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02 junho 2024

[GEEKABLE] [CRÍTICA] Star Wars: Darth Vader: Lorde Negro dos Sith

[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].

[Matéria de 2019]

 Star Wars Darth Vader Lorde Negro dos Sith

Quando a Marvel anunciou novas histórias em quadrinhos de Star Wars, ignorando assim tudo o que foi lançado antes em prol da liberdade de novos rumos para a franquia, que retornava aos cinemas com O Despertar da Força (Episódio VII), esperei mais do solo de 2015 de "Star Wars: Darth Vader", passado após Uma Nova Esperança 9Episódio IV). Curiosamente, acabou sendo uma boa surpresa.

A personagem adolescente Doutora Aphra, inserida como um pupilo de Vader, meio que tirava parte daquela seriedade digna de um solo do grande vilão da franquia, além de tornar o título não tão solo assim. Mas, como disse, as coisas foram positivas e tivemos um bom título (com direito a um sensacional crossover com a HQ principal de Star Wars, rendendo o arco "A Queda de Vader"). A HQ conseguiu mostrar vários lados de Vader, desde sua figura cruel até seu lado reflexivo, rendendo momentos marcantes.

A série de 2017, também conhecida pelo subtítulo "Lorde Negro dos Sith" (tradução literal), reiniciou a história e trouxe Vader a todo ódio. Escrito por Charles Soule (Monstro do Pântano, Lanterna Verde, Thunderbolts) e desenhado por Giuseppe Camuncoli (Hellblazer, O Espetacular Homem-Aranha), a trama começa na última cena do vilão em A Vingança dos Sith (Episódio III), onde Vader se lamenta pela morte de sua amada Padmé. No decorrer da história, é possível acompanhar a ascensão do ditador, como ele conseguiu seu sabre, a caça aos jedi sobreviventes da Ordem 66, a relação conflituosa com Palpatine, indícios da Estrela da Morte, entre outras coisas.

Acompanhamos um Vader em busca de respeito e de poder, servindo a seu mestre, o imperador Palpatine, e impondo seu lugar no Império. Vale frisar que ninguém sabe ao certo quem é Darth Vader ainda. O Império não está ciente, então é comum ver soldados se indagando sobre ele, assim como líderes o confrontando. Com seu pouco temperamento e com a ajuda de seu mestre, Vader aos poucos vai conquistando seu espaço. Nesse trajeto, ele toma uma atitude agressiva e ameaçadora, por vezes mortal, a todos que entram em seu caminho. Ora, ele é um vilão e comanda uma ditadura.

A HQ traz algumas revelações e mudanças em relação ao universo antigo de Star Wars, visto a desconsideração dos derivados após os novos filmes. Não sei bem o que pensar, mas são coisas que fazem sentido. Oba, polêmicas. Detalhes aqui e ali que causam um impacto, arrisco a dizer, semelhante ao visto em Os Últimos Jedi (Episódio VIII), só que dessa vez no período clássico da franquia. Sem querer dar detalhes maiores para os que se aventurarem no título, mexem desde questões relacionadas aos sabres até ao próprio Anakin.

Com 25 edições (mais um anual, assim como seu antecessor), o título é dividido em cinco arcos: O Escolhido, A Luz Agonizante, A Regra dos Cinco, Mares Ardentes e Fortaleza Vader (traduções literais). O resultado é uma ótima saga que mostra um capítulo pouco explorado na franquia. Tudo o que eu gostaria de ver no cinema e que não fizeram. Esse e outros títulos aleatórios do Vader, assim como algumas HQs mais antigas, só demonstram o potencial existente entre o período entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança (ora, o filme Rogue One se passa entre). Provas não faltam de que Vader renderia facilmente uma nova trilogia no cinema. 


07 junho 2022

[JAM STATION] [RESENHA] O Doutrinador (HQ)

 [Publicado originalmente em 2019]

O Doutrinador (HQ)

Enrolei muito para conferir as HQs de O Doutrinador, de Luciano Cunha. Foi só após ver o filme que decidi finalmente comprar e só agora li. Ao ler, pensei: "Não deveria ter demorado tanto". É uma trama que roda o Brasil, com um homem que busca vingança com as próprias mãos. É o "Justiceiro brasileiro". E a única coisa em comum entre a HQ e sua adaptação é o fato do Doutrinador sair matando políticos corruptos, porque de resto é tudo diferente.

Acompanhamos um misterioso mascarado viajando o Brasil matando políticos. Com o tempo sua identidade é revelada e também mandam alguém atrás dele. E... É só isso mesmo. Uma narrativa simples, objetiva e funcional. Não há aprofundamentos. É um material bruto, um conteúdo condensado. Explicável, visto a dificuldade de se lançar um quadrinho no Brasil, então faz sentido uma HQ de poucas edições, mas o potencial era (ainda é) muito maior.

O peso da trama vem da clara mensagem de protesto contra o governo, visível a todo momento (sério), com direito até a algumas frases de impacto. Os protestos dos "20 centavos" permeiam a base das revoltas do povo contra os políticos. Isso justifica o personagem e suas motivações. Nisso há também algumas poucas críticas além da política, como a música brasileira atual. Tais momentos soam desconexos da história ao todo, entretanto.

Talvez eu seja o chato falando, visto que não consigo aproveitar tramas políticas ao máximo no estado atual em que vivemos, mas, pela trama não se aprofundar em seus personagens, senti que a narrativa se torna mais do mesmo em alguns momentos, ocupando espaço do que poderia render mais conteúdo. O Doutrinador cumpre justamente seu objetivo e isso é ótimo, mas do ponto de vista narrativo soa raso (o que não significa que seja ruim, pelo contrário, a trama é muito boa).

Embora o Doutrinador defenda o povo, não dá para negar as inspirações políticas nos quadrinhos, inclusive quando comparados os visuais dos tais com a vida real. Mesmo levando em conta a época em que foi escrito, nessa briga política que vivemos onde "temos" que escolher lados (rs), o Doutrinador é considerado "de direita". Tanto faz.

A HQ ainda conta com Dark Web, uma boa (e necessária) continuação com um desenvolvimento melhor por ter uma trama mais "fechada". Tem também uns contos avulsos de poucas páginas, mas são opcionais. E agora soube que já estão fazendo uma nova HQ com o Doutrinador, Fake News, então resta esperar. Espero ver muitas novas histórias futuramente e, quem sabe, crossovers com outros personagens do Universo Guará. E ainda tem a série de TV.

[JAM STATION] [RESENHA] Roly Poly - A História de Phanta

 [Publicado originalmente em 2018]

Roly Poly - A História de Phanta

Roly Poly - A História de Phanta, estreia do quadrinista brasileiro Daniel Semanas. A versão brasileira foi publicada pela Editora Mino, enquanto a versão em inglês foi pela Fantagraphics Book.

Repleto do mais belo e impactante visual com uma pegada neon oitentista futurista, a HQ apresenta a história de Phanta, como o subtítulo deixa bem explícito. Ela é uma garota que vive na pacata cidade de Gyeongju, Coreia do Sul. Querendo popularidade nas redes sociais, ela embarca numa viagem psicodélica para provar algo a si mesma, além de vencer seus "rivais" e se tornar uma integrante de um grupo de k-pop.

Uma trama de sonhos adolescentes sob o olhar de uma possível adolescente sonhadora. Mas não pense que tudo é tratado com desdém. Seu contexto está inserido num segmento contínuo de poucos diálogos e muito visual. A HQ é uma experiência visual. Dos traços às referências, tudo, e repito: absolutamente tudo, chama a atenção.

Inspirações

Como citado em entrevistas, Daniel Semanas diz que a ideia surgiu por volta de 2014 após ele ver a nova leva (na época) de clipes de k-pop (pop coreano). Pensando numa história dentro desse universo, mas não necessariamente sobre o gênero musical, nasceu Roly Poly.

Semanas também diz que a inspiração não veio apenas do k-pop (como referenciei no começo da análise). Filmes, quadrinhos, moda, fotografia, imagens do Pinterest e do Tumblr, tudo foi inspiração para os elementos visuais da HQ. Aliás, como ele mesmo afirma, a HQ foi visualizada como um artbook (livro de arte), priorizando a parte gráfica quase como se ela fosse a protagonista.

Sua principal inspiração acima do k-pop foi Akira. A famosa pegada punk futurista da adaptação do mangá de Katsuhiro Otomo inspira até hoje diversos artistas, e Semanas foi um deles. Quando li, não pude deixar de não lembrar de Akira. Poderia ser coincidência, mas foi proposital. Já a parte pop e gamer da HQ foi inspirada nos quadrinhos (e possivelmente no filme também) de Scott Pilgrim, de Bryan Lee O'Malley.

Vindo do ramo de animação, Semanas pretende expandir a história de Phanta e adaptá-la para uma animação ou um live-action. O projeto inclusive já foi apresentado com o teaser de venda da HQ, que anima parte da história:

O que resta agora é aguardar que Roly Poly faça sucesso e que adaptem a obra. No primeiro momento que bati o olho na HQ, e como o teaser deixa bem nítido, uma adaptação animada de uma história em quadrinhos visual tem potencial de sobra.

Curiosidades e comparações

Uma curiosidade é que Roly Poly é nome de um clipe do girlgroup de k-pop T-ara. A canção foi lançada em 2012.

[JAM STATION] [RESENHA] Fragmentos do Horror (Junji Ito)

 [Publicado originalmente em 2018]

Fragmentos do Horror (Junji Ito)

Fragmentos do Horror é a primeira HQ da DarkSide Graphic Novel, trazendo uma coletânea de obras de Junji Ito, famoso no Japão e ao redor do mundo por seus mangás de terror. O mangaká já publicou séries como Uzumaki e Gyo, ambos perturbadores e já adaptados para o cinema e TV, assim como diversas de suas obras. Se próprio Guillermo del Toro o considera indiscutivelmente o mestre do horror no Japão, quem somos nós para discordar?

Escrevi essa resenha originalmente para um outro site ano passado, porém acabou se perdendo e decidi atualizar e trazer aqui para vocês. Não podia deixar isso sumir assim. Mas, antes de adentrar em Fragmentos, gostaria de falar sobre os citados Uzumaki e Gyo para entenderem o nível de Junji Ito.

Uzumaki chegou a sair no Brasil com o subtítulo A Espiral do Horror. Inspirado por Lovecraft e por representações de espirais na mídia (que?), a traumatizante história conta sobre uma maldição de espirais numa cidade fictícia. Para pessoas sensíveis, há imagens que podem perturbar. A cena da lacraia subindo a cama e entrando no ouvido da pessoa me traumatiza até hoje. Já Gyo, levado para um lado mais bizarro, se é que podemos considerar isso, apresenta uma espécie de apocalipse marítimo, com peixes e outras criaturas do mar, com pernas de metal e afins, invadindo o Japão e matando todos em seus caminhos. Um nojento gore com peixes, com direito a cada cena que é melhor não detalhar aqui.

Voltemos a Fragmentos do Horror, o foco dessa resenha.

[imagem] "Você poderia por favor me dissecar?"

Lançado originalmente em 2014, Junji Ito diz em seu posfácio que esta é sua primeira coletânea depois de oito anos. Ele também diz que o primeiro conto chegou a ser reprovado. Mesmo refazendo, não obteve satisfação. Porém, aos poucos, através de outros contos, seu ritmo foi voltando. Apesar da dúvida, o público aprovou o resultado. A obra inclusive chegou a inspirar pessoas. Positivamente falando, claro (haha).

Ao todo, são nove histórias ao longo de mais de 200 páginas. É possível perceber a reutilização de alguns personagens ao longo das tramas, o que torna curioso uma possível ligação entre alguns deles (ou algo como universos paralelos). Para não estragar as surpresas, não detalharei no decorrer dessa resenha quais são os personagens de cada conto.

Futon é o conto mais simples e curto da coletânea, mas dá indícios do que está por vir. A história se passa dentro de uma casa, com um casal. O homem vive escondido em seu cobertor alegando ver monstros ao seu redor. A mulher não vê, até que um dia tudo muda. Não é um grande curta, soando mais algo para impactar.

Monstro de Madeira traz sensualidade em meio a um fetiche bizarro. Uma garota e seu pai moram numa casa considerada histórica pelo governo. Um dia eles recebem a visita de uma mulher que diz estar cursando arquitetura. Ela acha a construção muito... sexy. Aos poucos a mulher vai se envolvendo cada vez mais na vida dos dois. Essa é uma daquelas histórias bizarras (e qual não é?) onde o plot twist não explicado existe para fazer sentido dentro desse universo.

Tomio / Gola Rulê Vermelha já tinha lido antes pela internet. É tanto quanto perturbador (novamente, e qual não é?) e um dos melhores da coletânea. Um homem tem sua cabeça cortada por uma bruxa e precisa segurá-la para não cair. Ele recorre a sua esposa, que ele traiu com a bruxa, mas a princípio ela não acredita. Se imagine na situação do cara, onde ele não pode tropeçar, escorregar nem limpar o suor ou se coçar, tudo porque sua cabeça está solta do corpo. E se isso já não bastasse, as coisas pioram depois.

Suave Adeus tem uma premissa curiosa, tornando-o outro dos melhores da coletânea. Uma mulher se casa com um homem de uma família tradicional e vai morar na casa deles. Lá ela começa a ver fantasmas. Mas para tudo há uma explicação... Esse é um conto que prende a atenção ao trazer uma história mais dramática e familiar. Ambos são muito ligados aos seus familiares, e a existência dos "fantasmas" causam impacto direto na trama. Mais do que o esperado, por sinal. Prepare o lenço.

Dissecação-chan é bizarro (ah, vá!). Tipo, bizarro mesmo. Antes falei da mulher com fetiche em casa, agora falo da mulher com fetiche em ser dissecada. Ela mesmo se manda para um necrotério de um hospital para ser aberta. Como se não pudesse ficar mais sinistro, fica. O infeliz que a encontra já conhece ela desde anos atrás e ela começa a persegui-lo. A história se passa ao longo dos anos, com ida e volta para mostrar alguns acontecimentos. E é só isso mesmo: A mulher insistindo pro cara abrir seu corpo. Doentio.

Pássaro Negro parece uma lenda urbana se tornando realidade. Um homem vai fazer trilha e sofre um acidente. Um mês depois ele é encontrado com vida por um morador local. Ao ser questionado como ele sobreviveu todo esse tempo, ele revela a existência de uma criatura macabra, uma mulher-ave que o alimentava forçadamente. Só que mesmo depois do resgate, ela vem visitá-lo... O conto explora a formação da amizade entre os dois personagens e as consequências de um na vida do outro. Assim como alguns dos contos anteriores, há plot twist que deixa tudo mais sombrio do que já é.

Magami Nanakuse remete a uma pergunta que muitos se indagam: Onde os artistas tiram suas inspirações? Sem querer revelar a trama, imagine um Louca Obsessão, do Stephen King, só que com papéis invertidos. Uma fã fanática de uma escritora de livros quer conhecer a pessoa por trás das histórias. Ela manda uma carta e é convidada para visitá-la. Porém, o que era para ser algo agradável, se torna um pesadelo quando a escritora começa a zombar e humilhar sua fã. Um dos melhores contos da coletânea, abordando de forma assustadora a relação fã-artista numa situação que ninguém gostaria de viver.

A Mulher que Sussura aparenta ser um conto simples, porém eficaz e curioso, mas no fundo aborda de forma figurativa o debate sobre quem somos nós e se nós somos nós mesmos. Um pai está desesperado pois sua filha é indecisa e não consegue fazer nada, tendo ataques graves. Depois de vários tentarem ajudá-la e falharem, uma mulher decide aceitar o emprego. Sussurrando no ouvido da garota, ela começa a "controlá-la". Ou seria o contrário? Através da visão do pai, acompanhamos as consequências que sua filha causa na vida da mulher.

Em geral, a coletânea de Junji Ito satisfaz, sendo mais um acerto do mangaká. É perceptível uma variável na qualidade dos contos, mas não influencia na qualidade como um todo. Ao fim, as histórias se tornam macabras, doentias e fantásticas, desde a mais simples até a mais complexa. Para os fãs do gênero, uma leitura obrigatória. Espero que a DarkSide traga outras obras do autor. Queria muito um volume único de Uzumaki pela editora, mas quem lançará será a editora Devir, previsto ainda para 2018.

[JAM STATION] [RESENHA] Ageha - Efeito Borboleta

  [Publicado originalmente em 2017]

Ageha - Efeito Borboleta

Sabem o termo otaku fedido, que quando é levado na zoeira fica de boa, mas alguns exageram e acabam levando para o lado pessoal e pejorativo Pois bem, foi o que eu senti ao ler esse mangá. Mas calma, isso aqui não é uma resenha esculachando a obra ou dizendo que ela é doentia. Não é isso. Não exatamente. Parte disso, talvez, mas não por completo. Bora prosseguir pra entender.

O Japão é conhecido por duas coisas Tecnologias e bizarrices. E, no mundo do mangá, tudo é válido. Pois bem. Comprei o mangá aproveitando o preço com desconto e, pelo título, pensei envolver a teoria do caos mesmo, mas não foi bem assim. A única bizarrice era a premissa de que o mundo sempre reiniciava quando Motoki, namorado da Ageha, chegava naquele momento com ela, mas ok.

A obra foi lançada em dois volumes pela JBC, com classificação +18. Como diz a sinopse no site Como todo adolescente, o sonho de Motoki Tateha é consumar seu amor com sua namorada, Ageha. Porém, quando os dois estão prestes a chegar nos “finalmentes”, algo inesperado ocorre e Tateha descobre que saciar seus anseios é o menor dos seus problemas. Agora, o jovem se vê preso em um “experimento” em que deverá reviver sua história em diversas realidades absurdas, onde o que está em jogo não é só sua virgindade, mas o destino dele e de sua amada, e da realidade que conhece.. Até aí nenhuma surpresa pra quem já conhece esse universo. Tá até leve. Mas enfim.

A história é viajada demais! E isso é um ponto positivo. Apesar do que a premissa aparenta, qualquer correspondência de amor entre os dois faz o mundo reiniciar. Ao longo dos acontecimentos, as coisas vão ficando cada vez mais fantasiosas e acabam em tragédia, sempre resultando ou na correspondência de amor ou na morte de um dos dois personagens. Isso faz o protagonista voltar ao ponto anterior ao acontecimento, como se fosse uma premonição misturada com viagem no tempo (em suma um sonho, como a história fica repetindo). Ele começa então a buscar maneiras de acabar com esse pesadelo.

A trama chama muito a atenção com seu estilo brisado de sonhos, visões, rumos inesperados, etc. Mas então veio uma surpresa. Embora a trama desse indícios e a classificação também, me fiz de inocente ao nível de ignorar algumas coisas, até que comecei a ler. Já nas primeiras páginas somos apresentados a Ageha nua em folha colorida (sim, as primeiras páginas possuem cores). Tudo bem que ela é criança, mas até aí nada demais no mercado do gênero. E não é algo que esteja em todo o mangá (apesar de ter um capítulo inteiro disso no segundo volume).

O ponto desanimador mesmo é que o mangá é de um teor barato de humor sacana, com direito a coisas que mangás do tipo proporcionam, cabendo a trama surreal levar esse diferencial para se destacar em meio a tantas outras obras clichês que seguem o estilo. Tem o garoto pensando malícias com a garota, uma outra agredindo ele por ser tarado, outra dando em cima dele, todo mundo junto no banho termal, etc, aquelas coisas bem básicas. Mas isso é algo bem relativo, variando com o gosto do leitor. Não creio que serão esses elementos que farão alguém chegar ao ponto de parar de ler.

É uma perversão doida que por um lado é parte inocente dentro de alguns momentos da trama (ah, o amor...), mas também parte culposa em outros momentos e fora da trama porque sabemos que tudo isso é fruto de uma mente tarada (rs). Nada contra o mangaká, não o conheço, apenas analiso a obra.

Mas em defesa, existe também o lado do humor mais agradável e aceitável ao público. Ageha não é para todos, o que já está bem claro até aqui, mas ainda assim possuem momentos prazerosos e divertidos, mesmo que se perca constantemente.

Com o tempo a história fica mais viajada ainda. Sim. Quando se pensa que não dá, dá. Enquanto uma situação não é resolvida, a trama se repete acrescentando suas diferenças. Quando finalmente resolvem, a história simplesmente avança de modo a parecer que estamos lendo outra história em outro contexto, como se fosse outro dia numa outra situação. Mas faz sentido dentro da trama. Muito sentido até.

Em geral, Ageha é um mangá ecchi loli sei lá o que fantasioso com loops temporais cheio de referências e cenas que parecem não fazer sentido mas fazem de alguma forma. Salvo os clichês e forçações terríveis, gostei da história. O subtítulo efeito borboleta é duvidoso por lembrar a teoria do caos, o que é até usado sim, mas não do jeito que muitos podem estar pensando. Há também um jogo de palavras em japonês com borboleta, referentes aos personagens principais. Para os aventureiros que decidirem ler, um aviso Mesmo com tudo o que escrevi, vocês não estão preparados para o que virá. Boa leitura.

22 maio 2021

[O VÓRTICE] [CRÍTICA] Turma da Mônica Jovem: Umbra (HQ)

Turma da Mônica Jovem: Umbra

Após cerca de seis anos de sua publicação original, a trilogia que marcou a Turma da Mônica Jovem chega em edição única de luxo, com capa dura, pôster e só isso mesmo, sem bônus maiores. Talvez algumas alterações ortográficas, como vi algumas comparações pela internet, mas não me recordo o suficiente nesse detalhe em específico para comentar. Enfim. O que importa é o conteúdo. Aproveitando o relançamento e o Halloween, decidi escrever uma resenha sobre a famosa e polêmica trilogia Umbra.

Lançada nas edições 74, 75 e 76 da primeira série da Turma da Mônica Jovem, Umbra é um arco de uma saga conhecida como Supersaga do Fim do Mundo. Roteirizado por Emerson Abreu, o cara que inovou a Turma da Mônica, a tal Supersaga traz uma pegada mais levada ao terror, com direito a assombrações, maldições, profecias, viagens temporais, etc.

A macabra aventura

A trama de Umbra se inicia com Cebola, Cascão, Mônica, Magali e Quim viajando até Sococó da Ema para fazer um documentário para a escola sobre a Jumenta Voadora. E, curiosamente, na cidade está sendo comemorado o Dia da Jumenta Voadora, ocorrido no dia 31 de outubro. Participam da trama também Denise, Sofia, Madame Creudozete, Berenice, um suposto primo do Xaveco, entre outros personagens adicionais.

A Jumenta Voadora é um espírito que surgiu nas histórias da turminha em 2004, sendo ela/ele "o protetor dos potes plásticos", assombrando quem não cuida de seus potes (ou, como a HQ brinca, "tapauérs", uma referência aos Tupperware). Em Umbra, é dito que a Jumenta também protege as crianças. Mas as coisas vão muito além disso.

O sobrenatural não tarda a marcar presença. Com um vislumbre aqui e ali, com destaque para a cena da Menina do Rio dizendo pro Cebola que morreu no local onde eles estavam tomando banho, logo temos as primeiras revelações: Os filhos de Umbra, seres que possuem poderes sobrenaturais e fazem parte de algo maior. Os personagens do nosso quarteto principal são os primeiros no arco a serem assombrados por tais. Com isso, revelações cada vez mais macabras começam a surgir, mexendo com tudo o que se acredita sobre a lenda da Jumenta Voadora. 

Revelar mais que isso estraga as surpresas que a trilogia reserva. "Umbra" é uma palavra vindoura do latim, que significa "sombra", e tem tudo a ver com o arco, que mexe com um lado outrora pouco explorado na franquia ao nível do que foi aqui.

Terror + Comédia = Terrir

O clima da história é bom demais. Imaginar terror na Turma da Mônica é como um filme de Scooby-Doo: Temos monstros reais e momentos mais assustadores, mas o humor está sempre presente. É como uma marca registrada da turminha, sempre tem que haver esse lado mais cômico contracenando com o que quer que seja o gênero que esteja sendo trabalhado.

Um exemplo disso é quando a Magali é possuída por um dos filhos de Umbra e diz que o Cebola irá morrer, então o Cascão começa a comemorar por não ser ele. Ou quando a turma é assombrada a noite toda pelos filhos e a Berenice no dia seguinte pergunta se eles dormiram bem, sendo recebida com reclamações. São pequenos detalhes que fazem total diferença. São quebras de climas que funcionam tão bem que soam como uma fórmula do sucesso (ora, e é!).

O fim do mundo é logo ali

Ao longo de Umbra, sabemos mais sobre a profecia apocalíptica (a todo momento, os mortos anunciam que "a Serpente está voltando") e temos a revelação do segundo dos "cavalos do Apocalipse" (uma paródia aos "Cavaleiros do Apocalipse" bíblicos). O primeiro cavalo já havia sido anunciado no arco anterior da Supersaga, Sombras do Passado.

Emerson Abreu criou uma obra ousada para a Turma da Mônica que conquistou muitos fãs e que continua conquistando. Com uma pegada de terror, Umbra não tem medo de "polemizar", mexendo até com o Inferno e sabendo manter um peso sério e sombrio em meio a uma trama com intensos tons leves. Não é a toa que há páginas com as bordas todas pretas no lugar do tradicional branco. Umbra é um arco que merece ser lido tanto por quem é fã de Turma da Mônica quanto para aqueles que nunca se interessaram ou nunca leram a edição correta da Jovem.

As edições

A primeira temporada da Supersaga do Fim do Mundo é composta por: Sombras do Passado (edições 51 e 52), Dia das Bruxas (63), Umbra (74-76), Férias na Praia + Sombras do Futuro (78 e 79, respectivamente) e Herdeiros da Terra (83 e 84).

A segunda temporada iniciou com a trilogia A Torre Inversa (90-92) e segue em andamento. Entretanto, apenas uma edição foi lançada depois, O Parque Assombrado (99), uma óbvia paródia ao jogo de terror Five Nights at Freddy's. Desde 2016 os fãs esperam por uma nova edição da saga, que deve retornar em breve.

Capítulos

Capítulos de Umbra: 1. Sococó da Ema. 2. A Menina do Lago. 3. Realidades Paralelas. 4. Filhos de Umbra. 5. A Porta Para Lugar Nenhum. 6. A História se repete.

Capítulos de Umbra: Mistério Revelado: 7. A História se Repete. 8. A Chave de Ossos. 9. Segredos do Abismo. 10. Purgatório. 11. Os Manipulados Mortos. 12. O Artefato e o Receptor Vivo.

Capítulos de Umbra: A Última Batalha: 13. Necromancia. 14. Os Guardiões da Soleira. 15. O Fogo Caminha Comigo. 16. Mea Culpa. 17. A Marcha Fúnebre. 18. Voltar a Morrer.


01 dezembro 2014

[KOKYO] Batman - A Máscara da Morte (hq)



Batman - A Máscara da Morte

O mais novo mangá do Batman chegou esse ano ao Brasil, dessa vez com a história "A Máscara da Morte", que se divide em momentos no presente e no passado, mostrando uma investigação do Batman em busca de um assassino que arranca a face das pessoas e flashbacks retornando ao passado de Bruce antes de se tornar o Batman, durante o período em que ele estava no Japão treinando.

A história se utiliza bastante da cultura japonesa, temos diversas referências, como a criatura Oni, uma espécie de demônio-ogro-humanóide. A história também se utiliza livremente do estilo japonês de fazer mangá, mostrando um Bruce adaptável sem parecer forçado e inserindo elementos sobrenaturais.

Na história há máscaras amaldiçoadas que fazem as pessoas que as usarem se tornarem assassinas. Essas pessoas, possivelmente controladas pelos espíritos, arrancam os rostos das vítimas. Dessas máscaras vem a que dá nome a história, uma máscara muito semelhante ao que Batman usa, toda escura, com orelhas pontudas e um aspecto sombrio e fantasmagórico. Essa máscara assombra Batman vez ou outra, como um verdadeiro fantasma que não pode ser derrotado.

Não espere uma história grandiosa, com muita pancadaria e segredos que viajam para muito além do esperado. Aqui temos uma história simples, sem muitas atrações, apenas para entreter e trazer uma nova visão sobre o Batman e acrescentar mais conteúdo em sua história.

O escritor e desenhista do mangá se chama Yoshinori Natsume, famoso por sua obra Togari. O mangá foi feito exclusivamente para os leitores ocidentais, mas acabou sendo lançado futuramente no oriente também. O objetivo foi mostrar uma novidade para os fãs de Batman. Por se passar no Japão, nada melhor que o estilo mangá.

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 20 de outubro de 2014~

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.