quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Esboços de matérias sobre protesto pela educação e peça teatral

Escritos em 2016.


Protestos pela educação não param
SEPE diz que a paralisação é por tempo indeterminado e rebate respostas do governo

Imagem 1: Fachada do SEPE Caxias.

     “A princípio é por tempo indeterminado”, diz Antônio Alvez, funcionário público e diretor do SEPE (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação), sobre a questão da duração da greve. Desde que iniciou a greve dos docentes na última quarta-feira, professores e alunos da rede pública não param de ir para as ruas do centro do Rio de Janeiro reivindicando melhorias em relação aos salários atrasados, parcelamento do décimo terceiro, mudanças na data de pagamento e a situação precária das escolas. Nesse dia, pelo menos dez mil servidores públicos do estado do Rio ocuparam desde as escadarias da Assembleia Legislativa até o prédio do Tribunal de Justiça do Rio gritando “Fora Pezão”. Cerca de trinta categorias participaram da passeata.

Imagem 2: Antônio Alvez, diretor do SEPE.

     No sábado, dia 5, a Secretaria de Educação pediu orientação para o Conselho Tutelar e o Ministério Público sobre o movimento infantil. Segundo ela, o objetivo é proteger os estudantes que estão sendo incentivados pelos grevistas a ir para as ruas manifestar. O objetivo é proteger os alunos dos atos. “O governo tá muito preocupado com os estudantes na rua. E as escolas que estão com problemas elétricos?”, rebate Antônio, complementando com uma crítica em relação ao ocorrido onde o governo mandou embora os porteiros das escolas, “E a falta de segurança? Sem porteiro fica complicado a segurança. O governo não tá preocupado com isso”. Antônio considera que “o movimento estudantil é um movimento autônomo”, ou seja, os estudantes possuem liberdade para lutar pelo que acreditam, sem imposição de professores.

Imagem 3: Passeata do movimento estudantil no centro de Duque de Caxias.

     A Secretaria de Educação informou que irá cortar hora extra e gratificação especial por projetos daqueles que continuarem com a greve. O SEPE vai contra essas atitudes. Antônio comenta: “Na questão da greve, o governo não pode fazer isso, a greve é um direito constitucional. O governo usa essas formas para reprimir”. Para ele, “não há vitória sem unidade”, e reforça a ajuda de todos nessa luta: “Quanto mais a gente puder engrossar esse movimento com outros setores do funcionalismo, pra gente é muito importante, é fundamental”.

“Não há vitória sem unidade”
- Antônio Alvez Filho

Universidade Unigranrio
Laboratório O Dia
Alunos: Adriana Silva, Beatriz Cordeiro, Eder Mota, Lucas Cardozo, Natasha Florencio.

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Mostra Baixada em Cena apresenta nova companhia teatral
Companhia de teatro Casa Verde estreia com a peça Torturas de um Coração 

Imagem 1: Cena da peça “Torturas de um Coração”, da companhia de teatro Casa Verde.

Mostra Baixada em Cena

     Realizado entre os dias 10 e 26 de março, na Biblioteca Parque Estadual, no centro do Rio, a Mostra Baixada em Cena apresentou diversas programações artísticas produzidas por artistas da Baixada Fluminense.
     Entre seus anos de existência, a iniciativa já gerou mais de vinte e cinco postos de trabalhos diretos entre técnicos e estagiários do setor artístico. Todo esse trabalho tem repercussão nas mídias locais e estadual. A partir de 2011, a Rede Baixada em Cena criou uma ação de intercâmbio e circulação de espetáculos com seus membros e em 2015 organizou, na cidade de Nova Iguaçu, o projeto do MinC Emergências - Baixada Representa.

Companhia de Teatro Casa Verde de Itaguaí

     Fundada em 2015, a companhia de teatro Casa Verde, de Itaguaí, na direção de um dos maiores impulsionadores da cultura periférica, Alexandre Damascena, apostou em novos atores. Dessa iniciativa surgiu o espetáculo Torturas de um Coração, abordando temas como racismo, violência doméstica, bullying e homossexualidade. O texto original é de Ariano Suassuna, autor de peças como Auto da Compadecida.
     O personagem central da historia é Benedito, um negro pobre sem títulos. Apaixonado por Marieta, ele descobre que, para conquista-la, precisa enfrentar o Cabo Setenta, policial da guarda, e Vincentão, o valentão de Taperoá. A história se passa no nordeste dos anos 40.
     Dentre os elementos cênicos, são utilizados vários instrumentos musicais, como sanfona, gaita, viola, entre outros. A peça é narrada por uma personagem observadora, que não influenciava na história. A plateia, formada por crianças e adultos, não se desprendeu um minuto das cenas de ação e humor. Uma curiosidade é que foi a primeira apresentação da trupe recém-criada.

Impressões da peça

     De acordo com as informações da peça, o público-alvo foi o infanto-juvenil, porém o que foi visto não foi bem assim. Por ser uma peça de humor, tudo o que era retratado era exagerado para tirar risos do público. Boa parte possuía um humor leve, algumas partes leve até demais, dignos de uma produção infantil. Entretanto, em determinados momentos, o humor utilizado possuía um teor mais adulto ou humor negro. Salvo momentos específicos, não houve problema com as piadas utilizadas, mas, num contexto geral, faltou um equilíbrio, fazendo as piadas leves parecer infantis demais, ressaltando os momentos “adultos”.
     Por parte do cenário, não há muito do que comentar, afinal, foi algo simples. A diferença ficou por conta de portas móveis de onde os atores saíam, em vez de um cenário fixo. Por parte da atuação, todos representarem bem seus papeis, sem ressalva.
     O que causou polêmica foram certos detalhes. Ora, a peça se passa num contexto antigo, numa situação onde a visão do preconceito era diferente. Nesse sentido, tudo poderia ser explicado justamente pelo contexto. Após discutir entre amigos, chegamos a observações e três merecem ser citadas.
     A primeira é em relação ao rosto pintado, tradição no meio artístico muito criticado atualmente. O ator branco representou um personagem negro e uma atriz negra interpretou uma personagem branca. Para o feito, pintaram um círculo no rosto dos dois atores, com suas determinadas cores.
     A segunda aconteceu mais para o final da peça, quando o protagonista espanca a mulher e ela diz que tapinha de amor não dói. A cena por si só já estava forçada, e só piorou quando essa frase foi dita, mas ao fim acabou passando quase que despercebida em meio ao encerramento da peça.
     A terceira remete as músicas apresentadas em meio a peça. Durante a palestra ocorrida após a peça (sem ligação), uma das expectadoras reclamou que as músicas soaram fracas e algumas incomodaram com suas frases “preconceituosas e infantis, não representando a realidade das minorias”.
     Deve ser ressaltado que a intenção não é prejudicar a peça, já que ela conseguiu transmitir sua mensagem e entreter o público. A intenção também não é querer ser politicamente correto, e sim destacar momentos duvidosos até para mentes politicamente incorretas. Entre altos e baixos, esperamos que a nova companhia obtenha sucesso futuramente.

Imagem 2: Capa da obra.

“Para nossa alegria é estreia da peça e também da companhia”
- Alexandre Damascena

Universidade Unigranrio
Jornalismo – 7º período
Laboratório O Dia
Profª: Cíntia Barreto
Alunos: Adriana Silva, Beatriz Cordeiro, Eder Mota, Lucas Cardozo, Natasha Florencio.

Sobre Mim

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Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brazil
Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Criei um blog em 2008 por curiosidade para reunir o que achava de melhor na internet. Em 2010 criei outro blog para críticas de filmes e afins. Buscando apresentar uma identidade mais pessoal, em 2014 reformulei ambos. Hoje servem mais como meios de divulgação para matérias que publico em outros sites.