CRITICAS DO LUCAS CARDOZO

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A influência da mídia na imagem de um artista e no próprio artista explorada no videoclipe Coud D’Etat do rapper sul-coreano G-Dragon


 *Este foi um trabalho de faculdade.
*MV no final.

     “A revolução não será televisionada”. É com essa frase que GD, abreviação de G-Dragon, chama o público para seu novo trabalho. O mv e a música que dá nome ao álbum, Coup D’Etat, Golpe de Estado em francês, conquistou o público mas ao mesmo tempo trouxe um ar de mistério sobre o cantor. GD é líder e membro do grupo de k-pop Big Bang. K-pop é o nome dado para o ritmo pop coreano, que mistura principalmente ritmos como pop, hip-hop, dance,  rock, eletrônica e r&b. MV é ‘videoclipe’ em inglês.

      Durante sua trajetória, GD revelou que a mídia controlava sua imagem, seja descaradamente seja subliminarmente.  Não que seja novidade, o kpop mesmo é uma grande indústria musical manipuladora, mas isso não vem ao caso nesse momento. GD sempre procurou um modo de inserir críticas a tudo, principalmente a mídia e inclusive a si mesmo.

     Em algumas de suas músicas há frases como “Meus sonhos se despedaçaram, perdi meu coração / Por você vou jogar esse corpo fora / Irei correr para onde você estiver / Mas você me disse adeus”, “Vocês são meus corações despedaçados (DJ e YG)” (sendo YG a empresa que ele pertence), “Eu disse "mãe, pai, / Quem são vocês?" / Quem sou eu? Onde estou? / Não importa, eu sou um drogado”, “Por que sou diferente, por que este sou eu! Por que não importa o que eu faça, o caos toma conta / Por que eu crio tendência, por que eu mudo tudo. Este dom nunca vai me deixar”. Podemos perceber que ele sempre deixou claro sua opinião sobre as coisas e sobre si mesmo, embora muitos não percebessem. Digno de “mensagem subliminar”, ou quase.

     Entrando em Coup D’Etat, percebemos uma música cheia de mensagens e um mv repleto de simbolismo. Sites como Talk About Kpop, It Pop e Big Bang Brazil fizeram uma análise sobre.

     De início vemos GD jogado se contorcendo no chão com os olhos vendados enquanto a letra diz “Pessoas, a revolução não será televisionada / A revolução está em sua mente / A revolução está aqui”. Então durante “Este é o meu golpe de estado / Um boomerang indo ao redor de boca em boca / Mãos para cima, para o alto / A música está começando, eu sou o pegador” vemos GD dentro de uma torre embaixo de um pêndulo, representando que ele está calmo em meio a pressão do tempo sobre si. Há quem diga que a representação da cena é uma forma figurada de dizer que um segredo pode um dia acabar vindo a tona, ou seja, de que o tempo destrói as paredes. Ainda na mesma estrofe vemos uma criança olhando para um túmulo e depois GD em cima do mesmo túmulo. É GD pequeno olhando para ele mesmo morto.

     “Vá em frente e se esconda, porque eu posso vê-lo / Eu sou a caldeira nova que foi colocada na casa do seu pai / Isso é um spoiler, eu sou assim, eu vôo assim, eu sou um assustador f-killer / Um gorila que rouba o coração das mulheres” é a próxima estrofe. Aqui vemos mulheres de vermelho com olhos vendados dançando sensualmente. E o pêndulo lá batendo. Depois GD aparece com um buraco no lugar do coração. As mulheres aqui representam as que passaram pela vida do GD e que o amam pela sua imagem, e não pelo seu verdadeiro eu. Na fama o importante é você ser visto pelos outros, e não você ver os outros. Para entrar nesse mundo, GD teve que “arrancar seu coração”, ou seja, ignorar seus sentimentos. Entrando no contexto coreano, as empresas musicais tratam assim seus artistas em relação a casos amorosos: “Esconder tudo da mídia”, ou melhor, “não namorar”. “Bang Bang Bang / Eu ganho dinheiro com os meus próprios dentes / Com apenas uma das minhas músicas você pode deixar a sua empresa / Eu sou um vigarista nesse jogo, você é um vigarista / Porque você nunca irá saber o que é fama”. GD está entediado olhando para fora através do buraco de uma bilheteria. Por fora vemos apenas seu olho e sua mão. Ele está dizendo que faz músicas para vender para seu público e que as pessoas só o veem assim, como um artista musical para essa definição. Ainda na mesma estrofe vemos por dentro: GD está repleto de rádios, microfones e todas essas bugigangas enquanto vultos se contorcem na tela branca da bilheteria. GD está dizendo que ele faz o que quer e que os fãs estão ali desesperados pelo seu trabalho. Há uma teoria que diz que essa cena representa a mídia de fofoca sobre o cantor enquanto o público está ansioso pelas novidades. E o pêndulo lá batendo.

     Logo em seguida repete-se o refrão, dita no início da análise do mv. A cena dessa vez é a de GD deitado em uma árvore branca, já apodrecida e com os frutos podres, enquanto uma mulher de preto tapando o rosto com uma espécie de guarda-chuva e gaiola segurando uma serra elétrica o observa atrás da árvore. A árvore já apareceu em outros trabalhos dele, vivas, mas agora está morta. GD mostra que sua sabedoria está se tornando escassa, que seus trabalhos estão se estragando. A mulher representa seu amor afastado, apenas observando-o, mantendo distância e preparada para isso. GD diz que não consegue ficar perto de quem ama e protege seu amor de longe.

     Depois vem “Se tempo é dinheiro, então eu sou muito pobre / Eu sou como hong kil dong, durante todo o ano / Meu telefone continua chorando como um bebê recém-nascido / Meu telefone continua latindo como o cão ao lado”. Aqui GD está sentado numa cozinha enquanto dinheiros são fervidos em panelas. Ele mostra que agora só faz música para vender, desmotivado, já que as pessoas querem saber dele como artista apenas. Ele mostra também como ganha dinheiro fácil, até num simples movimento de dedo. Em seguida temos “Bow wow wow yeppie yo yeppie ye / Eles me chama de arrogante, metido, atrevido / Eu sou assim tão fresco e limpo, que eu concorro com a lavanderia / E o meu fluxo está tão doente, ele vai para a unidade de terapia intensiva”, onde GD está num camarim sentado numa cadeira sendo eletrocutado enquanto o pêndulo está parado em cima dele. As luzes piscam simultaneamente. É a fama subindo a cabeça. GD se diz limpo mas suas músicas estão o levando a loucura.

     O refrão se repete novamente. Temos duas cenas: a do pêndulo balançando e uma onde podemos dividir em duas partes: Primeiro GD está de olhos vendados no meio de um tiroteio na frente de uma parede com os olhos de seu verdadeiro eu desenhados, depois ele está com uma máscara mas de olhos abertos e com vários rostos de GD desenhados na parede. Ele demonstra que não consegue ser os dois ao mesmo tempo e que para que um apareça o outro tem que ser “sacrificado”. Outra interpretação é de que a imagem dos olhos seja sua empresa o observando e os vários rostos sejam seus amigos o observando, ou seja, a empresa o vê como produto, já os amigos como um ser humano.

     “Cabeça, ombros, joelhos e pés, chegue os ganhos, verifique o microfone / Um, dois, três, quatro, eu sou como pacman que come mcs / Cabeça, ombros, joelhos e pés, chegue os ganhos, verifique o microfone / Um, dois, três, quatro, este é o evangelho, amém”. Vemos GD sentado numa mesa enquanto fotógrafos e repórteres de olhos vendados se atacam para tentar conseguir um momento com ele. GD diz que a mídia é cega e não está preocupada com a verdadeira história, e sim a história que possa vender. A referência também serve para seus próprios escândalos. Ainda temos uma cena em que GD está morrendo com um bico de corvo enquanto vários corvos o cercam. Ele mostra que está enfraquecendo e aguardando a morte (o corvo pode ser um símbolo da morte). Embora também é discutido que na verdade ele representa um falso corvo em meio aos corvos, ou seja, um cantor de mentira dentre os de verdades ou alguém diferente dos demais infiltrado em meio a esses outros, todos iguais. Também é discutido de que a morte dele represente sua polêmica quando acusado de plágio, o que levaram anti-fãs a quererem-no morto. E também a polêmica que quase acabou com sua carreira, quando ele simulou uma cena de sexo durante um show. Ao final vemos máscaras, e então entra a outra parte: “Você que alguma coisa? Você quer um pouco mais, isso não é suficiente / (A minha unica regra é não tornar-me comum) / Me dê alguma coisa, dê um pouco mais, tudo bem galera / (Pessoas ridículas me imitando não são permitidas)”. Lágrimas pretas começam a escorrer pelas máscaras e depois GD tira uma máscara branca de seu rosto, que está todo preto. GD está arrependido de tudo o que fez, porém logo depois ele está com essa “mancha” negra. Ele está triste e sozinho, carregando suas conseqüências. Logo depois ele quebra a máscara e entra o refrão.

     No refrão ele caminha entre grandes ossos, formando uma coluna vertebral, em direção a um rosto destruído. Seu eu, sua aparência destruída. E o pêndulo balançando. Voltamos ao início. GD, com a pele toda enrugada, se levanta com uma pedra e o taca com todas as suas forças para o muro na sua frente. O seu eu dentro da torre com o pêndulo começa a gritar e as paredes a ruírem. O seu eu enrugado começa a rasgar a pele, revelando uma nova pele por baixo. Ele está recomeçando, está deixando seu passado de lado e reconstruindo sua imagem. Após quebrar o muro, ele vira um ninja vestido de vermelho, com bandeiras vermelhas a sua volta. Vermelho, a cor da paixão, da força, da coragem. Esse foi seu golpe de estado. GD anuncia que música e fama andarão lado a lado e que ele está pronto para o que der e vier sem perder sua essência.

     Servindo mais como uma auto-análise, GD mostra a seus fãs e a mídia um resumo de toda a sua carreira e tudo o que aconteceu. Ele tenta mostrar algo comum na mídia, tanto a manipulação dos fatos pela mídia quanto a mudança de personalidade do artista sobre a fama e o dinheiro. O grande culpado da história é a mídia, que aumenta o ego de forma grandiosa e dá a oportunidade do artista crescer, mesmo sabendo que o artista é também um ser humano e que os humanos possuem esse desejo de poder, de crescer, de ficar famoso, por isso a mídia os tratam como objetos, afinal, os próprios fãs acabam fazendo isso, voluntária ou involuntariamente. O golpe de estado é um recomeço, uma busca de fugir de tudo e renascer das ruínas em que vive.

Quem quiser ver o mv: http://www.youtube.com/watch?v=C8T6771Sdj8

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Duque de Caxias, Rio de Janeiro, Brazil
Em 2008 criei um blog por experiência. Queria saber como era um blog. Inicialmente era apenas para reunir o que eu achava de legal pela internet. Dois anos depois, em 2010, criei meu blog com críticas de filmes, já que, embora eu não seja experiente nesse ramo, gosto de ver filmes, de entendê-los e tal. Em 2014 vieram as mudanças. O blog que reunia o melhor da internet virou um blog de matérias e histórias que eu mesmo escrevo. O blog que continha críticas de filmes, séries, curtas, shows, etc, agora são apenas filmes e séries devido a enorme demanda de conteúdo. Os modos de escrita também estão mudando para melhor. Fiquem ligados para novidades.

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