29 maio 2026

[RASCUNHO] Backrooms: Um Não-Lugar

 Publicado em redes sociais.

Backrooms (2026)

Conheci o conceito de backrooms logo quando começou a ganhar força na internet, mas apenas esse ano fui me interessar mesmo. Lembro de estar lendo sobre estéticas de internet, sobre espaços liminares, sobre o horror digital e afins e as Backrooms entraram nesse meio. Talvez eu tenha ignorado pela imagem que isso era vendido, como se fosse uma creepypasta qualquer. Mas não é. Backrooms é realmente interessante.

Salas infinitas, coisas fora do lugar, ambientes vazios, paredes aleatórias, cenários confusos, ambientes fechados, criaturas perigosas, clima de claustrofobia e de tensão, ao mesmo tempo de uma curiosa calmaria até certo nível. Vale reforçar, porém, que o filme em questão foi feito pelo Kane com base em sua lore criada na série de vídeos no YouTube. As pessoas na internet criaram várias versões, mas o filme, dirigido pelo próprio Kane, com o selo A24 e contando com elenco principal de renome, segue todo pelo universo do diretor. 

Tenho muitos elogios e críticas para a tal "série", desde elogios a ambientação até críticas ao pouco avanço narrativo, mas ver como as coisas foram ganhando forma pra um longa, e ver o longa se sustentando como longa mesmo, foi prazeroso. Particularmente, gostei muito mais dos vídeos "found footage" do que dos vídeos dos funcionários trabalhando. E para o filme também seguiram isso, felizmente (para mim rs). Tanto que temos o começo mostrando algo e depois meio que jogam isso de lado.

Depois de uma boa abertura padrão estilo found footage (algo que o filme alterna em algumas cenas), mostrando o perigo daquele misterioso lugar, ou melhor, não-lugar, logo vamos sendo apresentados aos personagens e a todo um contexto dramático envolvendo terapia, reflexões sobre a vida, ciclos, vícios, traumas. Não conseguir ir adiante e se apegar ao que já sabe o resultado, mantendo o loop, se torna uma metáfora junto ao que é apresentado das esperadas Backrooms, assim como paralelos com cenários reais. O que funciona demais.

Explorando as Backrooms, o longa entrega e alterna entre momentos de tranquilidade, de mistério, de curiosidade, de desespero, de humor, de pavor. E sem ficar tão repetitivo. Mas falando de ciclos, o mesmo não pode ser totalmente dito do próprio filme. Não sei o quão intencional foi, mas ele guarda surpresas que arriscam o que foi apresentado até então, justamente como uma quebra. Pra mim, apesar do estranhamento inicial, funcionou muito bem conforme fui absorvendo a ideia.

E falando em absorver ideias, notei que o filme anda dividindo bastante opiniões, apesar das médias gerais estarem boas. Creio que quem acompanhou a série de vídeos do Kane ou que conheça a ideia proposta vá apreciar mais. Ou não (rs). Não vale se encher de teorias de fãs quando a premissa é outra. Ainda assim, é um longa que funciona completamente isolado, e muito bem. É uma ideia que precisa ser maturada. A diferença está em detalhes. Por mais que o que tenha na série também tenha nos filmes, em parte, ainda é em profundidade muito menor. O filme tem que cuidar de ambos os públicos, os que nunca ouviram falar disso aqui e os que acompanhavam o trabalho do diretor, e, ao meu ver, conseguiu muito bem.

Com cenários de chamar a atenção e uma trama que funciona mesmo parecendo batida, junto a momentos tanto melancólicos quanto assustadores, seja na vida real, seja nos espaços além, o filme de Backrooms, que no Brasil ganhou o subtítulo de "Um Não-Lugar" entrega o que se espera de uma obra do gênero. Pouco se explora, sim, e ainda inserem alguns elementos que mal tocam a superfície, mas tá tudo lá. O básico tá lá. E funcionando. O mistério faz parte da experiência. A jornada é o que vale. Espero que façam mais filmes no estilo. Além da própria narrativa deixar ganchos pra mais aqui e ali, alguns cenários explorados mostram a lasca da vastidão desse espaço.

22 maio 2026

Gosto é gosto.

 (publicado originalmente em redes sociais / pode conter linguagem de internet)


Um cara viu um filme muito mal recebido por crítica e público e achou perfeito, obra-prima. Ok. Eu disse que gosto é gosto (eu mesmo curto alguns filmes considerados ruins). Só que ele disse que não é questão de gosto, e sim de entender a mensagem. Isso que complica. Respondi que existem formas melhores de contar uma mensagem, listei os problemas do filme, etc, mas ele continuou insistindo que o importante é a essência. Papo vai, papo vem, nada adiantou e ficou tudo na mesma (rs).

Se for olhar por esse ângulo de que "passou a mensagem, teve uma boa ideia, logo é bom", então tudo é bom. Qualquer obra se torna boa. Creio que a mensagem não é o principal elemento numa produção de entretenimento, a não ser que a pessoa não ligue pro filme em si (ou música ou livro ou o que for), e sim apenas (e exclusivamente) para sua mensagem, porque daí tanto faz qualquer coisa, tanto faz a parte técnica, tanto faz a forma como a mensagem é contada, tanto faz a qualidade, etc, porque no fim dará tudo na mesma.

Lembrei do pessoal que curte música apenas pela letra, que também foi assunto de discussão numa outra ocasião com outra pessoa e também de nada adiantou. Nada disso faz sentido pra mim. Se eu não gostar do ritmo, de que adianta uma boa letra? Defendo que o ritmo é mais importante que a letra sim. Se não fosse, músicas de letras vazias ou rasas não fariam sucesso, e tem sim muitas muito boas nesse padrão (rs). 

O papo recorrente de "agregar valor" também é pura falácia. As pessoas se prendem muito a repetir a ideia de consumir o que "alimenta/edifica a alma", sendo que nada disso importa no final. Pior que isso apenas o tal do "gosto refinado", "arte de verdade", o que é apenas inflar o ego. Mas cada um tem sua visão de mundo, sua forma de ver as coisas. Eu busco entender os motivos de gostar do que eu gosto e de não gostar do que eu não gosto, assim como de entender os elogios e as críticas que fazem a tudo isso, concordando ou discordando. Ainda assim, no final, tanto faz, gosto é gosto (rs).

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.