edição atual de super-herói Marvel/DC leva cerca de 10 a 15 minutos para ler uma edição, mais ou menos de 20 a 30 segundos por página. Como exemplo, Guerra Civil n1 com 31 páginas li em pouco mais de 12 minutos. Mas há exceções. Algumas edições especiais ou hqs mais antigas podem variar. Como exemplo, Batman: O Cavaleiro das Trevas n1 com 46 páginas li em pouco mais de 30 minutos.

Um mangá ou até alguns comics mesmo levam cerca de 5 a 10 minutos para ler uma edição, alguns até menos de 5 minutos, mais ou menos de 5 a 15 segundos por página. Como exemplo, Death Note c1 com 44 páginas li em quase 10 minutos e Gantz c1 com 35 páginas em pouco mais de 4 minutos; e The Walking Dead li em quase 6 minutos.

Gostaria de testar com mais quadrinhos, estava prevendo ler The Boys, Sakura Card Captors, Sandman, Turma da Mônica e mais, mas é possível notar a variação com os poucos utilizados. Como aqui não estou fazendo uma resposta definitiva, deixo em aberto caso alguém discorde e queira contribuir.

Em resumo dá pra dizer que uma edição de quadrinho pode ser lida em menos de 5 minutos, em 10 minutos ou até mesmo em mais de 30 minutos. Uma média de 10 minutos por edição parece o mais provável para quadrinhos mais populares e padrão. Creio que muitos amantes dos quadrinhos costumam ler mais tais mangás ou comics semelhantes aos citados.

07 junho 2022

[JAM STATION] O dia em que eu comecei a ler The Walking Dead - Diferenças entre a série e a hq

 [Publicado originalmente em 2018]

O dia em que eu comecei a ler The Walking Dead - Diferenças entre a série e a hq

Esse é um texto confuso que eu escrevia enquanto estava com sono e não conseguia dormir porque não conseguia parar de pensar nos quadrinhos de TWD, mas imagine que tinha um zumbi vindo na minha direção e eu precisava publicar de algum modo. Bom proveito.

Estava eu cansado da enrolação que a série andava fazendo e decidi parar de assistir. Isso ano passado. Não definitivamente, apenas dar um tempo e pensar se voltaria ou não. Tinha prioridades. Esse ano, então, decidi começar a ler a história em quadrinhos. Deveria ter feito isso muito antes.

Iniciado em 2003 por Robert Kirkman, a hq conta mensalmente com um capítulo. A série veio apenas em 2010. Para os leigos, essa não é uma matéria recomendada, mas basicamente conta a história de sobreviventes em meio ao apocalipse zumbi, com o xerife Rick como protagonista.

O legal de The Walking Dead é que começamos acompanhando a história pelo grupo do Rick e, aos poucos, mais personagens vão aparecendo e trazendo mais pontos de vistas diferentes, mas sempre focado naquela região. Depois que Jesus entra na história e muda tudo ao revelar a existência de comunidades, a trama demonstra que ainda tem muito o que explorar. Durante todo esse trajeto, vemos Rick e seu grupo tentando sobreviver aos mortos e aos vivos, se acostumando a matar, ficando loucos, se indagando sobre a vida, questionando o motivo de tudo aquilo, tentando recomeçar, procurando manter a sanidade, buscando reerguer uma sociedade, etc. Cada arco é algo único e especial. Acompanhamos uma verdadeira evolução.

Entretanto, toda a forma como tudo isso é contado influencia no resultado.

Quando comecei a acompanhar a série, ainda estava no começo. Era incrível. Entre altos e baixos, eu assistia tudo quase sem piscar. Infelizmente não demorou para que a qualidade caísse. Por mais que os ótimos episódios continuassem sensacionais, por mais que os personagens fossem envolventes demais e por mais que o clima de The Walking Drama (rs) fosse realmente bom, alguns episódios eram o filler do filler, pura enrolação de chatice. Se tornou um padrão metade das temporadas serem dispensáveis (sem exagero).

Lendo a hq, logo de cara já fui percebendo diversas diferenças. A base é a mesma, mas de resto muita coisa muda. Decidi separar em tópicos:

- Ritmo: Na hq, a história possui um ritmo ágil e sentimos que a trama se passa num curto período de tempo, inclusive com os personagens lembrando disso. Na série nem tanto. É como se passassem anos (só impressão mesmo).

- Personagens: A hq possui mais personagens que a série e trabalha com mais pontos de vista. A série, por sua vez, possui alguns personagens originais, exclui outros e até muda o destino dos existentes. Alguns mortos na série estão vivos na hq e vice-versa. Mas não para por aí. A personalidade deles também são diferentes. De todos são em parte, mas de alguns são completamente, como do Dale, que não é nada bonzinho igual na série, e da Carol, que na hq é uma depressiva.

- Conteúdo do diálogo: Na hq, os personagens conversam sobre diversos assuntos, como um cotidiano normal mesmo. Há lamentações direto, mas não só. Na série, isso parece abafado, lamentações ocorrem a todo momento e parece não haver nada além para se comentar. O arco da prisão é um ótimo exemplo como diversos assuntos vão se intercalando na hq.

- Conteúdo do cotidiano: Mesmo caso acima. Na hq, diversas coisas acontecem. Na série, tudo se resume a ir no mato caçar, procurar comida e remédio e matar zumbi. Nada mais. O arco da prisão continua como um ótimo exemplo para ser analisado. O local na hq é imenso e possui várias áreas. Numa delas os personagens chegam a jogar basquete.

- Ousadia: Na hq, os personagens são mais humanos, enquanto na série todo mundo parece mais bonzinho, até mesmo os vilões. A hq também não tem medo de impactar, como as mortes no fim do arco da prisão que a série mudou completamente e também a primeira aparição do Governador, que na hq já chega cortando a mão do Rick e na série sequer ocorre. Se é pra causar, tem que causar.

A série possui seus méritos. Há situações originais e algumas ideias modificadas que são até melhores que na hq, mas é minoria. Se for contar em termos gerais, a hq ganha bem fácil da série em qualidade.

Eu realmente gosto do clima da série, mas não deveriam enrolar tanto. Com tanto potencial que a hq cria, chega a ser lamentável como desperdiçam isso. Que a série melhore e que Kirkman continue por muito tempo a trazer novas histórias desse universo na hq. Se depender dele, vai continuar até 2030 ou depois. Ainda estamos na metade do caminho...

26 agosto 2020

[GEEKABLE] Coraline - Livro vs. Filme

<p><strong>Coraline </strong>é uma obra de fantasia e horror escrita por <strong>Neil Gaiman</strong> publicada originalmente em 2002. Foi bem recebida por crítica e público, ganhando prêmios. Gaiman, responsável por Sandman, Os Livros da Magia e outros clássicos, decidiu se aventurar numa trama "infantil".</p>

<p>Em 2008, o livro recebeu uma versão em quadrinhos ilustrada por <strong>P. Craig Russel</strong>, que trabalhou em editoras como a DC e a Dark Horse. Inclusive em obras de Gaiman, dentre eles o já citado Sandman.</p>

<p>Foi apenas em 2009 que a obra ganhou espaço nos cinemas, com um elogiado stop-motion produzido pela <strong>Laika</strong>. O longa foi dirigido e roteirizado por <strong>Henry Selick</strong>, o mesmo de O Estranho Mundo de Jack. Um jogo baseado no filme foi lançado um mês antes do lançamento, mas acabou sendo massacrado pelas críticas.</p>


<h2><strong>Trama</strong></h2>

<p>De forma bem resumida, a trama acompanha uma garota chamada Coraline, que se muda com seus atarefados pais para um antigo apartamento num lugar afastado, cercado de vizinhos "peculiares". Aventureira e sem receber a devida atenção, Coraline acaba por descobrir uma porta que leva a um outro mundo onde as pessoas usam botões nos olhos. Lá, sua "outra mãe" a encanta com alegrias que ela não tem em seu mundo real, mas logo a verdade começa a surgir.</p>


<p><strong>Obs.: Por se tratar de comparações, há SPOILERS.</strong></p>


<h2><strong>Começo e foco</strong></h2>

<p>O livro é bem curto, com pouco mais de 150 páginas e mesmo assim num formato pequeno. O poder da história, entretanto, pesa. O clima de "chatice" da realidade reina nas primeiras páginas, onde o autor nos coloca na pele de Coraline e nos oferece sua visão de mundo. Ela ainda está na faixa criança/adolescente e quer se divertir explorando lugares. São seus últimos dias de férias.</p>

<p>O filme, com seus 100 minutos aproximadamente, começa semelhante. Os diálogos e as situações permanecem bem parecidas, mas toma um caminho mais amplo. A começar pela adição de Wybie, neto da dona do local onde Coraline vai morar. Um acréscimo muito positivo para boa parte da trama como amigo de Coraline. Ao mesmo tempo que reforça o lado infantil da protagonista, torna o mistério maior ao comentar "coisas que ouviu da avó".</p>

<p>O grande foco do livro é no outro mundo e na aventura de Coraline por ele, ocupando a maior parte das páginas. Tudo antes disso, embora com um desenvolvimento aceitável, ocorre de forma apressada. Curiosa e felizmente, sem perder o ritmo decente para que as informações fluam inteligíveis. O livro na verdade possui um estilo muito mais ágil e macabro em comparação a sua adaptação. Nesse quesito o filme acaba desenvolvendo melhor atrama, embora minimize esse peso assustador.</p>


<h2><strong>A tentação</strong></h2>

<p>Um grande exemplo de diferença no desenvolvimento é a tentação da "outra mãe" (chamada no filme também de Bela Dama). Após conhecer seus vizinhos, Coraline encontra uma porta dentro de casa que leva para outro mundo. No livro, Coraline tem um misto de sensações. Tudo é estranho para ela e o autor demonstra isso muito bem. Ela é tentada pelos momentos de diversão, mas mesmo assim aquele clima sombrio, meio depressivo, continua tomando conta das páginas. Não tarda muito até que a verdade se revele.</p>

<p>Quem viu o filme primeiro, chega a estranhar que, no livro, a "outra mãe" já ofereça os botões para Coraline logo na primeira visita. E é isso mesmo. Acontece que no filme a situação é bem mais desenvolvida. Coraline chega a adentrar o outro mundo algumas poucas vezes e, a cada vez que sai, retorna ansiosa por voltar. Ela conta a seus pais reais, ao Wybie, mas ninguém acredita nela. Tudo é divertido, tudo é colorido, tudo é mágico, tudo é atraente. Chega uma hora que os botões são oferecidos e a reviravolta começa.</p>

<p>Notável a reação da "outra mãe". No livro, ela soa muito mais paciente que no filme, tentando Coraline, prometendo coisas, mesmo recebendo "não" direto. No filme ela soa mais impaciente. Curiosamente, no livro ela parece mais rigorosa. Talvez devido aos seus pedidos. Ou foi só impressão minha mesmo.</p>

<p>Outra grande diferença é na questão do rapto dos pais de Coraline. No livro, após Coraline recusar os botões, ela volta pra casa e nota que seus pais sumiram, o que a faz voltar para o outro mundo. No filme, após os botões, Coraline continua presa no outro mundo, até que o "outro Wybie" ajuda ela a escapar. Ela foge, percebe que seus pais sumiram e volta. No livro o período de Coraline sem os pais é um pouco maior que no filme.</p>


<h2><strong>Demais personagens</strong></h2>

<p>No filme, os vizinhos de Coraline soam mais excêntricos que no livro. As senhoritas Spink e Forcibe no livro são idosas adoráveis com seus cachorrinhos, enquanto no filme soam mais "loucas". O senhor Bobinsky no livro (onde se chama Bobo) é um homem aparentemente normal também, enquanto no filme chega a ser "insano". É possível dizer que o filme reforça a visão de Coraline sobre as pessoas, algo que no livro, apesar de também ocorrer, trata tudo com mais naturalidade.</p>

<p>Apesar das diferenças, suas características são bem semelhantes em ambos, assim como os acontecimentos descritos. Na tentação da "outra mãe", Coraline assiste tanto a uma apresentação de Spink e Forcibe quanto a dos ratos do Bobo. O que muda são as apresentações, mas a essência é a mesma. Aliás, no jogo de pistas, a semelhança é maior ainda.</p>

<p>Os pais de Coraline também soam mais "exagerados" no filme que no livro. Assim como os vizinhos, no livro eles são normais. De resto, as características também são parecidas. Vale citar uma passagem do livro que não há no filme, ocorrida quando Coraline decide voltar para o outro mundo para resgatar seus pais. Nesse momento, ela conta ao gato sobre uma vez em que seu pai a salvou de picadas de insetos.</p>

<p>Esse é um momento que "humaniza" os personagens e reforça mais ainda como estamos acompanhando tudo pela ótica de uma criança, que acha que seus pais não se importam com ela. Essa ideia é reforçada quando a "outra mãe" engana Coraline, mostrando seus pais verdadeiros "chegando" de viagem e comemorando por não tê-la mais.</p>

<p>O gato preto é um personagem de grande destaque na trama e soa do mesmo jeito que no livro. Misterioso, vive nas redondezas do apartamento e sabe de acessos para o outro mundo, além de já conhecer a "outra mãe". Ele acaba ajudando Coraline no outro mundo, onde consegue falar. A grande diferença entre as mídias é que no livro Coraline só tem a ele para dialogar e refletir. No filme o Wybie felizmente não rouba seu papel, apenas leva algumas questões para o mundo normal.</p>


<h2><strong>Teor diferente</strong></h2>

<p>Como dito, devido ao público do filme, a história acabou sendo aliviada, embora muitos considerem Coraline um "terror infantil". Um exemplo bem básico é a cena dos besouros. No filme, a "outra mãe" pega besouros de chocolate e come, oferecendo a Coraline. No livro, são besouros reais (ou aparentam ser reais). Uma cena nojenta.</p>

<p>Mas um exemplo que reforça bem melhor essa questão de teor é a cena do espelho, onde Coraline encontra as crianças fantasmas. No livro, Coraline fica solitária e, sozinha, vai comendo sua maçã até acabar tentando não se desesperar. No filme cortaram todo esse momento. E, embora os diálogos das crianças fantasmas tenham peso no filme, inclusive com macabras frases de impacto, no livro é algo muito mais profundo, com altas reflexões sobre a vida, a morte, as memórias, o esquecimento, a existência do ser.</p>


<h2><strong>Cenas diferentes</strong></h2>

<p>O jogo de Coraline contra a "outra mãe" ocorre de forma semelhante. Os desafios dos vizinhos são os mesmos. A principal diferença é em relação a um dos olhos. No livro, Coraline já começa o jogo encontrando rapidamente o olho em seu próprio quarto através da pedra com um furo no meio. No filme, para criar um desafio, o olho estava junto com o "outro pai" no jardim. A nível de curiosidade, o jardim não existe no livro da forma que é vista no filme.</p>

<p>O "outro pai" demonstra através de algumas quedas uma tentativa de rebeldia contra a "outra mãe". No filme, quando ele tenta falar algo, o piano dele o cala. No livro, ele mesmo se cala, como se estivesse perturbado e com medo de falar algo que não deveria (e realmente estava). E nesse momento do jogo, ele tenta ajudá-la, mesmo sendo controlado pela "outra mãe".</p>

<p>O que o filme fez foi inspirado na passagem do livro, onde, durante o jogo, a "outra mãe" entrega uma chave para Coraline para visitar um quarto fechado. Lá, ela encontra um sótão. Ao descer, ela encontra o "outro pai" jogado no chão e um diálogo entre os dois é desenvolvido, reforçando a posição de escravidão dele perante a "outra mãe". Ele a ataca, mas Coraline consegue fugir. Diferente do filme, aqui ela não recebe nada dele, já que não o resta nada.</p>


<h2><strong>Acréscimos</strong></h2>

<p>Além do acréscimo de Wybie e de sua avó, já citados anteriormente, algo no filme que não tem no livro é a boneca. Wybie presenteia Coraline com uma boneca idêntica a ela, que posteriormente ela descobre ser os olhos da "outra mãe" para enxergar no nosso mundo. Mais um acréscimo interessante e válido para a história, tentando explicar uma lacuna em aberto no livro.</p>

<p>Curiosamente, por mais que o filme insira novos elementos para a trama, nenhum deles realmente muda o rumo original das coisas, apenas estendendo a história. Isso poderia ser negativo, mas se torna positivo pelo bom uso deles. Tanto é que a morte do "outro Wybie" traz um momento impactante, demonstrando até onde a "outra mãe" pode ir. Nem no livro ela chegou a destruir alguma criatura de sua criação.</p>


<h2><strong>Encerramento</strong></h2>

<p>Basicamente os finais são parecidos, exceto que o filme brinca com a possibilidade de portais para o outro mundo continuarem abertos. No filme também há uma grande comemoração na vizinhança pelo trabalho dos pais de Coraline ter dado certo. No livro não há nada demais, terminando bem "normal", com Coraline indo dormir, já que no dia seguinte teria aula.</p>

<p>Uma diferença não tão grande é em relação a mão da "outra mãe", que escapa para o nosso mundo lá para o fim da história. No filme, após o sonho com as crianças fantasmas, Coraline decide por um fim a tudo jogando a chave no poço. No livro, dias se passam, ela vê a mão andando por aí, até que finalmente decide por um fim jogando também a chave no poço. No filme ela acaba recebendo a ajuda de Wybie, enquanto no livro faz tudo sozinha. Nesse ponto fico com o livro, desenvolvendo um clima inquietante.</p>


<h2><strong>Demais adaptações</strong></h2>

<p>Em relação às adaptações, a HQ segue o livro fielmente, talvez salvo alguns detalhes. Apesar de suas longas páginas, acompanhando passo a passo o original, é possível perceber alguns momentos resumidos. O único elemento que senti grande diferença foi no impacto da narrativa, com um peso que soa diferente de quando se lê no livro, já que o conjunto ao todo é alterado.</p>

<p>Já os jogos de videogame, lançados para PS2, Wii e DS, seguem o filme de forma resumida. A trama acaba ficando de fundo, dando lugar a minigames aleatórios que não possuem tanta relação com o geral. É possível notar algumas diferenças, mas nada a ponto de mudar algo relevante na trama. Um exemplo é na versão de DS, que começa com Coraline e seu pai conversando na frente de casa. O que talvez possa ser considerado uma "mudança" válida, mas que na verdade está mais para um corte, é na versão de PS2/Wii, onde o encerramento ocorre logo após a derrota da "outra mãe", ignorando todo o complemento da trama.</p>

<p>As demais adaptações, como peça teatral e afins, creio não ser oficial e também não conferi, mas fica a curiosidade pelos resultados. </p>


<h2><strong>Conclusão</strong></h2>

<p>Num contexto geral, tanto o filme quanto o livro de Coraline possuem enormes semelhanças assim como enormes diferenças. Como dito, os diálogos e os acontecimentos são bem parecidos, salvo detalhes. O livro possui um clima muito mais envolvente e assustador, enquanto o filme soa mais fantástico e visual. O livro vai direto ao ponto, numa narrativa ágil. O filme faz questão de desenvolver cada parte para que o envolvimento pessoal com cada personagem seja maior.</p>

<p>Assim, embora eu prefira o filme por desenvolver melhor a história e acrescentar elementos interessantes, ainda prefiro o clima do livro, assim como algumas de suas passagens. E, por mais que a animação seja fantástica, gostaria muito que fizessem um filme com atores mais fiel ao livro futuramente.</p>

26 abril 2020

Graphic Talents 15 - Os Pleistocênicos

Todos os direitos reservados para Editora Escala.

Todos os direitos reservados para Dadi.

Cliquem nas imagens para ampliá-las.
















09 janeiro 2019

[GEEKABLE] Os maiores crossovers do Cartoon Network

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

Os maiores crossovers do Cartoon Network

O canal Cartoon Network possui um grande catálogo de desenhos originais. Seu universo é tão vasto que de vez em quando seus personagens acabam se encontrando. Quem não se lembra de quando As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy encontrou KND - A Turma do Bairro? Ou de quando Titio Avô encontrou Steven Universo?

Entretanto, em quase todos os casos, se limitaram a unir apenas dois desenhos. Não que seja pouco, mas, nessa imensidão de possibilidades que o Cartoon possui, o potencial para algo maior é explícito. "Será que já houveram crossovers com vários desenhos?", você pode se perguntar. A resposta é... sim.

Prestem atenção: Não estou falando dos ótimos comerciais em que o Cartoon misturava diversos personagens, ocorridos na época da era de ouro da emissora. Me refiro a especiais próprios. E tanto na TV quanto nos quadrinhos isso já ocorreu. Confira:

Televisão

Em 2007, foi ao ar o especial Invasão. Ao todo, cinco desenhos participaram, um em cada episódio. A trama acompanhou uma invasão alienígena iniciada em A Mansão Foster Para Amigos Imaginários, passando respectivamente por Du, Dudu & Edu, Meu Amigo da Escola é um Macaco e O Acampamento de Lazlo, e encerrando com As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy.

Apesar de não unir diretamente todos os personagens, a trama interligou o evento. Houveram também elementos, citações e participações especiais dentre os próprios desenhos participantes, assim como alguns outros de fora.

Esse ano, 2018, como parte do desenho OK, K.O.! Vamos Ser Heróis, ocorreu o evento intitulado Crossover Nexus, que uniu K.O. com a Garnet de Steven Universo, o Ben de Ben 10 (do reboot) e a Ravena de Os Jovens Titãs em Ação!.

Apesar do foco em poucos desenhos e personagens, dezenas de personagens do Cartoon foram citados no especial de diversas formas. Foram tantos que listar seria difícil. Se considerar tais participações, mesmo que indiretas, foi o maior crossover da história da emissora.

Quadrinhos

Em 2014, a IDW publicou uma série de seis edições intitulada Super Secret Crisis War. A trama principal do evento reuniu Samurai Jack, Ben 10, O Laboratório de Dexter, As Meninas Super-Poderosas e Du, Dudu & Edu.

Na história, Aku decide formar a Liga Extraordinária dos Vilões e convoca Macaco Louco, Mandark e Vilgax para a equipe. Enviando robôs de captura, eles sequestram Jack, Ben, Dexter, Florzinha, Docinho, Lindinha, Du, Dudu e Edu. Ao conseguirem escapar, uma luta pela sobrevivência do multiverso é iniciada.

O evento contou com histórias paralelas por parte dos robôs, mostrando universos em que eles não capturaram ninguém. Participaram da história os desenhos Johnny Bravo, As Terríveis Aventuras de Billy & Mandy, A Mansão Foster Para Amigos Imaginários, A Vaca e o Frango e KND - A Turma do Bairro, cada um em sua edição.

Em 2015, uma "continuação" foi publicada em cinco edições, também pela IDW, agora intitulada Powerpuff Girls: Super Smash-Up. O evento se inicia com um crossover entre As Meninas Super Poderosas e O Laboratório de Dexter. A trama acompanha Florzinha, Docinho e Lindinha através das dimensões atrás da Dee Dee, a irmã do Dexter.

Os principais universos visitados foram, em ordem, dos desenhos Coragem, O Cão Covarde, A Vaca e o Frango (junto com Eu Sou o Máximo) e A Mansão Foster Para Amigos Imaginários, com uma pequena participação da dimensão de O Acampamento de Lazlo.

Futuro

Não há novidades para futuros crossovers do Cartoon Network. Tivemos dois grandes encontros nos quadrinhos, em 2014 e 2015, e dois na TV, em 2007 e agora em 2018. Os fãs esperam que, com o último evento, mais crossovers sejam realizados, principalmente com os antigos desenhos, ocorrendo talvez um novo encontro de gerações.

[Convenhamos: O Cartoon bem que poderia levar esses encontros ao cinema. Seria tão grandioso que ficaria mais empolgante até que Vingadores 3 e 4.]

[GEEKABLE] A franquia Zumbis Marvel - Dos principais aos derivados

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

A franquia Zumbis Marvel - Dos principais aos derivados

Em 2005, a Marvel lançava Marvel Zombies, minissérie que apresentava uma versão do universo Marvel dominada por zumbis. Diferente do comum, os super-heróis transformados pensavam e continuavam com seus poderes. A fome, entretanto, falava mais alto.

A história teve sua origem nos quadrinhos de Ultimate Quarteto Fantástico, onde, no mesmo ano, apresentaram um vírus que matava todos os infectados e os traziam de volta à vida com fome.

O sucesso foi tanto que dezenas de prelúdios e sequências foram lançados. Confira a seguir todos os títulos envolvendo a franquia Marvel Zombies. Optei por dividir em três categorias e manter o título original em inglês, já que muitos sequer foram lançados no Brasil.


Principais

Aqui estão os títulos considerados em coletâneas gerais como os principais. Tais títulos não contam toda a trama, entretanto.

Marvel Zombies (2005): 5 edições. A história se passa na Terra-2149. Os zumbis outrora heróis vagam pelo planeta devastado com fome. Escrito por Robert Kirkman, com arte de Sean Phillips e capas de Arthur Suydam.

Marvel Zombies 2 (2007): 5 edições. A trama se passa 40 anos depois do primeiro, onde os zumbis já devoraram todo o universo. A equipe da HQ foi a mesma do primeiro.

Marvel Zombies 3 (2008): 4 edições. Os zumbis invadem a Terra-616, a principal da Marvel. Roteiro de Fred Van Lente, arte de Kev Walker e capas de Greg Land.

Marvel Zombies 4 (2009): 4 edições. Os novos Filhos da Meia-Noite entram na trama vacinados contra o vírus e equipados com uma bactéria capaz de explodir zumbis. A equipe da HQ foi a mesma do terceiro.

Marvel Zombies 5 (2010): 5 edições. Morbius manda os agentes da ARMOR, o Homem-Máquina e o pato Howard através das dimensões para buscar uma cura. Roteiro de Fred Van Lente, arte de Jose Angel Cano Lopez e capas de Greg Land.


Derivados

Aqui estão os títulos que fazem parte direta do universo zumbi. Alguns são de extrema importância para a franquia.

Marvel Zombies vs Army of Darkness (2007): 5 edições. Crossover entre as franquias Zumbis Marvel e Army of Darkness (Evil Dead). A HQ acompanha o encontro entre Ash e os zumbis. Escrito por John Layman.

Marvel Zombies - Dead Days (2007): 1 edição. A história é uma continuação direta do crossover com Army of Darkness e serve como prelúdio da primeira série de Zumbis Marvel. A trama mostra o começo da infecção. A equipe da HQ foi a mesma da série original.

Marvel Zombies Return (2009): 5 edições. A trama se passa após Zumbis Marvel 2 e acompanha os zumbis sobreviventes num universo paralelo. Foram cinco histórias diferentes (Homem-Aranha, Homem de Ferro, Wolverine, Hulk e Os Vingadores) escritos e desenhados por artistas diferentes.

Marvel Apes: Speedball Special, The Amazing Spider-Monkey, Grunt Line, Prime Eight (2009): 3 edições nos 3 primeiros títulos + 3 edições no último. Crossover com Marvel Apes, mostrando os símios tentando sobreviver a invasão dos zumbi. Roteiros por Karl Kesel.

Marvel Zombies - Evil Evolution (2010): 1 edição. Crossover com Marvel Apes. Na trama, ocorrida após Dead Days, os zumbis descobrem o universo dos símios. Roteiro de Karl Kesel.

Marvel Zombies - Supreme (2010): 5 edições. Na trama, Jill Harper e sua equipe tentam impedir a infecção zumbi. Roteiro de Frank Marraffino.

Marvel Zombies - Christmas Carol (2011): 5 edições. Paródia de Um Conto de Natal com zumbis. Roteiro de Jim McCann.

Marvel Zombies - Halloween (2012): 1 edição. A história contada por uma sobrevivente. Roteiro de Fred Van Lente.

Marvel Zombies - Destroy (2012): 5 edições. A ARMOR adentra uma dimensão zumbi onde os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial. Roteiro de Frank Marraffino.

Secret Wars: Marvel Zombies, Age of Ultron vs Marvel Zombies (2015): 4 edições cada. Versões alternativas ocorridas durante Guerras Secretas. A primeira mostra a tentativa de manter os zumbis no Battleworld e a segunda cria um crossover com Era de Ultron. Roteiros de Simon Spurrier e James Robinson, respectivamente.

Zombies Assemble (2017): 4 edições. Versão mangá da história voltado para o universo cinematográfico da Marvel. A trama acompanha a tentativa dos Vingadores de impedirem a infecção zumbi. Roteiro e arte de Yusaku Komiyama.


Complementares

Aqui estão os títulos que não fazem parte direta do universo zumbi, mas estão interligados. Alguns são de extrema importância para o entendimento total da franquia.

Ultimate Fantastic Four (21-23 [Crossover], 30-32 [Frightful]) (2005, 2006): 3 edições cada arco. Arcos de Ultimate Quarteto Fantástico que contam a origem da infecção. Na trama do primeiro, Reed Richards vai parar num universo dizimado por zumbis. Roteiros de Mark Millar e artes de Greg Land.

Army of Darkness (12-13 [The Death of Ash]) (2006): 2 edições o arco. O fim da primeira temporada da HQ Army of Darkness conta como Ash foi parar no universo de Zumbis Marvel. Roteiro de James Kuhoric e arte de Fernando Blanco.

Exiles (vol.1, 85-86) (2006): 2 edições o evento. Um Wolverine zumbi é apresentado em meio a outros Wolverines de outras dimensões. Roteiro de Tony Berdard e arte de Paul Pelletier.

Black Panther (vol.4, 27-30) (2007): 4 edições do arco A Iniciativa. A trama mostra o Quarteto Fantástico sendo teleportado para o universo de Zumbis Marvel e o Pantera Negra tentando impedir os zumbis de infectarem seu mundo. Roteiro de Reginald Hudlin.

Ultimate Civil War - Spider-Ham (2007): 1 edição. Na trama, o Porco-Aranha viaja pelo multiverso até chegar no universo de Zumbis Marvel. Roteiro de J. Michael Straczynski.

Marvel Apes (2008): 5 edições. A história se passa na Terra-8101, num universo dominado por símios. Roteiro de Karl Kesel e arte de Ramon Bachs.

Deadpool - Merc with a Mouth (2009): 13 edições. Após Zumbis Marvel 4, a cabeça zumbi do Deadpool vai parar no universo 616 e se une ao Deadpool. Roteiro de Victor Gischler.

Deadpool Corps (2010): 12 edições. Deadpool forma sua própria equipe viajando através das dimensões. Dentre os convocados está Headpool, a cabeça zumbi de Deadpool do universo de Zumbis Marvel. Roteiro de Victor Gischler.

Ordem de leitura

Com tantos títulos, saber qual ler primeiro se torna um desafio. O ideal seria seguir a ordem de lançamento, acompanhando assim histórias sendo contadas e se encaixando aos poucos na linha do tempo.

Para quem busca uma ordem cronológica, não se desespere. Pesquisando pela internet é possível encontrar algumas ordens de leitura variadas. Confira:

Comic Vine: Dead Days, vs Army of Darkness, Evil Evolution, Marvel Apes, Ultimate Fantastic Four 21-23, Marvel Zombies, Ultimate Fantastic Four 30-32, Black Phanter 28-30, Marvel Zombies 2, Return, Marvel Zombies 3, Marvel Zombies 4, Deadpool: Merc with a Mouth, Marvel Zombies 5, Supreme, Destroy.

Comic Book Reading Order: Army of Darkness: The Dead of Ash, Marvel Zombies vs Army of Darkness (+ Dead Days entre as edições 2 e 3), Ultimate Fantastic Four 21-23, Marvel Zombies, Ultimate Fantastic Four 30-32, Exiles, Spider-Ham, Black Phanter 28-30, Marvel Zombies 2, Marvel Apes, Marvel Zombies 3, Marvel Zombies 4, Deadpool: Merc With a Mouth, Marvel Apes especiais (Speedball, Spider-Monkey, Grunt Line, Prime Eight), Evil Evolution, Return, Deadpool Corps, Marvel Zombies 5, Supreme, Christmas Carol, Destroy, Halloween, Age of Ultron vs Marvel Zombies.

Como podem notar, a presença e a ausência de certos títulos varia bastante de acordo com o site. Apesar de não haver uma ordem oficial, há também a ordem de coletâneas.

Marvel Zomnibus: Ultimate Fantastic Four 21-23 + 30-32, Marvel Zombies, Dead Days, Black Phanter 28-30, Marvel Apes: Prime Eight, Marvel Zombies 2, Marvel Zombies 3, Marvel Zombies 4, Return, Evil Evolution, Marvel Zombies 5, Supreme.

Marvel Zombies: The Complete Collection: Volume 1: Ultimate Fantastic Four 21-23 + 30-32, Marvel Zombies, Dead Days, Black Phanter 28-30. Volume 2: Marvel Zombies 2, Marvel Zombies 3, Marvel Zombies 4, Return. Volume 3: Marvel Apes: Prime Eight, Evil Evolution, Marvel Zombies 5, Supreme, Destroy, Halloween.

Recentemente, a Marvel decidiu reiniciar a franquia, lançando um novo Marvel Zombies.

[GEEKABLE] Quadrinhos para enxergar a Marvel por outro ângulo

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

Quadrinhos para enxergar a Marvel por outro ângulo

Muito além de Marvels.

Imbatíveis. Grandiosos. Poderosos. Super-heróis. Maravilhas. Marvel. Seja na terra, no céu, no mar ou no espaço, eles lutam contra o crime para salvar o dia. Os quadrinhos acompanham suas aventuras para onde forem. Acompanhamos tudo pelos seus pontos de vista. Mas... O que acontece do outro lado?

A ideia de mostrar uma outra versão do ocorrido não é novidade. Sabemos como os heróis nos veem, mas e nós, como nós os vemos? Sabemos como certas histórias ocorreram, mas e os outros, como eles presenciaram aquilo?

A intenção dessa matéria é apresentar quadrinhos que mostram o Universo Marvel como conhecemos de outra forma, seja através da visão de um cidadão comum sobre os heróis ou a visão de um outro personagem perante acontecimentos famosos. Bom proveito.


Marvel 1985

Publicado em 2008. Roteiro de Mark Millar e arte de Tommy Lee Edwards. 6 edições.

A trama acompanha um garoto chamado Toby que não tem muitos amigos e é fã de quadrinhos da Marvel. Certo dia ele avista o Caveira Vermelha e estranha. Após a aparição de mais alguns vilões, ele percebe que algo está errado: Os vilões dos quadrinhos estão indo para o mundo real.


The Marvels Project

Publicado em 2009. Roteiro de Ed Brubaker e arte de Steve Epting. 8 edições.

O começo de uma era de heróis e o fim de outra. As origens da Marvel quando se chamava Timely Comics. A trama acompanha Thomas Halloway, o herói Anjo (não confundir com o dos X-Men), que presencia a morte de seus amigos heróis enquanto o mundo começa a mudar e novas maravilhas a surgir, como o Tocha-Humana original, o Namor e o Capitão América.


Powerless - Heróis Sem Poderes

Publicado em 2004. Roteiro de Matt Cherniss e Peter Johnson e arte de Michael Gaydos. 6 edições.

O psicólogo William Watts acorda de um coma alegando ter vivenciado o universo 616. Em sua realidade, porém, ele percebe que aqueles heróis e vilões existiam em seu mundo, mas não da mesma forma que lá. O estudante Peter Park está sendo pressionado por Osborn a invadir as Indústrias Stark, o advogado Matt Murdock tenta absolver a culpa de Frank Castle de um assassinato e o soldado Logan é acusado de matar Charles Xavier. William decide ajudar seus outrora heróis em seus problemas mundanos.


Código de Honra

Publicado em 1997. Roteiro de Chuck Dixon e arte de Bradley Park e Tristan Schane. 4 edições.

Considerado uma continuação indireta da famosa Marvels, que ainda será citada aqui. A trama acompanha o cotidiano do policial negro Jeffrey Piper, que tenta fazer a diferença ao se tornar protetor de um bairro pobre, mas logo percebe que as pessoas o rejeitam e amam apenas os super-heróis. Com a situação familiar piorando, ele passa a ter raiva dos tais heróis.


Marvels, Ruínas, Marvels: Olho da Câmera

Marvels publicado em 1994. Roteiro de Kurt Busiek e arte de Alex Ross. 4 edições e um prelúdio. Ruínas publicado em 1995. Roteiro de Warren Ellis e arte de Terese Nielsen, Cliff Nielsen e Chris Moeller. 2 edições. Olho da Câmera publicado em 2008. Roteiro de Kurt Busiek e Roger Stern e arte de Jay Anacleto.

A "trilogia" contada através da visão do fotojornalista Philip Sheldon. Marvels apresenta o surgimento das maravilhas (Tocha, Namor, Capitão, etc), onde Philip decide lançar um livro sobre elas, iniciando assim uma nova era para o planeta. Ruínas apresenta um universo paralelo onde tudo deu errado e a era das maravilhas foi uma utopia passageira. Olho da Câmera é continuação direta de Marvels e continua a saga de Philip anos depois, agora correndo contra o tempo para lançar um segundo livro antes de morrer.

Leia mais em: Você precisa conhecer a Marvel pela visão de Philip Sheldon.

[GEEKABLE] A Marvel pela visão de Philip Sheldon

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

A Marvel pela visão de Philip Sheldon

Em 1934, a DC começava a mudar o cenário dos quadrinhos. Poucos anos depois, em 1939, foi a vez da Marvel fazer sua parte. Grandes heróis e vilões surgiram ao longo do tempo e mexeram com o imaginário de crianças e adultos. Com seus super-poderes, alguns combatiam o crime, outros praticavam o crime.

A palavra em inglês "marvel" significa maravilha, espanto, admiração. Seja o Capitão América, o Homem de Ferro, o Homem-Aranha, o Hulk, o Quarteto Fantástico, os X-Men, o que for, eles se tornaram as maravilhas do mundo que habitavam e as maravilhas de nosso mundo por meio dos quadrinhos.


Marvels

Décadas depois, em 1994, com o mundo já mudado e os quadrinhos se adaptando ao longo desse período, a minissérie Marvels foi lançada. Com roteiro de Kurt Busiek, arte de Alex Ross e edição de Marcus McLaurin, a saga contou com quatro edições principais e posteriormente um prelúdio, sendo muito bem recebido, vencendo algumas premiações, incluindo três Eisner de melhor minissérie, melhor pintura e melhor design de publicação, além de ter concorrido a melhor artista de capa e melhor edição pelo segundo volume.

A trama conta a história do fotojornalista Philip Sheldon (ou Phil, para os mais íntimos), que testemunhou, no final dos anos 30, o surgimento do que ele chamaria de "maravilhas". Ele então passa a fotografar essas novas "criaturas" e a buscar mais informações sobre elas. O tempo passa e cada vez mais "maravilhas" começam a surgir, o que o leva, nos anos 60, a criar um livro com as fotografias que ele tirou, mas apenas dos heróis, numa tentativa de trazer esperança para o mundo.

O ótimo enredo e a arte realista ajudam bastante no clima da história. Durante as edições acompanhamos os surgimentos do Tocha-Humana original, do Namor, do Quarteto Fantástico, dos Vingadores, dos X-Men, entre outros. Nisso, vemos como o povo reage a eles, como é a interação entre todos e por aí vai. Alguns são bem aceitos, outros nem um pouco, levando a revoltas populares e a uma envolvente indagação sobre o papel dos super-poderosos em meio aos cidadãos. É tudo o que a Marvel lançou ao longo dos anos reunido em uma só história pelo ponto de vista de um ser humano "comum".


Ruínas - O Fim do Universo Marvel

Sheldon acabou sendo reutilizado em algumas histórias posteriores, incluindo, em 1995, a polêmica saga Ruínas, com roteiro de Warren Ellis e arte de Terese e Cliff Nielsen. A trama se passa num distópico universo paralelo onde tudo deu errado.

Em duas edições, acompanhamos Philip investigando como o mundo se tornou o que era. Os Vingadores eram um grupo radical e foram exterminados. Os Kree vivem num campo de concentração. Diversos heróis estão mortos. O que era para ser o começo das "maravilhas", foi o começo do pesadelo. A arte borrada acaba por criar um ambiente assustador, sem esperanças. Uma série depressiva e sem esperança.


Marvels: Olho da Câmera

Mais de uma década depois surgiu a continuação direta de Marvels. Lançada em 2008, com o retorno de Kurt Busiek no roteiro (com participação de Roger Stern), além da arte de Jay Anacleto, a mini de seis edições decidiu encerrar a saga de Philip Sheldon.

A trama acompanha o fotojornalista dois anos depois do último evento narrado na primeira saga. Confrontado com uma doença em estágio avançado, Philip se vê determinado a lançar um novo livro de fotos sobre as "maravilhas" antes que seja tarde demais. O problema é que o mundo continua a mudar e passa a adentrar um período sombrio.

Servindo como um oposto ao original, em vez do clima esperançoso de um mundo melhor, temos um clima mais para baixo. O protagonista passa a se indagar sobre tudo o que fez em sua vida, enquanto sua obra parece cada vez mais distante de sua realidade atual. O Capitão América sendo preso, os Vingadores ruindo, heróis e vilões trocando de lugar. É um outro lado do outro lado, uma reflexão que ironiza a própria Marvel e nosso gosto por quadrinhos. Sheldon, enquanto cada vez mais desabilitado fica, mais percebe que o mundo continua sem ele, buscando então algo ao que se agarrar, na esperança de que tudo volte a melhorar.


Veredito

Marvels é maravilhoso, com perdão do trocadilho. Talvez o roteiro mais genial já escrito na editora, englobando décadas de história por outra visão. A narrativa poética e os desenhos com toque realista são profundos. Obrigatório para qualquer um que goste de super-heróis.

Já Ruínas é um assunto complicado. A arte "feia" divisora de opiniões pode afastar muita gente, já que seu teor, adicionado ao que é desenvolvido ao longo da história, busca impactar o leitor. Mas, por trás disso, há um sentido. É uma HQ diferente que deve ser apreciada como tal. Por se passar num universo paralelo, acaba por tornar algo opcional.

E, enfim, temos Olho da Câmera, a real continuação de Marvels. Apesar de resgatar o clima do original, não temos apenas mais do mesmo, mas sim um outro lado das coisas. Entendo que isso possa causar algumas controvérsias para alguns devido ao rumo que a história segue, mas ela remete muito bem a nossa realidade, a questão do que queremos consumir nos quadrinhos.

Marvels e sua continuação são altamente recomendáveis. Ruínas, por sua vez, apenas para quem tiver curiosidade. O que senti após ler tudo isso foi de que gostaria muito que a Marvel adaptasse as tramas para um longa (me referindo as duas séries principais).

Um filme com atores seria ótimo, mas nos cinemas só daria certo se fosse um filme sem ligação com o UCM ou um filme que servisse de reboot para a franquia (agora que a Disney comprou a Fox ficaria mais fácil). Entretanto, uma animação também seria válida. O potencial que possui é absurdo e creio que deveriam aproveitar, mostrando desde o surgimento das maravilhas até a noção de que o mundo continuará mudando a todo momento.

[GEEKABLE] O prelúdio em quadrinhos de WALL-E

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]

O prelúdio em quadrinhos de WALL-E

Séculos antes da animação, a Terra já estava devastada pelo lixo.

WALL-E é uma animação incrível. O longa da Pixar lançado em 2008 conquistou crítica e público, entrando para a lista dos melhores filmes do ano e recebendo diversos prêmios, dentre eles o Oscar de melhor animação.

A trama se passa em 2805. A Terra está abandonada devido a quantidade absurda de lixo. Os humanos foram para o espaço através da Buy n Large Corporation (BnL Corp) esperando o mundo ser limpo. Um dos encarregados é o robô WALL-E, um compactador de lixo que vive solitário, tendo apenas uma barata como amiga (ou amigo).

Os primeiros minutos do longa não possuem praticamente nada de diálogos. Acompanhamos WALL-E fazendo seu trabalho sozinho. As coisas mudam quando a robô de sonda EVE (ou EVA, na dublagem) chega a Terra para analisar a situação. Depois de alguns acontecimentos, os dois vão para o espaço em busca dos humanos.

WALL-E NOS QUADRINHOS

O texto a seguir contém spoilers da série em quadrinhos.

Não tardou para que diversos produtos fossem feitos com base no filme. Dentre eles, uma série em quadrinhos foi lançada pela Boom! Studios. A editora é famosa por criar diversos quadrinhos da Pixar, como Os Incríveis, Monstros S.A., Procurando Nemo, Toy Story, etc. A maioria de qualidade questionável, diga-se de passagem, mas todos voltados para o público infantil.

Com 8 edições (0-7) de rápida leitura, a HQ trouxe um prelúdio para o filme. A edição prelúdio (0) do prelúdio mostra WALL-E com outros robôs compactadores de lixo que começam a se estragar, deixando ele sozinho enquanto faz seu trabalho. Já na edição 1 do prelúdio, continuamos vendo WALL-E fazendo seu trabalho, agora solitário.

Com o mundo tomado pelo lixo, couberam aos robôs fazerem o trabalho de limpar tudo, mas, devido ao tempo, ao clima e a falta de reparos, muitos deles começaram a "morrer". Um cenário quase morto, se não fosse pelas diversas propagandas audiovisuais da BnL passando aleatoriamente.

Com poucos diálogos, a HQ se resume a literalmente mostrar WALL-E fazendo seu trabalho, enquanto descobre locais e objetos que ele passa a achar interessante. É na série de HQs que vemos também como WALL-E conseguiu algumas coisas que vemos na animação, como a caixa de ferramentas (ou seria de lanche?), o pisca-pisca, entre outros, incluindo aí a tal barata sem nome, que se torna sua amiga (ou amigo).

Ao longo das edições WALL-E reencontra diversos amigos e começa a apresentar suas descobertas, mas todos começam a ser perseguidos e presos por um enorme robô de lixo bulinador que quer que todos apenas façam seus trabalhos, punindo quem não fizer (pelo menos foi o que deu a entender). Posteriormente ele é derrotado por um personagem que mostrarei a seguir.

Apenas em uma das últimas edições é que algo curioso acontece: Um foguete pousa na Terra e de lá sai um humano, um astronauta que ficou sete anos fora e retornou em busca de sua família, mas, ao chegar, percebeu que tudo estava abandonado.

Uma amizade entre WALL-E e o humano é formada, onde os dois partem em busca de peças para consertar o foguete. Ao fim, eles conseguem e o humano parte em busca da nave da BnL, deixando WALL-E mais uma vez solitário (ou quase, ainda tem a barata).

UMA ADAPTAÇÃO DARIA CERTO?

Como dito anteriormente, os primeiros minutos de WALL-E quase não possuem diálogo e tratam de mostrar a vida solitária do robô numa Terra devastada pelo lixo. A HQ não traz nenhuma grande novidade, mas traz elementos curiosos que poderiam ser melhor aproveitados num longa (ou talvez num média-metragem).

WALL-E 2 poderia ser uma mistura de prelúdio com um encerramento de continuação. No primeiro momento poderiam mostrar a Terra se enchendo de lixo e posteriormente sendo evacuada. Com isso, acompanharíamos o trabalho dos robôs compactadores de lixo enquanto os anos se passam, mostrando os robôs "morrendo" com o tempo e o WALL-E como protagonista sempre descobrindo coisas e explorando ambientes.

E o tal astronauta? Será que ele conseguiu chegar até a nave e reencontrar sua família? Não sabemos e talvez nunca saberemos. O filme se passa 700 anos depois da Terra ter sido considerada inabitável. O que o longa/média poderia fazer é mostrar WALL-E encontrando algo que lembrasse dele, como a nave e a foto que tiraram antes da despedida.

Após, para o encerramento, no caso de um média, acompanharíamos os humanos tentando se realocar no planeta. Já no caso de um longa, isso poderia ser melhor desenvolvido, mas não creio que haja tanto interesse assim nessa ocasião, por mais que possa surgir a curiosidade de como os humanos sobreviveriam numa Terra onde nem o ar está mais "respirável" (se é que eles sobreviveram por muito tempo).

Não estou dizendo que um prelúdio/continuação de WALL-E seja realmente necessário, mas sim que seu prelúdio em quadrinhos mostrou o potencial que a obra tem para desenvolver mais conteúdo. O próprio começo do filme deixa aquela vontade de querer ver como tudo chegou aquele ponto. É isso ou só eu mesmo que quero, o diferentão, o exclusivo, aquele que pensa em coisas que ninguém mais pensaria, o de gosto duvidoso.

Embora a Pixar já tenha dito que não se interessa por um novo longa de WALL-E, assim como de outras obras, só nos resta sonhar, afinal, se temos outros longas da Pixar que ganharam suas continuações e prelúdios, tudo é possível.

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.