Unificação: O Blog do Lucas Cardozo e o Críticas do Lucas Cardozo agora são um só. O blog se tornou um espaço pessoal para rascunhos e afins.

Até um tempo atrás, escrevia para o Geekable, o Jam Station e o Kpoppers States. Atualmente, parei a escrita por tempo indeterminado.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

[FEEL LIKE DANCE LYRICS] Quanto tempo leva para assistir a um dorama coreano

~Publicado originalmente no Feel Like Dance Lyrics em 2015~


Doramas coreanos costumam ter poucos episódios com longas durações, cada episódio é como se fosse um filme "pequeno" (no caso, um longa-metragem de duração mínima). Já se perguntou quanto tempo é necessário para assistir a esses doramas?

Primeiro devemos levar em conta a quantidade de episódios. Um dorama coreano costuma possuir 16 ou 20 episódios, com temporada única. A duração varia para cada dorama (58 minutos, 62 minutos, 67 minutos...), então, para a média, arredondarei e usarei 65 minutos.

Então, com essas informações, refaço a pergunta: Quanto tempo leva para ver um dorama coreano? A tabela a seguir responderá essa dúvida:

[IMAGEM DA TABELA NÃO RECUPERADA] 


O que dá para assistir nesse tempo? Vamos comparar com séries americanas e afins:

Um dorama coreano de 16 episódios, como Dream High, costuma ser maior que uma temporada de série, que possuem em média entre 10 a 17 horas de duração, como The Walking Dead, CSI e Breaking Bad. Com essas séries de 'menor duração', como Game of Thrones e The Big Bang Theory, um dorama de 20 episódios pode equivaler a duas temporadas. Realmente bastante tempo.


Mas e filmes?

Costuma-se usar um padrão de 90 minutos para a média de duração dos filmes, já que muitos estão próximos (seja mais, seja menos) dessa duração. Porém há aqueles filmes que se aproximam ou passam dos 120 minutos, assim como há filmes de 150 minutos ou mais.

Com um dorama de 16 episódios, dá pra ver 11 filmes e meio de 1h30m, quase 9 filmes de 2h ou quase 7 filmes de 2h30m. Já com um dorama de 20 episódios, dá pra ver 14 filmes e meio de 1h30m, quase 11 filmes de 2h ou pouco mais de 8 filmes e meio de 2h30m.


E franquias de filmes?

Deu pra perceber que os doramas ocupam muito de nosso tempo. Mas e quanto os doramas equivalem às franquias de filmes que conhecemos?

16 epis dá pra ver os quatro filmes de Jogos Vorazes quase duas vezes.

16 epis dá pra ver a trilogia Batman do Nolan duas vezes.

16 epis dá pra ver os três antigos Mad Max três vezes.

16 epis dá pra ver a trilogia antiga de Indiana Jones quase três vezes.

16 epis dá pra ver os seis filmes (até agora) de Star Wars.

20 epis dá pra ver os três filmes de O Senhor dos Anéis e os três de O Hobbit.

20 epis dá pra ver os oito filmes de Harry Potter.

20 epis dá pra ver os cinco filmes de Crepúsculo duas vezes.

20 epis dá pra ver a trilogia Matrix três vezes.

20 epis dá pra ver os oito Loucademia de Polícia duas vezes.

20 epis dá pra ver todos os quinze filmes da primeira série de Godzilla.

20 epis dá pra ver quase todos os sete e seis filmes das segunda e terceira séries de Godzilla.

20 epis dá pra ver as antigas trilogia Homem-Aranha, quadrilogia Superman mais a trilogia X-Men.

Ou seja, com um dorama, dependendo das durações, dá pra ver até três franquias inteiras.


Os coreanos surpreendem com os doramas, porque prender a atenção durante tanto tempo requer um bom roteiro, bons personagens e bom desenvolvimento. Uma boa trilha sonora também ajuda. Não é a toa que, ao terminarmos um dorama de qualidade, ficamos tristes por aquilo ter acabado e queremos mais. Passamos os dias seguintes ou pensando naquele dorama ou vendo outro pra tentar 'seguir a vida'.

[FEEL LIKE DANCE LYRICS] As origens da música popular coreana

 ~Publicado originalmente no site Feel Like Dance Lyrics em 2016~


Olá, kpoppers. Faz um tempo que eu havia pesquisado sobre as origens do kpop e descoberto algumas informações interessantes. Cheguei a rascunhar um texto, mas acabou no esquecimento. Decidi resgatar e melhorar. A princípio é um resumo da história da música popular coreana retirada de uma página da Wikipedia em inglês, mas tentei verificar algumas fontes e unir ao que eu já sabia para montar o texto. Qualquer erro, por favor me avisem. Espero que gostem.


Em 1885 um missionário americano chamado Henry Appenzeller começou a ensinar canções americanas e britânicas de folk numa escola coreana. Tais músicas começaram a serem chamadas de changga. Entre 1910 e 1945, durante a ocupação japonesa na Coreia, o changga virou uma arma dos coreanos contra os japoneses. Fazendo uma comparação, é como o nosso MPB foi na época da ditadura militar.


Em 1925 teve o primeiro álbum de kpop, intitulado 'Yi Pungjin Sewol' (This Tumultuous Time), por Park Chae-seon e Lee Ryu-saek, com músicas japonesas traduzidas para o coreano. Em 1929 foi lançada a primeira canção de kpop escrita por um coreano: 'Nakhwayusu' (Fallen Blossoms on Running Water), por Lee Jeong-suk. Em meados da década de 20, o compositor japonês Masao Koga misturou a música tradicional coreana com o gospel trazido pelos americanos evangélicos em meados de 1870. Essa música deu origem ao Enka no Japão e, posteriormente, ao Trot na Coreia, ambos considerados as músicas populares/tradicionais de cada país.


O período conturbado entre as décadas de 40 e 60, onde ocorreram a Segunda Guerra Mundial, a independência da Coreia sobre o Japão, a Guerra Fria, a Guerra da Coreia, a divisão da Coreia em duas, etc, foram cruciais para a entrada da cultura ocidental no país, especialmente em dois momentos: Primeiro na década de 40, após a divisão e independência da Coreia, onde bares com estilo ocidentais surgiram, e depois na década de 50 após a Guerra da Coreia com os Estados Unidos enviando artistas americanos como Marilyn Monroe e Louis Armstrong para o país com o objetivo de sua cultura ser mais aceitável, mas principalmente de manter os soldados americanos por lá.


Entre os anos 50 e 60, o trio musical feminino coreano The Kim Sisters, debutado em 1953, ganhou reconhecimento internacional. Elas foram o primeiro grupo coreano a lançar um álbum nos Estados Unidos, participando também diversas vezes do Ed Sullivan TV Show. Esse momento ajudou a espalhar a música coreana para o mundo, a ponto de, em 1961, o cantor francês Yvette Giraud regravar uma de suas músicas.


Nos anos 60, enquanto a tecnologia evoluía e os cantores coreanos cada vez mais ganhavam espaço para se apresentarem para os soldados americanos, o mundo se contagiava pelos The Beatles. Com a Coreia não foi diferente, debutando 'Add4', a primeira banda de rock coreano, em 1962. Com o sucesso cada vez maior do rock, em 1968 ocorreu em Seul o primeiro concurso de bandas.do país.


Na década de 70, o movimento hippie ganhou força entre os jovens, que eram contra a Guerra do Vietnã. Isso influenciou os coreanos e fez o governo proibir músicas liberais. Com a censura, o folk-pop se tornou popular e em 1977 a MBC fez um concurso de música para os universitários. Esse concurso foi responsável pelo surgimento de diversos outros. Nessa época, a canção 'Mul jom juso' (Give Me Water), de Han Dae-soo, se tornou popular entre os jovens. O cantor, coreano, porém criado nos EUA, chegou a ser proibido de se apresentar no país devido ao seu estilo ousado. Ele se mudou para Nova Iorque e voltou para a Coreia apenas nos anos 90.


Na década de 80 o ballad tomou conta da Coreia, principalmente em 1985 com o álbum 'You’re Too Far Away to Get Close to' (Gakkai Hagien Neomu Meon Dangsin), de Lee Gwang-jo. No início da década, Cho Yong-pil, que ganhou uma competição organizada pelo Fórum de Música da Ásia, se tornou o primeiro cantor coreano a se apresentar no famoso Carnegie Hall, nos EUA, onde incluiu no repertório o rock, o dance, o trot e o folk pop.


Apesar de todo esse período de influência, apenas na década de 90 é que os estilos da música popular americana foram realmente incorporadas no 'kpop', com ritmos como rap, rock e techno. Vale lembrar que o rock se tornou popular antes, como puderam perceber, mas ainda não fazia parte da música popular coreana. O grande responsável por isso foi Seo Taiji & Boys, em 1992. Apesar do grupo, que participou de um concurso da MBC, ter recebido a pior classificação com a música 'Nan Arayo' (I Know), posteriormente a música e o álbum de mesmo nome se tornaram sucesso, sendo elogiados não só ritmo, como também letra e inovação, influenciando diversos artistas de hip-hop e r&b e moldando o formato de kpop que conhecemos atualmente.


Em 1995, o produtor musical Lee Soo-man fundou a SM. Em 1997, o cantor Park Jin-Young fundou a JYP. Em 1998, Yang Hyun-suk, ex-integrante do Seo Taiji & Boys, fundou a YG. Com o sucesso de Seo Taiji & Boys, focado no público adolescente, vieram as boybands e girlbands, iniciado com a boyband HOT em 1996. Com a crise asiática de 1997, o kpop começou a se expandir, com HOT lançando um álbum em chinês e Diva lançando um álbum em inglês em Taiwan.


Em resumo, a música coreana recebeu influência das músicas japonesa, britânica e americana ao longo das décadas, sendo boa parte ocorridas durante conflitos. Chega a ser bizarro imaginar a aceitação da música mesmo sob imposição cultural de outro país, mas acredito que a música não deva ser julgada por conflitos políticos, já que o ritmo é a língua universal que unem a todos. Ora, se não fosse, os EUA não teriam forçado, digo, posto músicas americanas na Coreia para que sua cultura, que estava se expandindo, pudesse servir como motivação para os soldados americanos continuarem no país, digo, servir para que houvesse uma relação com os coreanos e eles não estranhassem os americanos. Vale lembrar que a influência americana foi importante em alguns casos. No Japão, por exemplo, o kaiju Godzilla (Gojira) foi inspirado no King Kong e nas bombas de Hiroshima e Nagasaki. Os olhos grandes dos personagens de anime que vemos hoje foram inspirados nos olhos do Pato Donald. Longe de querer defender, as guerras, por mais trágicas que foram, moldaram o mundo como conhecemos e trouxeram novidades. Graças as guerras não tivemos apenas o k-pop, mas também a evolução da tecnologia, que levou a criação de eletrônicos como o computador e o videogame, o avanço de transportes como a nave espacial com capacidade de levar o homem até o espaço, entre outros. Mas isso já não tem a ver com o assunto. Vale mais por curiosidade.

[GEEKABLE] Coraline - Livro vs. Filme

<p><strong>Coraline </strong>é uma obra de fantasia e horror escrita por <strong>Neil Gaiman</strong> publicada originalmente em 2002. Foi bem recebida por crítica e público, ganhando prêmios. Gaiman, responsável por Sandman, Os Livros da Magia e outros clássicos, decidiu se aventurar numa trama "infantil".</p>

<p>Em 2008, o livro recebeu uma versão em quadrinhos ilustrada por <strong>P. Craig Russel</strong>, que trabalhou em editoras como a DC e a Dark Horse. Inclusive em obras de Gaiman, dentre eles o já citado Sandman.</p>

<p>Foi apenas em 2009 que a obra ganhou espaço nos cinemas, com um elogiado stop-motion produzido pela <strong>Laika</strong>. O longa foi dirigido e roteirizado por <strong>Henry Selick</strong>, o mesmo de O Estranho Mundo de Jack. Um jogo baseado no filme foi lançado um mês antes do lançamento, mas acabou sendo massacrado pelas críticas.</p>


<h2><strong>Trama</strong></h2>

<p>De forma bem resumida, a trama acompanha uma garota chamada Coraline, que se muda com seus atarefados pais para um antigo apartamento num lugar afastado, cercado de vizinhos "peculiares". Aventureira e sem receber a devida atenção, Coraline acaba por descobrir uma porta que leva a um outro mundo onde as pessoas usam botões nos olhos. Lá, sua "outra mãe" a encanta com alegrias que ela não tem em seu mundo real, mas logo a verdade começa a surgir.</p>


<p><strong>Obs.: Por se tratar de comparações, há SPOILERS.</strong></p>


<h2><strong>Começo e foco</strong></h2>

<p>O livro é bem curto, com pouco mais de 150 páginas e mesmo assim num formato pequeno. O poder da história, entretanto, pesa. O clima de "chatice" da realidade reina nas primeiras páginas, onde o autor nos coloca na pele de Coraline e nos oferece sua visão de mundo. Ela ainda está na faixa criança/adolescente e quer se divertir explorando lugares. São seus últimos dias de férias.</p>

<p>O filme, com seus 100 minutos aproximadamente, começa semelhante. Os diálogos e as situações permanecem bem parecidas, mas toma um caminho mais amplo. A começar pela adição de Wybie, neto da dona do local onde Coraline vai morar. Um acréscimo muito positivo para boa parte da trama como amigo de Coraline. Ao mesmo tempo que reforça o lado infantil da protagonista, torna o mistério maior ao comentar "coisas que ouviu da avó".</p>

<p>O grande foco do livro é no outro mundo e na aventura de Coraline por ele, ocupando a maior parte das páginas. Tudo antes disso, embora com um desenvolvimento aceitável, ocorre de forma apressada. Curiosa e felizmente, sem perder o ritmo decente para que as informações fluam inteligíveis. O livro na verdade possui um estilo muito mais ágil e macabro em comparação a sua adaptação. Nesse quesito o filme acaba desenvolvendo melhor atrama, embora minimize esse peso assustador.</p>


<h2><strong>A tentação</strong></h2>

<p>Um grande exemplo de diferença no desenvolvimento é a tentação da "outra mãe" (chamada no filme também de Bela Dama). Após conhecer seus vizinhos, Coraline encontra uma porta dentro de casa que leva para outro mundo. No livro, Coraline tem um misto de sensações. Tudo é estranho para ela e o autor demonstra isso muito bem. Ela é tentada pelos momentos de diversão, mas mesmo assim aquele clima sombrio, meio depressivo, continua tomando conta das páginas. Não tarda muito até que a verdade se revele.</p>

<p>Quem viu o filme primeiro, chega a estranhar que, no livro, a "outra mãe" já ofereça os botões para Coraline logo na primeira visita. E é isso mesmo. Acontece que no filme a situação é bem mais desenvolvida. Coraline chega a adentrar o outro mundo algumas poucas vezes e, a cada vez que sai, retorna ansiosa por voltar. Ela conta a seus pais reais, ao Wybie, mas ninguém acredita nela. Tudo é divertido, tudo é colorido, tudo é mágico, tudo é atraente. Chega uma hora que os botões são oferecidos e a reviravolta começa.</p>

<p>Notável a reação da "outra mãe". No livro, ela soa muito mais paciente que no filme, tentando Coraline, prometendo coisas, mesmo recebendo "não" direto. No filme ela soa mais impaciente. Curiosamente, no livro ela parece mais rigorosa. Talvez devido aos seus pedidos. Ou foi só impressão minha mesmo.</p>

<p>Outra grande diferença é na questão do rapto dos pais de Coraline. No livro, após Coraline recusar os botões, ela volta pra casa e nota que seus pais sumiram, o que a faz voltar para o outro mundo. No filme, após os botões, Coraline continua presa no outro mundo, até que o "outro Wybie" ajuda ela a escapar. Ela foge, percebe que seus pais sumiram e volta. No livro o período de Coraline sem os pais é um pouco maior que no filme.</p>


<h2><strong>Demais personagens</strong></h2>

<p>No filme, os vizinhos de Coraline soam mais excêntricos que no livro. As senhoritas Spink e Forcibe no livro são idosas adoráveis com seus cachorrinhos, enquanto no filme soam mais "loucas". O senhor Bobinsky no livro (onde se chama Bobo) é um homem aparentemente normal também, enquanto no filme chega a ser "insano". É possível dizer que o filme reforça a visão de Coraline sobre as pessoas, algo que no livro, apesar de também ocorrer, trata tudo com mais naturalidade.</p>

<p>Apesar das diferenças, suas características são bem semelhantes em ambos, assim como os acontecimentos descritos. Na tentação da "outra mãe", Coraline assiste tanto a uma apresentação de Spink e Forcibe quanto a dos ratos do Bobo. O que muda são as apresentações, mas a essência é a mesma. Aliás, no jogo de pistas, a semelhança é maior ainda.</p>

<p>Os pais de Coraline também soam mais "exagerados" no filme que no livro. Assim como os vizinhos, no livro eles são normais. De resto, as características também são parecidas. Vale citar uma passagem do livro que não há no filme, ocorrida quando Coraline decide voltar para o outro mundo para resgatar seus pais. Nesse momento, ela conta ao gato sobre uma vez em que seu pai a salvou de picadas de insetos.</p>

<p>Esse é um momento que "humaniza" os personagens e reforça mais ainda como estamos acompanhando tudo pela ótica de uma criança, que acha que seus pais não se importam com ela. Essa ideia é reforçada quando a "outra mãe" engana Coraline, mostrando seus pais verdadeiros "chegando" de viagem e comemorando por não tê-la mais.</p>

<p>O gato preto é um personagem de grande destaque na trama e soa do mesmo jeito que no livro. Misterioso, vive nas redondezas do apartamento e sabe de acessos para o outro mundo, além de já conhecer a "outra mãe". Ele acaba ajudando Coraline no outro mundo, onde consegue falar. A grande diferença entre as mídias é que no livro Coraline só tem a ele para dialogar e refletir. No filme o Wybie felizmente não rouba seu papel, apenas leva algumas questões para o mundo normal.</p>


<h2><strong>Teor diferente</strong></h2>

<p>Como dito, devido ao público do filme, a história acabou sendo aliviada, embora muitos considerem Coraline um "terror infantil". Um exemplo bem básico é a cena dos besouros. No filme, a "outra mãe" pega besouros de chocolate e come, oferecendo a Coraline. No livro, são besouros reais (ou aparentam ser reais). Uma cena nojenta.</p>

<p>Mas um exemplo que reforça bem melhor essa questão de teor é a cena do espelho, onde Coraline encontra as crianças fantasmas. No livro, Coraline fica solitária e, sozinha, vai comendo sua maçã até acabar tentando não se desesperar. No filme cortaram todo esse momento. E, embora os diálogos das crianças fantasmas tenham peso no filme, inclusive com macabras frases de impacto, no livro é algo muito mais profundo, com altas reflexões sobre a vida, a morte, as memórias, o esquecimento, a existência do ser.</p>


<h2><strong>Cenas diferentes</strong></h2>

<p>O jogo de Coraline contra a "outra mãe" ocorre de forma semelhante. Os desafios dos vizinhos são os mesmos. A principal diferença é em relação a um dos olhos. No livro, Coraline já começa o jogo encontrando rapidamente o olho em seu próprio quarto através da pedra com um furo no meio. No filme, para criar um desafio, o olho estava junto com o "outro pai" no jardim. A nível de curiosidade, o jardim não existe no livro da forma que é vista no filme.</p>

<p>O "outro pai" demonstra através de algumas quedas uma tentativa de rebeldia contra a "outra mãe". No filme, quando ele tenta falar algo, o piano dele o cala. No livro, ele mesmo se cala, como se estivesse perturbado e com medo de falar algo que não deveria (e realmente estava). E nesse momento do jogo, ele tenta ajudá-la, mesmo sendo controlado pela "outra mãe".</p>

<p>O que o filme fez foi inspirado na passagem do livro, onde, durante o jogo, a "outra mãe" entrega uma chave para Coraline para visitar um quarto fechado. Lá, ela encontra um sótão. Ao descer, ela encontra o "outro pai" jogado no chão e um diálogo entre os dois é desenvolvido, reforçando a posição de escravidão dele perante a "outra mãe". Ele a ataca, mas Coraline consegue fugir. Diferente do filme, aqui ela não recebe nada dele, já que não o resta nada.</p>


<h2><strong>Acréscimos</strong></h2>

<p>Além do acréscimo de Wybie e de sua avó, já citados anteriormente, algo no filme que não tem no livro é a boneca. Wybie presenteia Coraline com uma boneca idêntica a ela, que posteriormente ela descobre ser os olhos da "outra mãe" para enxergar no nosso mundo. Mais um acréscimo interessante e válido para a história, tentando explicar uma lacuna em aberto no livro.</p>

<p>Curiosamente, por mais que o filme insira novos elementos para a trama, nenhum deles realmente muda o rumo original das coisas, apenas estendendo a história. Isso poderia ser negativo, mas se torna positivo pelo bom uso deles. Tanto é que a morte do "outro Wybie" traz um momento impactante, demonstrando até onde a "outra mãe" pode ir. Nem no livro ela chegou a destruir alguma criatura de sua criação.</p>


<h2><strong>Encerramento</strong></h2>

<p>Basicamente os finais são parecidos, exceto que o filme brinca com a possibilidade de portais para o outro mundo continuarem abertos. No filme também há uma grande comemoração na vizinhança pelo trabalho dos pais de Coraline ter dado certo. No livro não há nada demais, terminando bem "normal", com Coraline indo dormir, já que no dia seguinte teria aula.</p>

<p>Uma diferença não tão grande é em relação a mão da "outra mãe", que escapa para o nosso mundo lá para o fim da história. No filme, após o sonho com as crianças fantasmas, Coraline decide por um fim a tudo jogando a chave no poço. No livro, dias se passam, ela vê a mão andando por aí, até que finalmente decide por um fim jogando também a chave no poço. No filme ela acaba recebendo a ajuda de Wybie, enquanto no livro faz tudo sozinha. Nesse ponto fico com o livro, desenvolvendo um clima inquietante.</p>


<h2><strong>Demais adaptações</strong></h2>

<p>Em relação às adaptações, a HQ segue o livro fielmente, talvez salvo alguns detalhes. Apesar de suas longas páginas, acompanhando passo a passo o original, é possível perceber alguns momentos resumidos. O único elemento que senti grande diferença foi no impacto da narrativa, com um peso que soa diferente de quando se lê no livro, já que o conjunto ao todo é alterado.</p>

<p>Já os jogos de videogame, lançados para PS2, Wii e DS, seguem o filme de forma resumida. A trama acaba ficando de fundo, dando lugar a minigames aleatórios que não possuem tanta relação com o geral. É possível notar algumas diferenças, mas nada a ponto de mudar algo relevante na trama. Um exemplo é na versão de DS, que começa com Coraline e seu pai conversando na frente de casa. O que talvez possa ser considerado uma "mudança" válida, mas que na verdade está mais para um corte, é na versão de PS2/Wii, onde o encerramento ocorre logo após a derrota da "outra mãe", ignorando todo o complemento da trama.</p>

<p>As demais adaptações, como peça teatral e afins, creio não ser oficial e também não conferi, mas fica a curiosidade pelos resultados. </p>


<h2><strong>Conclusão</strong></h2>

<p>Num contexto geral, tanto o filme quanto o livro de Coraline possuem enormes semelhanças assim como enormes diferenças. Como dito, os diálogos e os acontecimentos são bem parecidos, salvo detalhes. O livro possui um clima muito mais envolvente e assustador, enquanto o filme soa mais fantástico e visual. O livro vai direto ao ponto, numa narrativa ágil. O filme faz questão de desenvolver cada parte para que o envolvimento pessoal com cada personagem seja maior.</p>

<p>Assim, embora eu prefira o filme por desenvolver melhor a história e acrescentar elementos interessantes, ainda prefiro o clima do livro, assim como algumas de suas passagens. E, por mais que a animação seja fantástica, gostaria muito que fizessem um filme com atores mais fiel ao livro futuramente.</p>

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Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brazil
Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Colunista de cultura pop. Cinema, quadrinhos, k-pop. O blog surgiu em 2008 com a proposta de reunir o que eu achava de interessante pela internet e evoluiu até se tornar algo mais original. Atualmente serve como um local de divulgação de links de matérias que escrevo para outros sites, rascunhos e alguns textos aleatórios.