segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A importância do Sandman de Neil Gaiman nos quadrinhos

Sandman foi criado em 1988, embora tenha sido datado apenas em 1989, e durou até 1996, totalizando 75 edições, divididos em 10 arcos. Criado por Neil Gaiman, a história em quadrinhos repercutiu todo o mundo e fez um enorme sucesso, sendo bem aceito tanto pelos críticos quanto pelo público, ganhando desde prêmios Eisner, o mais importante dos quadrinhos, em várias categorias e repetidas vezes (entre elas a de melhor série de 1991 a 1993 e melhor escritor de 1991 a 1994), a elogios de Stephen King, um dos maiores, melhores e mais importantes escritores do mundo. Por ser da DC Comics, e ter um conteúdo adulto, acabou entrando para a linha Vertigo, linha da editora para quadrinhos voltados para o público adulto.

A história conta sobre Morpheus, o senhor dos sonhos, que cuida de seu reino e vaga pelos sonhos das pessoas. Cada arco conta uma história diferente. No primeiro, Sandman é aprisionado por décadas. Nesse tempo, muitas pessoas que dormiram, não voltaram a acordar; e muitas pessoas que estavam acordadas, não conseguiram dormir novamente. Quando Sandman escapa, vai em busca de seus artefatos, onde estão boa parte de seus poderes. Um está com Constantine, outro está no Inferno e outro está com um prisioneiro do Asilo Arkham. Sandman então parte em busca desses artefatos.

A ideia surgiu quando foi dado liberdade para Gaiman criar um personagem usando o mesmo nome de algum personagem dos anos 70 que a DC houvesse detido. A ideia dada a Gaiman foi Sandman. Gaiman se aproveitou do personagem e recriou todo o universo, surgindo assim um novo e também mais famoso Sandman. Na época, a DC estava em busca de novos talentos e, por indicação de algumas das pessoas que trabalhavam dentro da editora, como Alan Moore, recomendaram Gaiman e McKean, porém, mesmo após vários personagens, a DC não estava tão confiante assim, o que acabou na liberdade criativa para Gaiman fazer o que quisesse.

Sandman foi a primeira revista em quadrinhos a ganhar um prêmio literário importante (no caso, o World Fantasy Award, na categoria 'melhor história curta',em 1991), considerado um marco na indústria quadrinista. A história foi "Sonhos de Uma Noite de Verão", alusão ao clássico de Shakespeare.

Sandman também revolucionou ao criar uma história de início, meio e fim, coisa que não era comum na época. Também foi uma das primeiras revistas em quadrinhos a ganhar coletâneas. Além, Sandman apresentou diversos personagens que são usados até hoje.

Outra revolução foi em relação aos personagens e gênero. Sandman não é uma história de heróis contra vilões, não é uma história de luta, muito menos uma história sobre agentes secretos, nada disso. Sandman é uma história sobre sonhos. Dentre os personagens, Gaiman criou os Perpétuos. Como ele mesmo disse, nem todos os personagens foram criados por ele (Destino já estava vagando pela DC desde quando ele era criança), mas ele se aproveitou de tudo o que pode para criar todo um universo interligado. Os Perpétuos são os seres que cuidam do mundo, são eles: Morte, Delírio, Destino, Destruição, Desespero, Desejo e Sonho (Sandman, Morpheus). Cada um representa algo humano, um grande trunfo para a história. Fora os Perpétuos, temos os personagens que moram no Sonhar (universo onde Morpheus mora), os personagens humanos (que variam a cada arco) e outros, como o reino das fadas, por exemplo.

Como dito anteriormente, Sandman foi considerado um quadrinho adulto. Com a fama, ajudou a mostrar que os quadrinhos podiam ser levados a sério e tratar de temas importantes e polêmicos, como o medo, o homossexualismo, a aids, a morte, a religião, a vida, entre outros assuntos.

Cada arco é único, com uma trama ora complexa, ora simples, mas com atrativos e personagens que o público pudesse se identificar. O que vemos em Sandman não é exatamente a vida de Morpheus, e sim a vida dos humanos e como um influencia o outro, gerando momentos marcantes durante a história.

As hqs foram publicadas aqui no Brasil pela primeira vez pela editora Globo entre 1989 e 1999. Morpheus teve o nome traduzido para João Pestana (ponto pros tradutores, e teve gente achando que Edu Kent, Pedro Prado e certo herói combatendo os crimes em Riacho Doce estavam na pior). Depois de várias tentativas de outras editoras para republicar, a Conrad republicou em 'edições especiais definitivas e absolutas de luxo', por assim dizer.

Fonte de alguns dos dados presentes na matéria: HQManiacs.

~Postagem originalmente publicada no portal Kokyo em 10 de setembro de 2014~

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Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brazil
Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Criei um blog em 2008 por curiosidade para reunir o que achava de melhor na internet. Em 2010 criei outro blog para críticas de filmes e afins. Buscando apresentar uma identidade mais pessoal, em 2014 reformulei ambos. Hoje servem mais como meios de divulgação para matérias que publico em outros sites.