Redação feita na faculdade
Por Lucas Cardozo, Lucas Chevi e Gabriel Henrique
TARDE DEMAIS...
A chuva bate na janela. O tempo está completamente fechado. Momento perfeito para me afogar nas mágoas. Chuva, sinônimo de tristeza. Onde está ela? Ou seria... Onde ela está? Que se dane isso, não estou com pensamentos bons para me preocupar. Eu, um garoto feio, um jovem promíscuo, que apesar de minhas espinhas, sou bonito por dentro. Eu sei que eu sou. Eu sei!
A aula começa e ela não chega. A angústia me consome. Ninguém vem falar comigo. Me perco novamente nas minhas lembranças. Lembro de todos os momentos ruins que tive na escola. As pessoas mexiam comigo, faziam brincadeiras de mau gosto, chegaram a me agredir. Não agüento mais isso. Estou preso nesta sala com vários derrotados, pessoas insignificantes que mereciam morrer lenta e cruelmente. Cansei destas pessoas. Realmente cansei, não dá mais pra agüentar.
Sozinho neste mundo, ignorado pelas pessoas, até mesmo pela minha própria família, tento sobreviver a cruel realidade. Minha fé está fraca. O que me motiva é ela, aquela garota, bela como uma deusa. Seu cabelo loiro como ouro, seus olhos castanhos claro irradiantes, olhos esses puxadinhos que me atraem tanto. Meu Deus, como ela é bela.
Ates de sair de casa, peguei a pistola, um revólver calibre .38, pertencente ao meu pai, que é um taxista muito prevenido, e coloquei em minha mochila. Agora na sala, penso seriamente em pegá-la. Ela ainda não chegou. Talvez assim seja melhor, já que ela não vai presenciar minha morte.
Abro a mochila. Pego a arma. A sala está cheia, apesar do tempo fechado. Todos olham para mim, com olhares fixados, olhares de medo. Vou para frente da sala. Aponto a arma para minha cabeça. Em meio a murmúrios, digo em voz alta: “Vou me matar!”. Todos olham em pânico para mim, não há reação. Alguém me pergunta “Você é louco?”, outra exclama “Não faça isso!”. Não ligo para o que dizem, minha mente não está mais ali. Então, começo meu discurso: “Durante anos fui torturado, humilhado, rejeitado, tratado como lixo. Hoje acaba isso!”.
No momento em que vou atirar, a porta se abre. Ela aparece. Tomo um susto e atiro. Vejo ela caindo, seu sangue escorre por seu corpo. Percebo que atirei nela. Não! Não pode ser! Não posso ter matado ela. Corro sem sua direção e abaixo. A pego em meus braços. No momento de loucura, digo que a amo. Ela assustada, com uma voz fraca, diz “Eu te amo também”. Não suporto. Não posso conviver com mais uma tragédia. Pego a arma e aponto para minha cabeça, a vejo no chão parada, como se estivesse morta. Sem pensar, atiro. Sinto uma dor profunda. Meu corpo está fraco, percebo que este é o fim. Meus olhos começam a se fechar lentamente. Ouço um grito. Um “Não!” desesperado. Era ela gritando, ela estava viva. Tarde demais...
Aqui publico matérias que escrevi ao longo dos anos para sites e blogs e também rascunhos de publicações e outras aleatoriedades. Um espaço pessoal para textos diversos. Espero que gostem.
Unificação: O Blog do Lucas Cardozo e o Críticas do Lucas Cardozo agora são um só. O blog se tornou um espaço pessoal para rascunhos e afins, além de algumas publicações de alguns sites que já fiz parte.
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Sobre Mim

- Lucas
- Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.
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