[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]
O Motorista de Táxi
Subtítulo: Jornalista e taxista se unem contra os militares em filme baseado numa história real.
Nota: 4,5 estrelas
Resumo: Baseado em fatos, o filme transmite o impacto da descoberta de uma ditadura através dos olhos de um taxista e um repórter. Com ótimo desenvolvimento e personagens altamente envolventes, a abordagem sobre o ser humano emociona.
Imagine que você é um taxista e um jornalista revela que algo estranho está acontecendo num local do país que você mora. Você não acredita, mas o leva até lá e então o choque de realidade atravessa seus pensamentos. É isso que acontece em A Taxi Driver, inspirado/baseado em fatos.
O filme se passa nos anos 80 e conta o que ocorreu no fatídico Massacre de Gwangju, na Coreia do Sul, quando militares cercaram todo o território e agrediram seus moradores. Uma pequena ditadura ocorrendo sem ninguém de fora saber.
O personagem que dá título ao filme é Kim (Kang-ho Soon), um taxista que vive sua vida normalmente tentando ganhar dinheiro. Endividado e com uma filha para cuidar, ele ouve sobre uma proposta de um jornalista com um pagamento que quitaria suas dívidas e malandramente vai até o local, pegando para si o cliente de outro taxista. O jornalista é Peter (Thomas Kretschmann), um repórter alemão que estava no Japão e decidiu ir para a Coreia do Sul após rumores sobre o ocorrido em Gwangju. Juntos, eles vão até o local.
Inicialmente, o longa possui um clima parcialmente tranquilo. Temos música tocando no rádio, cenas de estrada, humor e algumas intervenções militares ocorrendo nas ruas devido a protestos. Para Kim, mais um dia qualquer.
Quando os personagens chegam em Gwangju é que as coisas começam a ficar mais sérias. Bloqueado pelo exército, eles buscam meios de entrar no local e acabam conseguindo. Lá, se deparam com ruas desertas, destruição, feridos e protestantes (no sentido de pessoas que protestam, não religião).
O objetivo do repórter é gravar o que está acontecendo, afinal, o jornalista deve informar o ocorrido sem influenciar no cenário, passando apenas os fatos. Mas o que era apenas para ser registrado em troco de dinheiro, acaba se tornando uma luta pela vida e a formação de amizades inesperadas, tornando-o parte da história.
É notável a construção da relação entre os personagens. Começando como dois estranhos e continuando assim por um bom tempo, as situações o forçam a tornar-se mais interligados. Enquanto esse desenvolvimento ocorre, outros personagens começam a aparecer. Cada um é diferente do outro e todos criam um vínculo com os dois principais. Mesmo quando nomes não são identificados, o filme faz questão de nos apegarmos a eles.
É notável também o amadurecimento dos personagens. Kim, sempre com auto-estima mesmo nos momentos difíceis, percebe que seu povo necessita de ajuda e que sua vida, apesar de soar sempre mais do mesmo, é melhor do que daquelas pessoas que estão em guerra. Peter, por sua vez, se envolve numa nova cultura e num acontecimento que o torna mais humano. Seu jeito sempre sério e o fato de ser de nacionalidade diferente o destaca em meio a multidão. Ambos percebem que, mesmo em meio ao caos, as pessoas tentavam ser felizes.
A questão jornalística é retratada no longa. A ditadura local censura os jornais e não deixa que nada saia de lá. País afora, ou nada aconteceu ou foram os protestantes que atacaram e mataram soldados. Peter, tendo apenas sua câmera, registra o que a mídia não mostra, tornando um símbolo de esperança para aquele povo e uma ameaça para o exército.
Aproveitando o gancho, é muito bom ver um filme onde o jornalista não é mostrado como o todo-poderoso. Ele é visto como herói pelo povo devido ao seu objetivo, mas o filme faz questão de mostrar que ele é apenas mais um humano em meio aos demais, vivenciando tudo que os outros vivenciam.
É possível sentir uma variação de gêneros entre o humor, o drama e a "ação". Normal dos filmes sul-coreanos. Entretanto, nesse caso, é como se cada ato acrescentasse um gênero a mais. O resultado é interessante.
Apesar de ser uma história real, o filme usou como base os relatos do jornalista. Não tira mérito algum, claro. A verdade está lá e o fato da produção ser sul-coreana ajuda a tornar mais natural o lado dos sul-coreanos.
O interessante é que, com o lançamento do filme e após supostas dúvidas sobre a veracidade de alguns elementos, respostas vieram a público. Embora seja um caso real, prefiro não dar spoilers, apenas dizer que o longa ajudou a entender melhor a amizade entre os dois e o que aconteceu naquele local e naquela época. Para os curiosos, pesquisem sobre eles.
O Motorista de Táxi, que agora concorre a uma vaga no Oscar, é um belo conto sobre humanidade. Fruto de um caso real, ele retrata um momento marcante da história do país asiático através dos olhos de um simples taxista e de um repórter em busca de notícia. A forma que o longa aborda e desenvolve os personagens e o impacto dos acontecimentos é espetacular.
Aqui publico matérias que escrevi ao longo dos anos para sites e blogs e também rascunhos de publicações e outras aleatoriedades. Um espaço pessoal para textos diversos. Espero que gostem.
09 janeiro 2019
[GEEKABLE] [CRÍTICA] Tempestade: Planeta em Fúria
[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]
Tempestade: Planeta em Fúria
Subtítulo: Destruição mundial ao ritmo de ação e comédia.
Nota: 3,5 estrelas
Resumo: Com variados fenômenos da natureza, trama entrega diferentes gêneros num filme clichê que se sobressai mais pela qualidade que pela diferença com os demais. Ao fim é um bom filme-pipoca.
Nos últimos anos fomos devastados por filmes-catástrofe que investiram mais em efeitos do que roteiro (parece a situação do cinema em geral). Felizmente Tempestade: Planeta em Fúria não é um novo 2012 ou Terremoto, embora fosse melhor ter sido em alguns momentos. Também não é inovador, mas podemos relevar.
Filmes-catástrofe sempre dividiram crítica e público. Há quem goste, há quem não goste. Em suma, deve-se ter em mente que filmes do tipo costumam ser feitos para divertir, com cenas exageradas e grandiosas.
Com direção e roteiro de Dean Devlin (Indepencende Day, Godzilla), Geostorm, embora mantenha o modelo de família problemática de fundo típico do gênero, felizmente vai além. Dessa vez temos uma história envolvendo questões políticas e ambientais.
Dentro do universo do longa, o planeta Terra chegou a um ponto tão problemático em 2019 que o clima mudou, tornando fenômenos da natureza frequentes. O engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler) então constrói o Dutch Boy (Menino Holandês), um satélite universal capaz de controlar o clima e impedir que as mudanças climáticas destruam tudo.
Devido a problemas políticos, Jake é afastado de seu cargo. Seu irmão, Max (Jim Sturgess), assume o cargo. Cumprindo os prazos, a posse do satélite está para ser transferida para a ONU quando falhas técnicas começam a ocorrer, resultando em mortes ao redor do mundo. Jake é chamado para resolver o caso.
O filme então se divide basicamente em duas linhas: Uma com Jake no satélite e outra com Max na Terra. Há também uma pequena parte para Hannah (Talitha Bateman), filha de Jake, que inclusive inicia a narração do longa, embora não tenha papel maior na trama.
Jake se envolve com a equipe do satélite, buscando resolver o problema, mas acaba por descobrir uma conspiração que envolve até mesmo o presidente dos Estados Unidos Andrew Palma (Andy Garcia). Max por sua vez possui uma relação secreta com a agente Sarah Wilson (Abbie Cornish), presente em toda a trama. Outros personagens acabam aparecendo conforme o longa avança, ficaria extenso citar todos.
O longa varia entre seus gêneros, buscando um equilíbrio entre o drama, o romance, a comédia e a ação. Buscando ser grandioso, o filme acaba falhando em alguns momentos, forçando acontecimentos para se manter dentro do nível aceitável para o público geral, principalmente no terceiro ato. Apesar, seu saldo final é positivo.
As cenas de destruição são boas, porém sente-se que algumas poderiam ser melhor. Em compensação, percebe-se que o foco foi mostrar uma diversidade de eventos. Temos congelamento no deserto, derretimento na cidade, tsunami (salve Rio de Janeiro), tornados, raios, etc. Existe uma variedade de catástrofes para cada lugar do planeta.
O cgi do filme varia bastante. Enquanto em alguns momentos soa realista, com cenas bem trabalhadas e mescladas ao ambiente real, em outros soa falsa, sendo facilmente visível a animação destacada sobre a filmagem. Um problema tanto quanto comum, na verdade. Filmes de franquias grandes como X-Men: Apocalipse também sofrem disso. Nesse quesito, poderiam seguir o modelo do controverso 2012, com suas cenas surreais de brilhar os olhos e causar impacto. Aqui soa superficial, mesmo agradando no momento.
Em resumo, o filme cumpre seu papel de entreter. Ele desenvolve seus personagens, mescla gêneros, apresenta cenas empolgantes. Recomendo não assistir ao trailer nem procurar muitas sinopses, já que muito da trama está sendo divulgada abertamente, visto que o longa não tem pressa para seu desenvolvimento e possui um conjunto de tramas para ser contado.
Não estou dizendo que o longa seja algo inovador, pois não é. Nem também que ele se destaca por ser melhor que muitos do gênero, embora seja verdade. Acontece que Planeta em Fúria busca trazer um diferencial ao mesmo tempo que é mais do mesmo. Em vez de apenas um drama familiar com pessoas tentando sobreviver ao "fim do mundo", temos uma história de ação com conspiração governamental. Considero válido.
[Matéria de 2017]
Tempestade: Planeta em Fúria
Subtítulo: Destruição mundial ao ritmo de ação e comédia.
Nota: 3,5 estrelas
Resumo: Com variados fenômenos da natureza, trama entrega diferentes gêneros num filme clichê que se sobressai mais pela qualidade que pela diferença com os demais. Ao fim é um bom filme-pipoca.
Nos últimos anos fomos devastados por filmes-catástrofe que investiram mais em efeitos do que roteiro (parece a situação do cinema em geral). Felizmente Tempestade: Planeta em Fúria não é um novo 2012 ou Terremoto, embora fosse melhor ter sido em alguns momentos. Também não é inovador, mas podemos relevar.
Filmes-catástrofe sempre dividiram crítica e público. Há quem goste, há quem não goste. Em suma, deve-se ter em mente que filmes do tipo costumam ser feitos para divertir, com cenas exageradas e grandiosas.
Com direção e roteiro de Dean Devlin (Indepencende Day, Godzilla), Geostorm, embora mantenha o modelo de família problemática de fundo típico do gênero, felizmente vai além. Dessa vez temos uma história envolvendo questões políticas e ambientais.
Dentro do universo do longa, o planeta Terra chegou a um ponto tão problemático em 2019 que o clima mudou, tornando fenômenos da natureza frequentes. O engenheiro Jake Lawson (Gerard Butler) então constrói o Dutch Boy (Menino Holandês), um satélite universal capaz de controlar o clima e impedir que as mudanças climáticas destruam tudo.
Devido a problemas políticos, Jake é afastado de seu cargo. Seu irmão, Max (Jim Sturgess), assume o cargo. Cumprindo os prazos, a posse do satélite está para ser transferida para a ONU quando falhas técnicas começam a ocorrer, resultando em mortes ao redor do mundo. Jake é chamado para resolver o caso.
O filme então se divide basicamente em duas linhas: Uma com Jake no satélite e outra com Max na Terra. Há também uma pequena parte para Hannah (Talitha Bateman), filha de Jake, que inclusive inicia a narração do longa, embora não tenha papel maior na trama.
Jake se envolve com a equipe do satélite, buscando resolver o problema, mas acaba por descobrir uma conspiração que envolve até mesmo o presidente dos Estados Unidos Andrew Palma (Andy Garcia). Max por sua vez possui uma relação secreta com a agente Sarah Wilson (Abbie Cornish), presente em toda a trama. Outros personagens acabam aparecendo conforme o longa avança, ficaria extenso citar todos.
O longa varia entre seus gêneros, buscando um equilíbrio entre o drama, o romance, a comédia e a ação. Buscando ser grandioso, o filme acaba falhando em alguns momentos, forçando acontecimentos para se manter dentro do nível aceitável para o público geral, principalmente no terceiro ato. Apesar, seu saldo final é positivo.
As cenas de destruição são boas, porém sente-se que algumas poderiam ser melhor. Em compensação, percebe-se que o foco foi mostrar uma diversidade de eventos. Temos congelamento no deserto, derretimento na cidade, tsunami (salve Rio de Janeiro), tornados, raios, etc. Existe uma variedade de catástrofes para cada lugar do planeta.
O cgi do filme varia bastante. Enquanto em alguns momentos soa realista, com cenas bem trabalhadas e mescladas ao ambiente real, em outros soa falsa, sendo facilmente visível a animação destacada sobre a filmagem. Um problema tanto quanto comum, na verdade. Filmes de franquias grandes como X-Men: Apocalipse também sofrem disso. Nesse quesito, poderiam seguir o modelo do controverso 2012, com suas cenas surreais de brilhar os olhos e causar impacto. Aqui soa superficial, mesmo agradando no momento.
Em resumo, o filme cumpre seu papel de entreter. Ele desenvolve seus personagens, mescla gêneros, apresenta cenas empolgantes. Recomendo não assistir ao trailer nem procurar muitas sinopses, já que muito da trama está sendo divulgada abertamente, visto que o longa não tem pressa para seu desenvolvimento e possui um conjunto de tramas para ser contado.
Não estou dizendo que o longa seja algo inovador, pois não é. Nem também que ele se destaca por ser melhor que muitos do gênero, embora seja verdade. Acontece que Planeta em Fúria busca trazer um diferencial ao mesmo tempo que é mais do mesmo. Em vez de apenas um drama familiar com pessoas tentando sobreviver ao "fim do mundo", temos uma história de ação com conspiração governamental. Considero válido.
[GEEKABLE] [CRÍTICA] A Morte te dá Parabéns
[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]
A Morte te dá Parabéns
Subtítulo: Um ano a mais de vida, um ano a menos de vida. Feliz aniversário.
Nota: 8
Resumo: Considerado uma mistura de Pânico com Feitiço do Tempo, longa é um dos mais divertidos do ano. Mesmo com um padrão pré-estabelecido, ele consegue inovar a cada retorno, trazendo mudanças que repercutem posteriormente.
Adolescente em crise sendo perseguida por assassino com máscara de bebê enquanto o dia se repete num loop infinito. Essa premissa resume A Morte te dá Parabéns, considerado uma mistura de Pânico com Feitiço do tempo.
Na trama, Tree (Jessica Rothe) é uma estudante daquelas do tipo patricinha, que maltrata todos e se acha superior. O dia de seu aniversário parece normal até o dia escurecer, quando uma festa ocorre e ela acaba sendo assassinada. Ela então acorda e o dia se repete. Novamente, no fim do dia, ela é morta e acorda como se nada tivesse acontecido, percebendo assim estar presa num ciclo sem fim.
Por ser a protagonista e a única que recebe um cuidado maior, Tree evolui com o tempo. Inicialmente ela é tão irritante que dá vontade de mandar o assassino matá-la logo, mas depois começa a ficar mais aceitável.
Dentre os "variados" personagens da história, temos Carter (Israel Broussard), outro estudante que tenta ser simpático com Tree e posteriormente ajudá-la com seu problema. Há também o professor que Tree tem um caso, o pai de Tree, as garotas do Kappa, entre outros, como o misterioso assassino com máscara de bebê.
Ao tratar dos personagens secundários, não há um grande aprofundamento. Eles são o que são, cumprindo seus papéis específicos na trama. Alguns estão lá apenas para uma cena, outros para cenas específicas. E não há mal nisso, afinal, conseguimos entender o que cada um faz ali.
Aos moldes de um típico terror adolescente, o longa consegue unir suspense e comédia de forma eficiente, mesmo em meio aos clichês e estereótipos do gênero. É como uma repaginada no modelo que conhecemos.
Apesar de seguir sempre o mesmo padrão (Tree acorda, tudo se repete e no final é morta de alguma forma diferente), o filme consegue se inovar. Todas as mudanças que Tree faz após cada retorno levam a uma situação diferente. É como um efeito borboleta, onde uma consequência repercute ao longo do seu dia. Sabendo que tudo irá se repetir, a protagonista aproveita para criar novos acontecimentos. Isso é bastante positivo, sem deixar o longa cair na mesmice e sempre restaurando a atenção e o interesse do público.
Dirigido por Christopher Landon, roteirista da franquia Atividade Paranormal, o longa cumpre o que promete. Por ser bem específico quanto ao conteúdo, o trailer acaba por resumir parte dele, mas não estraga as surpresas. Embora a revelação do assassino seja óbvia, conseguem entregar algo dinâmico e gostoso de assistir, provando assim que filmes do tipo podem sim entreter de forma inteligente sem precisar ser o "diferentão" do catálogo.
Com um título brasileiro facilmente lido como A Morte tá de Parabéns, o que chega a ser cômico, Happy Death Day (trocadilho com Happy Birthday*) surpreende ao trazer um longa sem medo de ser como é: Excêntrico. Cenas humoradas e assustadoras se mesclam num dos filmes mais divertidos do ano.
*Para os não manjadores de inglês, Happy Birthday equivale ao nosso Parabéns ou Feliz Aniversário. Só que birth significa nascimento, ou seja, birthday seria algo como dia do nascimento. Já death é morte, logo death day seria dia da morte. O título original é ótimo, mas o título brasileiro também traz um bom clima.
[Matéria de 2017]
A Morte te dá Parabéns
Subtítulo: Um ano a mais de vida, um ano a menos de vida. Feliz aniversário.
Nota: 8
Resumo: Considerado uma mistura de Pânico com Feitiço do Tempo, longa é um dos mais divertidos do ano. Mesmo com um padrão pré-estabelecido, ele consegue inovar a cada retorno, trazendo mudanças que repercutem posteriormente.
Adolescente em crise sendo perseguida por assassino com máscara de bebê enquanto o dia se repete num loop infinito. Essa premissa resume A Morte te dá Parabéns, considerado uma mistura de Pânico com Feitiço do tempo.
Na trama, Tree (Jessica Rothe) é uma estudante daquelas do tipo patricinha, que maltrata todos e se acha superior. O dia de seu aniversário parece normal até o dia escurecer, quando uma festa ocorre e ela acaba sendo assassinada. Ela então acorda e o dia se repete. Novamente, no fim do dia, ela é morta e acorda como se nada tivesse acontecido, percebendo assim estar presa num ciclo sem fim.
Por ser a protagonista e a única que recebe um cuidado maior, Tree evolui com o tempo. Inicialmente ela é tão irritante que dá vontade de mandar o assassino matá-la logo, mas depois começa a ficar mais aceitável.
Dentre os "variados" personagens da história, temos Carter (Israel Broussard), outro estudante que tenta ser simpático com Tree e posteriormente ajudá-la com seu problema. Há também o professor que Tree tem um caso, o pai de Tree, as garotas do Kappa, entre outros, como o misterioso assassino com máscara de bebê.
Ao tratar dos personagens secundários, não há um grande aprofundamento. Eles são o que são, cumprindo seus papéis específicos na trama. Alguns estão lá apenas para uma cena, outros para cenas específicas. E não há mal nisso, afinal, conseguimos entender o que cada um faz ali.
Aos moldes de um típico terror adolescente, o longa consegue unir suspense e comédia de forma eficiente, mesmo em meio aos clichês e estereótipos do gênero. É como uma repaginada no modelo que conhecemos.
Apesar de seguir sempre o mesmo padrão (Tree acorda, tudo se repete e no final é morta de alguma forma diferente), o filme consegue se inovar. Todas as mudanças que Tree faz após cada retorno levam a uma situação diferente. É como um efeito borboleta, onde uma consequência repercute ao longo do seu dia. Sabendo que tudo irá se repetir, a protagonista aproveita para criar novos acontecimentos. Isso é bastante positivo, sem deixar o longa cair na mesmice e sempre restaurando a atenção e o interesse do público.
Dirigido por Christopher Landon, roteirista da franquia Atividade Paranormal, o longa cumpre o que promete. Por ser bem específico quanto ao conteúdo, o trailer acaba por resumir parte dele, mas não estraga as surpresas. Embora a revelação do assassino seja óbvia, conseguem entregar algo dinâmico e gostoso de assistir, provando assim que filmes do tipo podem sim entreter de forma inteligente sem precisar ser o "diferentão" do catálogo.
Com um título brasileiro facilmente lido como A Morte tá de Parabéns, o que chega a ser cômico, Happy Death Day (trocadilho com Happy Birthday*) surpreende ao trazer um longa sem medo de ser como é: Excêntrico. Cenas humoradas e assustadoras se mesclam num dos filmes mais divertidos do ano.
*Para os não manjadores de inglês, Happy Birthday equivale ao nosso Parabéns ou Feliz Aniversário. Só que birth significa nascimento, ou seja, birthday seria algo como dia do nascimento. Já death é morte, logo death day seria dia da morte. O título original é ótimo, mas o título brasileiro também traz um bom clima.
[GEEKABLE] [CRÍTICA] K-POP: Manual de Sobrevivência
[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]
K-POP: Manual de Sobrevivência
Subtítulo: Livro brasileiro relata a cultura pop sul-coreana com competência
Nota: 4,5/5 - Brasileiras reúnem suas pesquisas e experiências em livro sobre o k-pop e a Coreia do Sul. Apesar de alguns erros de digitação e com uma grande quantidade de gírias que os mais velhos talvez não entendam, o conteúdo se sobressai positivamente e o resultado agrada.
X
Desde meados dos anos 2000, com a chegada da internet, o k-pop (pop coreano) começou a se popularizar lentamente mundo afora, através de fóruns, redes sociais e sites específicos sobre o tema.
A segunda geração de artistas surgia enquanto a tecnologia começava a avançar. Mas foi apenas na década atual, mais precisamente em 2012, que ocorreu seu maior estouro, com o hit Gangnam Style batendo recordes e chegando ao topo das paradas mundiais. Desde então o gênero vem conquistando cada vez mais pessoas.
Como era de se esperar, não demorou para que obras diversas explorassem esse universo. Além de programas de entretenimento, reality shows e afins que as empresas criam para promover seus artistas, o gênero musical chegou a ganhar documentários e até livros sobre o assunto.
Não sei o quanto os livros lançados são populares lá fora, mas nenhum deles chegou no Brasil. Mas esperem. Com cada vez mais o k-pop se popularizando, o Brasil começou a chamar a atenção, visto os diversos shows que o país recebe atualmente, apesar da crise e da falta de estrutura para eventos de grande porte.
Assim como obras saíam lá fora, nós também fomos responsáveis por algumas. Esse ano, dois livros sobre o assunto foram lançados, sendo um deles o "K-POP: Manual de Sobrevivência", que vos trago para analisar.
K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA
Buscando se adequar a leitura atual e ao público juvenil, o livro é "escrito de maneira simples e divertida", como diz a própria sinopse, que complementa dizendo que o manual leva o leitor "a passear pela história, cultura, indústria de entretenimento, música e paixão da Coreia do Sul".
De fato, a linguagem utilizada pelo manual é semelhante a de internet, sendo leve, informal, atrativa. Através de diversos capítulos, é explorado esse universo sul-coreano, indo muito além do k-pop.
AS ESCRITORAS
Da esquerda para a direita: Natália Pak, Érica Imenes e Babi Dewet.
Crédito: SarangInGayo
O livro foi escrito por três pessoas conhecidas pelos kpoppers brasileiros antenados. Seguindo a ordem no livro, a primeira é Babi Dewet, apresentadora, youtuber e escritora, responsável pela trilogia Sábado à Noite e a nova Cidade da Música, além de contos para os livros da Turma da Mônica Jovem (sim, existem). Ela também apresenta o programa Ponto K-Pop na PlayTV.
A segunda é Érica Imenes, apresentadora, produtora, youtuber e editora do portal SarangInGayo, o maior e mais antigo portal de cultura coreana do Brasil. Ela é responsável pela realização de alguns dos shows de k-pop que ocorrem no Brasil.
E a terceira é Natália Pak, criadora do SarangInGayo. Filha de imigrantes, seu site chegou a ser reconhecido pelo governo sul-coreano, ganhando diversos prêmios e títulos, chegando até mesmo a ser intitulada representante da Coreia do Sul. Ela também faz parte da diretoria da Geração de Jovens Coreanos no Brasil.
Alguns podem duvidar da qualidade, visto que todas nasceram no Brasil, mas, como podem reparar, todas estão envolvidas na área de entretenimento e cultura sul-coreana. Além, a Babi é escritora, a Érica tem formação em jornalismo e a Natália é descendente e teve contato direto com a cultura de lá desde sempre.
Foram meses de pesquisa para que tudo estivesse pronto. Lembro que acompanhava as novidades do livro e sempre diziam que lançariam em breve, até que finalmente lançou (aliás, foi na Bienal do Livro). Então valeu a pena esperar? Sim, valeu.
CONTEÚDO
Como dito anteriormente, o livro vai muito além do k-pop.
Em relação ao país em si, há a história da Coreia; as guerras; como funciona o país; a divisão; etc. Por parte do mercado, há a visão geral, além do aprofundamento nos mercados de k-pop e de doramas (novelas/séries).
Já por parte do k-pop, temos a história do k-pop; o processo de transformação do artista em k-idol (ídolo); relatos e crônicas das experiências nos bastidores de shows ocorridos no Brasil; entrevista com artista; recomendações de grupos; os grupos que passaram no Brasil; os maiores grupos do gênero; etc.
Existe ainda um dicionário com os termos mais usados pelos kpoppers (não necessariamente apenas no meio k-pop, mas sim no país). Há até receita culinária.
A divisão dos temas é variada. Depois de falar sobre o país, começa a se dividir entre o k-pop e afins. Embora lendo assim pareça desorganizado, não é. O resultado é agradável, variando os temas sem tornar cansativo e interligando uns aos outros.
Minha intenção aqui não é detalhar tudo o que está no livro, afinal, o bom mesmo é ler e ir descobrindo, independente de conhecer ou não sobre o assunto. Acredite: Dá para se surpreender. Eu, mesmo nesses anos todos me aventurando pela onda Hallyu (termo dado a expansão da cultura sul-coreana), descobri coisas que não sabia.
PRODUTO FINAL
Salvo alguns poucos erros de digitação, o livro é bem acabado, com uma formatação dinâmica, possuindo observações e diversas imagens para ilustrar o que está sendo escrito. As imagens ocupam tamanhos variados e atraem o leitor para o conteúdo.
A quantidade de gírias utilizadas pode incomodar o público mais velho e desligado dos termos usados pelos jovens. Por ser um livro de fácil entendimento, não chega a ser algo que realmente atrapalhe a leitura, embora possa cansar.
Também há uma ótima bagagem de conteúdo apresentado ao longo das páginas, servindo como um resumo da grandiosidade que a cultura sul-coreana possui e como uma introdução para os leitores procurarem mais.
Com muitos acertos e poucos erros, K-POP: Manual de Sobrevivência é uma fonte de pesquisa válida e que introduz a esse universo que é o k-pop. E é muito bom ver o Brasil participando disso.
Crédito: Babi Dewet (Instagram)
Leia mais: Um breve resumo sobre k-pop para geeks (ou não).
[Matéria de 2017]
K-POP: Manual de Sobrevivência
Subtítulo: Livro brasileiro relata a cultura pop sul-coreana com competência
Nota: 4,5/5 - Brasileiras reúnem suas pesquisas e experiências em livro sobre o k-pop e a Coreia do Sul. Apesar de alguns erros de digitação e com uma grande quantidade de gírias que os mais velhos talvez não entendam, o conteúdo se sobressai positivamente e o resultado agrada.
X
Desde meados dos anos 2000, com a chegada da internet, o k-pop (pop coreano) começou a se popularizar lentamente mundo afora, através de fóruns, redes sociais e sites específicos sobre o tema.
A segunda geração de artistas surgia enquanto a tecnologia começava a avançar. Mas foi apenas na década atual, mais precisamente em 2012, que ocorreu seu maior estouro, com o hit Gangnam Style batendo recordes e chegando ao topo das paradas mundiais. Desde então o gênero vem conquistando cada vez mais pessoas.
Como era de se esperar, não demorou para que obras diversas explorassem esse universo. Além de programas de entretenimento, reality shows e afins que as empresas criam para promover seus artistas, o gênero musical chegou a ganhar documentários e até livros sobre o assunto.
Não sei o quanto os livros lançados são populares lá fora, mas nenhum deles chegou no Brasil. Mas esperem. Com cada vez mais o k-pop se popularizando, o Brasil começou a chamar a atenção, visto os diversos shows que o país recebe atualmente, apesar da crise e da falta de estrutura para eventos de grande porte.
Assim como obras saíam lá fora, nós também fomos responsáveis por algumas. Esse ano, dois livros sobre o assunto foram lançados, sendo um deles o "K-POP: Manual de Sobrevivência", que vos trago para analisar.
K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA
Buscando se adequar a leitura atual e ao público juvenil, o livro é "escrito de maneira simples e divertida", como diz a própria sinopse, que complementa dizendo que o manual leva o leitor "a passear pela história, cultura, indústria de entretenimento, música e paixão da Coreia do Sul".
De fato, a linguagem utilizada pelo manual é semelhante a de internet, sendo leve, informal, atrativa. Através de diversos capítulos, é explorado esse universo sul-coreano, indo muito além do k-pop.
AS ESCRITORAS
Da esquerda para a direita: Natália Pak, Érica Imenes e Babi Dewet.
Crédito: SarangInGayo
O livro foi escrito por três pessoas conhecidas pelos kpoppers brasileiros antenados. Seguindo a ordem no livro, a primeira é Babi Dewet, apresentadora, youtuber e escritora, responsável pela trilogia Sábado à Noite e a nova Cidade da Música, além de contos para os livros da Turma da Mônica Jovem (sim, existem). Ela também apresenta o programa Ponto K-Pop na PlayTV.
A segunda é Érica Imenes, apresentadora, produtora, youtuber e editora do portal SarangInGayo, o maior e mais antigo portal de cultura coreana do Brasil. Ela é responsável pela realização de alguns dos shows de k-pop que ocorrem no Brasil.
E a terceira é Natália Pak, criadora do SarangInGayo. Filha de imigrantes, seu site chegou a ser reconhecido pelo governo sul-coreano, ganhando diversos prêmios e títulos, chegando até mesmo a ser intitulada representante da Coreia do Sul. Ela também faz parte da diretoria da Geração de Jovens Coreanos no Brasil.
Alguns podem duvidar da qualidade, visto que todas nasceram no Brasil, mas, como podem reparar, todas estão envolvidas na área de entretenimento e cultura sul-coreana. Além, a Babi é escritora, a Érica tem formação em jornalismo e a Natália é descendente e teve contato direto com a cultura de lá desde sempre.
Foram meses de pesquisa para que tudo estivesse pronto. Lembro que acompanhava as novidades do livro e sempre diziam que lançariam em breve, até que finalmente lançou (aliás, foi na Bienal do Livro). Então valeu a pena esperar? Sim, valeu.
CONTEÚDO
Como dito anteriormente, o livro vai muito além do k-pop.
Em relação ao país em si, há a história da Coreia; as guerras; como funciona o país; a divisão; etc. Por parte do mercado, há a visão geral, além do aprofundamento nos mercados de k-pop e de doramas (novelas/séries).
Já por parte do k-pop, temos a história do k-pop; o processo de transformação do artista em k-idol (ídolo); relatos e crônicas das experiências nos bastidores de shows ocorridos no Brasil; entrevista com artista; recomendações de grupos; os grupos que passaram no Brasil; os maiores grupos do gênero; etc.
Existe ainda um dicionário com os termos mais usados pelos kpoppers (não necessariamente apenas no meio k-pop, mas sim no país). Há até receita culinária.
A divisão dos temas é variada. Depois de falar sobre o país, começa a se dividir entre o k-pop e afins. Embora lendo assim pareça desorganizado, não é. O resultado é agradável, variando os temas sem tornar cansativo e interligando uns aos outros.
Minha intenção aqui não é detalhar tudo o que está no livro, afinal, o bom mesmo é ler e ir descobrindo, independente de conhecer ou não sobre o assunto. Acredite: Dá para se surpreender. Eu, mesmo nesses anos todos me aventurando pela onda Hallyu (termo dado a expansão da cultura sul-coreana), descobri coisas que não sabia.
PRODUTO FINAL
Salvo alguns poucos erros de digitação, o livro é bem acabado, com uma formatação dinâmica, possuindo observações e diversas imagens para ilustrar o que está sendo escrito. As imagens ocupam tamanhos variados e atraem o leitor para o conteúdo.
A quantidade de gírias utilizadas pode incomodar o público mais velho e desligado dos termos usados pelos jovens. Por ser um livro de fácil entendimento, não chega a ser algo que realmente atrapalhe a leitura, embora possa cansar.
Também há uma ótima bagagem de conteúdo apresentado ao longo das páginas, servindo como um resumo da grandiosidade que a cultura sul-coreana possui e como uma introdução para os leitores procurarem mais.
Com muitos acertos e poucos erros, K-POP: Manual de Sobrevivência é uma fonte de pesquisa válida e que introduz a esse universo que é o k-pop. E é muito bom ver o Brasil participando disso.
Crédito: Babi Dewet (Instagram)
Leia mais: Um breve resumo sobre k-pop para geeks (ou não).
[GEEKABLE] [CRÍTICA] Esta é a Sua Morte - O Show
[Repostagem temporária de algumas críticas que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]
Esta é a Sua Morte - O Show
E se você pudesse se matar ao vivo durante o programa em troca de dinheiro para sua família enquanto diversas pessoas o assistem? Aceitaria? Pois essa é a premissa do longa Esta é a Sua Morte - O Show.
Repleto de altos e baixos, o filme dirigido, produzido e atuado por Giancarlo Esposito pode causar certa polêmica ao romantizar um tema pesado como o suicídio enquanto tenta inserir alguma indagação em meio ao espetáculo visual sangrento. O resultado é intrigante, fruto de uma premissa interessante, apesar dos pesares.
A trama se apega a ideia das pessoas gostarem de tragédia e dos publicitários transformarem isso em entretenimento, tornando um mercado lucrativo. Nesse contexto, somos apresentados a Adam Rogers (Josh Duhamel), apresentador de um programa de casamento. No episódio em questão, as coisas saem do controle quando a participante rejeitada pega uma arma, mata o noivo e depois se suicida. Perturbado, o apresentador começa a refletir sobre o que está fazendo.
Como sabemos, a mídia não para, e por isso a apresentadora da emissora, Ilana Katz (Famke Janssen), entra em contato com o advogado e acaba por criar um programa onde as pessoas se suicidam. Adam é contra, assim como a produtora Sylvia (Caitlin Fitzgerald), contratada para produzir o novo reality show. Depois de recusarem, os dois acabam cedendo, mas Adam quer fazer do seu jeito, criando assim um espaço onde as pessoas possam se matar em troca de dinheiro para suas famílias, doado pelos participantes do auditório. Começa então a polêmica.
Rapidamente o programa vira alvo de críticas, e é aqui que temos duas tramas adicionais que percorrem o longa. Uma delas é da Karina (Sarah Wayne Callies), irmã de Adam, que trabalha num hospital e vê sua reputação cair devido a imagem de seu irmão. Outra trama é de Mason Washington (Giancarlo Esposito), que passa por dificuldades para manter sua família, buscando mais empregos para pagar as contas.
Embora tenha um início convincente, logo o desenvolvimento começa a variar, sendo resgatado pelas reviravoltas que a trama constrói. O foco se volta para as consequências causadas pelo programa, enquanto dentro do programa continuamos presenciando um festival de mortes. Adam quer crescer, mas isso começa a trazer consequências. Quanto ao arco de Mason, prossegue interligado em detalhes, o que dá possíveis indícios de seu destino na trama.
O clima mórbido e a espetacularização do suicídio a princípio deveria gerar um debate sobre tal tema, mas não é o que ocorre. A crítica social presente no filme se refere a ganância que algumas pessoas possuem, crescendo e lucrando através de terceiros, buscando sempre mais. É um reflexo dos programas sensacionalistas e do público sedento por carnificina, formando assim o mercado consumista.
As mortes acabam sendo o fio condutor da história. A ideia de um programa de suicídio é defendida de forma realista através de leis, mas não convence. Mero detalhe, afinal, "é apenas um filme". Obviamente tudo leva a uma lição, não é tão gratuito. Existe um sentido por trás da história, mesmo com suas falhas.
A sensação, porém, é de que poderiam ir além, explorar mais esse universo, tratar mais a fundo a questão do suicídio, vista apenas de forma emocional e superficial. O produto final está longe de ser ruim, consegue agradar, mas deixa um vazio do potencial desperdiçado. Por tratar de um tema forte e ter reviravoltas marcantes, o longa consegue se reerguer sempre que necessário, o que influencia muito na qualidade e não o deixa cair no desinteresse.
Talvez o filme não gere debates na vida real, ou não tanto quanto poderia, mas no fim consegue passar sua mensagem. Se matar para supostamente "salvar" a família gera consequências. Quem seria você no meio disso? Um participante? Um apoiador? Um repudiador? Se inscreveria para morrer? Iria assistir junto com a plateia? Faria protestos para acabar com aquilo? Esse é o caminho ou é apenas uma utopia comprada por pessoas manipuladas buscando a satisfação de seus instintos ocultos? Até onde podemos se aproveitar das mortes para nós mesmos? Se é que se aproveitar de algo do tipo seja correto.
[Matéria de 2017]
Esta é a Sua Morte - O Show
E se você pudesse se matar ao vivo durante o programa em troca de dinheiro para sua família enquanto diversas pessoas o assistem? Aceitaria? Pois essa é a premissa do longa Esta é a Sua Morte - O Show.
Repleto de altos e baixos, o filme dirigido, produzido e atuado por Giancarlo Esposito pode causar certa polêmica ao romantizar um tema pesado como o suicídio enquanto tenta inserir alguma indagação em meio ao espetáculo visual sangrento. O resultado é intrigante, fruto de uma premissa interessante, apesar dos pesares.
A trama se apega a ideia das pessoas gostarem de tragédia e dos publicitários transformarem isso em entretenimento, tornando um mercado lucrativo. Nesse contexto, somos apresentados a Adam Rogers (Josh Duhamel), apresentador de um programa de casamento. No episódio em questão, as coisas saem do controle quando a participante rejeitada pega uma arma, mata o noivo e depois se suicida. Perturbado, o apresentador começa a refletir sobre o que está fazendo.
Como sabemos, a mídia não para, e por isso a apresentadora da emissora, Ilana Katz (Famke Janssen), entra em contato com o advogado e acaba por criar um programa onde as pessoas se suicidam. Adam é contra, assim como a produtora Sylvia (Caitlin Fitzgerald), contratada para produzir o novo reality show. Depois de recusarem, os dois acabam cedendo, mas Adam quer fazer do seu jeito, criando assim um espaço onde as pessoas possam se matar em troca de dinheiro para suas famílias, doado pelos participantes do auditório. Começa então a polêmica.
Rapidamente o programa vira alvo de críticas, e é aqui que temos duas tramas adicionais que percorrem o longa. Uma delas é da Karina (Sarah Wayne Callies), irmã de Adam, que trabalha num hospital e vê sua reputação cair devido a imagem de seu irmão. Outra trama é de Mason Washington (Giancarlo Esposito), que passa por dificuldades para manter sua família, buscando mais empregos para pagar as contas.
Embora tenha um início convincente, logo o desenvolvimento começa a variar, sendo resgatado pelas reviravoltas que a trama constrói. O foco se volta para as consequências causadas pelo programa, enquanto dentro do programa continuamos presenciando um festival de mortes. Adam quer crescer, mas isso começa a trazer consequências. Quanto ao arco de Mason, prossegue interligado em detalhes, o que dá possíveis indícios de seu destino na trama.
O clima mórbido e a espetacularização do suicídio a princípio deveria gerar um debate sobre tal tema, mas não é o que ocorre. A crítica social presente no filme se refere a ganância que algumas pessoas possuem, crescendo e lucrando através de terceiros, buscando sempre mais. É um reflexo dos programas sensacionalistas e do público sedento por carnificina, formando assim o mercado consumista.
As mortes acabam sendo o fio condutor da história. A ideia de um programa de suicídio é defendida de forma realista através de leis, mas não convence. Mero detalhe, afinal, "é apenas um filme". Obviamente tudo leva a uma lição, não é tão gratuito. Existe um sentido por trás da história, mesmo com suas falhas.
A sensação, porém, é de que poderiam ir além, explorar mais esse universo, tratar mais a fundo a questão do suicídio, vista apenas de forma emocional e superficial. O produto final está longe de ser ruim, consegue agradar, mas deixa um vazio do potencial desperdiçado. Por tratar de um tema forte e ter reviravoltas marcantes, o longa consegue se reerguer sempre que necessário, o que influencia muito na qualidade e não o deixa cair no desinteresse.
Talvez o filme não gere debates na vida real, ou não tanto quanto poderia, mas no fim consegue passar sua mensagem. Se matar para supostamente "salvar" a família gera consequências. Quem seria você no meio disso? Um participante? Um apoiador? Um repudiador? Se inscreveria para morrer? Iria assistir junto com a plateia? Faria protestos para acabar com aquilo? Esse é o caminho ou é apenas uma utopia comprada por pessoas manipuladas buscando a satisfação de seus instintos ocultos? Até onde podemos se aproveitar das mortes para nós mesmos? Se é que se aproveitar de algo do tipo seja correto.
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Sobre Mim
- Lucas
- Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.