30 agosto 2025

Interestelar e a sensação de rever um filme no cinema

 A jornada pelo espaço em busca de uma salvação para a humanidade. Quando Interestelar lançou, lá em 2014, o cinema perto de casa colocou um poster gigante dele, mas ao fim não exibiu o filme. Era costume. Acontecia vez ou outra. O poster enorme, em destaque, mas chegava no lançamento e nada. O tempo passou e acabei conferindo o filme em casa. Foi "absolute cinema" à primeira vista. Que filmaço. Fui revendo com os anos e continuava incrível. Daí que um tempo atrás comecei a dar atenção a certas críticas em relação ao filme e acabei até concordando em pelo menos uma em relação ao tempo de tela de certa personagem em certa cena. Porém, ao rever, a sensação de estar presenciando algo magnífico voltava. Eis que agora, em 2025, uma década e um pouquinho mais depois, enfim pude conferir o longa no cinema em seu novo relançamento. Que filmaço. É uma sensação muito diferente ver um filme em tela grande numa sala de cinema. Mesmo já tendo visto e revisto, mal notei as quase três horas passarem. Pelo contrário, reparei mais nos momentos, nas cenas, nos temas. E continuou tudo muito bom. Mesmo os supostos defeitos, tudo se esvaiu e se tornou poeira cósmica perante o universo apresentado ali. Toda a viagem espacial, toda a temática, toda a abordagem científica e humana, toda a questão do amor, tudo me atraiu novamente. Tudo muito bom. Não devemos ter medo da morte. Devemos ter medo do tempo.

31 maio 2025

[RASCUNHO] Algumas mídias de O Guia do Mochileiro das Galáxias.

[Fiz o post originalmente para o grupo do Facebook Icons & Edits, mas, por algum motivo, recusaram (mais de uma vez). De qualquer forma, segue na íntegra.]

O Guia do Mochileiro das Galáxias é uma franquia do autor, comediante e roteirista Douglas Adams, acompanhando as aventuras espaciais do humano Arthur Dent após o planeta Terra ser destruído pelos Vogons para a construção de uma rodovia. Ele é acompanhado de seu amigo alienígena e mochileiro galáctico Ford Prefect, do presidente galáctico Zaphod Beeblebrox, da astrofísica Trillian (garota que ele conheceu meses antes) e do robô deprimido Marvin. A saga rendeu série de rádio, série de TV, livros, filme, jogo, discos, peças de teatro, quadrinhos, etc. Aqui listo algumas delas. A famosa "resposta para a vida, o universo e tudo mais" ser "42" surgiu aqui. No dia 25 de maio, no mesmo dia do "orgulho nerd", também é comemorado o "dia da toalha", importante objeto presente nas obras.

O Guia do Mochileiro das Galáxias surgiu através de uma série de rádio, iniciada em 1978 com duas fases. Teve seu retorno apenas em 2004 para uma terceira fase e encerrou em 2018 com a sexta fase. Da terceira em diante, se basearam nos livros que viriam a ser escritos após a segunda fase. A ideia de uma sitcom de ficção científica veio em 1977 pelo produtor, autor, roteirista Simon Brett para a BBC. Adams então fez um esboço, com a ideia inicial de uma série onde cada episódio mostraria um fim do mundo no planeta Terra, mas logo foi mudando. Com a saída de Brett, Geoffrey Perkins entrou na produção. Adams chegou a pedir ajuda para seu amigo John Lloyd para terminar de escrever a série. Um episódio especial natalino, feito posteriormente, acabou por levar a segunda temporada.

O Guia do Mochileiro das Galáxias ganhou adaptações teatrais entre 1979 e 1980, baseando-se nos roteiros da série de rádio. Em 2012 retornaram, mas cancelaram em 2013 devido a baixa bilheteria. Outras apresentações ocorreram ao longo dos anos.

Talvez a versão mais conhecida mundialmente, o primeiro livro de O Guia do Mochileiro das Galáxias foi lançado em 1979, sendo baseado nos quatro primeiros capítulos da série de rádio. Em 1980 veio O Restaurante no Fim do Universo, baseado nos episódios seguintes da série de rádio até então, continuando a jornada de Arthur e dos demais personagens. Em 1982, saiu A Vida, O Universo e Tudo Mais, surgido a partir de um material não utilizado que o autor escreveu para a série Doctor Who. Ele continua de onde o anterior parou, mas brinca com viagem no tempo. Já em 1984, foi lançado Até Mais e Obrigado Pelos Peixes, onde Arthur mais uma vez de novo novamente vai parar na Terra. Apenas em 1994 saiu o quinto e "último" livro da "trilogia", Praticamente Inofensiva. Aqui retomam toda a bagunça de viagem no tempo e universo paralelo para encerrar de vez a trama. Apesar disso, Adams queria continuar a saga, ainda mais depois da recepção mista do último livro. O Salmão da Dúvida estava sendo escrito como um terceiro livro da série Dirk Gently, mas Adams estava insatisfeito e queria reutilizar o material para um sexto Guia. Infelizmente o autor faleceu antes que pudesse concluir. Um sexto livro, E Tem Outra Coisa..., foi lançado em 2008 por Eoin Colfer com permissão oficial, aproveitando uma brecha do final do quinto para render uma nova trama. O resultado dividiu opiniões.

Em 1981 foi lançado a série de TV de O Guia do Mochileiro das Galáxias, adaptando elementos da série de rádio, do primeiro livro, do disco de vinil e das apresentações teatrais. Teve ao todo seis episódios e cobre a jornada original da franquia, presente nas duas primeiras temporadas da série de rádio (que depois se tornaram os dois primeiros livros). Chegaram a cogitar uma animação, mas ao fim foi feito com atores reais mesmo. Ganhou alguns prêmios. Uma segunda temporada foi cancelada. A ideia seria a mesma que levou posteriormente a criação do terceiro livro. Em 2019 foi anunciado um reboot, uma nova série, mas até então nenhuma novidade, com alguns já considerando o projeto cancelado.

Um filme de O Guia do Mochileiro das Galáxias foi lançado em 2005, adaptando basicamente a trama vista no primeiro livro. Dividiu opiniões. O projeto surgiu ainda nos anos 70. Em 1982, Adams escreveu três roteiros, mas o projeto não foi pra frente (inclusive um dos produtores envolvidos largou mão e foi fazer Os Caça-Fantasmas). Em 1997 o projeto foi vendido, mas apenas em 2001 começou a avançar, com Adams escrevendo um novo rascunho, mas falecendo logo depois. Karey Kirkpatrick, roteirista de Fuga das Galinhas e outros filmes infantis, escreveu um roteiro com base nesse rascunho. O resultado do longa em 2005 dividiu opiniões, mas teve mais críticas positivas que negativas. A bilheteria não rendeu o suficiente para receber sinal verde para uma continuação. 

07 março 2025

25 janeiro 2025

Quantos filmes vejo em um ano

[ATUALIZADO EM 2026 com as informações de 2025]

~ publicado originalmente em redes sociais ~

[Em 2024 não vi tantos filmes assim, mas ainda mantive minha média. Foram 116 vistos pela primeira vez.] Por via de curiosidade, consultei meu Filmow, que tem registros desde 2011, e vi o quanto de filmes vejo em um ano. Vou compartilhar o resultado. Não são números exatos, mas dá pra ter noção. Considerei apenas longa-metragens.

Vejo mais de 100 filmes por ano. 130, 150, 180, varia. / Recorde registrado: 232 em 2022.

Vejo uma média de 50 filmes lançados em seu ano. / Recorde registrado: 83 em 2025. A conta é maior ainda se considerar as datas de lançamento brasileiras. E viva os fansubs.

Vejo geralmente mais de 20 filmes no cinema. / Recorde registrado: 35 em 2023 e 2025.

Vou considerar uma média de 10 filmes brasileiros, mas varia. / Recorde registrado: 23 em 2022.

Não vejo muitos filmes brasileiros no cinema. / Recorde registrado: 9 em 2025.

[Até gostaria de fazer com livros e quadrinhos, mas nunca anotei tudo rs]

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Dados brutos: 2012 a 2025 (números aproximados):

Filmes vistos no ano: 154 205 177 193 137 135 151 137 122 187 232 157 116 183

Filmes do ano vistos no ano: 50 55 68 53 55 59 48 56 39 65 64 66 67 83

Filmes vistos no cinema: 26 28 24 18 27 29 20 21 7 13 12 35 26 35

Filmes nacionais vistos no ano: 6 9 13 9 4 8 1 11 13 13 23 16 19 21

Filmes nacionais vistos no cinema no ano: 4 3 0 0 0 0 0 3 1 1 3 4 2 9

[RASCUNHO] Arca de Noé (2024)

 ~ publicado originalmente em redes sociais ~

Arca de Noé (2024)

Sing versão Arca de Noé na suposta maior animação brasileira. Quem achou o Noé do Aronofsky herético, vai infartar com esse e encontrar Jesus ou o diabo no mesmo dia. O que os dois tem em comum na real é que ambos tem apenas uma inspiração no conto bíblico, e não são adaptações deles. A enorme diferença é que o outro é bom e tenta se usar de licença poética, enquanto esse... Só pega a base mesmo e que se dane o resto. Na real, essa animação é inspirada em poemas do Vinícius de Moraes, que, junto a Tom Jobim, são homenageados no longa. É um filme bem infantil, com músicas bem infantis e roteiro bem infantil.

Eu nem veria, não só por não ser o público-alvo, mas também porque achei o trailer ruim demais, porém... Teve polêmica, vi boicote, vários textões copia e cola provando que muitos sequer viram o longa, então decidi conferir. É... Meio que é tudo ou boa parte verdade por parte das acusações, mas a noção de realidade e contexto passou mais longe demais. Algumas das reclamações que fizeram foi a indagação do porque Deus não escolheu famílias lgbtqia+ na arca, o uso de pronome neutro, Noé sendo um pateta, Deus dizendo a Noé "se vira, caboclo", coisas assim. Tem tudo isso mesmo rs Em momentos únicos de frases únicas, mas tem sim.

Os protagonistas da trama são dois ratos, mas a neta de Noé ganha destaque também. A trama remendada estica no que pode pra render um longa. A premissa de um concurso musical demora a ocorrer, porque até lá tem outros poucos acontecimentos. O vilão é o leão, que se acha superior e cria uma divisão no local, ameaçando a todos. Tem um arco de um buraco que surge na arca também. O uso de gírias atuais é constante e faz sentido, então do nada tem referências e piadinhas e coisas como "dá um like" e "isso é fake news". Quando abre um buraco na arca, os animais de fora ficam falando "Titanic!" (rs). Achei criativo no começo, os animais impacientes zoando a enorme demora que os filmes brasileiros são pra começar de verdade por conta das dezenas de marcas que aparecem na abertura. Tire todas as polêmicas e terá apenas uma animação bobinha e caricata pra garotada. Chato, mas, novamente, não sou o alvo disso.

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.