09 janeiro 2019

[GEEKABLE] Quadrinhos para enxergar a Marvel por outro ângulo

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

Quadrinhos para enxergar a Marvel por outro ângulo

Muito além de Marvels.

Imbatíveis. Grandiosos. Poderosos. Super-heróis. Maravilhas. Marvel. Seja na terra, no céu, no mar ou no espaço, eles lutam contra o crime para salvar o dia. Os quadrinhos acompanham suas aventuras para onde forem. Acompanhamos tudo pelos seus pontos de vista. Mas... O que acontece do outro lado?

A ideia de mostrar uma outra versão do ocorrido não é novidade. Sabemos como os heróis nos veem, mas e nós, como nós os vemos? Sabemos como certas histórias ocorreram, mas e os outros, como eles presenciaram aquilo?

A intenção dessa matéria é apresentar quadrinhos que mostram o Universo Marvel como conhecemos de outra forma, seja através da visão de um cidadão comum sobre os heróis ou a visão de um outro personagem perante acontecimentos famosos. Bom proveito.


Marvel 1985

Publicado em 2008. Roteiro de Mark Millar e arte de Tommy Lee Edwards. 6 edições.

A trama acompanha um garoto chamado Toby que não tem muitos amigos e é fã de quadrinhos da Marvel. Certo dia ele avista o Caveira Vermelha e estranha. Após a aparição de mais alguns vilões, ele percebe que algo está errado: Os vilões dos quadrinhos estão indo para o mundo real.


The Marvels Project

Publicado em 2009. Roteiro de Ed Brubaker e arte de Steve Epting. 8 edições.

O começo de uma era de heróis e o fim de outra. As origens da Marvel quando se chamava Timely Comics. A trama acompanha Thomas Halloway, o herói Anjo (não confundir com o dos X-Men), que presencia a morte de seus amigos heróis enquanto o mundo começa a mudar e novas maravilhas a surgir, como o Tocha-Humana original, o Namor e o Capitão América.


Powerless - Heróis Sem Poderes

Publicado em 2004. Roteiro de Matt Cherniss e Peter Johnson e arte de Michael Gaydos. 6 edições.

O psicólogo William Watts acorda de um coma alegando ter vivenciado o universo 616. Em sua realidade, porém, ele percebe que aqueles heróis e vilões existiam em seu mundo, mas não da mesma forma que lá. O estudante Peter Park está sendo pressionado por Osborn a invadir as Indústrias Stark, o advogado Matt Murdock tenta absolver a culpa de Frank Castle de um assassinato e o soldado Logan é acusado de matar Charles Xavier. William decide ajudar seus outrora heróis em seus problemas mundanos.


Código de Honra

Publicado em 1997. Roteiro de Chuck Dixon e arte de Bradley Park e Tristan Schane. 4 edições.

Considerado uma continuação indireta da famosa Marvels, que ainda será citada aqui. A trama acompanha o cotidiano do policial negro Jeffrey Piper, que tenta fazer a diferença ao se tornar protetor de um bairro pobre, mas logo percebe que as pessoas o rejeitam e amam apenas os super-heróis. Com a situação familiar piorando, ele passa a ter raiva dos tais heróis.


Marvels, Ruínas, Marvels: Olho da Câmera

Marvels publicado em 1994. Roteiro de Kurt Busiek e arte de Alex Ross. 4 edições e um prelúdio. Ruínas publicado em 1995. Roteiro de Warren Ellis e arte de Terese Nielsen, Cliff Nielsen e Chris Moeller. 2 edições. Olho da Câmera publicado em 2008. Roteiro de Kurt Busiek e Roger Stern e arte de Jay Anacleto.

A "trilogia" contada através da visão do fotojornalista Philip Sheldon. Marvels apresenta o surgimento das maravilhas (Tocha, Namor, Capitão, etc), onde Philip decide lançar um livro sobre elas, iniciando assim uma nova era para o planeta. Ruínas apresenta um universo paralelo onde tudo deu errado e a era das maravilhas foi uma utopia passageira. Olho da Câmera é continuação direta de Marvels e continua a saga de Philip anos depois, agora correndo contra o tempo para lançar um segundo livro antes de morrer.

Leia mais em: Você precisa conhecer a Marvel pela visão de Philip Sheldon.

[GEEKABLE] A franquia Ring

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

A franquia Ring

Muito além das famosas adaptações de 1998 e 2002.

Ring (ou Ringu / The Ring) é uma famosa franquia envolvendo uma fita amaldiçoada, um vírus e uma garota fantasma chamada Sadako. A vítima da maldição possui apenas sete dias para tentar sobreviver.

O filme japonês de 1998 foi responsável pela fama da franquia no oriente, enquanto o remake estadunidense de 2002 foi responsável no ocidente. Entretanto, o que muitos não sabem, é que o filme de 98 sequer foi o primeiro e que a franquia foi baseada numa série de livros de Koji Suzuki. Além, existem também séries de TV, mangás e até um remake sul-coreano.

Para quem não conhece a franquia mais a fundo, ela pode ser, de certa forma, erroneamente resumida em garota dentro do poço que liga para a pessoa que assistiu sua fita dizendo que ela morrerá em sete dias. A verdade é que as coisas vão muito além, viajando entre o sobrenatural e a ciência.

Com muitas versões de uma mesma trama, a história de Sadako é aproveitada até hoje. E ainda há potencial para mais, já que, curiosamente, nem todos os livros chegaram a ser adaptados e nem todos os filmes são adaptações dos livros.

Abaixo estão listados os livros originais de Ring / Ringu / The Ring e suas adaptações, passando por mangás, livros e séries. Não considerei jogos eletrônicos nem dramas de áudio (sim, existem). Bom proveito.


Livros:

Ring (1991): O repórter Kazuyuki Asakawa decide investigar um misterioso caso envolvendo a morte de quatro adolescentes, dentre eles sua sobrinha. Ele acaba por encontrar uma fita e decide assistir. Ao fim, a gravação diz que ele morrerá em sete dias. Buscando ajuda, Ryuji Takayama, um estranho homem que afirma ser estuprador (que?), se une a ele na investigação.

Spiral (1995): O médico forense Ando Mitsuo é chamado para fazer a autópsia de seu antigo amigo Ryuji Takayama. Ele encontra um tumor no coração e um pedaço de jornal com um código. Ao decifrar, parte em busca do significado, o que o leva a Mai Takano, amante de Ryuji, que conta sobre uma fita com uma suposta maldição. Buscando entender as ligações, ele decide investigar o caso mais a fundo.

Loop (1998): O estudante de medicina Kaoro Futami é surpreendido quando seu pai desenvolve um câncer terminal e revela um projeto no qual ele trabalhou, onde quase todos morreram da mesma doença. Ao se formar, ele se envolve com Reiko, uma portadora do vírus MHC, enquanto continua sua investigação sobre o projeto.

Birthday (1999): Antologia. O primeiro conto se passa durante Spiral, onde Mai Takano acorda dentro de um eixo de escape de um prédio. O segundo conto é um prelúdio, mostrando a origem de Sadako Yamamura. O terceiro conto se passa após Loop, onde Reiko está indo de encontro ao cientista do projeto Loop.

S (2012): Takanori Ando é um especialista em processamento de imagem que recebe um pen-drive do presidente da empresa onde trabalha. Analisando os arquivos, ele descobre um vídeo de um homem se matando.

Tide (2013): O professor de matemática Seiji Kashiwa fruto do projeto Loop ajuda um de seus alunos a descobrir o motivo de sua amiga ter entrado em coma após ver uma fotografia. Ele sente que o acontecimento quer passar alguma mensagem para si.


Mangás:

Ring: A primeira adaptação de Ring para os quadrinhos foi lançada em 1996. Posteriormente, em 1999, foram adaptados e lançados Ring, Spiral, Loop e Birthday.


Filmes (Japão):

Ring: Kanzenban (1995): O filme "esquecido". A primeira adaptação.O repórter Kazuyuki Asakawa investiga um misterioso caso envolvendo a morte de quatro adolescentes.

Ring (1998): Adaptação do primeiro livro e considerado o começo da franquia. A repórter Reiko Asakawa decide investigar um caso misterioso onde jovens morrem após ver uma fita. Ela acaba vendo também e recebe a maldição, pedindo posteriormente ajuda ao seu ex-marido Ryuji Takayama para tentar resolver o caso.

Rasen (1998): A continuação original que posteriormente foi ignorada devido ao fracasso comercial. Adaptação do segundo livro. O médico forense Ando Mitsuo encontra um pedaço de jornal dentro do corpo de seu seu antigo amigo Ryuji Takayama e parte em busca do significado daquilo.

Ring 2 (1999): A continuação considerada oficial. O corpo de Sadako é encontrado pela polícia. Takano Mai, pupila de Ryuji, se une na investigação para saber a verdade por trás das mortes. Yoichi, filho de Reiko e sobrevivente da maldição, reaparece com poderes psíquicos. É descoberto também que Masami, outra sobrevivente, está internada e também desenvolvendo certos poderes.

Ring 0: Birthday (2000): Prelúdio da franquia. Adaptação do segundo conto do quarto livro. Conta os momentos da juventude de Sadako que levaram ao ocorrido com a personagem.

Sadako 3D (2012): Adaptação do quinto livro e considerado continuação da continuação ignorada de 1998. O professor Akana Aiwaka ouve rumores sobre um vídeo de suicídio que incentiva outros a se suicidarem. Após uma de suas alunas se matar, ele se envolve no caso e descobre que o responsável pelo vídeo é Seiji Kashiwada, que pretende trazer Sadako de volta.

Sadako 3D 2 (2013): A estudante de psicologia Fuko Ando precisa cuidar de sua pequena sobrinha até que eventos misteriosos começam a ocorrer ao redor dela. O caso acaba por remeter a um antigo vídeo amaldiçoado.

A franquia atualmente está se focando em crossovers, como Hikito-san vs Sadako (2015), envolvendo uma lenda urbana; Bunshinsaba vs Sadako (2016), envolvendo uma criatura de outro filme (o encontro ganhou continuação em 2017); e Sadako vs Kayako (2016), mostrando o confronto contra a criatura da franquia Ju-On (O Grito).


Séries de TV (Japão):

Ring: The Final Chapter (1999): Criado após o sucesso do filme de 1998. Inspirado no primeiro livro. Teve 12 episódios.

Rasen (1999): Continuação da série anterior. Inspirado no segundo livro. Teve 13 episódios.


Filmes (Coreia do Sul):

The Ring Virus (1999): Adaptação do primeiro livro e remake do filme de 1998. Considerado mais fiel ao livro que a versão japonesa. A jornalista Sun-Ju investiga um caso onde quatro adolescentes morrem, incluindo sua sobrinha. Após se envolver com a fita e a maldição, ela pede ajuda ao neurocirurgião Choe Yol, o mesmo responsável pela autópsia das vítimas, que desconfia do envolvimento de algo sobrenatural nas mortes.


Filmes (Estados Unidos):

The Ring (2002): Remake do filme de 1998. A jornalista Rachel Keller investiga a morte de sua sobrinha e descobre semelhanças com outras mortes, todas ligadas a uma misteriosa fita. Após assistir a tal fita, ela corre contra o tempo para tentar impedir sua morte em sete dias.

Rings (2005): Curta-metragem. A história se passa um ano após o filme de 2002 e serve de prelúdio para a continuação. O foco é em Jake Pierce, membro de um dos "anéis", nome dado aos grupos que assistem a fita amaldiçoada.

The Ring Two (2005): Rachel e seu filho mudam de cidade afim de tentar seguir a vida após os ataques de Samara, mas acabam se envolvendo novamente quando anunciam um crime local envolvendo uma fita amaldiçoada.

Rings (2017): O professor Gabriel compra um aparelho de VHS e encontra uma fita dentro. Enquanto isso, a estudante Julia, enquanto procura seu namorado, acaba encontrando o professor, que a leva para conhecer um grupo conhecido como "Os Sete", composto por pessoas envolvidas na maldição de Samara. Julia acaba se envolvendo também.

Leia também: A franquia japonesa Ghost in the Shell.

[GEEKABLE] A Marvel pela visão de Philip Sheldon

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2018]

A Marvel pela visão de Philip Sheldon

Em 1934, a DC começava a mudar o cenário dos quadrinhos. Poucos anos depois, em 1939, foi a vez da Marvel fazer sua parte. Grandes heróis e vilões surgiram ao longo do tempo e mexeram com o imaginário de crianças e adultos. Com seus super-poderes, alguns combatiam o crime, outros praticavam o crime.

A palavra em inglês "marvel" significa maravilha, espanto, admiração. Seja o Capitão América, o Homem de Ferro, o Homem-Aranha, o Hulk, o Quarteto Fantástico, os X-Men, o que for, eles se tornaram as maravilhas do mundo que habitavam e as maravilhas de nosso mundo por meio dos quadrinhos.


Marvels

Décadas depois, em 1994, com o mundo já mudado e os quadrinhos se adaptando ao longo desse período, a minissérie Marvels foi lançada. Com roteiro de Kurt Busiek, arte de Alex Ross e edição de Marcus McLaurin, a saga contou com quatro edições principais e posteriormente um prelúdio, sendo muito bem recebido, vencendo algumas premiações, incluindo três Eisner de melhor minissérie, melhor pintura e melhor design de publicação, além de ter concorrido a melhor artista de capa e melhor edição pelo segundo volume.

A trama conta a história do fotojornalista Philip Sheldon (ou Phil, para os mais íntimos), que testemunhou, no final dos anos 30, o surgimento do que ele chamaria de "maravilhas". Ele então passa a fotografar essas novas "criaturas" e a buscar mais informações sobre elas. O tempo passa e cada vez mais "maravilhas" começam a surgir, o que o leva, nos anos 60, a criar um livro com as fotografias que ele tirou, mas apenas dos heróis, numa tentativa de trazer esperança para o mundo.

O ótimo enredo e a arte realista ajudam bastante no clima da história. Durante as edições acompanhamos os surgimentos do Tocha-Humana original, do Namor, do Quarteto Fantástico, dos Vingadores, dos X-Men, entre outros. Nisso, vemos como o povo reage a eles, como é a interação entre todos e por aí vai. Alguns são bem aceitos, outros nem um pouco, levando a revoltas populares e a uma envolvente indagação sobre o papel dos super-poderosos em meio aos cidadãos. É tudo o que a Marvel lançou ao longo dos anos reunido em uma só história pelo ponto de vista de um ser humano "comum".


Ruínas - O Fim do Universo Marvel

Sheldon acabou sendo reutilizado em algumas histórias posteriores, incluindo, em 1995, a polêmica saga Ruínas, com roteiro de Warren Ellis e arte de Terese e Cliff Nielsen. A trama se passa num distópico universo paralelo onde tudo deu errado.

Em duas edições, acompanhamos Philip investigando como o mundo se tornou o que era. Os Vingadores eram um grupo radical e foram exterminados. Os Kree vivem num campo de concentração. Diversos heróis estão mortos. O que era para ser o começo das "maravilhas", foi o começo do pesadelo. A arte borrada acaba por criar um ambiente assustador, sem esperanças. Uma série depressiva e sem esperança.


Marvels: Olho da Câmera

Mais de uma década depois surgiu a continuação direta de Marvels. Lançada em 2008, com o retorno de Kurt Busiek no roteiro (com participação de Roger Stern), além da arte de Jay Anacleto, a mini de seis edições decidiu encerrar a saga de Philip Sheldon.

A trama acompanha o fotojornalista dois anos depois do último evento narrado na primeira saga. Confrontado com uma doença em estágio avançado, Philip se vê determinado a lançar um novo livro de fotos sobre as "maravilhas" antes que seja tarde demais. O problema é que o mundo continua a mudar e passa a adentrar um período sombrio.

Servindo como um oposto ao original, em vez do clima esperançoso de um mundo melhor, temos um clima mais para baixo. O protagonista passa a se indagar sobre tudo o que fez em sua vida, enquanto sua obra parece cada vez mais distante de sua realidade atual. O Capitão América sendo preso, os Vingadores ruindo, heróis e vilões trocando de lugar. É um outro lado do outro lado, uma reflexão que ironiza a própria Marvel e nosso gosto por quadrinhos. Sheldon, enquanto cada vez mais desabilitado fica, mais percebe que o mundo continua sem ele, buscando então algo ao que se agarrar, na esperança de que tudo volte a melhorar.


Veredito

Marvels é maravilhoso, com perdão do trocadilho. Talvez o roteiro mais genial já escrito na editora, englobando décadas de história por outra visão. A narrativa poética e os desenhos com toque realista são profundos. Obrigatório para qualquer um que goste de super-heróis.

Já Ruínas é um assunto complicado. A arte "feia" divisora de opiniões pode afastar muita gente, já que seu teor, adicionado ao que é desenvolvido ao longo da história, busca impactar o leitor. Mas, por trás disso, há um sentido. É uma HQ diferente que deve ser apreciada como tal. Por se passar num universo paralelo, acaba por tornar algo opcional.

E, enfim, temos Olho da Câmera, a real continuação de Marvels. Apesar de resgatar o clima do original, não temos apenas mais do mesmo, mas sim um outro lado das coisas. Entendo que isso possa causar algumas controvérsias para alguns devido ao rumo que a história segue, mas ela remete muito bem a nossa realidade, a questão do que queremos consumir nos quadrinhos.

Marvels e sua continuação são altamente recomendáveis. Ruínas, por sua vez, apenas para quem tiver curiosidade. O que senti após ler tudo isso foi de que gostaria muito que a Marvel adaptasse as tramas para um longa (me referindo as duas séries principais).

Um filme com atores seria ótimo, mas nos cinemas só daria certo se fosse um filme sem ligação com o UCM ou um filme que servisse de reboot para a franquia (agora que a Disney comprou a Fox ficaria mais fácil). Entretanto, uma animação também seria válida. O potencial que possui é absurdo e creio que deveriam aproveitar, mostrando desde o surgimento das maravilhas até a noção de que o mundo continuará mudando a todo momento.

[GEEKABLE] O prelúdio em quadrinhos de WALL-E

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]

O prelúdio em quadrinhos de WALL-E

Séculos antes da animação, a Terra já estava devastada pelo lixo.

WALL-E é uma animação incrível. O longa da Pixar lançado em 2008 conquistou crítica e público, entrando para a lista dos melhores filmes do ano e recebendo diversos prêmios, dentre eles o Oscar de melhor animação.

A trama se passa em 2805. A Terra está abandonada devido a quantidade absurda de lixo. Os humanos foram para o espaço através da Buy n Large Corporation (BnL Corp) esperando o mundo ser limpo. Um dos encarregados é o robô WALL-E, um compactador de lixo que vive solitário, tendo apenas uma barata como amiga (ou amigo).

Os primeiros minutos do longa não possuem praticamente nada de diálogos. Acompanhamos WALL-E fazendo seu trabalho sozinho. As coisas mudam quando a robô de sonda EVE (ou EVA, na dublagem) chega a Terra para analisar a situação. Depois de alguns acontecimentos, os dois vão para o espaço em busca dos humanos.

WALL-E NOS QUADRINHOS

O texto a seguir contém spoilers da série em quadrinhos.

Não tardou para que diversos produtos fossem feitos com base no filme. Dentre eles, uma série em quadrinhos foi lançada pela Boom! Studios. A editora é famosa por criar diversos quadrinhos da Pixar, como Os Incríveis, Monstros S.A., Procurando Nemo, Toy Story, etc. A maioria de qualidade questionável, diga-se de passagem, mas todos voltados para o público infantil.

Com 8 edições (0-7) de rápida leitura, a HQ trouxe um prelúdio para o filme. A edição prelúdio (0) do prelúdio mostra WALL-E com outros robôs compactadores de lixo que começam a se estragar, deixando ele sozinho enquanto faz seu trabalho. Já na edição 1 do prelúdio, continuamos vendo WALL-E fazendo seu trabalho, agora solitário.

Com o mundo tomado pelo lixo, couberam aos robôs fazerem o trabalho de limpar tudo, mas, devido ao tempo, ao clima e a falta de reparos, muitos deles começaram a "morrer". Um cenário quase morto, se não fosse pelas diversas propagandas audiovisuais da BnL passando aleatoriamente.

Com poucos diálogos, a HQ se resume a literalmente mostrar WALL-E fazendo seu trabalho, enquanto descobre locais e objetos que ele passa a achar interessante. É na série de HQs que vemos também como WALL-E conseguiu algumas coisas que vemos na animação, como a caixa de ferramentas (ou seria de lanche?), o pisca-pisca, entre outros, incluindo aí a tal barata sem nome, que se torna sua amiga (ou amigo).

Ao longo das edições WALL-E reencontra diversos amigos e começa a apresentar suas descobertas, mas todos começam a ser perseguidos e presos por um enorme robô de lixo bulinador que quer que todos apenas façam seus trabalhos, punindo quem não fizer (pelo menos foi o que deu a entender). Posteriormente ele é derrotado por um personagem que mostrarei a seguir.

Apenas em uma das últimas edições é que algo curioso acontece: Um foguete pousa na Terra e de lá sai um humano, um astronauta que ficou sete anos fora e retornou em busca de sua família, mas, ao chegar, percebeu que tudo estava abandonado.

Uma amizade entre WALL-E e o humano é formada, onde os dois partem em busca de peças para consertar o foguete. Ao fim, eles conseguem e o humano parte em busca da nave da BnL, deixando WALL-E mais uma vez solitário (ou quase, ainda tem a barata).

UMA ADAPTAÇÃO DARIA CERTO?

Como dito anteriormente, os primeiros minutos de WALL-E quase não possuem diálogo e tratam de mostrar a vida solitária do robô numa Terra devastada pelo lixo. A HQ não traz nenhuma grande novidade, mas traz elementos curiosos que poderiam ser melhor aproveitados num longa (ou talvez num média-metragem).

WALL-E 2 poderia ser uma mistura de prelúdio com um encerramento de continuação. No primeiro momento poderiam mostrar a Terra se enchendo de lixo e posteriormente sendo evacuada. Com isso, acompanharíamos o trabalho dos robôs compactadores de lixo enquanto os anos se passam, mostrando os robôs "morrendo" com o tempo e o WALL-E como protagonista sempre descobrindo coisas e explorando ambientes.

E o tal astronauta? Será que ele conseguiu chegar até a nave e reencontrar sua família? Não sabemos e talvez nunca saberemos. O filme se passa 700 anos depois da Terra ter sido considerada inabitável. O que o longa/média poderia fazer é mostrar WALL-E encontrando algo que lembrasse dele, como a nave e a foto que tiraram antes da despedida.

Após, para o encerramento, no caso de um média, acompanharíamos os humanos tentando se realocar no planeta. Já no caso de um longa, isso poderia ser melhor desenvolvido, mas não creio que haja tanto interesse assim nessa ocasião, por mais que possa surgir a curiosidade de como os humanos sobreviveriam numa Terra onde nem o ar está mais "respirável" (se é que eles sobreviveram por muito tempo).

Não estou dizendo que um prelúdio/continuação de WALL-E seja realmente necessário, mas sim que seu prelúdio em quadrinhos mostrou o potencial que a obra tem para desenvolver mais conteúdo. O próprio começo do filme deixa aquela vontade de querer ver como tudo chegou aquele ponto. É isso ou só eu mesmo que quero, o diferentão, o exclusivo, aquele que pensa em coisas que ninguém mais pensaria, o de gosto duvidoso.

Embora a Pixar já tenha dito que não se interessa por um novo longa de WALL-E, assim como de outras obras, só nos resta sonhar, afinal, se temos outros longas da Pixar que ganharam suas continuações e prelúdios, tudo é possível.

[GEEKABLE] A trajetória da franquia Death Note

[Repostagem temporária de algumas matérias que publiquei no Geekable].
[Matéria de 2017]

A trajetória da franquia Death Note

Death Note é uma história incrível. Com mais de 10 anos de existência, a franquia continua firme. Sua rica história já foi adaptada diversas vezes e já abriu espaço para expansão. Mas quantas adaptações de Death Note existem oficialmente? É o que será respondido aqui, numa breve trajetória da franquia.

A obra com roteiro de Tsugumi Ohba e arte de Takeshi Obata surgiu em 2003 como mangá e teve, ao todo, 12 volumes. Na trama, o estudante Light, adotando o nome de Kira, pune todos aqueles que considera podre para a sociedade. Para isso, ele usa um caderno sobrenatural, pertencente ao deus da morte Ryuk, onde aquele que tem seu nome escrito nele, morre. Não demora para que Light comece a ser perseguido pelo misterioso detetive L e mate muito além de criminosos.

As adaptações japonesas

2006

Com o sucesso, não tardou para as adaptações virem. Na verdade, muitas de uma vez. Só em 2006, poucos meses depois do fim do mangá, quatro adaptações foram lançadas.

O primeiro foi a light novel (basicamente um livro) Death Note - Another Note: O Caso dos Assassinatos em Los Angeles, com uma história inédita dentro do universo do mangá, contando o caso citado no mangá onde a agente Naomi Misora trabalhou ao lado do detetive L. O livro foi escrito por Nisio Isin (Monogatari), mas lançado como sendo escrito por M (Mello).

Logo depois, estreou a adaptação animada do mangá, com 37 episódios divididos em duas temporadas. O anime de mesmo nome, produzido pela Madhouse, dirigido por Tetsuro Araki (Attack on Titan) e fielmente adaptado (com exceção do final), fez tanto sucesso quanto o mangá e tornou a obra conhecida mundialmente.

Ainda no mesmo ano, duas adaptações com atores reais saíram: Death Note e Death Note: The Last Name, ambos sucesso de bilheteria no Japão, conquistando o público. Os filmes traziam uma versão diferente da história, seguindo a mesma trama, mas mudando alguns elementos. Os dois longas tiveram a direção de Shusuke Kaneko (GMK / Godzilla, Mothra and King Ghidorah) e roteiro de Tetsuya Oishi (Blade of the Immortal).

O papel de Light ficou com Tatsuya Fujiwara (Battle Royale). L ficou por conta de Kenichi Matsuyama (Nana), que muitos consideram até hoje a melhor adaptação do personagem. O curioso é que ele dublou o shinigami Gelus no anime. Misa, por sua vez, foi interpretada pela famosa Erika Toda (Liar Game). Foi o primeiro filme dela. Nakamura Shido II (Yamato), dublador do Ryuk no anime, voltou a dublar o personagem nos filmes.

2007 - 2008

Em 2007 foi lançado o filme animado Death Note: Relight - Visions of a God, que resumia até um pouco depois da primeira temporada do anime, contando com um final inédito. No mesmo ano, saiu a light novel do futuro filme derivado da franquia: L: Change the World, lançado em 2008, se passando antes do final do segundo filme. Apesar do livro sair antes, ele foi baseado no filme.

O longa foi dirigido por Hideo Nakata (Ring) e roteirizado Hirotoshi Kobayashi (Sweet Rain). A história dividiu opiniões, trazendo uma aventura onde L cuidava de duas crianças e enfrentava uma organização bioterrorista.

Ainda em 2008, foi lançado a continuação do filme animado anterior. Death Note: Relight 2 - L's Successors resumiu o restante da segunda temporada. Esse era o fim de uma era de adaptações por longos anos.

2015 -

Em 2015 a franquia ressurgiu. Um musical teatral ocorreu no Japão e outro na Coreia do Sul. As músicas foram compostas em inglês por Frank Wildhorn, famoso compositor do ramo, e depois adaptadas para as respectivas línguas. As críticas foram mistas. Os personagens foram atuados por atores de teatro, de tv e artistas musicais.

No mesmo ano, lançaram um dorama (seriado) de 11 episódios, também contando sua própria versão da história, mas com base na obra original. O dorama trouxe diversas mudanças para os personagens, mas, o que poderia ser arriscado, acabou ganhando apoio do público, sendo bem recebido. Ao fim, com o sucesso, foi revelado que um novo filme sairia.

Nessa versão, Light foi interpretado por Masataka Kubota (Rurouni Kenshin). A atuação rendeu o prêmio de melhor ator na 86th The Television Drama Academy Awards. Já L foi interpretado pelo ator-modelo Kento Yamazaki (Another), Misa pela atriz-modelo Hinako Sano (Akumu-chan) e Near/Mello pelo ator-modelo Mio Yuki (Assassination Classroom).

O esperado filme foi lançado em 2016. Death Note: Light Up the New World trazia a história para os dias atuais. Como uma fanfic virando realidade, ele mostrava o mundo uma década após o fim de Kira. Nele, seis cadernos foram espalhados pelo mundo, enquanto os "herdeiros" de Light e de L iniciavam uma nova batalha.

Leia também: Death Note: Iluminando o Novo Mundo

O longa foi acompanhado da minissérie New Generation, que tinha como objetivo conectar os filmes antigos com o novo, mas a verdade é que serviu apenas como prelúdio para o novo filme. Apesar de opcional, trouxe consigo cenas que enriqueceram a trama. Curiosidade: Algumas das cenas são exibidas durante a introdução do filme, que mostra em "flashback" o que aconteceu nesses dez anos.

No total, Death Note obteve, ao longo de uma década após o fim do mangá, doze adaptações: um anime, quatro filmes em live-action, dois filmes animados, dois livros, um dorama e duas peças teatrais.

A adaptação americana

Enquanto no Japão a franquia ia bem, ideias de uma versão americana surgiam. Dá para achar relatos de 2007 sobre isso. Sabe-se porém que a Warner é quem estava responsável pela adaptação. Devido a problemas internos e desavenças, o projeto acabou sendo engavetado. Shane Black (Homem de Ferro 3), que dirigiria o filme na época, chegou a dizer em 2011 que queriam tirar o shinigami e deixar o Light bondoso, o que quase fez o projeto ser cancelado.

Eis que, em 2015, a Warner confirmou que o filme finalmente sairia do papel, com Adam Wingard (Bruxa de Blair) como diretor e Jeremy Slater (Quarteto Fantástico) como roteirista, mas, devido a redução de custos, o projeto foi cancelado. Em 2016, a Netflix decidiu comprar os direitos da Warner, oferecidos pelo próprio Wingard, e seguir em frente com o projeto, mantendo a equipe que trabalhava nele. Agora, em 2017, o longa finalmente viu a luz do dia.

Leia também: Death Note (2017)

O futuro da franquia

Não se sabe o que o futuro reserva para Death Note. Enquanto não aparecem notícias sobre a franquia japonesa, espera-se que o novo filme seja o primeiro de muitos. Com potencial para ir além, o filme deixa gancho para isso e prepara o terreno para a nova geração. Dividindo opiniões, os filmes e o dorama continuam conquistando o público.

Do lado americano, existe projeto para uma continuação da adaptação. Cabe a Netflix aprovar ou não, já que, por parte do diretor, um novo filme já está garantido. A crítica e o público, entretanto, não estão satisfeitos com o resultado.

Linha do tempo

Dezembro de 2003 - Primeiro volume do mangá é lançado.
Maio de 2006 - Último volume do mangá é lançado.
Junho de 2006 - Primeiro live-action é lançado.
Agosto de 2006 - Primeira light novel é lançada.
Outubro de 2006 - Primeiro episódio do anime é exibido e segundo live-action é lançado.
Junho de 2007 - Último episódio do anime é exibido.
Agosto de 2007 - Primeiro filme animado é lançado.
Dezembro de 2007 - Segunda light novel é lançada.
Fevereiro de 2008 - Terceiro live-action é lançado.
Agosto de 2008 - Segundo filme animado é lançado.
Abril de 2015 - Primeira apresentação teatral japonesa ocorre.
Julho de 2015 - Primeiro episódio do dorama é exibido e primeira apresentação teatral sul-coreana ocorre.
Setembro de 2015 - Último episódio do dorama é exibido.
Setembro de 2016 - Todos os episódios da minissérie do quarto filme em live-action são lançados.
Outubro de 2016 - Quarto live-action é lançado.
Agosto de 2017 - Versão americana é lançada.

Sobre Mim

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Ninguém importante. Formado em jornalismo. Ex-colunista de cinema, quadrinhos e k-pop por aí.