19 setembro 2026

[COMENTÁRIOS] Trilogia das Telas de Jane Schoenbrun

 - estava assistindo 🎬 Vamos Todos à Exposição Mundial, Eu Vi o Brilho da TV e Acampamento Miasma.


Hoje vi a "Screen Trilogy" (Trilogia das Telas) de Jane Schoenbrun. Não são sequências, mas sim uma antologia. Cada filme funciona de forma independente. Eles flertam o terror, mas estão mais para o drama. Existe toda uma interpretação trans por trás. Eu não gosto de definir pessoas por rótulos, mas tem um ponto válido a ser observado aqui: Após o primeiro longa, o então diretor se tornou diretora. E os filmes tiveram inspirações nessa transição. É notável que o primeiro filme se parece mais distante, mas a influência da mudança é parte direta e narrativa do segundo e do terceiro. Seguindo.


Vamos Todos à Exposição Mundial (We're All Going to the World's Fair) - Esse é um daqueles filmes divisores pelo seu estilo e sei que muitos acham fraco. Pra mim foi ok. Propositalmente ambíguo, parece um filme lançado tardiamente que remete ao começo dos vlogs, mas bate com o período da pandemia. A princípio, acompanhamos uma garota, adolescente, solitária, participando de um viral na internet, adentrando o que parece rumar pra algo sobrenatural, mas ao mesmo tempo também surgem situações questionáveis, principalmente por parte do misterioso que conversa com ela. O final é bem incômodo.


Eu Vi o Brilho da TV (I Saw The TV Glow) - Com clima de filme cult, supostamente esse é o auge do ame ou odeie e foi justamente meu preferido de longe. Pra mim, ele foi ficando cada vez mais interessante. A narrativa lenta e o visual neon noturno vão acompanhando o passar do tempo e as mudanças do protagonista, assim como as revelações. Começa como uma história simples de uma amizade ao redor de um programa de TV infanto-juvenil de garotas mágicas contra monstros (garoto quer ver uma série que passa altas horas da noite, mas seus pais não deixam, então ele vai ver na casa de uma garota) e então vai avançando e se tornando cada vez mais viajado, mais sombrio, carregando mistérios e indagações, até chegar num encerramento "brusco" que eu realmente não tava esperando. Dá pra traçar paralelos, mas a mensagem me pareceu bem direta. Reflexivo.


Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte (Teenage Sex and Death at Camp Miasma) - O mais recente e que parece estar sendo mais elogiado, e que pra mim foi "bom" (bem diferente do que eu esperava, na real, então foi mais surpresa). Para quem gosta de cinema e metalinguagem. Uma cineasta busca uma visão lgbt repaginada pra uma clássica franquia de terror slasher acusada por alguns nos dias atuais de misoginia e transfobia, seguindo os moldes do padrão de Hollywood de reviver sob novos olhares produções antigas, até que conhece a atriz principal do primeiro longa, de onde nasce uma amizade cada vez mais profunda, e que a desafia a indagar sua atração em algo que deveria repudiar, mas que acabou moldando o que se tornou. Em determinado momento, elas até vêem o filme original (franquia criada dentro do filme) no local onde foi gravado. O longa é uma construção, reconstrução e desconstrução do slasher clássico. É uma homenagem, ao mesmo tempo que uma crítica. Acaba que o filme não vai agradar em nada quem busca ver apenas mais um filme de assassino matando pessoas em acampamento. A proposta aqui vai tão além que se torna figurada. É a descoberta do "eu" e do prazer.


Por via de curiosidade, acabei vendo a trilogia ao contrário. Foi por conta do filme mais recente que pesquisei sobre (tinha achado muito doido a forma como brincou entre ficção e realidade) e descobri as ligações e afins, e curiosamente os anteriores já estavam na minha lista, mas eu adiava devido a repercussão dividida, pensando ser mais filmes qualquer coisa. Pra muitos serão (rs). Percebendo o potencial da diretora, tive que ir atrás dos demais.

Nenhum comentário:

Sobre Mim

Minha foto
Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.