Pânico chega a 30 anos de franquia refém de si mesmo. O que outrora brincava com clichês de filmes de terror, zoava da repetição, fazia referências e esbanjava metalinguagem, agora cai na armadilha do que combateu. E não foi por falta de potencial. Até acredito que fosse inevitável uma hora ou outra, mas não agora.
Depois de um bom retorno da franquia com o quinto filme, o sexto tentou inovar, trazer novidades e ainda inserir elementos para expandir a saga. Apesar de ressalvas, o resultado ainda foi bom. Já o 7, por mais que não seja essa ruindade toda que andam apontando, parece um slasher genérico que foi adaptado pra se encaixar na linha narrativa de Pânico.
Inicialmente, elaborei enquanto escrevia esse comentário que o filme parece viver a base de uma nostalgia já desgastada nos últimos longas (digo, neles foram bem feitos, já aqui se torna apenas repetição), porém, refletindo melhor, parece mais que o roteiro está satirizando a si mesmo da forma mais rasa possível, não com ironia, mas como se tivesse noção do "erro" e utilizasse tal elemento como "desculpa" para as coisas ocorrerem como ocorrem.
Aqui Sidney está vivendo sua vida longe dos holofotes. Ela está em conflito com sua filha quando se vê novamente na mira do assassino mascarado, com suspeitas de um possível retorno. O que essa última parte acrescenta? Nada demais não. O que era pra ser o trunfo, fazem de forma tão relaxada e com um suspense tão artificial que quase revelam tudo de primeira. Ainda bem que o roteiro se mantém sem isso.
Com um impacto morno, o sétimo longa recicla o que já foi reciclado, possui personagens em sua maioria descartáveis, algumas atitudes questionáveis, uma revelação de assassino muito do sem graça e, o pior, ainda deixa de lado as tantas homenagens ao cinema de terror que se tornou marca registrada. Um absurdo.
Por outro lado, em meio ao vazio, ainda diverte, ainda traz algumas boas cenas, ainda tem vítimas reagindo e confrontando o Ghostface, ainda tem bons momentos de tensão, ainda consegue prender a atenção em alguns pontos. A verdade é que dá pra ver o filme "de boa". Ou parte dele. A crítica vem quando se coloca em perspectiva com o todo. Não é um filme qualquer. É Pânico. E isso pesa.
Um grande acerto o retorno da Sidney pra franquia e a contínua presença da Gale, mas que erro terem demitido a atriz protagonista dos anteriores, ignorando todo um arco em andamento que poderia ter levado a um rumo curioso. Espero que as coisas possam se consertar até um próximo, mas parece difícil. Pânico 7 está mais para a série da MTV que para os filmes cinematográficos. Que facada (rs).
